Desonrada

Desonrada Mukhtar Mai...




Resenhas - Desonrada


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Marina 12/02/2011

"Desonrada" conta a história de uma jovem paquistanesa que é condenada à pena de estupro coletivo, por um crime que não cometeu.
Trata-se de uma profunda crítica ao sistema jurídico do Paquistão, no qual, ao lado de leis e processos legítimos, vige um sistema "legal" tribal.
O caso de Mukhtar Mai não é isolado, centenas de mulheres paquistanesas são condenadas à mesma pena todos os anos, sem nem ao menos terem cometido algum crime. A "pena" lhes é imposta pelos mais diversos motivos, como brigas entre famílias por territórios, casament, e normalmente envolvem questões de honra.
A maioria destas mulheres entra em depressão e vê no suicídio a única saída. Mas esse não foi o caso de Mukhtar Mai. Seu caso toma repercussão internacional por motivos alheios a sua vontade, o que se mostrará como um caminho para o resgate da sua dignidade.
Não se trata de um romante. É um depoimento que merece ser lido por todas as pessoas sensíveis às agressões aos direitos humanos e que querem conhecer a realidade das mulheres em alguns países árabes.
Karen 16/01/2012minha estante
Tua resenha me deixou com vontade de ler esse iivro, parece ser muito bom! Adoro livros desse tipo, revoltam bastante mas é bom para conhecer a realidade.




Adriana 01/11/2010

Realidade
Compactuo com as palavras de Ronaldo Soares sobre o romance:

"Às vezes, basta que dois
homens entrem em disputa
por um problema qualquer
para que um deles se
vingue na mulher do outro.
Nas aldeias, é muito comum
que os próprios homens
façam justiça, invocando o
princípio do ‘olho por olho’.
O motivo é sempre uma
questão de honra, e tudo
é permitido a eles. Cortar
o nariz de uma esposa,
queimar uma irmã, violar
a mulher do vizinho."

A paquistanesa Mukhtar Mai apertou seu exemplar do Corão contra o peito quando ouviu, na presença de mais de 100 homens, a sentença que o conselho de sua aldeia acabara de lhe impor: um estupro coletivo. Integrante de uma casta inferior, Mukhtar fora até lá apenas para pedir clemência para o irmão mais jovem. Era ele o réu no julgamento. Estava prestes a ser condenado à morte por ter se envolvido com uma mulher de um clã superior, fato nunca inteiramente esclarecido. O líder tribal – que era o chefe do tal clã – ignorou o pedido de Mukhtar, então com 28 anos, e ordenou a punição. Ela foi imediatamente arrastada por quatro homens armados, como "uma cabra que vai ser abatida", segundo sua própria descrição. Eles a agarraram pelos braços e puxaram suas roupas, o xale e o cabelo. Indiferentes a seus gritos e súplicas, levaram-na para dentro de um estábulo vazio e, no chão de terra batida, violentaram-na, um após o outro. "Não sei quanto tempo durou essa tortura infame, uma hora ou uma noite. Jamais esquecerei o rosto desses animais", conta a paquistanesa.

Mais do que o desfecho de uma querela tribal, o livro narra como Mukhtar transformou sua tragédia pessoal em uma causa: a defesa dos direitos das mulheres em seu país. E, com isso, tornou-se um símbolo da luta das mulheres no mundo islâmico.

Nos três dias seguintes ao estupro, permaneceu trancada em seu quarto. Não conseguia comer nem falar. Como normalmente ocorre com as mulheres vítimas de violência sexual em seu país, pensou em suicidar-se. "Até hoje eu sinto a dor, mas aprendi a mitigar esse sofrimento", disse Mukhtar a VEJA. "O que me conforta é que abri uma escola para meninas. Quando vejo as alunas estudando e brincando, eu me sinto honrada, é isso que atenua a minha dor." A camponesa pobre e analfabeta, nascida Mukhtaran Bibi, virou uma ativista conhecida mundo afora pelo codinome Mukhtar Mai, que significa "grande irmã respeitada" em urdu, o idioma oficial de seu país. Seu livro, publicado no ano passado, é o terceiro na lista dos mais vendidos na França. Nele, conta como se deu essa transformação. Narra sua luta por justiça e relata as barbaridades cometidas contra mulheres em seu país.

A tragédia de Mukhtar teria virado apenas mais um episódio sem conseqüências na longa história de violações dos direitos humanos no Paquistão. O que mudou seu destino foi uma reportagem, publicada em um jornal da região, contando sua história. A notícia correu mundo, e as autoridades locais se viram forçadas a agir. A polícia a procurou em casa. E ela, numa atitude corajosa, não recuou diante da oportunidade de denunciar seus agressores. Foram levados a julgamento os quatro estupradores e outros dez responsáveis pela sentença ilegal. Embora comum no cotidiano das pequenas aldeias paquistanesas, esse tipo de violência é crime segundo as leis do país. Uma decisão de segunda instância absolveu cinco dos acusados. Mukhtar recorreu, e atualmente o caso tramita na Suprema Corte do Paquistão. A batalha judicial lhe rendeu ameaças de morte e custou a vida de um primo, assassinado pelo clã inimigo.

Mukhtar não desafiou apenas o poder local em Meerwala, um vilarejo de agricultores distante 600 quilômetros da capital do Paquistão, Islamabad, onde quase não há comércio e que só recentemente passou a ter energia elétrica. Ela iniciou um movimento que contesta a condição feminina em seu país e questiona hábitos ancestrais como a jirga, conselho tribal que a condenou ao estupro. Em alegações de desonra, a solução encontrada muitas vezes é impor vergonha à família, por meio de suas mulheres. Elas também são usadas como moeda de troca – duas meninas podem ser dadas a um clã rival para compensar um homicídio, por exemplo. No caso de Mukhtar, tratou-se de um episódio inédito de estupro coletivo. Uma violência ainda maior do que de costume, imposta apenas porque a casta de seus agressores controlava a assembléia tribal.

Embora o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, ensine que, aos olhos de Alá, homens e mulheres são iguais, em algumas culturas o fundamentalismo distorceu essa visão. E produziu situações que chocam o Ocidente, como meninas proibidas de freqüentar a escola, mulheres impedidas de trabalhar ou condenadas a penas de apedrejamento. "As mulheres reagem de maneira submissa a atos de violência. Encaram isso como se fosse destino", diz Mukhtar. Para o jornal The New York Times, ela é "a Rosa Parks do século XXI", comparação feita com a americana-símbolo do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos. Ainda que movida pela revolta, Mukhtar apostou na educação como forma de mudar a realidade em seu país. Na sua e na de outras meninas na mesma situação. Ela aprendeu a ler e escrever, abriu outras três escolas e começou a dar apoio a mulheres vítimas de violência. Seu maior inimigo passou a ser o obscurantismo.

Parece mais uma coisa sul real, mas sabemos que a vida não é fácil para as mulheres, em geral, ainda mais se pertencentes a sistemas de castas tão cruéis como o da narrativa. Vale a pena ler e se inteirar do sofrimento desta mulher corajosa.

O livro foi escrito a partir de um relato de Mukhtar, colhido pela jornalista francesa Marie-Thérèse Cuny. Editora Best Seller, 154 páginas. Preço R$ 29,90.
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Samuel.Dudu 07/08/2020

Que luta.
Que país lixo, que tradições mais absurda. As mulheres são analfabetas mas quem precisar de educação são os homens o que eles fazem com suas mulheres é horrível. Que outras pessoas possam entrar nessa luta e garantir a outras mulheres uma vida digna!
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Su 13/10/2013

A história dessa mulher é emocionante, gostaria de saber como ela está hoje. Nós somos sortudas e muitas vezes não damos valor à isso...
Day 21/09/2017minha estante
Olá, também fiquei curiosa com relação a Mucktar, pesquisei em vários sites, e descobri que ela ainda está na luta pelos direitos das mulheres, e sempre viaja para reuniões de Ongs. Sua escola ainda continua a funcionar.




Andréia KS 12/02/2009

Crueldade cultural, religiosa e politica
Dificil ler o livro, intenso, doloroso, impune e corajoso.
Imaginar a historia dessa mulher e de tantas outras e saber que o que nos separa são rituais e costumes antropológicos.
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Michely Looz 17/08/2017

As discussões sobre o direito de espaço da mulher se tornaram cada vez mais frequentes. Seja por meio de relatos, exemplos reais, acontecimentos do cotidiano, ou mesmo em fato históricos não tão recentes, o assédio moral, sexual e preconceito de gênero caminha com as mulheres desde os primórdios da vida em sociedade. O debate sobre a participação da mulher na sociedade ocorre a cada dia, em cada luta. Há muitas discussões e pontos de vista sobre a participação da mulher nas discussões que envolvem a participação popular.

Nada disto é em vão e surge das diversas formas de exclusão que nós sofremos ao tentar garantir espaço, voz, direito a opinião, direto a igualdade em qualquer questão. Mas os pequenos avanços, conquistas cotidianas adquiridas por meio de muita luta, sangram com os acontecimentos que presenciamos ou lemos nos jornais diários.

Mukhtar Mai é um exemplo. Moça de origem paquistanesa, Mukhtar relata o seu sofrimento ao defender a família. O que era para ser apenas um pedido de desculpas em2-3 público, na tentativa de absolver uma possível culpa do irmão mais novo, se transformou em um estupro coletivo de homens impiedosos de uma casta superior de sua tribo. Desonrada narra o depoimento de uma jovem que lutou até o fim, mesmo com escassas esperanças, por justiça e punição dos que a violaram. Mais que isso, batalhou pela visibilidade de uma situação que ocorre diariamente em seu país, a punição por crimes de honra.

É de mais mulheres como Mukhtar Mai que o mundo necessita. De depoimentos que enfurecem e encorajam, que dão voz à indignação e que fazem homens e mulheres de bem lutarem por uma sociedade mais justa e igualitária. Densonrada é um livro tão forte que é possível sangrar e sofrer junto a Mukhtar, e seu relato de dor faz de nós seres humanos ainda mais tocados pelo caminho que as mulheres trilham todos os dias.

A leitura é rápida e o livro possui apenas 156 páginas. No entanto, a dor do relato contagia quem o lê de modo que se faz necessária uma reflexão entre os capítulos. Um livro forte, com sentimentos, situações e questões reais, que toca, enfurece e magoa. Um livro que merece ser lido e sentido com o coração. O relato de Mukhtar Mai foi recolhido pela jornalista francesa Marie-Thérèse Cuny, especializada em direitos da mulher.

Citações

“Se aquela gente toda queria saber o que havia acontecido, era porque eu simbolizava na minha região a revolta de todas as outras mulheres violentadas. Pela primeira vez, uma mulher se tornava um símbolo.” P.48

“Eu nasci neste país, estou sujeita a suas leis, e sei perfeitamente que, como todas as outras mulheres, pertenço aos homens da minha família – como um objeto com o qual eles têm o direito de fazer o que quiserem. A submissão é a lei.” P.66

“Hoje minha vida tem um sentido. Essa escola tinha de ser criada, e eu continuarei a lutar por ela. Daqui a alguns anos, essas menininhas já terão suficientes ensinamentos escolares para enfrentar a vida de uma outra maneira, espero.” P.108

site: https://minhapipocaliteraria.wordpress.com/2017/01/18/desonrada-mukhtar-mai/
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Renali 25/03/2009

Somos privilegiadas
Lendo este livro me achei uma mulher super privilegiada em viver em país em que nós mulheres temos liberdade para expressar nossos sentimentos e ações.
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Evy 28/03/2012

Um livro difícil de ler
Uma história brutal e pela sua natureza, revoltante. Mukhtar Mai foi condenada a estupro coletivo, por um crime que não cometeu. Mas contrariando as expectativas, ela decidiu reagir e de forma inesperada, ao invés de cometer suicídio (reação comum entre as mulheres vitimas dessa crueldade) ela resolve lutar por justiça expondo um sistema de castas e séculos de tradição. Depoimento comovente, corajoso, intenso e doloroso.
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Elis 05/11/2010

O que dizer de um livro que você devora em três horas? O que escrever sobre uma história real, que ainda acontece nos dias atuais? Pois eu lhes digo que depois de ler esse livro, você vai saber que ha ocasiões que tudo acontece porque estava predestinado. Sem a coragem de Mukhtar Mai, tudo estaria igual até hoje, não digo que não esteja, mas ela soube fazer a diferença em sua vida e na de muitas pessoas. Conhecem aquele ditado: "- Para mudar o mundo, devesse começar por si mesmo."

Até parece que foi escrito para ela, pois é assim que ela consegue chegar aonde chegou, e ajudar tantas pessoas. Porque ela teve a ousadia, coragem e humildade de começar a mudar por si própria a vida que parecia terminada pra ela, depois de ter acreditado estar pedindo perdão para salvar o irmão.

Os capitulos são tão envolventes que não se consegue para de ler, pois saber como tudo vai resultar, quando se fala em justiça, é uma descoberta que cada cidadão de bem quer saber.

Desejo que ela seje um referência para todas as mulheres que já sofreram alguma ou qualquer violência. E que consigam ter a coragem, para seguir em frente e fazer justiça para si mesmas.

Recomendo....Nota 10!!!!

Beijokas elis!!!!!
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Evandro 12/01/2012

A dor do outro.
Cada vez que leio algo sobre o sofrimento humano e as muitas mazelas que assolam nosso planeta (principalmente de cunho religioso) fico tão revoltado, sinto tanta dor que me desconheço como humano, Desonrada é um desses livros, que te mostra a dura realidade vivida pelas mulheres em países que a religião é maior do que o estado e os homens são menores do que humanos!
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Juh 04/01/2009

//
Mostra a luta de mulheres q vivem uma vida difícil por causa da cultura de seu país. Mostra uma verdadeira vontade de fzr a justiça.
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Valquiria 06/03/2009

É um livro que choca pela brutalidade que a protagonista passa, pelo estupro, humilhação, mas a coragem que ela dá a volta por cima, consegue mostrar para o mundo a tragédia não só dela, mas como de todas as mulheres nas mesmas condições que a suano Paquistão. Ela não quer ao final consegue construir uma escolinha p meninas p que estas tenham melhor sorte do que ela e outras mulheres que sofreram abusos semelhantes.
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LissBella 08/12/2009

Forte
É um grande depoimento... exemplo de perseverança e vontade de continuar. Linguagem fácil.
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Karina Arêas 15/12/2009

Coragem
Achei um livro maravilhoso, uma mulher sofrida e corajosa, adorei, e além do mais aprendí um pouco da cultura deles que para mim não deixa de ser curioso,vale a pena ler!!!!!!!!
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Kelly 14/01/2011

Desonrada
Impressionante como a personagem conseguiu forças para lutar contra leis de seu país. Eu particularmente acho um absurdo essas leis contra as mulheres, seja qual for a cultura. E independente desse tipo de lei, é muito interessante poder conhecer um pouco sobre outras culturas.
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