Tripulação de Esqueletos

Tripulação de Esqueletos Stephen King
Stephen King




Resenhas - Tripulação De Esqueletos


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David 24/06/2020

Nada é unânime, principalmente numa coletânea de contos bem diversificada e em momentos tão distintos na vida do autor, mas é um bom livro.

Nele há uma sessão de notas onde SK fala sobre de onde veio a inspiração de algumas das histórias. Me agrada muito participar desses "papos com ele".

Gosto da maioria das obras apresentadas nesse livro, mas vou tentar dispor o meu top 10 abaixo:

A Excursão
O Atalho da sra. Todd
O Caminhão do Tio Otto
Vovó
Nona (tem algo do Poe nesse!)
A Balsa
O Processador de Palavras dos Deuses
Tipo de Sobrevivente
O Macaco
A Balada do Projétil Flexível

Se interessar, boa leitura!
Áquila 25/06/2020minha estante
Eu também gosto muito quando o King fala com a gente, acho que eu ficaria umas 100 páginas lendo o que ele tem pra dizer. Sobre a escrita tá aí né. A relação do Nona com o Poe vc quer dizer o final, é isso? Tem um conto lovecraft com um final assim, e outra história do King também.


David 25/06/2020minha estante
Na verdade fiz a relação pq tô lendo Poe também e ele usa muito o recurso do narrador que não é confiável. Em Nona King usou muito bem e dá pra fazer uma boa retrospectiva quando acaba o conto interpretando o que seria mais próximo dos acontecimentos narrados de forma enviesada. Esse tipo de construção dá uns bons pontos pra esse conto, na minha opinião.




Luiz 15/12/2010

Tripulação de Esqueletos (Skeleton Crew), lançado em 1985, foi um dos livros mais vendidos nos anos 80, e é uma das obras básicas para os fãs de Stephen King. Particularmente, este foi o único livro do autor que me deixou com medo, mas não é só por isso que ele é importante. Na verdade trata-se de uma coletânea que inclui contos, poemas e até um romance curto entre suas páginas. Ou seja, ele tem bastante energia de King investida, capaz de divertir o leitor por muitas e muitas horas.

Como veremos, alguns dos trabalhos incluídos no livro foram adaptados para o cinema e para a televisão. Sem mais delongas, vamos seguir viagem rumo ao assustador mundo de Tripulação de Esqueletos:

O Nevoeiro (The Mist)
O livro já começa arrebentando, com a história de um grupo de pessoas presas em um supermercado, ameaçadas pelas perigosas criaturas envoltas na misteriosa neblina que avança sobre a cidade. Publicada previamente na revista Dark Forces, em 1980, foi substancialmente modificada para o livro. É difícil decidir se O Nevoeiro é um romance curto ou um conto longo, mas o cineasta Frank Darabont não teve dúvida nenhuma ao transformar a narrativa em um dos melhores filmes de terror que se tem notícia, em 2008, e com um final diferente. Segundo King, a ideia para a história surgiu quando ele e seu filho foram ao supermercado logo depois de uma tempestade que causou um nevoeiro intenso na cidade mas não há provas de que havia criaturas monstruosas nele.

Aqui Há Tigres (Here There Be Tygers)
Este conto curtinho é um dos mais antigos de King, escrito quando ele estava no colegial e publicado na revista Ubris, em 1968 (quando o autor tinha 21 anos, portanto). Narra o dia em que um garoto, em sala de aula e apertado para urinar, pede para a mal humorada professora para ir até o banheiro. No caminho ele se depara com algo bem inesperado e perigoso, e é quando vemos muito daquele humor macabro de King, que nos faz rir e suar frio. Here There Be Tygers é uma alusão ao aviso Here There Be Dragons, usado por cartógrafos na Idade Média para alertar sobre territórios inexplorados nos mapas. No filme A Metade Negra, uma personagem vê uma história bem parecida com a do conto. E há um conto de ficção científica de Ray Bradbury com o mesmo título.

O Macaco (The Monkey)
Só mesmo o talento do autor para explicar como ele conseguiu usar um brinquedo ridículo para escrever um dos contos mais assustadores de sua carreira. Na história, um daqueles irritantes macaquinhos de plástico, que ficam batendo dois pratos, causa a morte do infeliz que ouvir as batidas. Foi adaptado pelo próprio King como um episódio da série Arquivo X, mas de forma maquiada: lá o brinquedo deixou de ser um macaco e foi substituído por uma boneca. Particularmente, esta foi uma das poucas histórias de King que me fizeram perder o sono.

Caim Rebelado (Caim Rose Up)
Outra das histórias do autor escritas no seu tempo de garoto. Poderíamos dizer que King deve ter encontrado dias ruins na escola, e usou a literatura para canalizar suas frustrações. Mas este conto é baseado na história de Charles Withman, um estudante que, em 1966, disparou seu rifle na universidade do Texas, matando 16 pessoas e ferindo 32. Vários elementos da trama podem ser vistos no livro Rage, que King escreveu sob o pseudônimo de Richard Bachman, e que hoje não é mais impresso, devido às semelhanças com os casos reais de chacinas em escolas americanas. O conto é forte, como um tiro certeiro em direção ao leitor.

O Atalho da Sra. Todd (Mrs. Todds Shortcut)
Um dos meus contos favoritos do livro, sobre uma mulher obcecada por encontrar atalhos, até que começa a descobrir caminhos alternativos que encurtam suas viagens de forma impossível. Possui um impagável clima de Além da Imaginação.

A Excursão (The Jaunt)
E por falar em Além da Imaginação, a história seguinte foi justamente publicada na Twilight Zone Magazine, em 1981. É um conto de ficção científica, com terror. No século 24 é possível viajar grandes distâncias por teletransporte, mas o passageiro precisa estar inconsciente durante o procedimento, ou as consequências podem não ser nada agradáveis. É claro que algum personagem curioso vai querer descobrir isso na prática, e o que temos é um dos pontos altos da nossa viagem junto à Tripulação de Esqueletos.

A Festa de Casamento (The Wedding Gig)
King traz uma história que se passa no mundo da máfia, durante a Lei Seca. É interessante a construção e o crescimento da tensão neste conto, que vai aos poucos preparando o leitor para o dramático e caótico ato final. É um exemplar do terror real, onde as criaturas monstruosas são os próprios humanos.

Paranóico: Um Canto (Paranoid: A Chant)
Um poema de Stephen King. Isto mesmo, um poema (e não é o único do livro). Traduzido, ele perde as rimas e o ritmo do original, mas ainda assim vale como uma história claustrofóbica sobre a mente perturbada de um esquizofrênico, que acredita ser observado 24 horas por dia por pessoas que querem matá-lo. Foi transformado em um curta, que pode ser assistido no Youtube.

A Balsa (The Raft)
História que já foi levada ao cinema, como um dos segmentos de Creepshow 2, mas com final diferente. Apresenta quatro jovens que vão nadar em um lago e são atormentados por uma estranha mancha de óleo canibal (!). No livro, King conta um caso interessante: ele havia escrito uma versão um pouco diferente da história, chamada The Float. Pouco depois de conseguir um contrato para publicá-la na revista Adam, em 1969, ele foi preso em uma pequena cidade do Maine, por retirar da estrada alguns cones de sinalização, depois que um deles danificou seu carro. Naquele momento, King não tinha em mãos os $ 250 para pagar a fiança e teria que passar 30 dias na prisão. Foi exatamente quando ele recebeu, pelo correio, o cheque pela publicação de The Float evento que ele chamou como receber uma verdadeira carta Saia da Prisão, em referência ao jogo Banco Imobiliário. Apesar do fato, ele nunca conseguiu achar uma cópia da revista que traria o conto.

O Processador de Palavras dos Deuses (Word Processor of the Gods)
Nos anos 80 uma das poucas coisas que os computadores faziam era servir para digitação (algo como se, hoje em dia, o único programa que você pudesse usar em seu notebook fosse o Word). Por isso eram chamados de processadores de texto, e também eram grandes e lentos. Com isso, King criou uma interessante história sobre um computador que pode criar tudo aquilo que for nele digitado, e apagar do mundo real as palavras que forem por ele deletadas. É claro que um personagem que tem uma esposa e um filho horríveis, e que recentemente perdeu o sobrinho brilhante (inventor da máquina) vai fazer bom uso deste processador. Foi adaptado para a TV na série Tales From the Darkside, de 1984.

O Homem Que Não Apertava Mãos (The Man Who Would Not Shake Hands)
Com profundas ligações com o segmento O Método Respiratório, do livro Quatro Estações, este é um conto de terror de estilo clássico. Será que você consegue descobrir o motivo que leva aquele homem a nunca apertar as mãos de ninguém? É óbvio que não é apenas por falta de educação! Conto inspirado no universo da história A Pata do Macaco, de W.W. Jacobs.

Um Mundo de Praia (Beachworld)
Aqui podemos dizer que é o primeiro ponto baixo da obra. É uma história de ficção científica, sobre uma aeronave que faz um pouso forçado em um planeta estranho, e cujos tripulantes começam a enlouquecer. É lentíssimo, de dar sono. Bem que poderia ter ficado de fora da coletânea. Mas tudo bem: se você passar por essa pequena tortura, você está preparado para uma das mais horripilantes histórias do autor, que é...

A Imagem do Ceifador (The Reaper´s Image)
Junto com O Macaco, este é o outro conto de King que me fez ficar sem sono à noite. Aqui ele nos apresenta a um amaldiçoado espelho de um museu, no qual algumas pessoas podem enxergar a imagem da Morte. É mais um dos textos que ele escreveu na adolescência, provando que desde cedo já era bom em saber assustar.

Nona (Nona)
Não é das minhas preferidas, mas é interessante por trazer, como coadjuvantes, dois personagens de O Corpo (ou do filme Conta Comigo): Vern Tessio e Ace Merril. É sobre um jovem que, depois de conhecer uma estranha garota chamada Nona, junta-se a ela e passa a cometer vários crimes pelas estradas. Uma espécie de Assassinos Por Natureza adolescente, com toques sobrenaturais.

Para Owen (For Owen)
Outro poema da coletânea, que foi escrito para o filho de King. Mostra o pai levando o pequeno Owen para a aula, e no caminho o menino descreve uma escola frequentada por frutas.

Tipo de Sobrevivente (Survivor Type)
A história que o próprio King admite ter ido longe demais. Narrado na forma de um diário, é sobre um médico que, após um naufrágio, vai parar sozinho em uma ilha deserta, carregando um pacote de heroína e nenhuma comida. Depois de ferir gravemente o tornozelo e não poder mais andar, decide amputar e comer o próprio pé. Mas mesmo depois disso, a fome continua...

O Caminhão do tio Otto (Uncle's Otto Truck)
Otto Schenck é um recluso que acredita que seu velho caminhão abandonado, que carrega uma maldição, poderá avançar sobre ele para matá-lo. Lembra o romance Christine.

Entregas Matinais (Morning Deliveries)
Conto estranho e macabro, sobre um leiteiro que faz suas entregas com alguns presentinhos para seus simpáticos clientes, como veneno e aranhas nas embalagens onde deveria haver apenas leite e manteiga.

Carrão: Uma Historia de Lavanderia (Big Wheels:Tale of the Laundry Game)
Conto intimamente ligado ao anterior, que traz novamente o leiteiro psicopata. O leitor pensa: Caramba, achei que esse cara não ia mais aparecer, e ele invade um conto que nem era dele!. Foi uma boa sacada de King, prolongando o terror da história anterior e entregando para o leitor uma conclusão mais satisfatória.

Vovó (Gramma)
Como se não bastasse O Macaco e A Imagem do Ceifador para me roubar o sono, o livro ainda traz este assustador conto que me deixou sem dormir por algumas noites. Adaptado para a TV na série Além da Imaginação (na versão dos anos 80), nos apresenta a um menino de 11 anos deixado sozinho em casa com a avó moribunda. Até aí tudo bem: esta é, inclusive, uma trama bem parecida com o segmento de O Cemitério que envolve a personagem Zelda, lembram? Mas aqui há um agravante: a velha, além de assustadora por si só, é praticante de bruxaria e tem parte com o capeta. Os trechos em que o menino é obrigado a ir até o quarto onde ela está deitada são de fazer suar frio. E o final é bem inesperado e medonho. O conto é ótimo, mas o episódio da série não fica muito atrás. Está disponível no Youtube.

A Balada do Projétil Flexível (The Ballad of the Flexible Bullet)
História interessante, sobre um autor que acredita escrever bem graças às pequenas criaturas que vivem dentro de sua máquina de datilografar. É muito boa a construção do suspense e da descida do protagonista rumo à insanidade.

O Braço de Mar (The Reach)
E o livro termina neste melancólico e sobrenatural conto sobre Stella Flanders, uma senhora que, com a proximidade da morte, começa a relembrar seu passado e a ouvir seu falecido esposo com cada vez mais frequência. Possui uma atmosfera gótica e poética, que evoca clássicas histórias de fantasmas, como O Morro dos Ventos Uivantes e A Volta do Parafuso. Segundo King, a inspiração para o conto veio de uma personagem real: uma idosa que viveu toda a vida em uma pequena ilha do Maine, sem nunca ir até a costa.
Telma 23/07/2012minha estante
Que resenha maravilhosa!!!!!


Gustavo 22/03/2014minha estante
MELHOR RESENHA IMPOSSIVEL!!!
#PARABENS


Bradley 16/04/2017minha estante
Vou ler este livro




Áquila 22/06/2020

Mais contos
Tripulação de esqueletos traz vinte contos e dois poemas, publicados entre 1968 e 1985, enfim reunidos nessa coletânea.

Já vi opiniões contrárias, mas a minha opinião é que Stephen King é um ótimo contista. Teve uns contos aqui que não gostei, quebrei a cara, mas a maioria dos contos se sobressaem. É ótima uma coletânea que indico fortemente para os fãs de King.

Alguns contos acabam ficando enfadonhos devido a escrita do autor, ele mesmo admite ficar enchendo as histórias. Isso pode incomodar quem busca contos mais rápidos. Alguns contos fazem ligação com Castle Rock, é legal pegar as referências. Os finais são satisfatórios, em sua maior parte.

Analisando os contos, fiquei surpreso por ter gostado da maioria. Vou dividir os contos por categoria. Apenas os contos, os poemas (Paranóico: um canto e Para Owen) não contam. Vamos lá:

Os bons (esses eu achei fantásticos):
- O atalho da sra. Todd;
- A excursão;
- A balsa;
- O processador de palavras dos deuses;
- Sobrevivente;
- O caminhão do tio Otto;
- Entregas matinais (leiteiro n°1);
- O carrão: Uma história sobre o jogo da lavanderia (leiteiro n°2);
- Vovó;
- O braço de mar.

Os médios (não são contos extraórdinários, mas eu gosto, têm um certo mérito e cumprem seu papel):
- O macaco;
- Caim rebelado;
- A festa de casamento;
- O homem que não apertava mãos;
- Um mundo de praia;
- A imagem do ceifeiro;
- Nona.

Os ruins (lidos na força do ódio):
- O nevoeiro;
- Aqui há tigres;
- A balada do projétil flexível.
David 22/06/2020minha estante
A balada do projétil flexível foi tão ruim assim pra você? Eu gostei...


Áquila 22/06/2020minha estante
Foi um sufoco, teve umas coisas interessantes, mas não funcionou pra mim.




Julie 14/07/2020

Como não gostar do King?
Stephen King é, sem dúvidas, um dos meus autores favoritos. Salvo poucas experiências desagradáveis, normalmente me divirto bastante com seus livros e 'Tripulação de Esqueletos' felizmente entrou na conta dos bons livros.

É dificil eleger o melhor conto, mas se tivesse que fazer um Top 3, com certeza seria O Nevoeiro, O Macaco e A Balsa.

O Nevoeiro é um dos contos mais famosos do King, contando com adaptação tanto para o cinema quanto para a TV. Não cheguei a assistir a série, somente o filme, mas ainda assim a experiência com o conto foi muito melhor do que eu esperava, principalmente porque acabei descobrindo que os finais foram completamente diferentes. A ambientação pós-apocalíptica é excelente, como sempre, e você acaba sentindo a aflição dos personagens junto com eles.

O Macaco e A Balsa já pendem mais para o lado do terror e também te fazem sentir aquela ansiedade, sabe? Você fica o tempo todo se perguntando o que vai acontecer depois, é bom demais. Aqui os elementos sobrenaturais são mais fortes.

Ao todo, acredito que só um ou dois contos não conseguiram prender minha atenção, mas, num todo, as estórias são muito boas. Recomendo.
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Jason.Maverick 09/03/2020

Contos diversos.
Muito bom.
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Brenda 08/04/2020

"Há sempre mais histórias"
Amei os contos: o nevoeiro, o macaco, o atalho da senhora Todd, o processador de palavras, o sobrevivente, a balada do projeto flexível e o braço do mar, pois foram narrativas realísticos e que de certa forma, aterrorizante. Além disso, a escrita do king foi sublime, sendo os finais bem desenvolvidos.
Quanto aos outros contos, não vi tal desenvoltura, mesmo sendo relativamente bons.
Recomendo a leitura.
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Pedro Viana 28/04/2013

Tripulação de Esqueletos, de Stephen King: uma coletânea com vinte e duas histórias do mestre do terror
Retirado da Revista Fantástica, sua revista online sobre Literatura, Cultura e Entretenimento. Visite! www.revistafantastica.com.br

Comprei essa antologia há algum tempo, pois além de gostar de contos, fui atraído pelo nome do autor em questão. Stephen King faz jus ao sobrenome. O livro começa com uma divertidíssima introdução, onde ele fala sobre contos, o ofício de escrever e as desventuras de ser um escritor. Se no começo eu fiquei indeciso sobre ler ou não a antologia, a introdução deixou claro que eu deveria seguir em frente.

Tripulação de Esqueletos reúne trabalhos de 17 anos do início da carreira de Stephen King, publicados originalmente em revistas e coletâneas de horror. Segundo muitas opiniões externas, essa não é a melhor antologia de Stephen King, mas ela me proporcionou bons momentos de leitura, cujos quais não me arrependo de ter gastado meu tempo. Eu gostaria de fazer uma análise conto-por-conto, mas como são 22 trabalhos e nem todos são tão excepcionais como alguns, decidi comentar somente os meus preferidos (o que, de maneira nenhuma, quer dizer que os outros são ruins).

“O Nevoeiro”, principal história da antologia, é excepcionalmente grande (mais de 200 páginas) para um conto. Porém, inegavelmente, é o melhor. A história segue David Drayton, um pai de família, que vê o mundo a sua volta se transformar após a chegada de um misterioso nevoeiro. Ele fica preso com seu filho e alguns moradores de sua cidade em um supermercado. E, durante os dias em que tenta sobreviver aos horrores do nevoeiro, descobre que as pessoas podem ser mais terríveis que os monstros que o aguardam do lado de fora. A adaptação cinematográfica do conto, escrita e dirigida por Frank Darabont (de The Walking Dead), mesmo tendo efeitos especiais vergonhosos, apresentou uma interpretação relativamente fiel ao original e um final alternativo, que ganhou elogios de alguns e críticas de outros.

“O macaco”, além de ser uma ótima história de terror, me ensinou muitas coisas a respeito da parte técnica do gênero. O modo como um simples brinquedo é colocado como uma criatura demoníaca e indestrutível é fantástico. King usa aqui vários elementos para causar medo, desde o sorriso sádico do brinquedo até seus címbalos que tocam toda a vez que alguém próximo ao personagem principal está prestes a morrer. E, como se não bastasse, o conto ainda possui um final épico e digno de filme.

“O atalho da Sra. Todd” é uma daquelas histórias que se definem como “curiosas”. Em questões de enredo, é talvez uma das mais fracas, mas de alguma forma conseguiu me cativar e se tornar uma de minhas preferidas. Senti-me sentado ao redor de uma fogueira, enquanto o narrador contava seu relato sobre a viciante psicose de Ophelia Todd por pegar atalhos.

“A excursão” é um conto de ficção científica sobre teletransporte e, de certo modo, viagens no tempo. De uma forma magistral, King cria uma situação onde o que sempre foi desejável a todos se torna uma fonte de horrores. “O lado obscuro do espaço-tempo”, é como eu definiria. Além de uma narrativa envolvente, que é encontrada na maioria dos contos, essa história também levou, na minha opinião, o melhor final da antologia. “Não é apenas um teletransporte, certo, papai? Deve ser alguma espécie de distorção do tempo.”

“O processador de palavras dos deuses” é um dos meus preferidos. Em antologias sempre tenho a mania de abrir em uma página e ler um conto aleatoriamente primeiro. É minha forma de garantir que a editora não colocou os melhores contos só no final e/ou no começo. Em Tripulação de Esqueletos, este foi o escolhido para “o primeiro contato”. E que conto! Fiquei horas pensando mais tarde como minha vida seria feliz se eu tivesse um processador de palavras como o de Richard, capaz de “inserir” ou “deletar” qualquer coisa na história.

“Sobrevivente” narra a situação mais bizarra que um ser humano pode enfrentar. Conversando com algumas pessoas sobre o que se passa neste conto, é visível como elas ficam chocadas e incrédulas ao ouvirem até que ponto uma pessoa pode ir para sobreviver. O texto é narrado em forma de diário e, entre as várias sensações que a história passa, o desespero se destaca.

“A balada do projétil flexível” é ótimo. Um conto que me prendeu da primeira à última linha, fazendo com que eu o lesse em apenas uma sentada. A história começa em um jantar na casa de um jovem escritor, onde seu editor lhe conta a história de um escritor que quase o levou a loucura com a história de seres que habitavam sua máquina de escrever. Além de uma pegada metalinguística, o conto aborda um dos meus temas preferidos: a loucura.

Há outros contos muito bons, como “Um mundo de praia”, “O caminhão do tio Otto” (Christine feelings) e “A balsa”, mas não me estenderei além daqui.

Em linhas gerais, o livro é muito bom. Chega-se ao ponto que você está cansado e não quer mais nada, porque tal como a maioria sabe, a desvantagem de antologias é ser transportado de um universo para outro repetidas vezes, cansando a mente de qualquer um. Em Tripulação de Esqueletos, isso ainda é pior, porque são vinte e duas histórias, todas muito criativas e que exigem muito de sua imaginação. De qualquer modo, não me arrependo nem um pouco de ter comprado e lido o livro. Além de uma boa fonte de entretenimento, para mim também foi uma fonte de conhecimento – pois aprendi muito com a escrita de King em suas diversas formas, gêneros e técnicas.

Trecho do Livro:

“Espero que goste deste livro, Leitor Habitual. Desconfio que não o apreciará tanto quanto apreciaria um romance, porque a maioria dos leitores esqueceu o real prazer que o conto proporciona. Ler um bom e longo romance, em muitos sentidos, é como manter um longo e satisfatório caso amoroso. [...] Um conto é algo inteiramente diverso – um conto é como o rápido beijo de um estranho, no escuro. Naturalmente, nada tem de caso amoroso ou casamento, mas beijos podem ser doces, e é justamente sua brevidade que o torna interessante.” (páginas 21/22)
Bradley 16/04/2017minha estante
Alguns spoilers




Butakun 24/08/2020

Contente-se
"Ler um livro de contos é algo tão exigente quanto escrevê-lo", alguém disse. Não lembro quem, e nem importa tanto, mas às vezes me parece ter um fundo de verdade, e isso porque, como bem se sabe, coletâneas de contos e histórias curtas são, no mais das vezes, muito "gangorrísticas", digamos, afinal oscilam demais. E esse é quase sempre o caso das compilações do King que são mais longas, como é o caso desse livro. Há histórias maravilhosas, como a tão conhecida "O Nevoeiro" (que gerou aquele filme incrível do Darabont e uma série bem bosta da Netflix), e outras poucos faladas até mesmo pelos fãs, como "Aqui Há Tigres", "Caim Revelado" (que é absurdamente pesada), "A Balsa" e "A Balada do Projétil Inflexível", assim como há outras bem fraquinhas, que vou me poupar de mencionar os títulos, mas que merecem a leitura porque, afinal, são King. Ao fim e ao passo, é um bom livro, que passa longe de ser algo como "As Melhores Histórias" ou "Os Melhores Contos" (bem, nenhuma das coletâneas dele são, mesmo que coisas como "As Quatro Estações" e "Escuridão Total, Sem Estrelas" pareçam ser), mas satisfaz bem. Vale também ver Creepshow em seguida. Vale muito.
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Karina 25/02/2020

Nada de extraordinário...
Demorei quase cinco meses pra terminar de ler esse livro, acredito que isso tenha ocorrido graças a extensão de alguns contos (os mais chatos parecem mais longos). O Nevoeiro por exemplo, só me pegou quando chegaram ao supermercado, já outros foi quase um martírio seguir até a última linha. Achei alguns contos medianos e esquecíveis.
Meus preferidos:
O Nevoeiro
O Macaco
O Atalho da Sra. Todd
A Excursão
A Balsa
O Processador de Palavras dos Deuses
O Homem que não Apertava Mãos
Sobrevivente
Vovó
Agnaldo Alexandre 25/02/2020minha estante
Olá.
Eu prefiro sombras da noite, mas considero alguns contos bons neste livro. O nevoeiro mesmo, o começo, entendi assim para mostrar os relacionamentos com a esposa e vizinho.


Karina 25/02/2020minha estante
Preciso ler Sombras da Noite ainda. Eu entendi que era esse o intuito do King também em o Nevoeiro, mas achei um pouco entediante, porém adoro esse conto


Agnaldo Alexandre 25/02/2020minha estante
Tem contos bons e ruins como todos, mas eu gosto de alguns contos diferentes dali, que muitos não gostam. Tento ler o conto e tirar algo, e não apenas ver como sem pé nem cabeça, pois algo o escritor queria passar.




Barbara.Oliveira 20/04/2020

Leitura interessante...
É o segundo livro do King que leio, mas o primeiro de ficção - o primeiro que li foi o "Sobre a escrita", que ele fala sobre o processo de escrita dele e também sobre sua trajetória como escritor. Um ótimo livro!

Ao ler este livro de contos fiquei muito na dúvida sobre se gostava ou não do estilo do King. Achei a leitura de vários contos bem arrastadas, como de, principalmente de O nevoeiro. Não tinha captado ainda qual era a pegada do autor, então não me interessei pela história e ela não acabava nunca.

Conforme avançava nos contos, percebi que gostava mais do estilo de algumas histórias do que de outras. Achei O macaco bem assustador, apesar de não me fazer perder o sono rs. Esse e Vovó foram os mais sinistros pra mim.

Sou fã de ficção científica, então achei o máximo quando percebi que A excursão ia nessa linha. E que final! Quando acabou eu pensei: tá... Esse é o King desenvolvendo suas histórias a partir de um "e se...?", como ele já comentou na sua obra Sobre a escrita. Bem extremo e interessante.

O conto A festa de casamento me prendeu pela narrativa do autor. Nada de tão surpreendente, mas gostei de acompanhar a história do mafioso e o casamento de sua irmã.

Fiquei angustiada, lendo sem parar até saber o final, com os contos: A balsa, Sobrevivente, A balada do projétil flexível. Aliás, este último é um dos meus favoritos, por tratar do processo de loucura e, principalmente, de um escritor. Muito bom e uma narrativa muito envolvente.

O meu favorito é o que encerra a coletânea, a meu ver, brilhantemente: O braço de mar. Que conto sensível, com tom nostálgico e melancólico de alguém que viveu uma longa vida e se recorda dela. Li em uma resenha e é verdade: tem um ar gótico, com lembrança de mortos em forma de fantasmas. Fiquei muito tocada por esse conto. Agora entendo o sucesso do King e com certeza vou ler mais coisas do autor!
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Adri 04/06/2010

o Nevoeiro é um bom conto que abre muito bem o livo. E Sobrevivente foi a coisa mais doentia que eu já li de Stephen King - me faz lamentar que ele não escreva mais coisas com a mesma qualidade.
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Flavinha 08/07/2020

Muito bom voltar a ler King. Uma fascinação por livro dele. Alguns já assisti em filme.
Dos contos, os que mais gostei foram:
Tipo de sobrevivente
Vovó
Áquila 08/07/2020minha estante
Eu não esperava gostar tanto desse livro, eu até abandonei após ler os 2 primeiros contos, mas quando retomei fluiu que foi uma maravilha!


Flavinha 08/07/2020minha estante
Simmm... teve alguns que não me chamaram tanta atenção não, alguns já são filmes, outros que amei... kkkkk


Flavinha 08/07/2020minha estante
Que bom que voltou a ler... ?????




Marcelo 26/04/2020

Um livro cativante do começo ao fim. Dentre os diversos contos, meus favoritos são: "O Nevoeiro", "O Atalho da Senhora Todd", "O Processador de Palavra dos Deuses", "Vovó" e o belíssimo "O Braço de Mar".
Sobre o Nevoeiro, cabe observar que a história deu origem ao filme homônimo, cujo final é bem diferente (e bem mais cruel).
Mais uma bela obra do mestre Stephen King.
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Luciano Luíz 09/08/2014

TRIPULAÇÃO DE ESQUELETOS é a segunda coletânea de contos do inimitável STEPHEN KING.
E assim como em SOMBRAS DA NOITE, este volume contém os melhores textos curtos do Mestre do Horror.

Entre eles, destaque para O NEVOEIRO, que é um conto realmente grande. E ganhou uma impecável adaptação cinematográfica, com um final infinitamente superior ao do conto. Ou seja, um final que choca (e revolta) quem jamais assistiu algo baseado na obra de King.

A BALSA é outro clássico, onde alguns jovens simplesmente ficam "ancorados" no meio de um lago e algo na água simplesmente vai devorando-os... rendeu uma excelente adaptação para o cinema também.

Tem um conto bizarro de um cara que fica sozinho em uma ilha deserta, e assim, tem de ir se alimentando dele mesmo, através de amputações "cirúrgicas" para se manter vivo até que apareça alguém para socorrê-lo...

Além destes, tem vários outros que são fantásticos. Porém, somente uns 2 realmente são ruins... como AQUI HÁ TIGRES...

É um livro que faz toda a diferença para os leitores aficionados em suspense e terror. E não pode faltar na sua coleção.

Nota: 10

L. L. Santos

site: https://www.facebook.com/pages/L-L-Santos/254579094626804
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Elisangela 25/08/2020

Tripulação de esqueletos
Reunião de alguns dos contos de Stephen King, na sua maioria contos muito bons, com aquele terror psicólogo característico do autor que me agrada muito. Há alguns poréns, como por exemplo o conto A Excursão, que não me agradou tanto, mas no geral é um bom livro pra quem curte histórias do mestre do terror.
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