O Tratado dos Mil Cantos
Por Ana Oliveira
Título: O Tratado dos Mil Cantos | Autor: Rafael Dias | Editora: Jambô | Gênero: Literatura Brasileira | Páginas: 224 | Ano de publicação: 2019 | Nota: 3,0/5,0
O Tratado dos Mil Cantos é o primeiro livro do Rafael Dias, mesmo sendo estreante chegou com tudo em uma história cheia de magia e cultura. Inspirado na cultura mesopotâmica, livro traz uma diversidade de contos e deuses para seu universo fantástico.
Apresentando os personagens
Nossa história começa com prólogo que nos mostra como se deu a criação do mundo, dos deuses e do principal enredo que leva toda a história. Logo em seguida, lentamente, somos apresentados a Anumma, Ibarummah. Nis-Ibbi e Rakrem-ne. Enquanto conhecemos os personagens, somos apresentados à cultura de um reino rico, cheio de magia numa terra que ressente a calor bravio e escravidão impiedosa.
Com histórias muito peculiares e únicas entre si, todos acabam, de um jeito ou de outro, na mesma arena para um festival de sangue à deusa do fogo e da guerra, Annira. Mesmo sem saber que um plano maior, no qual eles são as peças chave, está desenvolvendo-se, os personagens ajudam uns aos outros e um laço de amizade forma-se em meio às lutas pelas próprias vidas.
Foco na grande missão
O desenrolar do enredo é lento e, por vezes, pode confundir alguns leitores, pois parecem informações demais aos olhos menos preparados. Como vemos o nascimento e criação de cada um dos personagens principais, juntamente com o desenvolvimento do mundo e do enredo, com suas tramas intercaladas, a sensação é que nos perdemos um pouquinho. Porém, com o passar da leitura descobrimos que este é o modo como o autor escolheu nos mostrar a cultura e a formação do mundo, pelos olhos dos personagens e, assim, costurar a história íntima de cada um com a história geral do mundo, de onde veio e pra onde vai. Porque, no final das contas, tudo está conectado.
Lutas grandiosas cheia de magia e estratégia
Uma das partes mais empolgantes é quando o grupo está na arena, lutando contra seus adversários perversos. Cada personagem ali tem um motivo bem definido de porquê estão ali. Alguns pela glória, outros pela liberdade. As lutas desenvolvidas são muito empolgantes. Você se vê na arena, torcendo para nosso pequeno grupo conseguir prevalecer.
Eu já falei que no Tratado dos Mil Cantos todos possuem magia inerente? Não? Pois aqui todos têm magia, uns mais, outros menos, mas é tocante a cada pessoa. Eles manipulam fogo, ar, água, terra, trevas e luz. Esses são elementos que definem se uma pessoa é apta ou não para determinados serviços, como, por exemplo: os manipuladores de água são vistos mais como servos domésticos, apesar de existirem guerreiros com essas habilidades.
Durante as lutas na arena, os manipuladores usam seus poderes mágicos, juntamente com sua desenvoltura física, para causar dano e prevalecerem sobre o inimigo. Lembrou um pouco Avatar, da Nickelodeon, principalmente a Lenda de Koora. Se você gosta dessa temporada da animação vai gostar do livro.
Gostinho para um segundo livro
O ápice do livro vem do meio para o final. Quando acreditamos que todos os personagens já foram apresentados, o autor ainda guarda alguns na manga e nos deixar intrigados quanto a eles. Neste ponto do livro, temos as lutas na arena e um desenvolvimento que nos tira o fôlego. Não vou contar muito para não dar spoiler, mas saiba que vale a pena chegar lá.
A trama fica em aberto, dando sinais para um segundo volume do nosso grupo predileto de aventureiros manipuladores dos elementos.
Para encerrar, quero dizer que adoro quando os autores trazem culturas diferentes das que estamos acostumados em seus livros. Rafael Dias trouxe a Mesopotâmia e, apesar dos nomes compridos e complicados de se pronunciar, deixa uma clara imagem de como esse reino antigo era magnífico. Podemos sentir o calor, o vento e o terror de ser capturado lutando. Lembrou um pouco outro livro que li, que também trouxe uma cultura diversa para nossa imaginação.
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