Recentemente, vi uma influenciadora literária falar que existem tipos diferentes de livros: aqueles que você se diverte lendo, a experiência por si só te entretém, e outros que a recompensa é ter terminado a leitura, acumulado o conhecimento. Esse livro definitivamente é um exemplo desse segundo tipo, ou seja, uma leitura que estou satisfeita com o fato de ter finalmente lido, mas um tanto decepcionada com a experiência de leitura.
Primeiro vou elogiar: O livro é como uma foto da época que retrata, fascinante ao mostrar a ruína do estilo de vida boêmio das altas classes inglesas pré-2a Guerra. A forma como a tragédia pessoal daquele microcosmo social reflete as mudanças ocorrendo em níveis macroscópicos é muito inteligente! O autor traz várias críticas que se aplicam até hoje à religião, hierarquia social e aristocracia. Minha parte favorita é quando Julia descreve o Rex, “He simply wasn’t all there..” partes de um ser humano porém incompleto, faltando humanidade, “vazio”. É assustador que tanto desse livro se aplica aos dias de hoje, homens como Rex estão por todos os lados, e famílias como os Flytes ainda existem.
Acho que talvez por isso seja dificil ter empatia com os personagens e suas “tragédias”: em uma época que a desigualdade socioeconômica está maior do que nunca e que a aristocracia e o modo de vida “old money” voltaram a ser tão prevalentes e desejados, é difícil sentir pena dos super ricos alcoólatras…
Agora as críticas.
Parte de minha decepção definitivamente é culpa da expectativa que criei: achei que seria semelhante a Maurice ou outras histórias com essa vibe, ou seja, um livro introspectivo, focado nos personagens, cheio de subtexto gay com análise social do ambiente/período que retrata, o ambiente acadêmico e pessoal dos ricassos que frequentam Oxford. E em parte é sim, com certeza, mas o foco é muito mais no exterior do que interior dos personagens.
Não é que o livro não seja introspectivo, pelo contrário, a narrativa é muito baseada no que os personagens sentem, acreditam, pressão social. Porém sinto que todos eles são apenas isso, representações de papéis sociais, não senti conexão com nenhum deles. O narrador é entediante, Sebastian é fadado à ruína de crescer privilegiado e sem responsabilidades, tornando-se um adulto sem futuro, Julia é presa pelas convenções sociais e sua religiosidade. Tudo isso tem valor e sentido, mas não foi o suficiente pra que eu simpatizasse com os personagens.
A primeira parte do livro, que apresenta a situação toda, acaba sendo muito mais interessante do que a segunda. Parece que quando a amizade com o Sebastian acaba e ele some, o livro fica muito mais entediante (assim como a vida do protagonista, o que é uma reflexão inteligente, porém não entretém).
Outra coisa que me alienou foi a escrita, cheia de referências da época e linguagem rebuscada, foi difícil entender tudo que acontecia num primeiro momento.
Tenho mais pensamentos mas me perdi aqui então ta bom.