Livro lido 1°/Fev//7°/2019
Título: Quando ela era boa
Título original: When she was good
Autor: Philip Roth (EUA)
Tradução: Jorio Dauster
Editora: Companhia das Letras
Ano de lançamento: 1967
Ano desta edição: 2018
Páginas: 352
Classificação: ???????
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"Ah, então seus sacrifícios e suas lutas não tinham sido em vão. Ah, sim, é claro! Quando uma pessoa sabe que tem razão, se não fraqueja ou vacila, se apesar de tudo que lançam contra ela, apesar de todas as dificuldades, todas as dores, a pessoa se opõe ao que no fundo do coração sabe que não é correto; se se endurece contra as opiniões dos outros, se está disposta a suportar a solidão de perseguir o que é bom num mundo indiferente ao bem, se luta com todas as fibras de seu corpo, mesmo caso os outros a desprezem, a odeiam ou a temam; se segue adiante sem esmorecer, por maior que seja a agonia, por mais terrível que seja a tensão -- então um dia a verdade será enfim conhecida (pág 310).
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Foi de propósito ter deixado para ler por ultimo o único romance de Philip Roth em que uma mulher figura como personagem central. Depois dessa longa jornada, onde li cerca de 23 romances seus, quase 5.200 páginas de uma literatura visceral, inquietante e sombria (No que tange aos temas amargos, difíceis e profundamente realísticos), acompanhar a trágica trajetória de Lucy Nelson, personagem principal de "When she was good", de 1967 e segundo romance de Roth, foi o quilate a mais no fechamento desse projeto em que me pus.
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Em When she was good vemos os dramas vividos por Lucy, uma ainda jovem estudante de uma pequena cidade do Meio-Oeste americano, que busca desvencilhar-se do meio familiar, profundamente marcado pela vergonha trazida pelos constantes escândalos causados pelo pai alcoólatra e pela mãe inepta. No meio desse projeto pessoal de buscar ingresso numa reconhecida universidade, Lucy acaba se envolvendo com Roy, um mimado e infantil filho de uma das famílias mais ricas da cidade, com quem, após descobrir que está grávida, acaba tendo de casar-se. Lucy nao suporta a inércia do marido, que vive fascinado pela fotografia e, ainda por cima, profundamente influenciado pela família, esnobe e hipócrita, a quem Lucy tem ojeriza. Ela sonha fazer do filho Edward um homem bom e de escrúpulos, totalmente diferente das referências masculinas às quais teve de conviver.
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Este livro mescla uma história fascinante de tão realística, onde o lado bom e humanitário de Lucy, se choca com pessoas cheias de defeitos, que hipocritamente buscam a aquiescência dos moralismos religiosos mas que na verdade se expressam da forma mais vil possível. Lucy muitas vezes é arrogante em achar que poderá mudar aquelas pessoas, a cujos defeitos não teme apontar, mas a dureza intrincável de seus caráter ao invés de amolecerem e serem moldados pela firmeza de Lucy, antes a envolvem, engolem e a destroem.
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Muito se falou sobre esse romance subvalorizado de Roth. Que seria a sua "suprema vingança" diante o drama pessoal do autor que depois de ser enganado por uma falsa gravidez, casara-se com uma mulher que infernizou sua vida até o fim de sua vida, num acidente automobilístico no Central Park. Que seria o resultado de anos de "paralisia criativa" que fez com que Roth buscasse ajuda psiquiátrica. O certo é que "Whe she was good" retrata mais uma vez a sociedade americana dividida entre o egoísmo individualizado, o preconceituoso abuso dos ricos e aquela aura de carolice hipócrita que enoja e indigna, daqueles romances marcantes, que permanecem na memória, mesmo passados os anos. Foi uma boa forma de concluir esse desafio pessoal de galgar, degrau por degrau, toda uma obra literária de importância ímpar para a literatura do século XX.