Paulo e Estêvão - Episódios Históricos do Cristianismo Primitivo

    Francisco Cândido Xavier, espírito Emmanuel

    Feb
    2006
    553 páginas
    18h 26m
    ISBN-13: 9788573283655
    Português Brasileiro

    Romance apontado por Chico Xavier como o mais belo e emocionante livro por ele psicografado. Recorda as lutas e testemunhas por que passou Paulo de Tarso na tarefa de divulgação do cristianismo. Quem era Paulo de Tarso? Um fariseu fanático, obstinado perseguidor de cristãos e da nascente doutrina cristã? Ou um ser predestinado por determinação divina, que recebeu a dádiva da aparição de Jesus, em gloriosa visão às portas da cidade de Damasco, convertendo-se ao Cristianismo? A leitura deste livro nos mostrará a grandeza de Paulo de Tarso. Corajoso, intrépido e sincero que, arrependido de uma postura radical que culminou no apedrejamento de Estêvão – o primeiro mártir do Cristianismo –, humildemente empreendeu acelerada revisão de conceitos e atendeu ao chamado de Jesus. Entre perseguições, enfermidades, zombarias, desilusões, deserções de companheiros, pedradas, açoites e encarceramentos, transformou sua vida num exemplo de trabalho através de dezenas de anos de luta, empenhado em abrir igrejas cristãs e dar-lhes assistência. Em algum ponto da vida todos recebemos um chamado do Cristo. Que temos feito? PAULO E ESTÊVÃO fará você compreender como o amor apaga a multidão de faltas cometidas. Breve Notícia Não são poucos os trabalhos que correm mundo, relativamente à tarefa gloriosa do Apóstolo dos gentios. É justo, pois, esperarmos a interrogativa: - Por que mais um livro sobre Paulo de Tarso? Homenagem ao grande trabalhador do Evangelho ou informações mais detalhadas de sua vida? Quanto à primeira hipótese, somos dos primeiros a reconhecer que o convertido de Damasco não necessita de nossas mesquinhas homenagens; e quanto à segunda, responderemos afirmativamente para atingir os fins a que nos propomos, transferindo ao papel humano, com os recursos possíveis, alguma coisa das tradições do plano espiritual acerca dos trabalhos confiados ao grande amigo dos gentios. Nosso escopo essencial não poderia ser apenas rememorar passagens sublimes dos tempos dos tempos apostólicos, e sim apresentar, antes de tudo, a figura do cooperador fiel, na sua legítima feição de homem transformado por Jesus-Cristo e atento ao divino ministério. Esclarecemos, ainda, que não é nosso propósito levantar apenas uma biografia romanceada. O mundo está repleto dessas fichas educativas, com referência aos seus vultos mais notáveis. Nosso melhor e mais sincero desejo é recordar as lutas acerbas e os ásperos testemunhos de um coração extraordinário, que se levantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre, num esforço incessante. As igrejas amornecidas da atualidade e os falsos desejos dos crentes, nos diversos setores do Cristianismo, justificam as nossas intenções. Em toda parte há tendências à ociosidade do espírito e manifestações de menor esforço. Muitos discípulos disputam as prerrogativas de Estado, enquanto outros, distanciados voluntariamente do trabalho justo, suplicam a proteção sobrenatural do Céu. Templos e devotos entregam-se, gostosamente, às situações acomodatícias, preferindo as dominações e regalos de ordem material. Observando esse panorama sentimental é útil recordarmos a figura inesquecível do Apóstolo generoso. Muitos comentaram a vida de Paulo; mas, quando não lhe atribuíram certos títulos de favor, gratuitos do Céu, apresentaram-no com um fanático de coração ressequido. Para uns, ele foi um santo por predestinação, a quem Jesus apareceu, numa operação mecânica da graça; para outros, foi um espírito arbitrário, absolvente e ríspido, inclinado a combater os companheiros, com vaidade quase cruel. Não nos deteremos nessa posição extremista. Queremos recordar que Paulo recebeu a dádiva santa da visão gloriosa do Mestre, às portas de Damasco, mas não podemos esquecer a declaração de Jesus relativa ao sofrimento que o aguardava, por amor ao seu nome. Certo é que o inolvidável tecelão trazia o seu ministério divino; mas, quem estará no mundo sem um ministério de Deus? Muita gente dirá que desconhece a própria tarefa, que é insciente a tal respeito, mas nós poderemos responder que, além da ignorância, há desatenção e muito capricho pernicioso. Os mais exigentes advertirão que Paulo recebeu um apelo direto; mas, na verdade, todos os homens menos rudes têm a sua convocação pessoal ao serviço do Cristo. As formas podem variar, mas a essência ao apelo é sempre a mesma sutil, inesperadamente; a maioria, porém, resiste ao chamado generoso do Senhor. Ora, Jesus não é um mestre de violências e se a figura de Paulo avulta muito mais aos nossos olhos, é que ele ouviu, negou-se a si mesmo, arrependeu-se, tomou a cruz e seguiu o Cristo até ao fim de suas tarefas materiais. Entre perseguições, enfermidades, apodos, zombarias, desilusões, deserções, pedradas, açoites e encarceramentos, Paulo de Tarso foi um homem intéprido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre que se fizera ouvir nas encruzilhadas da sua vida. Foi muito mais que um predestinado, foi um realizador que trabalhou diariamente para a luz. O Mestre chama-o, da sua esfera de claridades imortais. Paulo tateia na treva das experiências humanas e responde: - Senhor, que queres que eu faça? Entre ele e Jesus havia um abismo, que o Apóstolo soube transpor em decênios de luta redentora e constante. Demonstrá-lo, para o exame do quanto nos compete em trabalho próprio, a fim de ir ao encontro de Jesus, é nosso objetivo. Outra finalidade deste esforço humilde é reconhecer que o Apóstolo não poderia chegar a essa possibilidade, em ação isolada no mundo. Sem Estêvão, não teríamos Paulo de Tarso. O grande mártir do Cristianismo nascente alcançou influência muito mais vasta na experiência paulina, do que poderíamos imaginar tão-só pelos textos conhecidos nos estudos terrestres. A vida de ambos está entrelaçada com misteriosa beleza. A contribuição de Estêvão e de outras personagens desta história real vem confirmar a necessidade e a universalidade da lei de cooperação. E, para verificar a amplitude desse conceito, recordemos que Jesus, cuja misericórdia e poder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares, a fim de empreender a renovação do mundo. Aliás, sem cooperação, não poderia existir amor; e o amor é a força de Deus, que equilibra o Universo. Desde já, veio os críticos consultando textos e combinando versículos para trazerem à tona os erros do nosso tentame singelo. Aos bem-intencionados agradecemos sinceramente, por conhecer a nossa expressão de criatura falível, declarando que este livro modesto foi grafado por um Espírito para os que vivam em espírito; e ao pedantismos dogmático, ou literário, de todos os tempos, recorremos ao próprio Evangelho para repetir que, se a letra mata, o espírito vivifica. Oferecendo, pois, este humilde trabalho aos nossos irmãos da Terra, formulamos votos para que o exemplo do Grande Convertido se faça mais claro em nossos corações, à fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer, por amor a Jesus-Cristo. Emmanuel (Pedro Leopoldo, 8 de julho de 1941)

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    Fabio Shiva31/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Esse livro surgiu na hora certa

    Tudo indica que não poderei terminar essa leitura pelo momento. Fui tocar com a banda em outra cidade e levei o livro para ler durante a viagem. Na correria do show, meu exemplar se perdeu. Não fiquei triste pela perda. Embora faltem mais de cem páginas por ler (o livro tem por volta de quinhentas), certamente li mais que o suficiente para provocar em mim as transformações que eu procurava. Esse livro surgiu na hora certa para que eu pudesse compreender melhor o apóstolo Paulo. A leitura foi sugerida pela forte impressão que causou em mim o filme Chico Xavier, justamente no momento em que cheguei ao limite da exasperação em minhas leituras das epístolas de Paulo. Todos os vossos atos sejam feitos com amor, disse São Paulo. A vida inteira de Chico Xavier foi um sublime exemplo do amor transformado em ação. Estava confiando que o Mahatma brasileiro saberia me conduzir com doçura para além da ignorância que estava nublando a minha consciência. E assim foi! Paulo e Estevão é uma narrativa psicografada pelo espírito Emmanuel, guia de Chico Xavier. Ao assistir o filme, tive uma impressão que foi reforçada pela leitura. Chico psicografou incontáveis obras de muitos espíritos, entre famosos e anônimos. No caso de Emmanuel, guia da maioria das obras de Chico, tive a impressão de que ocorreu algo além da psicografia. A relação entre Chico Xavier e seu guia guarda muitas semelhanças com a vivência de Sócrates e seu daimon, de Hermann Hesse com seu homem-criança e do próprio Gandhi com o que ele chamava de voz da consciência. Não vou me estender nesse tema, que poderia ser polêmico. Basta a sugestão do que intuí: todos possuímos um guia, ou daimon, ou consciência, ou paramatma. Os maiores dentre nós são os que buscam cada vez mais ouvir a voz de seu guia. A primeira e grata surpresa com essa leitura veio logo no prefácio. Percebi claramente que Chico Xavier não ignorava todas as contradições presentes nas cartas de Paulo, e que tanto me exasperaram. Longe de bradar contra Paulo e denunciar suas mazelas, como fez Nietzsche em seu Anticristo e eu mesmo em minhas resenhas das epístolas, Chico Xavier desnuda com seu olhar amoroso um drama profundamente humano e comovente. É o drama de Saulo até se tornar Saulo. É o drama de Paulo ao seguir os passos do Cristo. É o drama de cada um de nós, obras em andamento, em busca da perfeição e do sentido da vida. Muito inspirada foi a percepção do papel que Estevão poderia desempenhar no processo. Rapidamente citado nos Atos dos Apóstolos, Estevão foi um dos primeiros mártires do cristianismo, apedrejado que foi pelos judeus pela heresia de proclamar a vinda do Messias. Na concepção de Emmanuel, a história de Estevão está intimamente ligada à de Paulo de Tarso, de uma forma que foi delineada com muita habilidade nas páginas do livro. Questionar se os fatos históricos se deram exatamente assim como no livro ou de outra forma, em minha opinião, é uma perda de tempo. Paulo e Estevão não se propõe a ser um documento histórico, e sim um relato de edificação e aprendizado. O espírito possui a sua própria realidade. Uma palavra ainda quero dizer sobre o estilo do texto. Chico Xavier exprime-se em um português castiço, rebuscado e rico em sua construção. Poderia parecer até empolado, caso o tema do livro fosse outro, um mero romance sem pretensões além das literárias. Mas a palavra de Chico aspira a traduzir o sublime, o sutilíssimo. E a impressão que dá é que somente a delicada prosa de Chico Xavier (ou de Emmanuel) seria capaz de registrar tão bem as mais altas ânsias e belezas do espírito. Valeu, Chico!!! (06.07.10) Os livros são como pessoas que conhecemos. Alguns nos acompanham por um breve momento, para uma leve e descompromissada troca de ideias durante uma viagem de trem. Outros nos despertam profunda antipatia, sem que consigamos entender bem o porquê de tanta aversão (apesar dos zilhões de motivos que invocamos). Outros ainda nos despertam um amor fulminante à primeira vista. E há também os que nos marcam para sempre, que nos fazem crescer, que nos mostram possibilidades insuspeitadas na infinita paisagem da vida. Acabei hoje de ler esse livro tão precioso, do qual me despeço como a um amigo muito sábio e querido. As últimas páginas foram lidas com um sentimento de nostalgia, já antecipando o inevitável adeus após o fim. Um verdadeiro livro vivo, obra ditada pelo puro amor, pelo desejo singelo de elevar corações e mentes. Foi uma convivência maravilhosa com dois santos. Um é São Paulo. O outro é São Chico. Termino a leitura muito grato por essa doce e inesquecível experiência! (23.07.10)

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