A Filha Devolvida -

    Donatella Di Pietrantonio

    ASA
    2019
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9789892344720
    Português

    Aos treze anos, uma menina descobre brutalmente que o homem e a mulher que a criaram não são seus pais. Filha única, privilegiada, com uma casa à beira-mar e aulas de ballet, é obrigada a abandonar o lar onde cresceu para ser devolvida à família biológica. Não lhe é dada qualquer explicação. Leva consigo uma mala e um saco de sapatos. Começa agora uma nova e inesperada vida. A família biológica é pobre, caótica e pouco acolhedora. Naquela que é agora a sua casa, na aldeia, tem de partilhar um colchão com a irmã e o quarto com os três irmãos mais velhos. A violência, a fome, os costumes… tudo lhe é incompreensível. Mas há a pequena Adriana, que a recebe com a candura típica das crianças; e há Vincenzo, o irmão mais velho, que a protege mas também a olha como se fosse já uma mulher… É na sua relação com eles que a jovem irá encontrar forças para começar de novo e - quem sabe? - construir a sua própria identidade. CRÍTICAS DE IMPRENSA «O romance mais belo do ano.» Huffington Post «Uma escrita febril e ponderosa.» Corriere della Sera «Uma delicada história de crescimento e aprendizagem.» Le Monde

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    Evelyn Ruani01/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Eu fiquei órfã de duas mães vivas"

    "Uma me entregou quando eu ainda tinha seu leite na língua; a outra quando eu tinha treze anos. Eu era filha de separações, de laços de parentescos falsos ou omitidos, de distâncias. Não sabia mais de quem eu provinha. No fundo, até hoje não sei." Meu Deus que livro doído. Tantos sentimentos contidos em tão poucas páginas, é de partir o coração. A protagonista, que não chega a ganhar um nome sendo conhecida por todos como "A Retornada", ou "A devolvida", nos conta como se escrevesse um diário, como foi a sua jornada desde que foi levada de volta à casa de sua mãe biológica aos 13 anos e precisou se adaptar a essa nova realidade, sem entender ao certo qual foi o motivo dessa "devolução". Nesse novo lar ela precisa aprender a conviver com irmãos que também não entendem o que ela está fazendo ali, com a distância de uma mãe que ela sequer consegue chamar de mãe, a escassez de comida, a sujeira, a violência doméstica, ou seja, a falta total de recursos financeiros e emocionais que é totalmente diferente do universo que ela tinha antes na casa da "mamãe do mar" como ela chama sua mãe adotiva. O ponto forte dessa narrativa é o fato de que a protagonista é tão abandonada que ninguém se dá ao trabalho de explicar nada pra ela, e você se vê tão perdida e tão confusa quanto ela, querendo descobrir quais foram os motivos que a levaram a tal situação. O choque do abandono, que por si só, já é bastante traumático, é só o começo de inúmeras situações terríveis pelas quais ela passa nesse novo lar. Já de início ela se vê obrigada a dividir a cama com a irmã mais nova, um colchão velho com cheiro de mofo e xixi seco que logo ela descobre tem esse cheiro porque a irmã faz xixi na cama todas as noites e ela se vê acordando molhada diversas vezes. Porém é justamente com essa irmã que um laço afetivo é criado e ambas se apoiam e se defendem nas situações terríveis a que são submetidas dia a dia nesse lar descompensado. Essa ligação bonita entre as duas, que persistirá pela vida toda, é construída aos poucos e aos tropeços, e é um dos poucos, ou talvez o único alento que temos ao longo da leitura. "Nunca entendi o gesto de uma menina de dez ano que apanhava todo dia, mas queria salvar o privilégio que eu gozava, a irmã intocável chegada há pouco" E mais uma vez, trago a reflexão sobre a importância do papel do pai. O que acontece aqui é novamente um julgamento extremo sobre essas mães que abandonam essa menina duas vezes, embora de um modo ou de outro, estejam ali e o abandono ainda mais real e palpável pra mim que é o abandono dos pais que jamais a trataram como prioridade. Um livro que traz muitas reflexões e cuja leitura eu super recomendo!

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