Notes of a Native Son -

    James Baldwin

    Penguin Books
    2018
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9780241334003

    James Baldwin's breakthrough essay collection made him the voice of his generation. Ranging over Harlem in the 1940s, movies, novels, his preacher father and his experiences of Paris, they capture the complexity of black life at the dawn of the civil rights movement with effervescent wit and prophetic wisdom.

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    Flávia11/02/2025Resenhou um livro
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    A cor da identidade!

    Ao longo da década de 1960, o FBI acumulou cerca de quase dois mil documentos em uma investigação sobre uma das mentes mais celebradas da América: a do romancista, ensaísta, dramaturgo, poeta e crítico social estadunidense James Arthur Baldwin. Nascido no Harlem em 1924, aos 14 anos Baldwin começou a trabalhar como pregador, lugar onde se desenvolveu a sua voz como escritor, ao mesmo tempo em que seu conflito com a religião começava a crescer. Aos 24 anos, sentindo que já não encontrava mais o seu lugar em seu país onde o racismo e a homofobia tanto o oprimiam, Baldwin decide se mudar para Paris com uma bolsa de estudos para escritores. “Notas de um filho nativo”, publicado em 1955, é uma coletânea de dez ensaios que abordam as temáticas das questões raciais na América e na Europa, e é considerado um clássico do gênero autobiográfico, ocupando a 19ª posição na lista dos 100 melhores livros de não-ficção do século XX da “Modern Library”. A sua busca por tentar responder a rejeição familiar e social, e alcançar um senso de individualidade que tivesse coerência e benevolência, que é o fio condutor dos escritos que Baldwin escreveu ao longo da vida, é exatamente o que podemos encontrar nesta obra. E é importante ressaltar que nem mesmo o seu título foge de todo um corpo de significados. Unindo o título do último livro publicado pelo escritor que tanto o inspiraria, Henry James, “Note of a Son and Brother” com o romance lançado por Richard Wright em 1940, “Filho Nativo”, esta é uma obra que como analisaria Italo Calvino, "é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer". Dividindo os ensaios em três partes, na primeira parte nos deparamos como uma resenha crítica de Baldwin sobre dois grandes clássicos da literatura americana, além do filme “Carmem Jones”, onde o escritor discute o papel do artista negro na sociedade. O primeiro romance discutido é um dos livros mais vendidos nos Estados Unidos depois da Bíblia, “A Cabana do Pai Tomás” de Harriet Beecher Stowe, o qual ele critica duramente por ser excessivamente sentimentalista, e por ser “bem semelhante ao zelo daqueles missionários alabastrinos que vão à África para cobrir a nudez dos nativos e empurrá-los para os braços pálidos de Jesus”. Quanto ao “Filho Nativo” de Richard Wright, Baldwin é bem mais brando em suas opiniões, discorrendo sobre os acertos e as limitações da obra, que, assim como no filme “Carmen Jones”, traz à tona o estereótipo do negro promíscuo. Já a parte dois nos insere no cenário do Harlem, e podemos olhar a vida através dos olhos de Baldwin, além de compreender a sua relação com um pai pregador excessivamente duro com ele, cuja distância na relação deixou grandes marcas. A parte final do livro nos leva para a Europa, precisamente para a “Paris é uma festa” que um dia Hemingway nos apresentou, e que agora Baldwin nos revela não ser uma cidade tão mágica assim, onde para ele, o direito à festa lhe foi negado. Sua discussão sobre a identidade do africano da África e do africano Americano, que ele vai analisando ao mesmo tempo que nos fala sobre como “o parisiense não manifesta o menor interesse pessoal, a menor curiosidade a respeito da vida ou dos costumes de qualquer estrangeiro”, terminando com a imagem do negro em uma pequena aldeia de brancos na Suíça, é um deleite de beleza e sensibilidade que nos provoca a pensar na busca incessante por pertencimento de um povo que foi brutalmente forçado a deixar suas raízes para incorporar outras que apenas os rejeitam. Ler os ensaios de Baldwin nos provoca a ir além, e pensar em uma nova forma de viver as nossas diversas raças e cores compreendendo que não é apenas de dna que elas se compõem, mas que toda a sua identidade grita por uma oportunidade de ser como se é e com tudo o que se tem de forma única e absoluta.

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