Noli Me Tangere -

    José Rizal

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    2006
    601 páginas
    20h 2m
    ISBN-13: 9789715691888

    The Noli Me Tangere by Jose P. Rizal, national hero of the Philppines, is the novel with the greatest impact on Filipino political thinking in the 19th and 20th centuries, as well as the widest influence on contemporary fiction, drama, opera, dance and film. Its popularity was rooted in its relection of the times in which it was written, and has continued because of the characters Rizal created, set in situations that still ring true today. Rizal finished the Noli in 1887, and published 2,000 copies in Berlin. Many thousands more have since circulated, in the original SPanish, and in translations into German, French, Chinese, English, Filipino, and other PHilippine languages. The best known translations in English are those by Charles Derbyshire (1912) and Leon Ma. Guerrero (1961). In this new translation, Soledad Lacson-Locsin, a bilingual writer, has restored the unpublished chapter about Elias and Salome, as well as the whole of the "Canto de Maria Clara," wishing her translation to be a faithful rendition of the original.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich13/12/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    José Rizal é o “Machado de Assis das Filipinas” não apenas por ser considerado o melhor escritor do país, tampouco porque faz um delicioso uso da ironia e sequer porque também tem notável erudição: há entre os motivos de comparação o fato de ambos só não serem considerados clássicos mundiais porque os olhos do mundo não estão voltados aos países desses dois autores. “Noli me tangere”, a obra-prima de Rizal, tem um pouco do Cervantes (os episódios cômicos), um pouco do Zola (a luta social), um pouco do Victor Hugo (a discussão filosófica), um pouco do Dickens (o drama das crianças) e até um pouco do Mark Twain no final do livro (a perseguição marítima). A esses elementos reconhecidos como clássicos o autor acrescenta a tinta local da história filipina, país de curiosa colonização espanhola, empreendida notadamente por religiosos, e faz uma obra essencialmente crítica aos costumes do seu país no final do século XIX. Com uma verve afiada, ele ousa por às claras muitos desmandos de políticos e sobretudo de religiosos na condução dos rumos do país (não à toa, os religiosos rugiram ferozmente à publicação do livro). São especialmente interessantes os momentos em que se discute a questão do ensino e, depois, a própria estrutura da sociedade filipina de então e a possibilidade de uma reforma. Muita coisa também se poderia aplicar à realidade brasileira, também vinda de uma colonização problemática, com efeitos que se sente até os dias de hoje. Aparentemente, o pensamento de Rizal varia entre Ibarra, que é o personagem principal da trama e que busca reformas sem revolução, Elias, um revolucionário protoanarquista, e ainda o filósofo da aldeia que, como costuma acontecer, é tachado de louco. As divergências entre eles parecem ser resultado também das discussões internas do próprio escritor. Fora de dúvida, em todo caso, é que ele tinha consciência do estado crítico do seu país e da necessidade de uma reforma da sociedade. Seu livro é um testemunho bastante eloquente da realidade do seu tempo e, também, da própria trajetória do seu escritor, que, visto como elemento perigoso, acabaria fuzilado aos 35 anos de idade. Esse livro foi escrito quando ele tinha apenas 25, o que mostra bem que se trata de um gênio precoce e, ao mesmo tempo, torna ainda mais terrível o crime de tirar a sua vida quando ainda tinha muito a produzir. Não é um livro perfeito, naturalmente, nota-se alguns problemas de construção, e alguns citam também exageros na trama, mas bem poucos de nós seriam capazes de produzir uma obra dessas aos 25 anos de idade. Ademais, é uma história tão movimentada, tão cheia de personagens e eventos interessantes, bonitos e engraçados, que a teledramaturgia está comendo bola em não adaptar isso para a televisão. Vale conhecer o livro e vale pesquisar sobre o autor, personagem multifacetado de vida intensa. PS: Ainda não existe em português, apenas espanhol e inglês.

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