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    A sociedade contra o Estado (Argonautas) -

    Pierre Clastres

    Ubu
    2017
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788592886189
    Português Brasileiro
    4.4
    34 avaliações
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    O poder nem sempre é exercido numa relação hierárquica de dominação e submissão - esta é a tese desenvolvida por Pierre Clastres neste que é um dos mais importantes trabalhos de antropologia política do século XX. Os onze artigos, publicados entre 1962 e 1974, fazem uso do arcabouço teórico desenvolvido por autores franceses como Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault. O autor se baseia em estudos etnológicos e em sua vivência com populações indígenas da América do Sul para formular um novo conceito de política. O livro foi uma referência importante no argumento de Mil platôs, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. De acordo com a visão corrente na época, as sociedades primitivas seriam desprovidas de uma esfera política por não apresentarem formas de exercício de poder iguais às ocidentais - isto é, as relações hierarquizadas e autoritárias de comando-obediência que normalmente são associadas ao Estado. O autor reivindica uma revolução copérnica que liberte a antropologia desta postura etnocêntrica e possibilite uma interpretação mais ampla das relações de poder, abrindo o caminho para o estudo da política nesses povos. Ao analisar as características da posição do chefe, Clastres defende que a ausência de Estado não é casual. Ao contrário, as sociedades primitivas fazem um esforço ativo de regular as interações do chefe com o grupo, estabelecendo os parâmetros segundo os quais as trocas ocorrerão. Clastres propõe uma inversão da lógica marxista segundo a qual o poder de poucos sobre muitos deriva da desigualdade social; defende, ao contrário, que a desigualdade é uma consequência da atribuição de um poder autoritário a um grupo dominante. Assim, em oposição ao conceito de sociedade sem Estado, ele propõe o de sociedade contra o Estado: sociedades que atuam impedindo a conversão do poder do chefe em autoritarismo. Além do prefácio assinado por Tânia Stolze Lima, etnóloga e professora associada do Departamento de Antropologia da UFF, e Marcio Goldman, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ), a edição inclui uma interessante entrevista com o autor feita por jovens estudantes da revista L'Anti-Mythe, na qual fica evidente seu propósito de ampliar a reflexão sobre a política nas sociedades com Estado a partir de um deslocamento do olhar proveniente da pesquisa etnológica. O texto de orelha é assinado por Sergio Cardoso, professor de filosofia da USP.

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    Bruno Palmeiras picture
    Bruno Palmeiras27/04/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Vivam os povos originários!

    Vivam os povos originários e abaixo ao Estado racista ocidental capitalista! Sempre que eu leio algo sobre povos originários do lugar que hoje chamam de América, mais eu tenho certeza que o mundo seria infinitamente melhor se não tivesse existido a colonização cristã europeia ocidental terrorista. Imagina só trabalhar para viver com conforto, comer, morar e estar preocupado em fazer coisas pensando coletivamente e para evolução do mundo? Mas não, vamos trabalhar para enriquecer a meia dúzia exploradora que não trabalha e nunca trabalhou na vida. Imagine não existir a merda do Estado ocidental racista terrorista, que só se importa com ricos? Mas não, vamos defender essa farsa que chamam de democracia, vamos viver com hierarquias que só promovem desigualdades e humilhações. Imagine viver para natureza e da natureza? Mas não, vamos destruí-la para termos um monte de coisas inúteis, que viveríamos sem (e aqui não é uma critica a indivíduos e sim ao modo de produção capitalista). Voltando especificamente ao livro, dois pontos que mais curti no livro: 1- Como em vários povos indígenas, a liderança era pensada no coletivo e não pelo uso de força e poder, se o líder não seguia o que o povo clamava, abraço para ele. Hoje é igualzinho, ne? ahhahah e há quem acredite em eleições ainda ahahhahah 2- Como em vários povos as relações envolvendo afeto e sexual não era monogâmicas (claro, essa merda ai foi imposta pela colonização cristã) e sim pensadas no coletivo. Ain, mas por que os indígenas são contra o Estado? Porque primeiramente qq estado é racista com eles, depois que isso foi algo imposto pelo racistas cristãos do ocidente com sua colonização genocida que exterminou mais de 90% das pessoas que viviam aqui, logo, não tem nada a ver com a cultura de povos originários. Eles não enxergam o mundo com hierarquias, reforçadas pela Estado, que produzem divisões, eles não enxergam o mundo entre exploradores e explorados, entre ricos e pobres, não enxergam que pessoa X é mais importante porque é uma merda de um presidente de um Estado racista.

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    Pierre Clastres

    Pierre Clastres nasceu em Paris, em 1934. Foi um importante antropólogo e etnógrafo francês da segunda metade do século XX.Clastres é conhecido sobretudo por seus trabalhos de antropologia política, suas convicções anarquistas e anti-autoritárias e por sua pesquisa sobre os índios Guayaki do Paraguai. Formou-se em filosofia na Sorbonne em 1957, e durante os anos de licenciatura se orientou para a etnologia, frequentando seminários de Claude Lévi-Strauss e Alfred Métraux. Nos anos 1960 realizou missões etnológicas entre diferentes tribos indígenas no Paraguai: os Guayaki, ou Aché, em 1963, os Guarani em 1965, e os Chulupi em 1966 e 1968. Em 1966, um ano após seu doutorado, tornou-se membro do Laboratório de Antropologia Social do CNRS, em Paris, dirigido por Lévi-Strauss, onde permaneceu até 1974. Passou ainda breves temporadas com os Yanomami, na Amazônia venezuelana, em 1970, e com os Guarani, no Brasil, em 1974. Em 1975 tornou-se directeur d’études da École Pratique des Hautes Études, 5ª seção, em Paris. Faleceu em um acidente automobilístico em 1977, em Gabriac, no sul da França. Publicou os seguintes livros: Chronique des indiens Guayaki (1972, baseado em sua tese de doutoramento defendida em 1965), La société contre l’État (1974), Le grand parler (1974) e Archéologie de la violence (1977). Postumamente foram publicados os volumes Recherches d’anthropologie politique (1980) e Mythologie des indiens Chulupi (1992).

    13 Livros
    17 Seguidores

    Pierre Clastres