O Grande Gatsby

O Grande Gatsby F. Scott Fitzgerald




Resenhas - O Grande Gatsby


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Daniel 06/06/2013

A Era do Jazz
Mais um dos meus favoritos.

Em resumo, uma história de amor, ou da tentativa de resgatar o grande amor da juventude.

Talvez o leitor muito jovem tenha alguma dificuldade de enxergar o que está por trás, nas entrelinhas deste famoso romance. Acho que uns bons anos vividos e um pouco de desilusão ajudam a entender melhor, a se identificar e se emocionar com a trajetória destes desiludidos personagens.

O narrador/espectador da vida dos milionários do leste americano é Nick Carraway: um típico americano de classe média do interior dos Estados Unidos que vai morar no litoral leste, próximo a Nova York, e sua casa modesta destoa das mansões dos milionários daquela região.
Nick vai conseguir seu passaporte de entrada neste mundo de luxo através da sua prima Daisy, e também de seu vizinho, o famoso Gatsby. O que Nick não sabe é que Gatsby e Daisy viveram um romance quando eram jovens. Nick várias vezes vai se sentir um peixe fora dágua entre a ostentação e as intrigas dos bem nascidos, ao mesmo tempo que se deslumbra com o luxo e o refinamento de seu vizinho.

Aos poucos o leitor vai descobrindo (ou não) a origem da riqueza de Gatsby, mas o mais importante é o motivo pelo qual ele sempre quis enriquecer a todo custo: estar à altura da sua amada de juventude, a romântica e fútil Daisy.

Nick vai servir de elo para a reaproximação do casal, e sendo assim, terá uma visão privilegiada de ambos os lados, conhecendo de perto as frustrações de um grupo que aparentemente tem tudo na vida: a insegurança de Daisy, sua superficialidade e infelicidade no casamento com (o rico, rude e infiel) Tom Buchanan; a amante de Tom, Myrtle, esposa do infeliz mecânico Wilson; a desonestidade da esportista Jordan, a esnobe amiga de Daisy.

Nick será o único personagem a conhecer melhor o grande Gatsby, ou pelo menos o único que vai tentar juntar as peças da complexa personalidade deste personagem fascinante.

Eu me identifiquei várias vezes com as observações do narrador Nick, com suas reflexões.

Há uma riqueza de imagens marcantes: as festas incríveis de Gatsby, com convidados que o próprio anfitrião nem conhecia, enquanto esperava, frustrado, pela sua preferida Daisy, que nunca comparecia à tais festas; os olhos o Dr. Eckleburg, um outdoor que parecia vigiar o desolado vale das cinzas da oficina de Wilson; a luz verde (esperança) acesa do outro lado da baía, eternamente espreitada por Gatsby...

No meio de tantos excessos, um clima de desilusão, de fracasso do sonho americano na terra liberdade e das oportunidades pré crack 1929.

Excelente a nova edição da Penguin/ Cia das Letras, com ótimo prefácio, notas explicativas e ótima tradução.

Já reli várias vezes, e minha satisfação ao final de cada releitura se renova.
amyake 07/06/2013minha estante
Concordo plenamente! "O Grande Gatsby" é um livro maravilhoso.


Amadeu 18/07/2013minha estante
concordo contigo. Eu este livro quando eu tinha uns 20 anos e não gostei, hoje com quase quarenta, adorei.

Só acrescento o final triste de Gatsby, que é um retrato de uma sociedade consumista e interesseira.


Daisy 16/08/2013minha estante
Acabei de ler O Grande Gatsby, e tive o prazer de ver o filme em seguida. Uma experiência maravilhosa, e transformadora. Fiquei feliz de ler este livro já com uma visão "menos sonhadora", mais madura.. assim pude tirar o melhor desta incrível história, o que não seria possível nos meus 17 18 anos.
Me identifiquei muito com sua resenha, ela define muito bem a história criada pelo genial Scott..


Daniel 17/08/2013minha estante
Obrigado pelos comentários


Mari Ferginari 12/10/2013minha estante
Resenha perfeita e que explime muito bem o sentimento que essa maravilhosa obra de Fitzgerald provoca.


Roberson 31/01/2014minha estante
Brilhante resenha irmão, nota 10 !


Patricia 31/03/2015minha estante
Gostei muito porque ja havia assistido as duas versões para o cinema, mas após ler o livro consegui entender a complexidade de cada personagem, seus dramas , foi muito interessante viver através de Nick esta "época".


Julia 28/11/2015minha estante
Resenha maravilhosa, falou tudo!


Ila 31/05/2020minha estante
Eu abandonei a leitura há tempos. Maravilhosa a sua resenha. Darei uma nova chance a gastby! Hahaha


Paulin 11/08/2020minha estante
Sou um admirador da obra e amei sua resenha, amigo.
Foi cirúrgico quando citou 1929. Parece que Fitzgerald estava à frente de seu tempo quando escreveu Gatsby. 4 anos à frente para ser exato: o livro foi finalizado em 1925. Toda a desilusão, fracasso, melancolia, tudo isso veio à tona quando o mundo deu entrada no ano da Quebra da Bolsa de NY. E essa obra traduz com a maestria de seu autor o panorama emocional, social e até espiritual (porque não?) da sociedade americana do Jazz.




@aprendilendo_ 06/06/2021

Resenha de O grande Gatsby
Escrito por volta de 1924 e publicado pela primeira vez em abril de 1925, “O Grande Gatsby” é considerado um clássico do séc. XX. Na trama, acompanhamos a narrativa de Nick Carraway, corretor de títulos que, após sua mudança para Nova York, passa a conviver com a alta sociedade americana enquanto presencia toda a falsidade em suas famílias e participa das festas esbanjadoras. Nesse contexto, dentre seus novos companheiros, está o misterioso Jay Gatsby, um milionário de hábitos excêntricos, o qual, no decorrer da história, demonstrará os verdadeiros motivos para suas atitudes.

Em primeiro plano, com uma escrita fluída e cativante, acompanhamos a história por meio do olhar irônico de Nick. Nesse sentido, o desenvolvimento da trama e a apresentação de personagens é todo parcial e colorido pelos sentimentos e opiniões do protagonista, o que dá ao livro um tom bem-humorado enquanto trata, em sua profundidade, de temas como traição, luxúria ou a idolatria. Em adição a isso, agora sobre os cenários e cenas descritas, há um ambiente quase lúdico em toda a obra, o qual realça os enigmas e ajuda a intensificar os acontecimentos surpreendentes do romance. Dessa forma, tem-se uma história inesperada e cativante, a qual consegue balancear entre momentos divertidos e dramáticos enquanto imerge o leitor em debates extremamente pertinentes.

Em um segundo momento, sobre os personagens, temos uma gama de indivíduos enigmáticos e charmosos, os quais, ao seu modo, deixam sua marca no leitor, seja ela positiva ou negativa. Assim, novamente, pela narrativa de Nick, somos apresentados aos dilemas, hipocrisias e sonhos distorcidos de cada um aos poucos e de maneira sútil. Como consequência, os sujeitos têm sua pertinência para as minúcias da história, cumprindo com sua devida importância no decorrer dos fatos sem se tornar estafantes ou desnecessários para a trama.

Portanto, com uma narrativa surpreendentemente imersiva e instigante, “O grande Gatsby” consegue entregar uma leitura prazerosa e sútil enquanto aborda um grande debate sobre temas seríssimos.

Nota: 9,8
Instagram: @aprendilendo_
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Bruna Suelen 27/08/2020

Quem é Gatsby?
Tô saindo dessa leitura bem decepcionada, é um caso raríssimo de eu preferir o filme ao livro (apesar dele ser bem fiel), me sinto um pouco culpada de não ter gostado tanto. Achei a história bem monótona e não lembrava que os personagens eram tão vazios e sem carisma. Ela teve uma movimentação no antepenúltimo capítulo, e ocorreu um fato que eu não lembrava (preciso rever o filme). Gatsby era um homem pobre que fez riqueza sabe se lá como, esse mistério faz com que surjam vários boatos a seu respeito. Ele é passa cinco anos obcecado por um passado que viveu ao lado de Daisy, o que vai acabar sendo a sua ruína. A história é narrada por Nick, seu vizinho, que logo no início do livro nos conta sobre um conselho que seu pai lhe deu - o de nunca criticar ninguém - por essa e outras não acho Nick um narrador muito confiável.
O livro é curto, mas minha sensação é de que não acabava nunca. Adoro os clássicos mais esse foi um que não consegui curtir infelizmente, talvez funcione numa próxima leitura, não sei. Apesar de tudo é uma leitura que recomendo pois você pode ter uma outra impressão, até por que vi críticas mistas sobre ele.
Raquel 27/08/2020minha estante
Bruna, estou lendo também e parece que quanto mais leio, mais páginas aparecem... ?????


Bruna Suelen 27/08/2020minha estante
(risos) ainda bem que não era coisa da minha cabeça, realmente parecia que brotavam novas páginas.


Greice.Nogueira 27/08/2020minha estante
Terminei ele ontem também é já corri pra rever o filme
E em um caso raro prefiro o filme ao livro. Consegui com o filme sentir muito mais empatia de Jay de que com o livro.
Mas achei incrível a capacidade de quem adaptou esse livro ter extraído tanta coisa que eu acho que deixei passar batido..
Menos o meu desprezo pela Daisy,que criatura fraca e egoista.


Fabi 27/08/2020minha estante
Mana eu tive o mesmo sentimento,o filme é um dos meus favoritos da vida então quando fui ler o livro fiquei com altas expectativas mais realmente apesar do filme ser bem fiel e pouquíssimas coisas terem sido descartados eu acho que o filme passa mais emoção e nos deixa mto mais encantadas do que o livro.


Bruna Suelen 28/08/2020minha estante
Concordo plenamente




@Marlonbsan 13/10/2020

O Grande Gatsby
Nick Carraway vai para Nova York trabalhar como corretor de títulos, morando ao lado da mansão de Jay Gatsby, um misterioso homem que possui muito dinheiro, sendo anfitrião de festas extravagantes. Entre encontros e desencontros, temos histórias conectadas, na busca pelo que realmente importa.

O livro é narrado em primeira pessoa por Nick e tem uma linguagem simples, porém os capítulos são longos e isso diminuí um pouco a dinâmica da leitura. Enquanto alguns trechos são bem fluídos, outros apresentam partes bem densas.

O início do livro não me prendeu muito e isso acabou prejudicando um pouco e experiência, já que há a menção de muitos personagens e no meio da leitura estava me perguntando quem era quem. De qualquer forma, um ou outro aspecto da condução não me agradou tanto, fazendo ficar disperso durante a leitura. A partir da metade, quando o foco vai para o eixo principal consegui me conectar melhor.

No geral, a leitura foi bem interessante, conhecer a forma de relacionamento das pessoas na década de 20, imaginando as festas que tinham e o próprio enredo, com mistério sobre determinada pessoa, os burburinhos acerca dela, teorias de conspiração sobre seu passado, foi bem dinâmico. O aspecto humano também é bem conduzido, tanto nas relações, diálogos, atitudes e vemos a hipocrisia em vários aspectos.

A divisão de classes, a preocupação para mostrar poder e até passar a imagem de alguém que não se é, também é mostrado nas entrelinhas. Mas também fala sobre o vazio, que mesmo estando cercado de pessoas, a solidão se dá em determinados momentos. Quando tudo está bem, é fácil estar rodeado, mas são nas situações específicas que se vê quem realmente se importava.

Foto e resenha no meu Ig @marlonbsan
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Júlia 18/01/2021

Maravilhoso!
Nick é um narrador nenhum pouco confiável, que vai construindo camadas dentro da narrativa, e cabe o leitor olhar para dentro das camadas. Tem horas que os relatos dele parecem mais fofocas kkk, aquele tipo de conversa que foi pega pela metade e a gente deduz o resto.
Daisy nem preciso falar, o "ranço" por ela por instalado de forma espetacular com a narrativa. ?
Gatsby é a personificação do mito do self-made Man. Como disse a Maria Elisa Cevasco sobre esse livro, a poeira imunda do sonho americano.
"E assim continuamos, barcos contra a corrente, impelidos incessantemente rumo ao passado."
Mkzidoro 18/01/2021minha estante
Um dos melhores clássico que eu ja vi e realmente foi tudo um sonho e a Daisy é um lixo


Julia Nunes 18/01/2021minha estante
eu quero muito ler esse livro agora?




Régis 24/05/2022

Um grandíssimo sonhador...
Ambientado na década de 20 no ano de 1922, a trama conta a história de Jay Gatsby narrada por Nick Carraway.
O livro é uma crítica ao estilo de vida americano e a busca desenfreada pelo prazer e futilidades que ajudavam a preencher o vazio de suas existências, estimulados pelo consumismo que teve um boom logo após a Primeira Guerra Mundial.

Vamos desbravando o livro juntos com o narrador Nick , e seu interesse pela figura misteriosa de Gatsby nos desperta a curiosidade sobre o passado desse homem que organiza festas grandiosas apenas com o interesse de um dia rever Daisy e tê-la novamente em sua vida. Mas Gatsby tem essa obsessão em fazer com que ela renegue seu passado recente, e que eles retomem sua história de onde foi interrompida quando ele partiu para a guerra.

"Eu a amava. E este é o começo e o final de tudo. Nenhum fogo poderia destruir o conto de fadas que ele tinha em seu coração."

Gatsby é um personagem que já havia me cativado em adaptações da história para o cinema, e no livro o carinho por ele cresceu e intensificou-se um pouco mais.

"Um sorriso que nos compreendia só até o ponto em que nós queríamos ser compreendidos, que acreditava em nós como nós gostaríamos de acreditar, assegurando-nos que tinha de nós exatamente a impressão que, na melhor das hipóteses, esperávamos causar."

Ele representa a pessoa comum enquanto Daisy e Tom representam a alta sociedade da época.
E como esses dois são repugnantes em seu insensível egoísmo burguês...
Eu odeio Daisy e Tom com todas as minhas forças. Eles usam, ferem, menosprezam, e pisoteiam as pessoas para depois  se refugiarem em sua riqueza sem sofrerem as consequências por seus atos.

"Um fato fundamental da vida é que qualidades como decência e dignidade são distribuídas aos homens com grande desigualdade ao nascerem."

Esse clássico me comoveu e despertou minha raiva de uma forma visceral e absurda.
Em resumo: essa obra me causou sentimentos contraditórios e pungentes, e no fim eu queria apenas entrar no livro e dizer para Jay desistir e parar de alimentar aquele sonho.


"E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado."
J. Silva 25/05/2022minha estante
?????


mpettrus 25/05/2022minha estante
Resenha Perfeita!!! ?????????


Régis 25/05/2022minha estante
Obrigada Mpettrus.
Estou aguardando a sua para ver se conseguiu fazer A Floresta Sombria fazer sentido. Rsrsr


Régis 25/05/2022minha estante
Obrigada J.Silva. ?


Danilo 04/06/2022minha estante
Parabéns, ótimo livro




TheBoy 27/10/2020

Não li o livro, então só posso opinar por essa edição.
A arte no inicio é elegante, mas depois você vai estranhando pois os desenhos parecem ser feitos por mais pessoas, não sei se foram mas ficou estranho. A forma como a história é contada da metade pro final corrido a beça e não pegou bem pros personagens secundários que começaram a ganhar foco maior nessa parte.
Final sublime e surpreendente, mas isso se deve ao livro original e não ao manga, e só posso opinar por esse que eu li.
Christian 27/10/2020minha estante
O livro do Fitzgerald é maravilhoso. A mais perfeita tradução dos loucos anos 20. Vale!


TheBoy 28/10/2020minha estante
Vou atrás do livro então, se é o que diz.
Bagunçado essa versão manga.




Michela 04/12/2021

Surpreendente.
Adiei muito essa leitura, e me arrependo, pois é simplesmente,
maravilhosa.
Apesar de ser uma história, repleta de personagens odiosos, é narrado de uma maneira muito bem conduzida.
Gatsby, um personagem, que nos faz refletir até aonde devemos ir por amor.
Nick, um amigo leal, que todos gostariam de ter ao seu lado.
João 04/12/2021minha estante
??? parabéns!


Michela 04/12/2021minha estante
Obrigada, amigo!?


Amanda Cristina 04/12/2021minha estante
To querendo ler, tmb! Mas vou deixar pra 2022


Michela 04/12/2021minha estante
Amanda, acredito que você irá gostar!???


Karol Alencar 05/12/2021minha estante
Tenha mta vontade de ler esse amiga ! Arrasou ! Fico mto feliz que gostou ! Me motiva mais ainda a ler ????


Michela 05/12/2021minha estante
Obrigada pela confia e pelo carinho, amiga!?
Acredito que você vai gostar da leitura.?




Flávia Menezes 10/08/2022

SE VOCÊ PUDESSE RECOMEÇAR, COMO SERIA O SEU NOVO EU?
?O Grande Gatsby?, do escritor F. Scott Fitzgerald, foi publicado pela primeira vez em abril de 1925, e se tornou um clássico proclamado como ?o grande romance americano?, que inclusive já foi por quatro vezes adaptado para as telonas, tendo um dos roteiros sido assinado pelo grande cineasta Francis Ford Copolla.

Escrito com um toque da mais ácida crítica ao Sonho Americano, a obra é um dos clássicos americanos mais marcantes, e que ainda hoje é estudado em escolas superiores e universidades. Muito embora, tanto quanto seu narrador, Fitzgerald igualmente tivesse uma idolatria à riqueza e ao glamour da época, por outro lado, ele declara abertamente em sua escrita seu desprezo ao materialismo ilimitado e à falta de moral que, juntos, dão forma a mais miserável decadência burguesa.

Sua narrativa é inteligente, festiva, e tão saborosa que facilmente nos transporta para esse cenário deslumbrante de carros luxuosos, mansões gigantescas e salões majestosos onde as mais badaladas festas acontecem, regadas a muita bebida, hipocrisia e relações frustradas, onde o amor... esse sempre perde lugar fácil para o dinheiro e a ostentação.

Em uma época de total intolerância, Fitzgerald nos deleita com essa sexualidade provocativa presente em sua escrita, cujos diálogos possuem esse teor erótico tão bem trabalhado no mais sutil das palavras cuidadosamente escolhidas para envolver e seduzir até o leitor mais casto. A cena em que ele descreve o primeiro contato mais íntimo entre Gatsby e Daisy é um perfeito êxtase de metáforas que nos conduzem a não apenas compreender o que acaba de acontecer entre eles, mas a sentir essa eletrizante paixão que circula por entre as palavras nas quais nossos olhos se fixam com tamanha facilidade.

A obra em si é uma delícia de sensações e emoções contidas na racionalidade e praticidade da mente masculina. Aliás, uma coisa que podemos perceber com grande facilidade nos clássicos, e que nesta obra não é exceção, é do poder de sedução e persuasão que eram atribuídos ao feminino.

Confesso que sendo eu mais...como posso dizer? Old-fashioned... sou completamente fascinada pela forma como o olhar masculino, no passado, falava sobre o feminino ressaltando características como a docilidade, a fragilidade e a delicadeza, que são tão próprias e deviam ser muito valorizadas pelo gênero. Mas, visto que existem tantas discussões sobre o assunto no momento que vivemos, não me prolongarei mais nesse magnetismo que sinto todas as vezes em que leio descrições como essas, feitas por um homem de outra época, da mais pura e bela essência feminina.

E por falar em magnetismo, esse é o efeito que o personagem de Jay Gatsby teve sobre mim. Seu carisma, sua excentricidade, seu mistério, sua alma apaixonada... o que dizer? Foi impossível não me apaixonar por ele, e depois sofrer com as tragédias vivencias por um personagem que é a personificação do ?se reinventar?.

Se você pudesse recomeçar a sua vida em um lugar diferente, com um nome diferente, e até uma aparência diferente, quem seria essa nova pessoa que você passaria a ser? Qual a nova personalidade você assumiria? Quais as suas excentricidades? Suas novas manias? Quem seríamos se pudéssemos desaparecer, para renascer sem os problemas que nos afetam e as frustrações que nos acusam? Alguma vez você já pensou sobre isso? Eu confesso que já.

E esse é um ponto em que, para mim, a história possui maior grandiosidade. A verdade é que mesmo quando fugimos de todos os nossos infortúnios, não há como deixá-los no passado apenas com um novo guarda-roupa e um novo estilo de vida. Mas sejamos honestos aqui, que a ideia é sedutora... isso ela certamente é!

E o que um rico Gatsby nos prova é que o dinheiro pode comprar incontáveis coisas, pode até mandar trazer a felicidade, mas ele nunca vai comprar o amor, a lealdade e o senso de pertença. Porque quando o amor pelo dinheiro, pelo poder, pelo ter é maior, todo o resto ficará para trás. E aí, as relações se desfazem em borrões de uma pintura moderna de rostos e sombras nada bem definidos.

Se comecei essa leitura em êxtase, a encerro com o coração totalmente tocado pela verdade nua e crua escondida nessas páginas. Sobre a humanidade e sua obstinação pelo ter acima do ser. Algo do qual nem o mais humilde ser pode se dizer liberto, ou intocável. A verdade é que por mais virtuosos que tentemos ser, todos nós só estamos diariamente tentando esconder as mais hediondas imperfeições e pecados dos quais padecem as nossas miseráveis almas imortais.
Fabio 10/08/2022minha estante
Mais uma vez, eu não canso de dizer. Que resenha perfeita esta??
Querida, a paixão como descreve a leitura, suas impressões, chegam a contagiam...... da vontade de começar a ler o imediatamente !
Parabéns mais uma vez pelos escritos!
Sou seu fã!


Joao 10/08/2022minha estante
Flávia, é chover no molhado, mas que resenha excepcional. Parabéns pela leitura e pelo texto maravilhoso.


Nay 10/08/2022minha estante
Avisei que era bom, haha.


Gleidson 10/08/2022minha estante
Parabéns, Flávia! Como sempre, suas resenhas são inspiradoras. Quando leio uma resenha sua de um livro que eu já li, sinto até vontade de reler.


Fabio 10/08/2022minha estante
Eu gostaria de te falar que suas resenhas, são inspirações pra mim!
Parabéns, Flavia!


Flávia Menezes 10/08/2022minha estante
Poxa, João!! Obrigada mesmo. Esse livro me surpreendeu mais do que eu esperava. E fico feliz de ter conseguido expressar bem tudo o que eu senti nessa leitura.


Flávia Menezes 10/08/2022minha estante
Nay?avisou mesmo. E acreditei!!! ??


Flávia Menezes 10/08/2022minha estante
Puxa, Gleidson, que bom saber que consegui passar toda a magnitude dessa história! Mérito todo do Fitzgerald! ? Mas que esse vale mesmo uma releitura?isso vale mesmo!!!


Flávia Menezes 10/08/2022minha estante
Fábio, eu agradeço pelas palavras. Acho que esse ano acertei nas leituras, porque me fazem mesmo ter muito o que falar sobre elas!


Matheus 11/08/2022minha estante
"A verdade é que por mais virtuoso que tentemos ser, todos nós só estamos diariamente tentando esconder as mais hediondas imperfeições e pecados dos quais padecem as nossas miseráveis almas imortais." (Menezes, Flávia. Resenha "O Grande Gatsby", 2022)


Matheus 11/08/2022minha estante
Como não curtir!? ???


Flávia Menezes 11/08/2022minha estante
Aaaaah, Matheus. Que bonitinho isso! Obrigada! De coração! E tenho que dizer que estava ansiosa pra que você lesse minha resenha, porque espero ter conseguido te convencer a colocá-lo na sua lista de leituras desse ano ainda. Além de ser bem curtinho, tenho que reforçar, mas esse é realmente um livro excepcional! Ficarei aguardando sua leitura e impressões!! ?


Matheus 11/08/2022minha estante
Super combinado! Já está lá na minha TBR desse ano! ???




julia 22/01/2022

o grande gatsby
é um romance que fala sobre o sonho americano, os anos pós primeira guerra mundial e apego ao passado. não sei muito o que falar além do fato de que eu gostei mais do que eu esperava. achava que ia ser uma leitura arrastada com um vocabulário complicado, mas achei de fácil compreensão e objetivo ao mesmo tempo que consegue ser poético.
Luis 22/01/2022minha estante
Tava em dúvida se começava essa leitura esse ano, agora já quero ler o quanto antes, obg, rs. ?




Leila de Carvalho e Gonçalves 23/09/2020

All That Jazz
"Às vezes não sei se eu e Zelda existimos de fato ou se somos personagens de um de meus romances." Essa frase é perfeita para sintetizar a obra do escritor estadunidense F. Scott Fitzgerald (1996-1940). Falecido prematuramente de um ataque cardíaco, ele viveu intensamente o glamour de Nova York, Paris e Hollywood, onde atuou como roteirista de cinema. Contudo, ele também foi um alcoólatra inveterado que consumiu boa parte do que ganhou, custeando o tratamento da mulher esquizofrênica nas mais caras instituições psiquiátricas.

Logo, não é gratuita a complexidade que jorra de suas narrativas, inclusive, "O Grande Gatsby", é considerado o maior romance realista norte-americano. Enfim, se você pretende conhecer a burguesia francesa do século XIX, leia Flaubert, se deseja formar uma melhor ideia sobre a Inglaterra da Revolução Industrial, opte por Dickens. Porém, se aspira entender os loucos anos vinte, seu melhor retratista foi Scott Fitzgerald. Embalado pelo som de jazz, regado a bebida e pelo dinheiro fácil da ciranda financeira, esse livro apresenta o luxo, a ociosidade e o vazio que cercava o dia a dia dos ricos e famosos.

Seu foco remonta ao "American Dream" e coloca em xeque a meritocracia. Os Estados Unidos emergem como a terra das possibilidades e Jay Gatsby é o modelo de quem soube conquistar uma imensa fortuna do dia para noite, não importa como. Trata-se de um imenso patrimônio erguido em nome do amor, ou melhor, da obsessão por uma mulher. Ela é Daisy Buchanan, uma ex-namorada que excluíra seu nome da lista de pretendentes, quando ele era apenas um pobretão. Zelda fez o mesmo com Fitzgerald, rompeu o noivado que só foi reatado após o sucesso do seu primeiro romance, intitulado Este Lado do Paraíso. Ambas jamais ousariam dizer "sim" para um homem que não pudesse proporcionar o alto padrão de vida que aspiravam.

Com resquícios autobiográficos, Nick Carraway é um narrador-personagem que destituído de onisciência revela-se pouco confiável. Primo de Daisy, ele acaba de mudar para Nova York por conta de um emprego em Wall Street. Sem maiores recursos, vai morar num pequeno bangalô ao lado da mansão de Gatsby e não demora a fazer amizade com o enigmático vizinho. Metido entre milionários, Nick observa o que ocorre a sua volta, determinado a não transigir seus valores morais em troca de ascensão e riqueza.

Publicado em 1925, o livro foi recebido com indiferença e só mereceu o reconhecimento após a morte do escritor. Descrevendo o período que antecedeu o "crash" da Bolsa de Valores de Nova York ocorrido em 1929, um furacão econômico cujas nefastas consequências alteraram o panorama mundial, sua leitura permanece bastante atual, tendo em vista uma crise financeira semelhante ocorrida em 2008.

Com boa tradução e notas de Rogério W. Galindo, essa edição possui Apresentação de Rita von Hunty e mais três indispensáveis textos que compõem o Posfácio:
* A Fábrica Simbólica (Facundo Guerra)
* A Poeira Imunda Do Sonho Americano (Maria Elisa Cevasco)
* O detalhado Gatsby no Cinema (Sérgio Rizzo)

A ilustração da capa, de James Cugat, é da primeira edição e bastante conhecida, data de 1925. Já as demais ilustrações, em branco e preto, ficaram a cargo de Virgilio Dias e numa composição expressionista trazem à luz a perspectiva trágica e sombria da narrativa.

Finalmente, o livro físico, impresso em papel off-white e com fonte de bom tamanho, tem a peculiar qualidade das edições da Editora Antofágica. Indubitavelmente, um item que merece um lugar especial em sua estante.

Boa leitura!
Patresio 23/09/2020minha estante
Suas resenhas como sempre tão cirúrgicas e agradáveis... Estou com o Grande Gatsby na lista para ler, até já o peguei duas vezes e o preteri neste ano.
Mas quem sabe até dezembro essa leitura sai...
Novamente obrigado por mais uma bela resenha...


Leila de Carvalho e Gonçalves 23/09/2020minha estante
Fico muito feliz que você curta minhas resenhas. O Grande Gatsby é um de meus romances favoritos. Abraços!


Leda 24/09/2020minha estante
Como sempre suas resenhas são incríveis Leila! Coloquei na minha lista de leituras futuras graças a você!


Vitor 24/09/2020minha estante
Um grande livro, realmente definidor da literatura e da sociedade estadunidense do século XX.


Debora.Andrade 18/10/2020minha estante
As resenhas mais inspiradoras, sempre!


Leila de Carvalho e Gonçalves 18/10/2020minha estante
Grata, beijos!




Gabriel 14/04/2022

Um clássico surpreendente
Comecei o livro com zero expectativas, mas fui bastante surpreendido. A narrativa é bem fluída e a ambientação é agradável.

Não gostei de nenhum personagem em especial, mas o enredo foi envolvente e a forma como as "surpresas" vieram foi surpreendente. O livro me agradou mais pelos acontecimentos inesperados do que pelo resto. É um clássico interessante que vai falar sobre assuntos pertinentes e fazer certas críticas à típica vida estadunidense dos anos 20.
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ErranteLiterári 07/01/2013

Menos do que eu esperava...
De acordo com a descrição encontrada no Wikipedia, The Great Gatsby (O Grande Gatsby) é um romance escrito pelo autor americano F. Scott Fitzgerald, publicado pela primeira vez em 10 de abril de 1925. A história se passa em New York, e na cidade de Long Island, durante o verão de 1922 e é uma crítica ao "Sonho Americano".

Pois muito que bem... Esse livro foi escolhido em razão de meu desafio literário (um clássico norte-americano), mas não sei se minhas expectativas eram grandes demais ou se não consegui entrar no espírito da tal crítica ao superestimado “sonho americano”, mas enfim... não gostei do livro...

Eu sei, eu sei... não precisam me matar por isso, mas eu achei a história rasa, boba e que de crítica não tem nada.

O autor tentou ambientar sua narrativa entre os endinheirados de New York da década de 20, que, para variar, não tinham muito mais do que o próprio umbigo na cabeça... mas isso é possível observar em qualquer camada social, até mesmo entre os mais pobres.

Algumas festas, um amor antigo, uma fatalidade e tudo cai por terra. Não achei que a fórmula convenceu muito e, por se tratar de um clássico, realmente achei que poderia oferecer mais.

Não acho que os eventos do livro representam uma crítica ao sonho americano, pois, quando muito, representam as escolhas superficiais de pessoas sem fibra ou caráter. Fato este que, com certeza, não é monopólio da classe A...

Por mais que eu tenha me esforçado para gostar do livro, a leitura foi sofrida e somente cheguei ao final por não gostar de abandonar um livro pela metade.

Sei que muitos não comungam da minha opinião, afinal... é um clássico... mas o que escrevi foi somente minha opinião (e só minha), sem maiores pretensões, pois não sou nenhuma literata, sou apenas uma leitora comum que gosta ou não das histórias que lê...

BLOG:oerranteliterario.blogspot.com.br

http://oerranteliterario.blogspot.com.br/2012/10/o-grande-gatsby-f-scott-fitzgerald.html
lazymoose 10/01/2013minha estante
Concordo com a tua opinião. Não sei como esse livro foi eleito o segundo melhor romance de língua inglesa do século XX... "Mrs. Dalloway" (enquanto crítica à sociedade burguesa) e "O mundo se despedaça" (enquanto romance) são incomensuravelmente superiores, só para citar duas obras que são do meu escasso conhecimento.


Elias 26/06/2013minha estante
Me identifiquei com sua crítica/apreciação da obra. De fato, fiquei com a sensação de que poderia ser melhor ou que não consegui entender muita coisa além do básico.
A leitura também foi sofrida pra mim, principalmente do meio para o fim.


Maria Fernanda 19/01/2014minha estante
Concordo com a resenha e com os comentários. O livro é superestimado, sim!


Diego 28/01/2019minha estante
Ótimo, exatamente o que eu penso. Talvez tradução da edição do livro que li tb tenha ajudado a fazer minha leitura pior, mas de modo geral, tb achei uma história boba e sem crítica alguma... me pergunto pq esse livro virou um clássico... talvez por ser antigo e naquele tempo as pessoas ficaram impressionadas/maravilhadas em conhecer um pouco da vida fútil da alta sociedade.




Gabms 29/11/2021

Muito bom!
"O Grande Gatsby" é um livro ambientado na Nova Iorque da década de 20. É uma história sobre o sonho americano e um retrato de sua hipocrisia.

Gatsby é a figura que representa o sonho americano. Dono de uma imensa mansão e anfitrião das festas mais luxuosas da cidade, o personagem Gatsby intriga todos os moradores da redondeza, incluindo o recém chegado Nick, que é o narrador da história.

É através do relato de Nick que descobrimos Gatsby e seus mistérios. Além de ser uma crítica, a história também traz sobre amores proibidos e não correspondidos, traições, amizade e egoísmo.
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