O japonês Shusaku Endo pública pela primeira vez a sua obra em 1966, denominada "Silêncio". Silêncio se passa na época do Japão Feudal, no século XVII. Nesses tempos havia um esforço para unificar o Japão, que se encontrava nas mãos de vários senhores, chamados daimiôs. É nesse contexto que surge a perseguição ao cristianismo, fé que estava crescendo rapidamente no Japão, mas que por medo de influências estrangeiras foi acometida por uma grande perseguição por parte dos governantes japoneses.
O autor, cristão de vertente católica, fez parte do pequeno número de japoneses que professam a fé cristã no Japão. Para se ter uma ideia, o número de cristãos atualmente no Japão é de apenas 1% em uma população de 126 milhões de pessoas. Como informo acima, houve um crescimento bastante rápido de conversões de japoneses nos primórdios do cristianismo no país. Mas após a proibição e perseguição violenta repleta de mártires no país, o cristianismo parou de crescer e se tem como resultado disso a situação atual do cristianismo no Japão.
O autor, através de seu personagem Rodrigues, um padre português que se encontra diante do dilema de se apostatar ou não, vai expor a sua visão acerca desse tema de grande gravidade na fé cristã. Se o leitor não deseja saber se Rodrigues apostatou ou não, advirto que ele pare neste momento, leia a obra, e logo após, se assim quiser, continue a leitura.
Rodrigues está diante de tal situação, situação essa que temos vários e vários exemplos de como proceder nas Escrituras. Para citar um exemplo, temos o seguinte texto dito por Jesus diante de seus ouvintes, que se encontra em Mateus10:33: "Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus". Então, mesmo o autor tendo grande conhecimento bíblico (o mesmo cita através de Rodrigues diversos textos das Escrituras na obra), ele faz com que seu personagem principal ceda à apostasia em nome do "amor" para com seu próximo.
E aqui temos nesse final de obra toda aquela heresia bem presente nos dias de hoje que toma o "amor" de Cristo e esmaga com ele os demais ensinamentos como se não tivessem importância alguma. Podemos então dizer que a morte de Paulo, Estevão, Tiago e outros milhares de mártires cristãos foram em vão? Será que estavam enganados por seu orgulho e radicalismo religioso?
Shusaku era um bom escritor. Mas infelizmente criou o seu próprio deus e a sua própria doutrina para seguir. Nada há de cristianismo em seu pensamento deturpado e perigoso à verdadeira fé cristã.