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    Políticas do sexo (Argonautas) -

    Gayle Rubin

    Ubu
    2017
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788592886486
    Português Brasileiro
    4.4
    105 avaliações
    Leram171Lendo24Querem440Relendo0Abandonos6Resenhas16
    Favoritos15Desejados440Avaliaram105

    Dois ensaios de referência fundamental para os estudos de gênero e sexualidade são reunidos e publicados neste volume. “O tráfico de mulheres” foi publicado em 1975, sob o impacto da tradução de Lévi-Strauss e da crescente presença do marxismo e da psicanálise no meio acadêmico estadunidense, num período em que as ciências humanas afirmavam que a desigualdade não era natural (mas social), e a antropologia se questionava sobre a universalidade da opressão das mulheres. Revendo e problematizando autores canônicos – Marx e Engels, Lévi-Strauss, Freud e Lacan – Rubin utiliza pela primeira vez o termo gênero num texto de teoria antropológica, afirmando a existência de um sistema de sexo-gênero, associado à própria passagem da natureza para a cultura. Ela critica e questiona a heterossexualidade implícita no raciocínio desses autores – como a presença de um tabu anterior ao do incesto, o da homossexualidade na teoria de Lévi-Strauss. Numa linguagem acessível para não antropólogos, Rubin argumenta que gênero e sexualidade devem ser pensados em interação, sugerindo que é o próprio arranjo do parentesco que produz socialmente o gênero, uma vez que por meio do casamento e da divisão sexual do trabalho se institui a diferença entre homens e mulheres. A desigualdade social entre homens e mulheres aparece em estreita conexão com o controle da sexualidade feminina e a instituição do ideal heterossexual. Marco da reflexão sobre sexualidade, em “Pensando o sexo”, a autora argumenta que a sexualidade constitui uma categoria de desigualdade em si – em certa medida um eixo de hierarquia descolado do gênero. De modo provocativo, o texto problematiza as categorias classificatórias e expõe algumas formas regulatórias da sexualidade, como o direito e a medicina. Em diálogo com Foucault, revisões históricas como a de Jeffrey Weeks, além da evidente inspiração nas análises antropológicas que descrevem a diversidade cultural com relação à sexualidade, Rubin criticou a moralidade sexual subjacente às teorias e aos movimentos sociais com a mesma veemência com que tratou o status quo da teoria antropológica. Estes ensaios constituem os dois textos mais influentes de uma autora que se afirma militante feminista e pelos direitos das minorias sexuais. São textos fundamentais para entender o debate contemporâneo sobre gênero e sexualidade.

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    Adonai Takeshi Ishimoto picture
    Adonai Takeshi Ishimoto31/12/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Para que possamos sempre discutir sobre sexualidade

    As discussões sobre gênero e sexualidade seguem seus fluxos e continuam ramificando reflexões e é muito bom poder ter contato com produções mais anteriores que colocam em dizeres algumas situações-chave, mas que também fazem pensar que precisamos avançar bastante. Não é um livro tão simples, muitas referências, excesso de leituras acumuladas e palavras que carregam muitos significados. A leitura foi ótima, trabalhosa, estimulante e ao mesmo tempo desviante, não são textos que se encerram, pelo contrário, fazem a gente sair do livro o tempo todo.

    23 curtidas

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    4.4 / 105
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    • 4 estrelas27%
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    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Gayle Rubin profile picture

    Gayle Rubin

    Formou-se na Universidade de Michigan, onde fez um curso especial de Women Studies [Estudos sobre a Mulher], de 1969 a 1972, quando terminou o B.A. com uma tese sobre a literatura e a história do lesbianismo, com uma abordagem que articulava psicanálise e parentesco. Ingressou em seguida na pós-graduação no departamento de antropologia, onde também começou a lecionar, recebendo o M.A. em 1974. No ano seguinte publicou o artigo que a tornou conhecida, “Traffic in Women” [“Tráfico de mulheres”]. Em 1978, mudou-se para São Francisco para realizar uma pesquisa sobre comunidades gay leather [couro], tornando-se PhD em antropologia pela Universidade de Michigan em 1994, com uma tese sobre o tema. Sua pesquisa foi pioneira no campo de estudos sobre sexo e gênero na antropologia. Ainda em 1978, fundou com Patrick Califia e outros militantes o primeiro grupo lésbico sadomasoquista que se tem notícia, o Samois. Como ativista pró-sexo, exerceu grande influência nos debates sobre gênero e sexualidade desde então. Desde 2003 é professora do departamento de antropologia da Universidade de Michigan.

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    Gayle Rubin