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    O sol se põe em São Paulo -

    Bernardo Carvalho

    Companhia das Letras
    2007
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788535909777
    Português Brasileiro
    3.6
    175 avaliações
    Leram274Lendo4Querem195Relendo0Abandonos2Resenhas10
    Favoritos10Desejados195Avaliaram175

    No Japão da Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi - uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyogen, o teatro cômico japonês. À primeira vista, isso é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de O sol se põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho. Mas logo a trama se complica e se desdobra em outras mais, passadas e presentes, que desnorteiam o narrador involuntário, agora compelido a um verdadeiro trabalho de detetive para completar a história em que se viu enredado. Pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, da humilhação e do ressentimento amorosos, e se vincula aos momentos mais terríveis da História contemporânea - tanto do Japão como do Brasil. Romance sem fronteiras, que une a Osaka de outrora à São Paulo de hoje, e esta à Tóquio do século XXI, o romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria essencialmente separados - e nos quais a prosa de ficção brasileira não costuma se arriscar. Caberá ao narrador de O sol se põe em São Paulo transitar de um pavilhão japonês no bairro do Paraíso a um cybercafé na Tóquio pós-moderna, das fazendas do interior de São Paulo aos campos de batalha da guerra no Pacífico. Tudo a fim de deslindar uma trama tortuosa, que envolve ainda um soldado raso, um primo do imperador e um escritor famoso (o romancista Junichiro Tanizaki) - também sua própria pessoa, sua própria identidade: pária ou escritor?

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    Berttoni Licarião28/04/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Verdade à sombra

    Para o japonês Junichiro Tanizaki, só as mentiras interessam a um escritor. 'O sol se põe em São Paulo', do brasileiro Bernardo Carvalho, leva o aforismo do autor de 'As Irmãs Makioka' ao status de cosmovisão literária, compondo cada fibra de um tecido narrativo bastante intrincado, mas fascinante. Trata-se de “uma história de homens e mulheres tentando se fazer passar por outros para cumprir a promessa do que são: um ator a quem proíbem atuar; um homem que precisa deixar de ser quem é para lutar pelo país que o rejeita; outro que já não pode viver com o próprio nome, pois morreu numa guerra de que não participou; uma mulher que só ama quando não podem amá-la; um escritor que só pode ser enquanto não for.” (p.163) À medida que essas existências são devassadas, o leitor é enredado em um jogo de claro-escuro, do qual a síntese ‘sombra’ sai inevitavelmente vencedora. O romance é narrado por um younsei (quarta geração descendente de japoneses) que numa noite é abordado pela dona de um restaurante japonês no bairro da Liberdade que lhe pede que escreva sua história. O aparente triângulo amoroso testemunhado por Setsuko, nascida em Osaka, apresenta Michiyo, moça de boa família, Jokichi, filho único de um industrial, e Masukichi, ator do kyogen, modalidade cômica do teatro japonês. A história, narrada predominantemente em forma de sumário, se desdobra e se complica quando mentira e embuste passam a determinar o verdadeiro tom do romance, sugerindo como na fala de Setsuko que “enquanto os escritores escrevem, as histórias acontecem em outro lugar”. Uma trama gera a outra, entrelaçando tempo e espaço em um ritmo vertiginoso que denuncia a urgência de quem precisa contar para sobreviver. A auto-referencialidade é o grande forte do romance. Essencialmente pós-moderna em sua disposição dialógica, a atitude contemporânea de mergulhar no passado revela a necessidade de se questionar tanto a relação entre a história e a realidade quanto a relação entre a realidade e a linguagem*. Ao privilegiar a reflexão sobre literatura, verdade e história, Bernardo Carvalho construiu uma narrativa contraditória e auto-reflexiva, que questiona se jamais poderemos conhecer o passado a não ser por meio de seus restos textualizados. Situado na fronteira entre o acontecimento passado e a práxis presente, 'O sol se põe em São Paulo' se indaga até que ponto a linguagem pode resgatar aquilo que foi real, mas está perdido. Ele reivindica que tanto a história quanto a ficção são discursos e é a partir dessa identidade que as duas obtêm sua principal pretensão à verdade. *reflexões sobre a arte pós-moderna extraídas da ‘Póetica do Pós-modernismo’, de Linda Hutcheon.

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    Bernardo Teixeira de Carvalho

    Escritor, tradutor e jornalista brasileiro. Trabalhou como correspondente, editor e colunista na Folha de SP. Publica o primeiro livro, de contos, em 1993 e o primeiro romance em 1995. É ganhador de um Prêmio APCA, dois Jabutis e um Oceanos (na época, Telecom).

    22 Livros
    68 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Bernardo Teixeira de Carvalho