O prazer do texto (Elos #2) -

    Roland Barthes

    Perspectiva
    2015
    78 páginas
    2h 36m
    ISBN-13: 9788527300919
    Português Brasileiro

    "Quem suporta sem nenhuma vergonha a contradição? Ora, este contra-herói existe: é o leitor de texto; no momento em que se entrega a seu prazer. Então o velho mito bíblico se inverte, a confusão das línguas não é mais uma punição, o sujeito chega à fruição pela coabitação das linguagens, que trabalham lado a lado: o texto de prazer é Babel feliz". Em um escrito caleidoscópico, quase um bloco de anotações, Barthes analisa o prazer sensual do texto para quem lê ou escreve.

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    Tauana Weinberg Jeffman picture
    Tauana Weinberg Jeffman14/06/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O prazer do texto.

    Barthes que me perdoe, mas o seu "prazer do texto" foi um dos livros mais complicados que já li. Talvez eu não estivesse preparada para as suas explanações, talvez mais tarde, eu o compreenda melhor. Mesmo assim o livro vale a leitura, afinal, Barthes é Barthes. Para Barthes (2010, p.11) o livro deve demonstrar que me deseja, e este desejo me é transmitido pela "escritura, isto é, pela ciência das fruições da linguagem, seu kama-sutra". O texto de prazer, para Barthes (2010, p. 20) é "aquele que contenta, enche, dá euforia, aquele que vem da cultura, não rompe com ela". Este texto do prazer "seria irredutível a seu funcionamento gramatical (fenotextual), como o prazer do corpo é irredutível à necessidade fisiológica. O prazer do texto é esse momento em que meu corpo vai seguir suas próprias ideias - pois meu corpo não tem as mesmas ideias que eu" (BARTHES, 2010, p. 24). De acordo com Barthes (2010, p. 42) "o texto é a linguagem sem o seu imaginário, é o que falta à ciência da linguagem para que seja manifestada sua importância geral". Barthes (2010, p. 62) nota que "o prazer do texto pode definir-se por uma prática: lugar e tempo de leitura". O autor também argumenta que nada garante que um texto vai me proporcionar prazer duas vezes. Pois a segunda vez que irei lê-lo eu já serei outra pessoa, com outras ideias, outras vivências, e assim, o texto não fará o mesmo sentido que um dia já fez. Para Barthes (2010, p. 77) "o prazer do texto é isto: o valor passado ao valor suntuoso de significante". Este é um pequeno resumo, porém o livro é pequeno e vale a pena dar uma olhada no restante das explanações que constam nele. Porque afinal, ler e saber é sempre um prazer.

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