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    A Parábola dos Talentos (Semente da Terra #2) -

    Octavia E. Butler

    Morro Branco
    2019
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-13: 9788592795580
    Português Brasileiro
    4.5
    909 avaliações
    Leram1073Lendo58Querem2177Relendo0Abandonos21Resenhas168
    Favoritos189Desejados2177Avaliaram909

    A FICÇÃO DE OCTAVIA BUTLER É MAIS REAL DO QUE GOSTARÍAMOS Lauren Olamina está casada e acaba de ter uma filha em Bolota, a comunidade que construiu com outras pessoas que haviam perdido tudo. Nos últimos cinco anos, Semente da Terra, a religião criada por Olamina cresce e se desenvolve junto com a comunidade. O país, porém, começa a passar por uma preocupante mudança. O candidato à presidência Andrew Steele Jarret está ganhando popularidade com a promessa de “tornar a América grande novamente” em um retorno aos valores tradicionais e cristãos. Para seus fanáticos seguidores, isso exige o fim da tolerância religiosa e de qualquer igualdade racial e de gênero – e estão dispostos a impor sua doutrina com violência. A segurança da pequena comunidade e da família nascente de Olamina nunca foi garantida. “Deus é mudança”, mas eles sobreviverão a mais uma?

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    Pamella picture
    Pamella03/02/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Qual o preço a se pagar para fazer história?

    Cheguei ao final da duologia "Semente da Terra" e mais uma vez não foi nada do que eu esperava. A Octavia E. Butler era a definição de escritora corajosa. Esse livro, em geral, é totalmente diferente do primeiro e mesmo assim tudo se encaixa perfeitamente, ela leva o desenvolvimento religioso/filosófico e familiar para um nível que eu não imaginava ver numa distopia. E a dualidade da protagonista, a Olamina (ou Lauren), foi o grande destaque dessa obra de arte para mim. Nesse livro temos a surpresa de que quem passa a narrar a história é a filha da Olamina, a Larkin — mas as narrações da Olamina ainda voltam por meio de diários da mãe que Larkin apresenta. Ver todo o ponto de vista da Larkin nessa história trouxe uma riqueza gigante. Nunca foi segredo que a Olamina sente que a grande missão da vida dela é espalhar a mensagem e a filosofia da Semente da Terra, que a Mudança é Deus e que o futuro da humanidade está no espaço. Até que ponto a Olamina está disposta a sacrificar suas relações pessoais por isso? A própria segurança, e da família? Tudo isso é colocado em jogo quando vemos que o extremismo político chega ao ápice quando os Estados Unidos ficam sob comando de um presidente fascita. A Octavia E. Butler não se conteve ao colocar a crueldade do fascismo da forma mais crua e clara possível. Uma nação à beira do colapso e afundando em pobreza e violência viu num governante duro a esperança para acabar com o medo que eles sentem. Eu fiquei chocada com os relatos e descrições que ela colocou aqui, o extremismo religioso levando à ascensão de grupos como o KKK (literalmente imitando-os), além de perseguição a diversas minorias, como LGBTQIA+, pobres, mulheres, muçulmanos, judeus (na verdade, qualquer um que não fosse cristão), moradores de rua, dentre outros. Não há piedade, apenas medo e tortura. Ver como a Olamina e sua comunidade reagiam a isso foi doloroso de ler, mas ao mesmo tempo foi muito realista. Toda a união e força que ela preza na Semente da Terra são colocados à prova. Aqui eu acho que a gente viu o ápice da desgraça nesse universo. O primeiro livro focou muito em problemas mais locais, nesse passamos a ver numa esfera nacional e às vezes até mesmo mundial. A Olamina quer salvar o mundo, mas será que ela consegue? Como conciliar isso com uma família, com uma filha que precisa dela? E tudo isso indo contra a maré, porque ela está num país que diz que pessoas como ela são vilões da sociedade. Como ela será vista? Como a tratarão? Ela vai conseguir tudo? Dá pra ver que algumas coisas deverão ser sacrificadas, e em certas situações fica difícil ver quem está certo ou errado, fica pra você que está lendo refletir e decidir. Eu amei esse livro, foi uma conclusão maior do que eu imaginava. O único defeito pra mim é que algumas vezes ele se torna repetitivo, como as jornadas de sobrevivência (que já tinha desde o primeiro livro). Mas fora isso, foi impecável. A Octavia E. Butler pegou uma distopia que poderia parecer “só mais uma” e colocou diversos questionamentos sobre política, discriminação, problemas familiares, crenças religiosas, e muito mais. A leitura muitas vezes é pesada e contém diversos gatilhos, mas para quem aguenta, vale cada página.

    54 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 909
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
    Octavia Estelle Butler profile picture

    Octavia Estelle Butler

    Filha de um engraxate e uma empregada doméstica, a Grande Dama da Ficção Científica nasceu na Califórnia, em 1947. Aos 12 anos, assistiu ao filme “A Garota Diabólica de Marte”, que era tão ruim, mas tão ruim, que mudou completamente sua vida. Octavia decidiu que contaria histórias melhores do que aquela e assim começou sua jornada como escritora. A autora precisou lutar contra a pobreza, a dislexia e o racismo para receber um diploma universitário e foi a primeira mulher negra norte-americana a conquistar o sucesso em uma área da literatura dominada por homens: a ficção científica. Ao longo de sua carreira, foi laureada com o MacArthur Fellowship, Hugo, Nebula e Locus Awards, além de ser indicada mais de 20 vezes à prêmios. Representava em seus livros heroínas negras e explorava temas como raça, empoderamento feminino, divisão de classe, sexualidade e escravidão. Em 2010, quatro anos após sua morte, foi inserida no Hall da Fama da Ficção Científica, em Seattle. Sua obra continua tão relevante, que ainda hoje é objeto de estudo e seu trabalho e vida ganharam uma magnifica exposição na The Huntington Library, na Califórnia.

    41 Livros
    569 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Octavia Estelle Butler