A Batalha do Apocalipse

A Batalha do Apocalipse Eduardo Spohr




Resenhas - A Batalha do Apocalipse


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Nana 17/02/2017

Por que eu abandonei
A primeira coisa que preciso falar aqui é que eu me recuso a abandonar livros, ou seja, quando eu chego a esse ponto é porque tentei de todas as formas e não deu. Para se ter uma ideia, até hoje só abandonei 4 livros: Anoitecer e Reunião Sombria da série Os Diários do Vampiro, Amanhecer da série Crepúsculo e O senhor da Chuva do André Vianco. Agora podemos acrescentar A Batalha do Apocalipse.

Eu pensei muito antes de decidir abandonar esse livro, porque eu realmente estava gostando da história, mas vários pontos no livro de incomodaram bastante:

Esta minha edição é do lançamento. Lembro de ter comprado em uma Bienal do Livro e ter adorado a ideia, contudo não sei se o problema é somente desta edição (por ser a primeira), mas a diagramação está terrível! As letras vão de um lado ao outro da página, quase sem margem. Não sei porque, mas isso me incomodou muito e parece que deixou a leitura mais cansativa.

Outro ponto: o livro fala muito de religião. Muito MESMO. Qualquer coisa que fale muito deste tema me deixa bem cansada. Até que a forma como algumas coisas estavam sendo colocadas me agradou, porém tenho certeza que esse foi um dos motivos pelos quais a leitura me cansou.

Agora, o principal motivo: a história enrola muito! Sério, tenho a impressão que até a parte que eu li (41% de acordo com o Skoob) dava pra escrever outros 2 livros. Foram umas 200 páginas do livro só de histórias paralelas. Primeiro apareceu a personagem Shamira e foram mais de 100 páginas só pra contar a história dela e como o Ablon a conheceu. Depois mais de 1oo páginas para contar a primeira vez que ele foi a Jerusalém (parei no meio dessa parte)… Sério, se eu li 50 páginas da história principal foi muito! Isso me deixou completamente sem paciência!

Se eu vou abandonar essa história pra sempre? Não sei… Eu fiquei curiosa para ver como ela vai terminar, mas no momento não estou com paciência para tanta enrolação… Quem sabe um dia eu retome…

site: https://confessionsbookaholic.wordpress.com/2017/02/17/por-que-eu-abandonei-a-batalha-do-apocalipse/
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Lorena.Magalhaes 14/02/2017

Super cansativo
Este livro eu quase desisto. A história é monótona e só não deixei na estante, pois achei um desaforo comprar algo caro e não terminar! Li a pulso!
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alexandredsc 09/02/2017

Finalmente terminei o livro, que comprei a três anos e um mês! Vergonha ao meu eu do passado, ávido leitor. Desacostumei? O livro não era tão interessante? Não é o meu tipo de leitura? Talvez um pouco de tudo.
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Bruno.Yamaguti 04/02/2017

Fantasia cheia de ação.
Um livro fantástico com uma aventura épica.
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Diego 02/02/2017

Quero ser amigo dele e pedir dicas de como ser um escritor incrível.
Não me sinto apto à escrever uma resenha que iguale a qualidade do livro entretanto vou me conter com poucas palavras , dizendo que demorei para ler e pegar o ritmo porém quando aconteceu a história deslanchou de uma maneira incrível. Não esperava a muito do livro, sim por causa de preconceito com autores nacionais ainda mais fantasia, porém quebrei a minha cara, pois este livro é incrível, personagens cativantes( Shamira, minha preferida), flashbacks legais , muito contexto e acontecimentos históricos, a fantasia aqui parece simples mas a cada página surpreende mais, as cenas de batalhas e ação são escrita com bastante mestria. O Eduardo é incrível, digo isso por causa da complexidade do livro, eu escrevo algumas coisas e me sinto sem vergonha alguma de dizer que eu sou nada perto do que ele fez neste livro. Eu amei e recomendo que você leia também pois valerá muito a pena ❤. ( Deve ter vários erros de portugyes nesta "resenha " e não irei revisar agora pois terminei esse livro no horário de almoço , no qual está quase acabando, fui, eu tinha que recomendar esse livro, bjs)
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Rosângela Luz 02/02/2017

Enfim um brasileiro!
A batalha do Apocalipse
A queda dos anjos ao crepúsculo do mundo, de Eduardo Spohr.
Editora Verus.
Número de páginas: 586.
Arte da capa: Harald Stricker.
Revisão: Guilherme Simões Reis.
A obra traz a grata surpresa de ser do gênero literatura fantástica e de autoria de um brasileiro, Eduardo Spohr, (Rio de Janeiro, 5 de junho de 1976) é um jornalista, escritor, professor, blogueiro e podcaster brasileiro.
Informação retirada de: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Spohr

O livro é dividido em três partes: A vingadora Sagrada; Ira de Deus e Flagelo de fogo.
O livro inicia-se pela revolta dos Querubins leais a Jeová contra o Arcanjo Miguel e os anjos que o seguiam, Deus está no descanso do Sétimo Dia e os conflitos ocorrem pelo ciúme do amor de Deus aos seres humanos. A descrição deste ambiente de desconfianças e batalhas exigiu muitas pesquisas para que o autor descrevesse um ambiente crível para a sua trama, um universo tão rico de simbolismos, acontecimentos históricos e de religiões, quase perfeitamente alinhados.
Os arcanjos , anjos e demônios apresentam sentimentos humanos como raiva, inveja, amor, capazes de tramóias enquanto acreditam na hipótese de que o Pai esteja descansando ou morto e isso pode perturbar os religiosos, contudo, gostaria que pensassem com a mente aberta, primeiro na obra artística que foi construída e que nossa literatura ainda é pobre neste gênero e, segundo, que a fé que, por acaso possuam, não será abalada por uma história de ficção, e isto faz desta obra, para mim como leitora, pioneira em nossa literatura, capaz de ser comparada com qualquer outro universo fantástico criado por autores internacionais.
O personagem principal, Ablon, o anjo renegado, encontra-se no Rio de Janeiro, no século XXI, oito anos depois das olimpíadas sediada aqui, então 2024, quando é procurado por um amigo, Orion, príncipe de Atlântida, por perceber os sinais de que o Apocalipse se aproxima. Temos, então, vários flashbacks que explicam as batalhas angelicais, a trajetória do protagonista e suas viagens. Voltamos ao Rio de Janeiro onde Ablon reflete sobre os sinais : a crise econômica mundial, a invasão do Afeganistão, criando ?um palco para um conflito mundial?.
A história acontece na Mesopotâmia, em Roma, Sodoma e Gomorra, China, Jerusalém e no Brasil. Com esses elementos chegamos a terceira guerra mundial entre os humanos, culminando no Apocalipse. As cenas de batalhas são gloriosas, o discurso do primeiro General me arrebatou e queria estar na história e ser soldado participando daquele momento crítico, envolvendo todos os seres imagináveis no universo Spohr.
A história engloba elementos da mitologia grega, criaturas fantásticas (fadas, duendes, elfos, dragões), feitiçaria, cristianismo, religiões antigas ou extintas, temos a ligação do protagonista com a feiticeira Shamira em um viés romântico, enfim, em uma salada que dá certo. Temos também, a narrativa em primeira e terceira pessoa, o que pode causar alguma confusão, mas nada que impeça a compreensão da história.
A obra não é perfeita, falha na revisão (alguns erros ortográficos), os diálogos poderiam ser mais dinâmicos, todavia, temos uma história que seria fantástica nas telas ou como série e que pode encantar pessoas de qualquer idade.
Ao final da obra temos um Glossário e uma linha do tempo.
O autor possui outras obras como a Trilogia Filhos do Éden e o spin-off de A batalha do Apocalipse, um conto chamado A torre das almas.
E você, o que acha do livro? Curta, comentem e compartilhem, vamos espalhar o prazer de ler!
Blog do autor:
http://filosofianerd.blogspot.com.br/2009/10/tutorial-como-ler-batalha-do-apocalipse.html
Entrevista do autor no Programa do Jô, parte 1 e parte 2:
https://www.youtube.com/watch?v=4H1HfPTK_Ng
https://www.youtube.com/watch?v=XG4_SwM0zzU
Leko 02/02/2017minha estante
Como que você leu se sua edição tá comigo?
HUASUHAUHSUHAUHSUA


Rosângela Luz 02/02/2017minha estante
PDF e eu já tinha lido!




Hel 01/02/2017

O início é bom, muito bom mesmo, mas eu destestei tantas memórias e lembranças. A premissa é boa, mas não deu.
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Erika 24/01/2017

Um bom livro de fantasia
O livro A batalha do Apocalipse se resume na sobrevivência e luta de Ablon, um anjo renegado que foi expurgado do paraíso pelo celestiais, após articular uma conjuração em prol da raça humana. Durante sua passagem pela Terra ele acompanha a evolução que acerca a humanidade, desde Babilônia com a construção da torre de babel, Roma e seus imperadores até períodos medievais. Temos também alusão a bíblia, como a criação do universo. E o apogeu da narrativa é o embate final entre céu e inferno - Armagedon. É um livro com uma escrita que flui, embora a cronologia temporal abordada pelo autor tenha me incomodado um pouco. Em síntese, para quem gosta do gênero de fantasia é um livro que atende o objetivo, um bom livro.
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Vinha 22/01/2017

Meu primeiro amor
Bom, a batalha do apocalipse foi o primeiro livro que li e que despertou meu amor por leitura.
O livro tem como personagens principais anjos e uma necromante.
A história se desenvolve com a ideia de luta contra o fim do mundo que está sendo travada no próprio céu.
Mas as surpresas acontecem quando você descobre como, quem, As ligações, As traições, As alianças que surgem no decorrer da história.
Vale a pena ler essa obra maravilhosa do autor Eduardo Spohr
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Rinaldo 21/01/2017

Batalha
Livro fora de série... Eduardo Sphor fantástico....
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Sil 13/01/2017

Gostei bastaaante!
Gostei bastante da história, muito bem construída e desenvolvida. Só achei que o autor poderia ter enrolado um pouco menos, reduzindo umas 100 paginas do livro e tornando a leitura um pouco menos cansativa.
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Valquíria 11/01/2017

As verdadeiras pelejas de A Batalha do Apocalipse
E no Sétimo Dia, o Altíssimo descansou. O Criador deixou sua obra aos cuidados dos sete arcanjos, mas seu ciúme foi despertado por dois tesouros da humanidade que nenhum ser angelical possuia: alma imortal e livre arbítrio. Uma guerra civil teve início no céu, e os poucos anjos que se atreveram a lutar pela humanidade foram renegados, exilados na Terra e condenados a viver em avatares de carne — ao menos, enquanto conseguissem se esconder de seus inimigos. Pouco depois, um segundo cisma expulsou Lúcifer e seu séquito para o inferno, pelo crime de ter afrontado Miguel. E para a frustração do tirano, apesar de todos os seus esforços, o homem sobreviveu. Mas não por muito tempo. O Armagedon se aproxima. O tecido da realidade cairá e dará espaço a uma batalha entre anjos e demônios para decidir o futuro da humanidade, antes do momento derradeiro do despertar do Altíssimo e do Juízo Final de homens e celestes.

Agora cabe a Ablon, o último anjo Renegado, erguer-se mais uma vez pela defesa da sua causa perdida.

Senhoras e senhores, saibam que escrito em terreno tupiniquim e em bom português temos uma obra fantástica como eu nunca vi além das nossas fronteiras. Em aspectos positivos e negativos, mas sobretudo pela dimensão da história e da originalidade do autor. Sphor conseguiu englobar todas as mitologias que conhecemos e amamos, mais todas as religiões já praticadas pelo homem em um único universo de maneira incrivelmente simples, mas brilhante, respeitosa e, na maioria das vezes, muito coerente. E temperou tudo com um enredo, bom, apocalíptico.

Uma história fantástica. Narrativa, nem tanto
O enredo de A Batalha do Apocalipse é interessante e original, ambientado em um universo que comporta simultaneamente a fantasia e nossa realidade mundana — e sou da opinião que é muito mais difícil integrar a "magia" ao mundo real que separá-las ou criar um universo totalmente alternativo. Mas alguns pontos do estilo do autor me dificultaram a leitura. Um dos mais evidentes, e que já foi apontado em outras resenhas, são os diálogos. Eles soam um pouco forçados e pomposos. Há uma formalidade, compreensível em até certo ponto, mas que se torna cansativa com o tempo. Ouvi o Sphor dizer em um nerdcast que essa crítica o levou a estudar mais diálogos, então bola pra frente.

A ordem indireta de muitas sentenças também me incomodou. Você demora a chegar ao cerne da ação. Eu sei que parece besteira, mas acontece de maneira tão recorrente que cria um efeito perceptível e, para mim, negativo. Também tive problemas com o foco narrativo no Ablon, o protagonista. Porque embora o foco fosse nele, muitas vezes não víamos através da perspectiva do anjo renegado. Sabemos que ele é assim ou assado porque o autor o diz, e não porque o vemos de fato. Inclusive, tenho vários problemas com o Ablon. Ele representa um ideal, mas quando você presta atenção, ele está sempre vacilante nas suas convicções. Ele exerce um grande fascínio e inspiração enquanto símbolo, mas na verdade é indiferente em boa parte da história humana, cuidando dos seus.

E verdade seja dita, o Ablon é um tanto lerdo.

Para um ser de milhares de anos, ele tem uma capacidade ridiculamente baixa de fazer conjecturas e ligar os pontos. E eu não posso com personagens lerdos, especialmente se são os protagonistas. Dá vontade de sacudir o sujeito pelos ombros e mandá-los pensar. As personagens, em geral, não são muito profundas e têm motivações simplórias que dificilmente se sustentariam por séculos. Mas há um equilíbrio interessante: a princípio são preto e branco, mas depois você vê as escalas de cinza. Pena que são pouco exploradas.
Mas até o momento foram questões mais pessoais. Agora vamos a considerações gerais sobre o livro.

Os capítulos são divididos em subtítulos, que são meio independentes entre si: quase sempre há algum resumo de uma ação anterior de um para outro. Algo como "Eis que aparece fulano de tal, que tinha feito abobrinha em xis circunstância", sendo que você acabou de ler fulano fazendo abobrinha duas páginas atrás. Verdade seja dita, por vezes isso se dava em momentos mais distantes. Mas sério, a memória do leitor não é tão curta assim. A gente vai lembrar como quem morreu e pela mão de qual personagem, juro. A impressão é que o autor escreveu as aventuras do seu herói em vários contos ao longo dos anos e resolveu juntar tudo num livro só. Some isso à enunciação repetititva de títulos como "Beltrano, o Fenomenal" e o resultado é um ritmo de leitura travado e tanto exaustivo.

Outra coisa que altera o ritmo, mas de forma proposital, são os vários flashbacks que permeiam o livro em diferentes ambientações, demonstrando uma vasta gama de conhecimentos e de suada pesquisa do autor, sem parecer forçada. O livro te possibilita viajar para diversos momentos e locais da civilização humana, fora os eventos da história angélica. Você realmente sente a atmosfera de maneira muito natural, e Sphor aproveita bem esses momentos para explicar sua mitologia, que merece um tópico à parte. Pontinho para ele.

Mas antes disso, vamos nos aprofundar um pouco nesses flashbacks, que têm tanto peso na história.

A volta constante (e desnecessária) ao passado
O flahsback é uma ferramenta interessante para mudar um pouco o foco narrativo, atiçar a curiosidade do leitor e ao mesmo tempo o premiar com novas informações ou curiosidades sobre as personagens e sua trajetória. Certamente enriquece a obra, mas na minha opinião foi um pouco mal utilizada. Durante a leitura, minha impressão é que a maior parte do livro consistia nesses momentos anteriores à trama principal. Graças a Deus, para não ser injusta, eu fui fazer a contabilidade e descobri que na verdade o livro está bem dividido nesse aspecto. Cheguei a conclusão que meu desconforto com os esses momentos passados se divide em três pontos.

O primeiro é que as cenas do presente dividem o foco do leitor entre diferentes personagens e atmosferas do universo criado por Sphor. Você sente a história se encaminhando para um desfecho ainda difícil de vislumbrar e fica maquinando para tentar entender o que cada lado está tramando, você vê os vários lados de anjos e demônios. Já os flahsbacks se focam marjoritariamente no ponto de vista do Ablon, que por sua própria natureza, é uma figura um tanto previsível. Por contraste, as cenas do presente são mais dinâmicas, empurram a narrativa para frente, enquanto os flahsbacks são narrativas de grandes feitos do anjo renegado - que não deixam de ser interessantes por si mesmas. Mas sendo sincera, quase não tem relevância para a trama principal.

Repare no quase, por favor. Claro que existem elementos presentes no desenrolar da história (alguns tristemente subutilizados, como uma figura que antagoniza o herói), mas o papel dessas informações nem de longe justifica o peso e o detalhamento dos flashbacks dentro do livro. A segunda parte é basicamente um bloco de 135 páginas de um episódio da vida do protagonista, que serve principalmente para fechar um ciclo aberto no primeiro grande flahsback (mais de 70 páginas) e para justificar a ausência do herói em determinado momento histórico. Não vou subir em um pedestal e dizer como Sphor deveria ter lidado com a situação, mas de uma coisa eu sei por certo: não havia a menor necessidade de se desviar da trajetória principal por durante períodos tão extensos, por tão pouca coisa. E nem de mudar o narrador de terceira para primeira pessoa nesse único momento do livro.

E chegamos ao segundo ponto: como os flashbacks são mais longos do que exige o bom andamento da trama, beirando o desnecessário, em um foco narrativo mais estático que a narrativa principal... eles se tornam absurdamente frustrantes. O nome do livro é a Batalha do Apocalipse. Você tá esperando para ver anjos se degladiando no alto dos céus e demônios ao redor. Quando parece que a coisa tá engatando, que vai haver um grande momento de ação ou uma revelação importante sobre o fim do mundo, YÉ YÉ! O Ablon lembra de uma das suas aventuras e começa uma (aparentemente) longa narrativa que não acrescenta em (essencialmente) nada ao que você estava lendo antes. Sufoquei um grito algumas vezes, incapaz de acometer a atrocidade de pular meia dúzia de páginas ou mais.

Por fim, o terceiro ponto, consequência dos outros dois: a má distribuição desses momentos. Como já disse, os capítulos são longos, divididos em vários subtítulos, e geralmente marcam a passagem de um momento atual para um passado e vice-versa. Se o Sphor tivesse juntado alguns desses subtítulos para fazer capítulos menores e alternado com mais frequência entre presente e passado, a leitura teria ficado mais leve e sutil. Mas de novo, não há uma relação clara e forte entre momentos históricos tão distantes que sustentasse uma estrutura assim. Os eventos não se costuram, não há uma causalidade evidente. O resultado são grandes blocos de presente/passado, geralmente de tamanho desiguais, que causam estranhamento pela diferença de dinâmica entre eles e deixam a leitura truncada.

Outra vez, parece que o Sphor juntou vários pequenos contos do Ablon, acrescentou capítulos referentes ao juízo final e fez um livro. E que fique claro: as aventuras do anjo renegado são sim interessantes. Mas não tinham necessidade de estar ali, ao menos não nessa extensão. Acho que eu preferiria muito mais ler um Batalha do Apocalipse com menos passado do Ablon, e depois ler uma coletânea da sua trajetória épica e trágica. E falando em épico, tocamos em um ponto fundamental do livro.

Uma óde às Grandes Coisas
Pela sinopse do livro, dá para perceber que a história tem grandes pretensões — o que é bom. Não é uma saga para cumprir um objetivo pessoal ou salvar um reino: é o destino do mundo que está na mesa, e os jogadores são seres praticamente imortais de poder tão grande quanto o conhecimento que carregam. Deu pra sentir o drama, não é? Pois é. Desnecessário dizer que teremos batalhas épicas entre entidades divinas, celestiais e demoníacas. Mas ainda assim, Sphor faz questão de sublinhar o óbvio.

O excesso de adjetivos para engrandecer as ações, exclamações abundantes, títulos pomposos para quase todas as personagens (repetidos com constância) e suas armas (idem), algumas palavras rebuscadas em demasia que destoam do texto, frases de efeito; enfim. Tudo isso contribui para dar um aura de grandeza à história que, na verdade, seria atingido de maneira muito mais eficaz se as ações fossem narradas com mais naturalidade. Quase tudo no livro parece que é um evento, há essa aura de drama em cada ação, como se todo ato fosse definitivo e irreversível. Pessoalmente, isso gerou em mim um pouco de desdém. Em especial porque esses mesmo seres ultrapoderosos que mencionei acima parecem se admirar com tudo. Era de se esperar que, após uma existência milenar presenciando grandes forças, essas criaturas não ficariam impressionadas à toa, e nem umas com as outras.

E precisamos falar das cenas de batalha, que são várias. Algumas são notadamente exageradas, do tipo que após dois golpes já se tornam o combate do século e os oponentes estão quase morrendo. Mas as cenas de lutas coletivas são sen-sa-cio-nais. Quero muito uma série, um desenho, um filme, qualquer coisa, para ver isso na tela um dia. Haja orçamento para efeitos especiais. Sphor realmente entrega aquele peso do Armagedon prometido, embora algumas estratégias de luta não tenham me convencido muito bem. Mas a pancadaria rola solta e vai muito bem, obrigada.

Um outro ponto mais sutil e, para mim, mais interessante da grandiosidade da Batalha do Apocalipse são os questionamentos e reflexões morais que ele propõe. Sim, através da linguagem pomposa que já discutimos, mas igualmente válidos. Destruição, guerras, prejuízos ao meio ambiente, egoísmo, corrupção, responsabilidade. Está tudo aí. Um dos pontos fortes do Sphor foi colocar, ainda que de maneira superficial, a dúvida de Ablon se a humanidade realmente vale a pena. É uma pergunta que todos nós nos fazemos ao menos uma vez na vida, e se debruçar sobre ela pode ser uma dura jornada.

Mas o brilhante mesmo nesse livro, foi o universo que Sphor criou.

Mitologia para todos, e algumas pequenas incoerências
De longe, disparado, a melhor coisa sobre A Batalha do Apocalipse. Sphor teve uma sacada muito simples que conseguiu unir todas as criaturas fantásticas que existem e ainda estão para ser inventadas, mais as religiões extintas e viventes. Os diferentes planos de existência, o tecido da realidade produzido pelo senso coletivo, tudo. Uma salva de palmas bem sonora para o menino Sphor, por favor. Como amante de mitologias (tenho duas no meu nome, prazer), fiquei fascinada. As possibilidades são tantas que não à toa existe um sistema de RPG para quem quiser jogar dentro dele.

Inclusive, quem quiser me chama, porque quero muito.

Contudo, há alguns probleminhas. A começar pela natureza angélica. O autor adaptou o sistema de castas da doutrina cristã e explica que, por não possuírem livre-arbítrio, os anjos estão aprisionados a sua natureza, a sua essência — a sua casta. Um anjo guerreiro como Ablon, um querubim, luta. Ponto. Suas divindades (aka poderes), seus instintos e valores se baseiam nisso. Mas ao longo do livro você percebe alguns furos nesse raciocínio e o autor se contradiz algumas vezes.

Exemplo. Em determinado momento, o mundo pode acabar em barranco que Ablon não vai interromper uma luta. Em um outro, ele tá quase derrotando um inimigo muito importante, mas escolhe interromper a luta para deixar uma pessoa em segurança. Ou quando um determinado demônio que é descrito o tempo inteiro como impulso destrutivo e pura crueldade (porque o amoroso Criador faria tal anjo, aliás?) desata a fazer um discurso extremamente meticuloso para alguém tão tempestuoso. Só um exemplo, mas dúvidas quanto às escolhas dos anjos são perceptíveis ao longo de toda história. Também há alguns furos narrativos um tanto crassos, como um determinado momento em que Ablon é ludibriado quando suas habilidades angélicas poderiam facilmente ter impedido isso.

E por fim, não vamos esquecer que Sphor se baseou numa das maiores religiões vigentes do nosso mundo para fazer o grosso do seu universo. Alguns fatos ele não pode ignorar, como Jesus Cristo, ou o que acontece com as almas dos mortos. E ele não o faz. Mas achei algumas saídas muito evasivas, vagas e até injustificadas. Mas dado o tamanho da dimensão do que ele criou, tá desculpado, vai.

Concluindo
Você luta para vencer a narrativa um pouco repetitiva, truncada e desnecessariamente dramática (no meu caso por várias semanas), mas é recompensado com uma história bem construída, que discute grandes questões morais como o livre-arbítrio num ambiente fantástico muito original, estruturado e flexível. É um livro autêntico, rico e que certamente tem um grande peso na literatura fantástica brasileira, apesar de algumas falhas no texto que não tiram nem de longe o mérito do autor, ainda mais considerando o volume da obra e que foi seu livro de estreia. O final faz valer a pena a leitura, do tipo que você não sabe se fica satisfeito ou indignado.

site: ascintilla.wordpress.com
Dienifer.Zamunel 21/02/2017minha estante
Gostei bastante da resenha.
A temática da história é muito boa e a intensão também, mas no meu ponto de vista achei desnecessário muita coisa.
E sim essa pompa toda e a repetição dos nomes com os títulos me incomodaram bastante, achei massivo demais.




Patrick 10/01/2017

O Futuro da Humanidade

A Batalha do Apocalipse é o primeiro livro escrito pelo autor e jornalista brasileiro Eduardo Spohr. Na trama, o leitor terá de acompanhar o protagonista Ablon, também conhecido como Anjo Renegado, em sua missão de impedir os planos do poderoso, porém maléfico, arcanjo Miguel, que visa pôr um fim na espécie humana - o único equívoco da criação de Deus, intitulado na obra por Yahweh.

Após a criação da Terra, Yahweh descansa em seu sétimo dia - tempo apenas metafórico à humanidade. Nesse período, os cinco arcanjos, Miguel, Gabriel, Rafael, Uziel e Lúcifer, são as entidades responsáveis por regular o universo. Sendo contra a aniquilação dos seres humanos outorgada por Miguel, Ablon, um anjo guerreiro, decide organizar uma rebelião contra o arcanjo. Porém, a conjuração fracassa e os participantes são expulsos do plano etéreo - local onde os celestiais habitam - e obrigados a viver em meio à humanidade.

Embora a história principal ocorra no período contemporâneo (algum momento do século XXI), a trama não é contada em ordem cronológica. Assim, há alguns flashbacks no desenrolar da história, que levam o leitor a antigas civilizações e momentos históricos, como Babilônia, Roma, Idade Média, etc. Desse modo, o autor consegue pincelar alguns aspectos pertinentes ao período, deixando os leitores que gostam de tais temas bastante engajados na leitura.

Outra personagem que merece destaque, a despeito do protagonismo de Ablon, é Shamira, uma feiticeira. De fato, por conseguir ser imortal como o Anjo Renegado, Shamira auxilia Ablon em diversas situações, tanto na história presente quanto nos flashbacks. Além disso, é interessante observar a relação entre a feiticeira e o anjo, que permeia toda a obra. Ademais, Ablon ainda tem um inimigo pessoal, Apollyon, poderoso demônio devoto ao arcanjo Lúcifer. A maneira como o autor explora a rivalidade entre os dois personagens também é digna de atenção.

O universo de A Batalha do Apocalipse é bastante complexo, repleto de regras e explicações, embora o leitor consiga absorver as informações com muita fluidez. Muito é mencionado acerca do tecido da realidade (espécie de divisa entre o plano real e o plano etéreo), da ausência de sentimentos por parte das entidades (em contraste aos seres humanos), das Batalhas Primevas (ocorridas antes da origem do tempo e do espaço) e assim por diante. De fato, o trabalho realizado por Spohr é impressionante.

Embora possua diversos temas relacionados aos celestiais, o autor transmite, em alguns momentos, uma mensagem importante acerca da humanidade. É visível o alerta e certo pessimismo em relação à possível autodestruição dos seres humanos. Guerras, desmatamento, poluição, entre outros temas têm suas respectivas abordagens ao longo do livro.

Por fim, A Batalha do Apocalipse é um livro que merece ser lido. A obra de Eduardo Spohr vai muito além do livro de ficção com elementos de ação, por apresentar um universo riquíssimo, personagens marcantes, trama envolvente, temas históricos e até mesmo críticas sociais. Pode não ser uma obra isenta de defeitos, mas, sem dúvidas, A Batalha do Apocalipse é uma prova de que a literatura brasileira contemporânea de ficção ainda tem muito potencial a oferecer.



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Viniiciuz 03/01/2017

Muito bom
De estilo fluido, com lutas que remontam à Cavaleiros do Zodiaco, Spohr conta uma ótima história tratando da mitologia judaico cristã. O desfecho é surpreendente e muito inteligente.
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