Agradável surpresa!
Ganhei este livro dentre outros de um tio que estava desocupando sua estante, não conhecia o autor e nem do que se tratava. O nome "Pessach" que refere-se a um errado judaico a princípio não me despertou interesse, porem durante uma madrugada de insônia resolvi ler a primeira página e a coisa empolgou. O personagem narrador/protagonista inicia com uma auto reflexão sobre sair da cama em seu aniversário de 40 anos, que por coincidência refletia meu próprio sentimento nesse ano de 2018 em que tenho 40 anos, e depois pesquisei que a obra foi escrita nos autos dos 40 anos do autor, o imortal Carlos Heitor Cony. Desde o início, o protagonista é um escritor carioca de razoável reconhecimento que lida com problemas cotidianos familiares de um homem divorciado, com uma filha adolescente em um colégio interno, seu pai um idoso judeu paranoico, e suas obrigações editoriais em meio a um cenário político represssivo durante o início da ditadura. Nada de extraordinário até que após recusar o convite de um antigo amigo para se juntar a um grupo revolucionário de esquerda, o protagonista se vê arrastado a uma trama de perseguições, sequestro e se torna prisioneiro ao ponto de se envolver intimamente com a causa. Uma obra sobre a ditadura escrita no auge destes acontecimentos com um retrato perceptivo e fiel aos fatos conhecidos mais de 50 anos depois dos acontecimentos, um final surpreendente com uma fuga desesperada, luta de guerrilhas contra o exército, drama e sacrifícios. Super recomendo a leitura!



