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    Assassinos da Lua das Flores - Petróleo, morte e a criação do FBI

    David Grann

    Companhia das Letras
    2018
    392 páginas
    13h 4m
    ISBN-13: 9788535930740
    Português Brasileiro
    4.4
    864 avaliações
    Leram1089Lendo85Querem1242Relendo3Abandonos29Resenhas137
    Favoritos73Desejados1242Avaliaram864

    Neste best-seller do New York Times escolhido como o livro do ano por mais de dez jornais e revistas americanas, a impressionante história real da primeira grande investigação de homicídios do FBI é contada por um mestre da não ficção narrativa. Nos Estados Unidos dos anos 1920, as pessoas com maior renda per capita do mundo eram membros da tribo indígena Osage, de Oklahoma. Depois da descoberta de petróleo sob o solo de sua reserva, esses improváveis milionários andavam em carros de luxo dirigidos por motoristas, viviam em mansões e mandavam seus filhos para estudar na Europa. Então, um a um, os Osage começaram a ser mortos. As primeiras vítimas são a família de Mollie Burkhart, cujos parentes são sucessivamente envenenados ou assassinados a tiros. E isso era apenas o começo, pois mais e mais membros morreriam nos próximos meses, sempre em condições misteriosas. Nessa parcela remanescente do Velho Oeste, habitada por notórios malfeitores como Al Spencer, conhecido como "o terror fantasma", e onde homens do petróleo, como J. P. Getty, fizeram fortuna, muitos dos que ousaram investigar os assassinatos também perderam a vida. É só quando o número de vítimas ultrapassa a segunda dezena que o FBI assume o caso. Fundado havia menos de duas décadas, o Federal Bureau of Investigation ainda não dispunha da experiência e da fama que tem hoje e seus agentes conduzem mal as investigações. Desesperado, o jovem diretor J. Edgar Hoover recorre à ajuda de um antigo Ranger texano chamado Tom White para solucionar o mistério. White organiza uma equipe secreta, incluindo um dos únicos agentes indígenas do Bureau. Eles se infiltrariam na região lutando para adotar as mais recentes técnicas de investigação e começariam a expor uma das conspirações mais frias da história dos Estados Unidos. "Perturbador e envolvente." - Dave Eggers, The New York Times Book Review "Extraordinário." - Time Magazine

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    Flávia09/02/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Cobiçais e nada tendes;matais.Invejais, e nada podeis obter.

    “Assassinos da Lua das Flores” é uma obra de arte do jornalismo histórico-investigativo, escrita pelas mãos do autor e jornalista americano, além de redator do The New Yorker, David Elliot Grann, que recebeu o prêmio Edgar Allan Poe. Finalista do National Book Award, Grann teve seu livro adaptado recentemente para o cinema pelas mãos de ninguém menos do que Martin Scorsese, em uma superprodução de mais de 3 horas de duração, que contou com a participação de atores renomados tais como Robert De Niro, Leornado DiCaprio e Lily Gladstone, recebendo 10 indicações para o Oscar 2024. Se você nunca leu algo deste gênero, este é um bom livro para iniciar essa jornada, que confesso que desde quando li “A Sangue Frio”, de Truman Capote, me fez ficar completamente apaixonada pelo gênero, porque apesar de se tratarem de obras que retratam a brutalidade de crimes aterradores, esses autores mergulharam com tanto comprometimento para conhecer cada detalhe, cada verdade por trás de documentos e entrevistas da época, que não há como não ser tocado por elas, especialmente por ver tamanho envolvimento do autor em passar a verdade dos fatos. A escrita de Grann é envolvente ao ponto de você poder sentir a dor de cada personagem-real com tanta riqueza de sentimentos e emoções, quanto podemos perceber como a mente de um assassino age com tamanha frieza e ausência total (ou quase total) de qualquer sentimento de compaixão pela vida do próximo. Que de fato para ele não vale absolutamente nada. A história é contada em três partes, com um mergulho profundo em cada etapa desde que os assassinatos iniciaram (ou pelo menos desde que foram identificados como assassinatos em série), até o momento em que o próprio Grann se vê reabrindo essa caixa de pandora para ir além do que o FBI foi nesta época. Afinal, a verdade é que por trás do que chegou ao conhecimento público, haviam muitos mais "esqueletos neste armário". PRIMEIRA PARTE: Toda essa brutalidade aconteceu quando a tribo dos Osage é persuadida pelo homem branco (vou usar esse termo apenas para que seja compreendido a questão da etnia envolvida aqui) a lhes vender suas produtivas terras, em troca de outras que acreditava o homem branco ser um terreno rochoso em Oklahoma sem qualquer possibilidade de prosperar qualquer coisa que ali fosse desejado ser cultivado. Tamanha ganância não foi recompensada, e para surpresa desse homem branco, as terras de tão bom grado concedida aos Osage era um solo fecundo do “ouro negro”, ou seja, rica em petróleo. Nunca se viu um povo indígena enriquecer com tanta habilidade e agilidade quanto nesta época, e logo os Osage se tornaram o povo mais rico de todo o planeta, possuindo bens em abundância, enquanto ao homem branco era destinado ao relés lugar de lhes servir. Mais uma vez a ganância, movida pelos olhos verdes da inveja, faz com que tanta opulência seja cobiçada, e se aproximando com ares de amigo, é assim que esta trágica história tem início. Nesta primeira parte, Grann centra a sua narrativa na família de Mollie Bukhart, que vê sua família ser aniquilada durante o período que viria a ser conhecido como o “Reinado do Terror”. As mortes são contadas com riqueza de detalhes, nos prendendo de tal forma que é quase impossível desgrudar do livro até saber a motivação desses assassinos para cometer tamanha atrocidade, e da nossa vontade de ver a justiça lhes sendo feita. SEGUNDA PARTE: Com foco no processo de investigação liderado por Tom White, um ex-Texas Rangers contratado pelo diretor do Bureau of Investigation, J. Edgar Hoover, assim tem início a essa verdadeira caçada humana. Conhecer um pouco mais sobre Tom White, esse agente da lei ao velho estilo, com seus 1,93 metros de altura, “tão religioso quanto os corajosos defensores do Álamo”, que havia dedicado a sua vida em cavalgar por terras selvagens do sudoeste dos Estados Unidos acompanhado pela sua carabina Winchester, ou de seu revólver de seis tiros com cabo de madrepérolas, perseguindo o rastro de fugitivos, assassinos e salteadores de estradas, nos faz perceber a magnitude de uma mente compromissada com a justiça, e não com a corrupção que impregnava o condado e que havia impedido as investigações de prosseguirem, antes do Bureau of Investigation assumir o caso. Ao final desta parte, veremos onde os esforços de White chegaram, e como teve fim essa caçada “aos Judas” da tribo Osage, bem como acompanhamos a vida de White até o seu final. E aqui eu preciso dizer, que cheguei a me emocionar em pensar em tudo o que esse homem fez e o quanto se esforçava para que a justiça fosse feita em uma terra onde tanto impera a ganância e o poder do dinheiro. TERCEIRA PARTE: Na última parte, acompanhamos o impacto que este livro teve na vida de Grann, que ao trabalhar com os descendentes das vítimas, percebe que o número de mortos durante o “Reinado do Terror” é certamente muito superior à contagem oficial apontada pela investigação da época. Suas novas descobertas também revelaram que os assassinatos remontam de uma década antes de 1920, e tiveram continuidade muito depois de William Hale em 1926, seguindo até a década de 1930. Outra descoberta feita por Grann é de que haviam muitos outros vilões por trás desses assassinatos, muito embora seja impossível reconstruir todas as provas para explicar o que aconteceu com todas as vítimas, e tentar trazer um pouco de paz (se é que isso seja possível!) às suas famílias que tanto buscaram compreender por que seus entes queridos foram retirados de suas vidas de forma tão brutal. Ao citar o “Livro dos Gênesis”, de que “a terra encharcada de sangue clama”, Grann encerra sua jornada com a promessa de continuar na luta para resolver esse mistério que tanto moldou a sua vida. Assistir à adaptação de Martin Scorsese é transpor as páginas desse trabalho minucioso e primoroso feito por Grann, para as grandes telas das salas escuras, e sofrer com ela o impacto visual de todas as imagens, e todas as interpretações sublimes feitas pelos atores, que se comprometeram com tanto empenho em mostrar os principais nomes por trás de toda essa tragédia. Mas preciso confessar que por mais magnitude que tenha o filme, ele não substitui a narrativa de Grann. No livro podemos nos aprofundar mais nas figuras por trás da criação do FBI, e tenho que dizer que me fez olhar para J. Edgar Hoover de uma forma diferente daquele homem prepotente que vivia atrás de qualquer deslize dos políticos da Casa Branca. Sem contar que conhecer mais sobre a história de vida do White, é o contraponto para sentir que existiram pessoas nesta vida verdadeiramente comprometidas com a lei, e com a verdade. E é tocante (e muito merecida!) a homenagem que Grann faz a ele neste livro. Por isso, mesmo que tenha assistido ao filme, espero que não deixe de ler essa bela obra (embora lamentável!) assinada por David Grann.

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    David Grann

    Escreve para a revista New Yorker desde 2003. Já explorou temas que variam desde os antigos túneis de água da cidade de Nova York até a gangue Irmandade Ariana nos presídios dos Estados Unidos; da caçada a uma lula gigante à misteriosa morte do maior especialista em Sherlock Holmes do mundo. Seus artigos foram publicados em diversas antologias. Grann escreve também para as revistas New York Times Magazine e The Atlantic e para os jornais Washington Post, Wall Street Journal e The New Republic, em que ocupa uma cadeira no conselho editorial.

    9 Livros
    9 Seguidores
    New York, EUA

    David Grann