A Descoberta da América Pelos Turcos -

    Jorge Amado

    Record
    1994
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-10: 8501041610
    Português Brasileiro

    Narrativa breve e bem-humorada sobre como o sangue árabe - ou "turco" - ajudou a compor a mistura brasileira, contribuindo para a formação de um povo sensual, alegre e trabalhador. O sírio Jamil Bichara e o libanês Raduan Murad desembarcam na Bahia em 1903 e se instalam na região grapiúna, litoral sul da Bahia, eldorado do cacau. O jovem e trabalhador Jamil abre um empório em Itaguassu. O experiente e boêmio Raduan prefere Itabuna. Ali, nova oportunidade de "fazer a América" se apresenta ao "turco" Jamil: o comerciante Ibrahim Jafet quer casar sua primogênita - a feiosa, ácida e "incólume" Adma. Em troca, oferece sociedade no armarinho O Barateiro. A descoberta da América pelos turcos, escrito no início dos anos 90, por ocasião do quinto centenário da descoberta do continente americano, revisita a formação da cultura cacaueira e do povo brasileiro, essencialmente mestiço. No posfácio, José Saramago qualifica a obra como "prodígio da arte de narrar"e a compara à tradição picaresca, em que se combinam a violência, o humor, a inocência e a astúcia.

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    Doney Corteletti Stinguel24/10/2016Resenhou um livro
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    Lista de Livros: A Descoberta da América pelos Turcos, de Jorge Amado

    “Quanto a dizer, como alguns diziam, despeitados, ser Raduan Murad ferrenho adversário do trabalho, ter-lhe santo horror, o que sucede com frequência aos letrados, trata-se de injustiça e má vontade, evidentes. Se de fato durante a primeira juventude o Professor – assim muitos o tratavam com deferência – recusara-se com obstinação a misteres pouco condizentes com sua capacidade intelectual, não havia trabalhador mais assíduo e pontual em mesa de pôquer ou der qualquer outro jogo de azar.” * “Quanto à caçula, Fárida, diziam-na a mais formosa entre as turcas do armarinho. Um pitéu, na cúpida designação de Alfeu Bandeira, aprendiz de alfaiate sob as vistas de mestre Ataliba Reis, dono da Alfaiataria Inglesa, cujas portas se abriram em frente às do sobrado dos Jafet. Alfeu degustou o pitéu, que diga-se a verdade, se oferecia num descaro condenado com vigor pelas famílias da vizinhança: tamanho agarramento, tanta esfregação, tinha de acabar mal. Acabou bem, em casamento às pressas. Véu de tule esvoaçando sobre a intrépida barriguinha de Fárida, prenha de quatro meses, flores de laranjeira na grinalda, símbolo de pureza e virgindade. Virgem, só se for no sovaco, comentou mestre Ataliba, escolhido padrinho pelo noivo. No sovaco, será?, duvidou Raduan Murad, padrinho da noiva, cético como convém a um erudito.” * Mais em:

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