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    Cidadã de segunda classe -

    Buchi Emecheta

    Dublinense
    2018
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788583181118
    Português Brasileiro
    4.4
    2507 avaliações
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    Na Nigéria dos anos 60, Adah precisa lutar contra todo tipo de opressão cultural que recai sobre as mulheres. Nesse cenário, a estratégia para conquistar uma vida mais independente para si e seus filhos é a imigração para Londres. O que ela não esperava era encontrar, em um país visto por muitos nigerianos como uma espécie de terra prometida, novos obstáculos tão desafiadores quanto os da terra natal. Além do racismo e da xenofobia que Adah até então não sabia existir, ela se depara com uma recepção nada acolhedora de seus próprios compatriotas, enfrenta a dominação do marido e a violência doméstica e aprende que, dos cidadãos de segunda classe, espera-se apenas submissão.

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    Bookster Pedro Pacifico picture
    Bookster Pedro Pacifico07/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Cidadã de segunda classe, de Buchi Emecheta - Nota 9,5/10

    O título escolhido pela incrível autora nigeriana consegue definir bem a forma como Adah, a protagonista do livro, se sente na Inglaterra da década de 60. Muito embora Adah tenha nascido e sido criada na Nigéria, decidiu deixar o país e acompanhar os passos do marido em busca de uma vida mais promissora para si e para seus filhos. Mas o que a jovem não sabia é que naquele país a rotina seria de muita discriminação. A discriminação por ser estrangeira, negra e mulher. E não bastasse a forma cruel com que a sociedade lhe trata, o ambiente íntimo familiar é ainda pior. Francis, seu marido, é o retrato daquele que suga até as últimas forças de sua companheira. O abuso psicológico e físico é algo constante na relação. E, mais que isso, a fragilidade e insegurança de Francis não consegue conviver com o fato de que é Adah quem sustenta a família com um trabalho, sobre o qual se somam os trabalhos domésticos e a criação dos filhos. A força do relato sofrido da vida de Adah parece vir da própria história da autora nigeriana. Nascida em 1944, em Lagos, na Nigéria, Buchi Emecheta também perdeu os pais e foi dada em casamento ainda quando criança, também se mudou para uma Londres racista e xenofóbica e também foi vítima de um triste relacionamento abusivo. A escrita é tranquila e, apesar do impacto e da crueza das passagens, consegue segurar o leitor. Ao longo do livro foram vários os momentos em que senti uma vontade de poder interferir naquela situação tão injusta, o que confirma a minha aproximação com a personagem. Além dessa obra, já havia lido “As alegrias da maternidade” da mesma autora e a experiência com as duas obras foi muito marcante. Emecheta é uma daquelas autoras que, na minha opinião, merecem ainda mais destaque na literatura universal. Suas obras são uma denúncia de realidades muito frequentes, mas ainda pouco conhecidas. Por isso, se desejo que as palavras da autora possam ser espalhadas por todos os cantos, o que posso recomendar para vocês é que leiam seus livros! Recomendo muito!

    282 curtidas

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    4.4 / 2507
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    • 1 estrelas0%
    Florence Onyebuchi Emecheta profile picture

    Florence Onyebuchi Emecheta

    Sobre a autora: A nigeriana Buchi Emecheta é autora de mais de 20 obras, entre elas No fundo do poço (1972), Cidadã de segunda classe (1974) e As alegrias da maternidade (1979), publicados pela Dublinense. Seu trabalho aborda temas como escravidão, independência feminina, maternidade e liberdade e é reconhecida pela crítica mundial, especialmente na Inglaterra, onde residiu por mais de 50 anos até sua morte, em janeiro de 2017. <b>A submissão das mulheres africanas é o principal tema desta escritora nigeriana, uma das mais prolíficas do continente.</b> Buchi Emecheta nasceu em Lagos, Nigéria, em 1944 e foi educada numa escola metodista, após receber uma bolsa quando o seu pai morreu. O seu destino mudou ao casar-se aos 16 anos com o homem com quem se tinha comprometido desde os 11 e com quem emigraria quatro anos depois, para Londres. O casal teve cinco filhos antes de o casamento ter terminado. Como mãe pertencente a uma minoria num país estrangeiro, Emecheta teve que enfrentar diversos obstáculos. Apesar disso, em 1974 licenciou-se pela Universidade de Londres em Sociologia, estudos que conciliou com um trabalho na biblioteca do Museu Britânico para manter a sua família. Precisamente as dificuldades que sofreu em Londres foram o material seleccionado para os seus dois primeiros romances, In the Ditch (1972) e Second-Class Citizen (1975). Ela continuou o seu êxito inicial com romances sobre a luta permanente das mulheres africanas para desenvolver o seu potencial numa sociedade dominada por homens. The Bride Price (1976), The Slave Girl (1977), Kehinde (1994) e The new tribe (2000) são outros dos seus títulos de temática semelhante. Após trabalhar na Universidade de Londres e da Nigéria, regressou à capital britânica para estar perto dos seus filhos. Durante este período, Emecheta publicou The Joys of Motherhood ('As alegrias da maternidade', 1979), o seu romance de maior êxito, no qual reconsidera a maternidade na cultura africana. Como romancista e ensaísta, encontra-se entre os escritores mais prolíficos de África. Publicou romances para adultos, uma autobiografia, diversos ensaios e livros para meninos. Com a excepção da obra mais aclamada pela crítica, The rape of Shavi (1983), os seus romances foram escritos num estilo documentalista. Ao longo do seu percurso literária aprecia-se como Emecheta experimenta a técnica narrativa e a mulher, uma temática ignorada durante muito tempo por escritores masculinos africanos. Por tudo isso, conseguiu que a maioria da sua crítica tivesse sido, até ao momento, positiva.

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    Florence Onyebuchi Emecheta