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    Atos Humanos -

    Han Kang

    Dom Quixote
    2017
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-13: 9789722063234
    Português
    4.3
    2271 avaliações
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    Favoritos5Desejados5943Avaliaram2271

    Em 1980, por toda a Coreia do Sul, os estudantes revoltaram-se contra o fecho de universidades e a falta de liberdade de expressão. Porém, na região de Gwangju, a repressão foi tão violenta que a população acabou por se juntar ao protesto, dando origem a um dos piores massacres na história do país. Os mortos e desaparecidos ainda estão, de resto, por contabilizar. Como lidar com a morte de alguém quando o seu corpo não aparece? Esta é a história de Dong-ho, um rapaz que não resistiu a seguir o melhor amigo até à manifestação, mas, quando ouviu os tiros, largou-lhe a mão, procurando-o agora entre os cadáveres de uma morgue improvisada. E é também a história dos que cruzaram o caminho de Dong-ho antes e depois dessa noite infame - os que caíram por terra desarmados e os que foram levados para a prisão e torturados; os que sobreviveram ao terror mas nunca mais conseguiram falar do assunto e os que, tantos anos passados, sabem, tal como Han Kang, que a história pode repetir-se a qualquer momento e que é preciso lembrar os atos brutais de que os humanos são capazes. Este é um romance universal e moderno sobre a batalha que os fracos travam contra os fortes na luta pela justiça.

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    mpettrus21/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Sofrimento à Sombra de Um Massacre

    Gwangju, Coréia do Sul, 1980. O povo reage contra o assassinato de estudantes universitários pelo Regime Militar. A onda de resistência fica mais poderosa e logo a ditadura se depara com uma revolução. Uma luta pela liberdade e democracia para o povo sul-coreano. O número de mortos aumenta a cada minuto. Os necrotérios e ginásios estão cheios de cadáveres, jovens e velhos, adultos e crianças. Eles são levados como lixo, as prisões se transformam no Inferno na Terra. Entre as vítimas, está um jovem estudante com sonhos e aspirações de uma vida melhor, o carismático Dong-ho. Ele é o nosso guia para um curso de morte com sua voz cheia de melancolia e dor. Depois de ouvirmos seu relato, somos levados a conhecer mais cinco relatos. Do melhor amigo de Dong-ho, que não escapou da escuridão, morto pelas tropas. Da editora enfrentando a censura e a tortura. Do prisioneiro que foi torturado por seu envolvimento no levante; da ativista operária que luta para se recuperar dos traumas que a ditadura lhe trouxe; do relato da mãe de Dong-ho, que tenta entender a terrível realidade que destruiu seu mundo. E, por fim, do relato da própria autora que fornece seu próprio testemunho sobre como ela foi pessoalmente, embora indiretamente, afetada por aqueles 10 dias de maio de 1980, quando tinha apenas 9 anos de idade. Essas vozes formam um coro que narra um conto sombrio da crueldade do que o ser humano é capaz de fazer contra seu semelhante. Crueldade inadulterada, desavergonhada e impiedosa para impor seu poder e ambições distorcidas. A autora Han Kang desvenda com uma habilidade primorosa os catalisadores sociais e políticos por trás do massacre mapeando sua longa e tóxica precipitação sobre as vidas de Gwangju ao mesmo tempo em que nos entrega um romance de sangue e osso. Porque esse romance também fala da violência sobre o corpo de maneira gráfica e com uma dissonância estarrecedora. Eu não pude deixar de perceber que a cada capítulo a autora explora o que acontece quando dois elementos aparentemente diferentes ou opostos tentam coexistir quando a inocência é cercada de violência, quando os mortos continuam vivos, quando os sobreviventes vivem como os mortos, quando os prisioneiros ainda se sentem aprisionados e quando o passado se torna terrivelmente presente. Enquanto lia “Atos Humanos”, cujo título original significa “O Menino se Aproxima”, minha paz foi decididamente abalada. Este romance angustiante sobre o massacre de Gwangju não tem interesse, e com razão, em nos fazer sentir em paz. Ele dilacera, assombra, sonha, lamenta e, por causa do uso eficaz da narração em segunda pessoa, os personagens o chamam – persistentemente – até que você sinta o que os mortos sentem e, talvez pior, o que os sobreviventes sentem. Brutal e intransigente, com um floreio de sangue e barbárie que é rápido e inesperado, esse romance é belo e urgente. Vislumbramos a devastação que o evento causou, que posteriormente foi denominado de ‘Massacre de Gwangju’, e testemunhamos pela literatura de Han Kang um dos atos de violência mais perturbadores do século XX. O romance já começa nos apresentando uma pilha de cadáveres em um oceano de sangue, que são os corpos de todos os jovens que cantaram o hino nacional enquanto eram ceifados pelos soldados de seu próprio país. Porque os estudantes se reuniram nas ruas com suas bandeiras e seus gritos pela democracia e se depararam com uma ditadura impiedosa. As pessoas ficaram em ruínas, e tentar retomar qualquer sentido de vida normal tornou-se quase impossível. Nada seria como antes para a cidade de Gwangju e, sem dúvida, todos se lembrariam desse dia sombrio. Para além de tudo o que eu disse, devo-lhes contar que esse romance também é sobre legado. E sobre traumas, culpas e recomeços – ou a tentativas de recomeços para os sobreviventes – que, em alguma parte da história, prefeririam ter morrido, porque os efeitos desse evento ainda assombram os passos daqueles que estiveram na luta pela democracia e liberdade. Esse evento, pode em última análise, mudar a face de uma nação. Como as pessoas lidariam com seu próprio país depois de tamanha maldade? Não houve respeito pelos vivos e nem pelos mortos. Os cadáveres foram pisoteados para se tornarem irreconhecíveis. Foram carregados em caminhões de lixo e despejados em vala comum. A ditadura eliminou qualquer traço de dignidade e justiça. Estupros, espancamentos, torturas das mais vis e cruéis que a mente humana pode conceber, que por um momento, eu pensei que os que morreram foram incrivelmente abençoados. Os sobreviventes das atrocidades se encontraram no limbo anos depois do massacre. Não se recuperaram jamais. Como você pode continuar vivendo? O que se tornou a vida após o ódio cego e o massacre? O que restou para manter a vida em movimento depois dessa terrível dança de pesadelo de puro terror? E a grande questão que se levanta após lermos esses relatos de atos desumanos: O que é a humanidade? A autora nunca responde. Esse romance é uma autópsia lírica sobre a violência, entremeados de serenidade e beleza, mas também recheadas de crueldade insuportável e violência crua. É um romance impiedoso, que não nos permite desviar os olhos, apesar do conteúdo difícil de ler, para nos lembrar das feridas que assolam a humanidade há muito tempo, nos fazendo cavar mais fundo em nossa alma e ficar cara a cara com atos que só podem ser cometidos pelo animal mais violento da criação de Deus: o humano. Mas que, embora ele nos pareça tão desolador, a autora nos entrega nas últimas folhas do romance uma obra-prima: o seu epílogo. Uma obra-prima, porque embora o romance seja uma prosa lírica sobre a violência, é também um chamado para conter essa mesma violência, que para mim seria uma outra perspectiva de interpretar o título da obra os ‘atos humanos’: a busca pela paz, praticando a paz para dias melhores no futuro no mundo e na península que é conhecida como “Terra das Manhãs Calmas”, e para que nunca mais leiamos um outro romance histórico e real de um personagem nos relatando seu sofrimento à sombra de um massacre.

    150 curtidas

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    • 1 estrelas0%
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    Han Kang

    Han Kang nasceu em novembro de 1970 em Gwangju, Coreia do Sul. Aos 10 anos, mudou-se com a família para Suyuri, em Seul. Na adolescência, desenvolveu o interesse pela literatura e, posteriormente, graduou-se em Letras na Universidade Yonsei. Sua carreira literária começou em 1993, quando publicou cinco poemas, incluindo "Winter in Seoul", na revista literária Munhak-gwa-sahoe. No ano seguinte, venceu o Concurso Literário de Primavera do Seoul Shinmun com a história "Red Anchor", marcando o início de sua carreira como romancista. Após a publicação de seu primeiro livro de contos, "Yeosu", em 1995, Han Kang continuou a desenvolver seu ofício e, em 1998, com o apoio do Conselho de Artes da Coreia, passou três meses no Programa de Escrita Internacional da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Ao retornar à Coreia, Han continuou a ensinar criação literária no Instituto de Artes de Seul e a escrever contos e romances. Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios literários, incluindo o Prêmio Yi Sang de Literatura, o Prêmio Today's Young Artist e o Prêmio Manhae de Literatura. Han Kang é reconhecida como uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea sul-coreana e suas obras têm sido traduzidas para diversos idiomas, ampliando sua influência literária além das fronteiras coreanas. Atualmente, ela continua a ensinar e a escrever na Coreia do Sul. **Prêmios:** - 1999: Prêmio Korean Novel, pela novela "Baby Buddha". - 2000: Prêmio Today's Young Artist, pelo Ministério da Cultura da Coreia. - 2005: Prêmio YiSang de Literatura, por "Mongol Spot". - 2010: Prêmio Dongri de Literatura, por "The Wind is Blowing". - 2014: Prêmio Manhae de Literatura, por "Human Acts". - 2015: Prêmio Hwang Sun-won de Literatura, pela novela "While One Snowflake Melts". - 2016: Prêmio Man Booker Internacional, por "The Vegetarian". - 2017: Prêmio Malaparte na Itália, por "Human Acts". - 2018: Prêmio Kim Yujung de Literatura, pela novela "Farewell". - 2019: Prêmio San Clemete na Espanha, por "The Vegetarian". **Bibliografia:** - "Yeosu" (1995) - "Black Deer" (1998) - "Fruits of My Woman" (2000) - "Your Cold Hands" (2002) - "The Vegetarian" (2007) - "Breath Fighting" (2010) - "Greek Lessons" (2011) - "Fire Salamander" (2012) - "I put the evening in the drawer" (2013) - "Human Acts" (2014) - "The White Book" (2016) - "I Do Not Bid Farewell" (2021)

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    Jeollanam-do (em coreano 전라남도), Coréia do Sul

    Han Kang