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    A Tarde da Sua Ausência -

    Carlos Heitor Cony

    Companhia das Letras
    2003
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-10: 8535903542
    Português Brasileiro
    3.5
    84 avaliações
    Leram149Lendo0Querem58Relendo1Abandonos3Resenhas5
    Favoritos9Desejados58Avaliaram84

    "Você já tentou esconder uma árvore? É fácil. Basta colocá-la na floresta". Monossilábica, introespectiva, Vera Machado Alves radicaliza no direito de ter vida própria. Para desgosto de sua família, que desistiu de compreendê-la, e de seu cunhado, que nunca se esquecerá do dia em que se deitaram na mesma rede. Vera é a expressão de um traço que está em cada personagem de A tarde de sua ausência: o alheamento de si mesmo. Num cenário em que a busca da singularidade parece impossível, todos eles preferem ausentar-se da própria existência e esconder-se ao lado dos semelhantes. Como árvores numa floresta.

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    Anna Julia Maurity26/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Você já tentou esconder uma árvore? É fácil. Basta coloca-la na floresta." De um lado Vera Machado Alves, primeiro criança, depois adolescente, e mais tarde adulta, mas nunca velha, nunca ultrapassada, sempre indecifrável, desejada. De lindas pernas, á olhos aguados refletindo o mar, poderia ser mais singular, mais misteriosa, até mesmo mais amada, se não carregasse o sobrenome de Machado Alves, a número familia, uma das mais ricas do Rio de Janeiro, desde o século XX. Do outro Henrique, de sobrenome qualquer, insignificante, por alguns até chamando de parasita, casado com Dalva, irmã de Vera, vivendo sob o mesmo teto sob a direção do patriarca Álvaro Machado Alves, no qual mantinha uma incomum, e até um pouco pitoresca, de amor, com aquele sogro que o sustentava. Suas vidas poderiam ter passado insignificantemente, teriam, parado de se ver, se não fossem pelas reuniões, recheada de apostas e roletas aos sábados, e as pequenas vezes que se encontravam na grande mansão em Ipanema. Mas uma tarde fez suas vidas mudarem, e a direção na qual se revelou, mudou para sempre, suas visões, suas fugas, seus sentimentos. A tarde na rede, revelou-se a descoberta não só do prazer, mas além, mostrou a verdade sobre querer se afugentar, de todos, de tudo, de si mesmo. Vera, personagem principal, mas sempre retratada distante, misteriosa e introspectiva. A mais do que a ovelha negra da família, a raposa que por instinto, não segue bando, anda sozinha e vive onde quer, por quanto quiser. Henrique, medíocre, mas cauteloso, e conformista. Nunca perdera nada, pois nunca possuíra. Não brincava, mas também não se machucava, assim melhor definiria o cunhado, o genro, que no final das contas, de tanto ódio pelos Machados Alves, se via sempre no meio de todos eles, ou melhor dela. Romance reflexivo, que demostra a fragilidade das relações humanas e principalmente a relação do homem com o dinheiro.

    3 curtidas

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    3.5 / 84
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas24%
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    • 1 estrelas2%
    Carlos Heitor Cony profile picture

    Carlos Heitor Cony

    Escritor, jornalista brasileiro, e imortal da Academia Brasileira de Letras.Estudou em seminário até quase ordenar-se, em Rio Comprido. Jornalista, foi um dos que se opuseram abertamente ao golpe militar de 1964. Como editorialista do Correio da Manhã, escreveu textos de crítica aos atos da ditadura militar. Já publicou contos, crônicas e romances. Seu romance mais famoso é de 1995, Quase Memória, que vendeu mais de 400 mil exemplares. Esse livro marca seu retorno à atividade de escritor/romancista. Seu romance, A Casa do Poeta Trágico, foi escolhido o Livro do Ano, obtendo o Prêmio Jabuti, na categoria ficção. (fonte:Wikipedia)

    104 Livros
    197 Seguidores
    Rio De Janeiro, Brasil

    Carlos Heitor Cony