O Silêncio do Túmulo

O Silêncio do Túmulo Arnaldur Indridason




Resenhas - O Silêncio do Túmulo


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Ravene 13/10/2020

O mistério em terras gélidas
Os fatos vão sendo apresentados e com o passar da leitura os acontecimentos se encaixam, é uma obra de ótima estrutura narrativa.
A parte da violência doméstica me deixou revoltada, esse autor é tão incrível que consegue mexer com nosso emocional, ao ponto de manter em alerta nossa senso de indignação e desejo de justiça.
É um livro com uma capa linda, um bom suspense e com diálogos bem construídos. Recomendo!
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Letícia 06/10/2020

Mais um livro policial nórdico para a lista de favoritos
“O Silêncio do Túmulo” começa em uma festa infantil. Um jovem estudante de medicina nota que uma das crianças está mastigando um osso… humano.

A polícia é chamada para investigar o caso, o inspetor Erlendur é o responsável. A hipótese inicial é de que se trata de um achado arqueológico, já que o clima frio da Islândia tende a preservar cadáveres antigos.

Entretanto, a análise dos arqueólogos indica que o corpo deve ter entre 50 e 70 anos apenas. Apesar da possibilidade do assassino já estar morto e a investigação se tornar inútil.

Investigar acontecimentos tão antigos é difícil, em especial quando nem todos desejam lembrar-se deles. Qual a história dos arbustos na colina? E do chalé inacabado no topo da colina? Qual a relação com a jovem que se jogou no mar sem motivo aparente?

Além dos mistérios relacionados a essa descoberta, o inspetor Erlendur enfrenta problemas com sua filha, que entrou em coma devido ao abuso de drogas. A jovem vive no submundo de Reykjavík, é algo que como leitor nunca imaginei que pudesse existir num país tão desenvolvido.

Erlendur também enfrenta um trauma envolvendo o irmão e uma tempestade de neve. Pelo que entendi, essa é uma série de livros e essas questões tendem a ser esclarecidas nos outros livros.

Indridason no revela uma face nova do país, onde há violência escondida nas ruas, porões e chalés. Os dramas pessoais do inspetor tornam o livro ainda mais interessante. Gostei muito da história, de como vamos descobrindo coisas novas e sentimos a humanidade dos personagens. Achei difícil julgá-los.

O final da história é satisfatório, o autor consegue manter o mistério até lá. Fiquei curiosa para ler os outros livros da série, recomendo bastante, é um novo ar para as histórias do gênero e menos sensacionalista (na minha opinião).

site: https://desafiolivrospelomundo.com/2020/10/04/o-silencio-do-tumulo/
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leila.goncalves 14/07/2018

O Mistério Dos Ossos
Já há algum tempo, a literatura policial escandinava vem roubando meu interesse. Após concluir o quarto volume da série Millenium cujo cenário é a gelada Estocolmo, resolvi apontar minha bússola emdirecao da Islândia com o intuito de conhecer Arnaldur Indridason, um escritor cujo sucesso é unânime por parte de crítica e público.

O. livro escolhido foi "O Silêncio do Túmulo", o quarto da série protagonizada pelo detetive Erlendur Sveisson e vencedor do prestigiado Glass Key Award. Sua história oscila entre o passado e o presente, a fim de relatar um caso de violência doméstica e um provavel suicídio ocorrido durante a Segunda Guerra.

Logo nas primeiras páginas, um esqueleto é encontrado num canteiro de obras e enquanto os ossos são cuidadosamente removidos por um grupo de arqueólogos, o caso vai parar nas mãos da equipe chefiada por Erlendur. O problema é que com a filha viciada em coma, após dar à luz a um bebê natimorto, ele não sabe ao certo se é melhor tirar uns dias de licença ou dar prioridade ao trabalho.

Revelando um segredo de infância guardado a sete chaves e apresentando uma família disfuncional, vítima de abuso físico e psicológico por parte de um pai tirano, fica claro que os conflitos familiares despertam tanta atenção quanto a identificação do cadáver para Indridason.

Com uma reviravolta nas últimas páginas, é pouco provável que o leitor descubra realmente o que houve numa fatídica noite de inverno, quando a terra manchada pela neve tentou encobrir um macabro assassinato.

Em síntese, cinzenta e melancólica, aceite o convite para conhecer uma Islândia muito diferente da imagem alegre e colorida dos cartões postais.
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Renata.Firpo 22/04/2017

Tenso! Recomendo muito!
Livro tenso, denso, bem escrito, suspense policial com mensagem sobre vida e morte. Realmente me surpreendeu. Não só pelo final, mas pelo próprio desenrolar e pela narrativa. Em alguns momentos tinha que parar o livro e refletir. E voltar a ler só no outro dia.
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Kamila 23/03/2017

A trama começa numa festa de aniversário que está rolando num bairro rico de Reykjavík, capital da Islândia (que me faz lembrar da Björk, rs). Até aí tudo bem, mas algumas das crianças encontram uns ossos, que depois descobriu-se que fazia parte de uma ossada humana. Esses ossos foram encontrados no "Bairro do Milênio", um canteiro de obras de uma região da cidade que está se expandindo rapidamente, graças à especulação imobiliária.

As investigações preliminares revelaram que a ossada estava lá há pouco mais (ou menos) de 70 anos, ou seja, desde o tempo da Segunda Guerra. E é aí que entra nosso protagonista, o detetive Erlendur (pra quem não gosta de nomes nórdicos, tá liberado reclamar). O policial está às voltas com um grave problema pessoal: sua filha, Eva Lind, viciada e grávida, está em coma, por causa de uma overdose. Ele e a filha não se dão bem, por causa da maldita alienação parental.

Erlendur briga com a filha, não fala com o filho e volta e meia toma uns gritos de Hálldora, sua ex-mulher. Paralelo a vida desse pobre policial, temos uma mulher. Ela vive no tempo da Segunda Guerra. É mãe solteira, com uma filha que sobreviveu a meningite infantil e ficou com uns traumas. Essa mulher - cujo nome não é revelado em grande parte da história - conheceu um cara e acabou casando com ele, assim, do nada. E passou a bater nela, dia sim e dia também. A mulher, que já era mãe da Mikelina, teve mais dois filhos desse homem, cujo nome também não é citado, mas ganhou o apelido de Grímur de um de seus filhos.

Com a ajuda de seus colegas inspetores Sigurdur Óli (que tem uma namorada que beira a ninfomania e ele não quer casar com ela) e Elínborg (que é formada em Geologia e ama romances, além de ser uma das poucas policiais na Islândia, à época que o livro foi escrito). Além de toda a merda envolvendo a filha e o caso policial, uma situação do passado está atormentando nosso Erlendur. E agora, ele precisa desvendar o que aconteceu há 70 anos, com grande probabilidade de não resultar em nada porque muitos já morreram, vai saber.

Bem, apesar de ter enjoado momentaneamente de romances policiais, eles sempre terão um cantinho no meu coração. Eu o encontrei na biblioteca que frequento, perdido na seção de... romances policiais (ah vá). Preciso dizer que comecei a ler o gênero com James Patterson e sua maravilhosa série do Alex Cross e passei a gostar de vez por causa do mito/gênio/deus/fora de série/homão da porra Stieg Larsson. Então, não tenho como não dizer que me surpreendi com a escrita do Arnaldur.

Intrinsecado e bem escrito, ao longo da trama, vários personagens entrarão ao longo da mesma, e eles nos surpreendem, pois não sabemos se têm a ver ou não com o crime. A escrita dele te prende mesmo, a ponto de você não querer parar pra nada. E ainda dá tempo de conhecer mais sobre a Islândia, que é um país minúsculo na Escandinávia, onde, no verão, não existe noite e sua população total é de cerca 300 mil pessoas - e o presidente gostaria de poder proibir por lei o abacaxi na pizza.

Com uma premissa original e autêntica, Indridason colocou a Islândia no topo, pois, com este livro, ele ganhou diversos prêmios, merecidos, graças a sua habilidade em fazer com que um investigador tenha que driblar sentimentos pessoais, ao mesmo tempo que tem uma dívida pendente com sua família e saber de quem diabos é a bendita ossada, além de sofrer com a mulher vítima da violência doméstica - uma triste realidade. É narrado em terceira pessoa, sob os pontos de vista de Erlendur e da mulher.

No começo do livro, tem um mapa que mostra a Islândia e outro que mostra a parte da cidade em que a ossada foi encontrada. E eu esqueci de tirar foto, mas garanto a vocês que o mapa do país cabe em uma folha. Sério. Pior que os nomes dos personagens são os nomes dos locais. Perceberam que só escrevi Reykjavík e Bairro do Milênio? Pois é, mesmo com o esforço hercúleo da editora em acentuar as palavras e facilitar a pronúncia, não dá, tentar pronunciar todos esses nomes dá um nó no cérebro.

Uma excelente edição da Companhia, sem erros de nenhuma ordem e o único ponto negativo é que não há travessões nas falas, e sim aspas, no modo americano (ou francês?). Não o façam, por favor, é chato de acompanhar a leitura. Mas isso não é motivo pra desistir da obra, até porque o final te deixa com uma cara de "como assim, Brasil?". Aliás, pesquisando aqui, descobri que O Silêncio do Túmulo é o quarto livro da série do detetive Erlendur (o primeiro é o A Cidade dos Vidros, publicado pela Record), que já fazia sucesso fora da Escandinávia no fim dos anos 90 (muito antes de Millennium).

O que é surpreendente vindo de Arnaldur é que a Islândia é um país com baixíssima taxa de homicídios, então, haja criatividade pra inventar crimes! Aproveitem que esse simpático autor passou a morar no meu coração e confere essa entrevista aqui que ele deu pro site d'O Globo, em 2011, mas que é bem legal. Só tomem cuidado com os spoilers, rs.

site: http://resenhaeoutrascoisas.blogspot.com.br/2017/03/resenha-o-silencio-do-tumulo.html#comment-form
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Pepo 16/11/2016

Cativante
Silêncio no túmulo é um livro policial investigativo um tanto quanto peculiar. Digo isso pois, estamos acostumados nesse tipo de leitura à buscar juntamente com o personagem principal, um culpado. Aqui a busca não é por esse alguém, um possível assassino ou criminoso, mas sim, desvendar de quem é o esqueleto enterrado num bairro de Reykjavík à mais de 40 anos atrás. Podemos pensar que essa investigação é vaga, afinal, desvendar um crime cometido muito tempo atrás em nada iria mudar o desfecho dessa história. Mas esse é paradoxalmente o motivo que nos prende à leitura. A história é narrada de forma temporal, alternando entre acontecimentos de 40 anos atrás centrado em uma família que sofre nas mãos de um pai cruel (nota-se aqui a ótima forma de abordar um tema que ainda hoje é muito atual, a violência doméstica) e o presente, centrado nas investigações acerca desse esqueleto desconhecido. Paralelo à isso temos a história pessoal do investigador Erlendur, que sofre de problemas familiares, principalmente com sua filha rebelde Eva Lind. Portanto, recomendo a leitura. O autor me surpreendeu (primeiro livro que leio dele), a história é muito bem contada e mesmo parecendo vaga, me arrancou suspiros ao chegar no final, surpreendendo muito.
Gaby 16/11/2016minha estante
Adorei sua resenha! Esse livro já entrará na minha lista de desejados! Obrigada pela dica!


Pepo 16/11/2016minha estante
Que ótimo! Eu que agradeco!
Você vai adora-lo rs


Pepo 16/11/2016minha estante
Que ótimo! Eu que agradeço!
Você vai adora-lo rs




João 06/04/2016

"Ele soube na hora que era um osso humano,quando o tirou das mãozinhas do bebê
que estava sentado no chão,mastigando-o."

Essa é a primeira frase do livro.Apenas uma frase e eu já estava seduzido pela leitura.
Um esqueleto é encontrado em um canteiro de obras.Depois de algumas especulações,a hipótese é de que tenha sido enterrado há sessenta ou setenta anos atrás. Mas quem é?Como morreu?Por quê?O inspetor Erlendur e seus ajudantes tentam desvendar um crime ocorrido há tanto tempo.Há poucas pistas,e provavelmente o criminoso já está morto.
O inspetor Erlendur além de estar as voltas com "o caso do esqueleto"também precisa lidar com seus problemas pessoais.Algo doloroso que guarda dentro de si e a sua filha que se encontra em coma no hospital.Permeando tudo isso há uma mulher com três filhos que sofre nas mãos de um marido abusivo.

Já fazia muito tempo que queria ler esse livro.Assim que li a sinopse já fiquei interessado.
O livro começa bem e segue assim até o final.
O autor é muito bom,lança pistas aos pouquinhos e quando o leitor imagina uma coisa,ele vem com outra e você acaba ficando na dúvida.E o melhor de tudo:tudo explicado no fim de maneira convincente sem querer fazer o leitor de bobo,como na maioria dos livros do gênero.

Apesar de o livro girar em torno de um crime ocorrido há tantos anos o autor soube conduzir a história muito bem.Passado e presente se intercalam durante o livro fazendo com que o interesse do leitor aumente a cada página.
Mas o autor caprichou mesmo foi na parte que fala sobre abuso doméstico.A melhor parte do livro.O autor mergulha de cabeça na história da mulher que há quinze anos suporta as surras violentas e o desprezo de um marido sádico,levando o leitor da indignação à piedade.
Como é uma série de livros com o inspetor Erlendur pretendo ler os outros.E mesmo sendo esse o segundo da série em nenhum momento me senti perdido,mesmo não tendo lido o primeiro
Livro excelente!Leitura de primeira!!

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Literatura Policial 01/10/2015

É pouco provável que o leitor descubra realmente o que houve
“O Silêncio do Túmulo” é o quarto da série protagonizada pelo detetive Erlendur Sveisson e vencedor do prestigiado Glass Key Award. Sua história oscila entre o passado e o presente com o intuito de exibir um caso sombrio, envolvendo violência doméstica e um provável suicídio durante a Segunda Grande Guerra.

Logo nas primeiras páginas, um esqueleto é encontrado num canteiro de obras e enquanto os ossos são cuidadosamente removidos por um grupo de arqueólogos, o caso vai parar nas mãos da equipe chefiada por Erlendur. O problema é que, com a filha viciada em coma após dar à luz a um bebê natimorto, ele não sabe ao certo se é melhor tirar uns dias de licença ou dar prioridade ao trabalho, aguardando notícias do hospital.

Revelando um segredo de infância guardado a sete chaves pelo protagonista e uma família disfuncional, vítima de abuso físico e psicológico por parte de um pai tirano, fica claro que os conflitos familiares despertam tanta atenção quanto a identificação do cadáver. Com uma reviravolta nas últimas páginas, é pouco provável que o leitor descubra realmente o que houve numa fatídica noite de inverno onde a terra manchada pela neve tentou encobrir um macabro assassinato.

Cinzento e melancólico, aceite o convite para conhecer um país muito diferente da imagem alegre e colorida dos cartões postais.

site: http://literaturapolicial.com/2015/10/01/o-silencio-do-tumulo-de-arnaldur-indridason/
Jaque - Achei o Livro 21/10/2018minha estante
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dani 25/10/2014

O silêncio do túmulo Arnaldur Indridason
Eu estava em busca de uma leitura diferente, algum elemento que fugisse um pouco do padrão, um autor novo, enfim, foi com esse sentimento que acabei me deparando com a leitura de O Silêncio do Túmulo, de Arnaldur Indridason.
Além de ser um escritor novo em meu repertório, também foge do padrão americano ou inglês, ele é islandês e em si traz características próprias de sua escrita.
O livro tratará de vários mistérios que ocorreram tempos atrás, uma criança acha ossos em uma área de recente expansão, o que leva os investigadores ao centro de um mistério, esse esqueleto pertence há uma época mais remota e talvez seja fruto de um crime.
Com esses dados Arnaldur trará três investigadores para o caso: Erlendur, Elínborg e Sigurdur Óli. Uma das características dessa obra é que além do crime temos uma abordagem do que está acontecendo na vida dos investigadores. Erlendur, que nunca teve muito contato cm sua família, agora tenta ajudar a filha com graves problemas com drogas; Sigurdur Óli está com problemas de relacionamento com sua mulher, porém a vida de Elínborg, a única mulher da equipe, não é muito explorada.
Gostei da forma como a investigação é levada durante a história, assumo que por ser um crime que seria pautado apenas em lembranças achei que o ritmo seria lento, mas fui surpreendida, pois durante a investigação descobrimos uma mulher que supostamente se jogou no mar e, além disso, acompanhamos a narrativa de uma família que é oprimida por um homem violento. Com todos esses aspectos é impossível saber o que realmente aconteceu, a narrativa dá voltas e voltas e fiquei sempre mudando de opinião sobre o que tinha acontecido, no fim tenho que dizer que gostei muito da resolução dada.
Outro grande drama é a relação familiar de Erlendur, principalmente com sua filha, que revelou muitos aspectos do personagem e um tema que é complicado que envolve a distância de pais e filhos e o relacionamento durante e após uma separação. Adorei os dramas e conflitos internos desse personagem que é o mais rico da narrativa.
Sobre o projeto editorial tenho duas observações, a primeira é que tive dificuldades de assimilar os nomes, por ser de origem islandesa, mas gostei de terem mantido na tradução, tornou a história mais real, mais local. Outra escolha da tradução foi manter as aspas nas falas quando normalmente o usado são os travessões, mas isso não alterou meu fluxo de leitura.
Por fim quero dizer que a leitura me impressionou, fiquei envolvida na história e estou curiosa pelos outros livros que trazem Erlendur como personagem.

site: http://vintecincodevaneios.blogspot.com.br/2014/10/livro-o-silencio-do-tumulo-arnaldur.html
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jota 21/03/2014

Osso antigo
Um livro cujo primeiro parágrafo nos fala de um bebê mastigando um osso humano parece prometer outras surpresas, não? É exatamente o que acontece com essa história islandesa de Arnaldur Indridason, mais um exemplar da tão comentada (e com muitos exemplares vendidos) onda de literatura policial nórdica.

Mais do que querer saber se chupar osso de defunto faz mal, se a criancinha pode morrer por conta disso, estamos interessados em descobrir de quem é o tal ossinho. E as perguntas vão se avolumando pois ele é de alguém que foi assassinado e mesmo que o crime tenha sido praticado há cerca de setenta anos nossa curiosidade não cessa. Há um assassino então e também um motivo para o assassinato.

Pistas vão sendo fornecidas pelos detetives que cuidam do caso e demais envolvidos na trama e claro, todas são falsas ao final, como ocorre com qualquer livro desse tipo que se preze. Também para distrair o leitor problemas pessoais dos policiais são trazidos à baila, mas enquanto suas histórias se passam no presente ou em tempos não tão distantes outra história acontece durante os anos 1940. E essa sim é que mais interessante, pois é bastante cruel e angustiante para o leitor. Aí o autor apela para nossa compaixão e é impossível ficar indiferente frente ao sofrimento de criaturas indefesas, não?

Enfim O Silêncio do Túmulo é um livro bem escrito, interessante, que prende nossa atenção a maior parte do tempo, mas que depois que se termina a leitura você tem quase a certeza de que não terá mais grande interesse nele, em relê-lo mais à frente um dia, ao contrário do que acontece com os grandes livros dos grandes mestres da literatura.

Lido entre 17 e 21/03/2014.
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Luana 09/04/2013

"O silêncio do túmulo"
Muito tem se falado sobre os autores nórdicos do gênero policial, então decidi conferir tal fama começando pelo recente livro do islandês Arnaldur Indridason. “O silêncio do túmulo" traz mais uma história comandada pelo investigador Erlendur.

Em um canteiro de obras da crescente Reykjavík, um esqueleto é encontrado por acaso: quando em uma festa infantil nos arredores um bebê aparece chupando um osso humano! Com a descoberta surgem inúmeras perguntas que Erlendur e sua equipe buscam responder. Um processo minucioso e complicado. Começando pela remoção dos ossos, que fica a cargo de um arqueólogo extremamente cuidadoso e lento. Tudo o que o investigador tem é a informação de que o corpo havia sido enterrado no local há cerca de sessenta anos.

Enquanto narra a difícil procura da polícia em desvendar o caso, que se torna atração na mídia local, o autor apresenta a saga íntima de Erlendur para se reaproximar da filha e ajudá-la a sair do vício em drogas. Uma relação dolorosa, que traz para o personagem uma roupagem de melancolia e arrependimentos.

A terceira narrativa que Indridason encaixa no livro começa sem muitas explicações. É brilhantemente descrita, como assistir um filme. Triste filme. As imagens são de violência doméstica. Uma jovem humilde, viúva e com uma filha pequena, se casa na esperança de ter o apoio que sempre necessitou. Mas acaba se tornando prisioneira de um inferno que muitas mulheres conhecem. O sentimento da mulher e a dor sofrida a cada ataque são contados como se pudéssemos ouvir seus pensamentos. Sem dúvidas uma história chocante, que se sobrepõe ao livro em si. Para no final as narrativas se encaixarem, trazendo um desfecho surpreendente e tocante.

“O silêncio do túmulo" se difere de tudo o que já li e vi do estilo. E é com certeza um dos melhores livros que pude ler em 2011. Uma dessas obras que nos impressionam e nos prendem não só em seu suspense, mas também no retrato que faz do lado mais sombrio do humano.
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Murphy'sLibrary 05/08/2012

Eu descobri que O Silêncio do Túmulo era o segundo livro de uma série só depois de recebê-lo para resenha. Eu também descobri que o primeiro livro, Jar City, tem uma adaptação cinematográfica, e que O Silêncio do Túmulo está em produção. Se isso mudou algo? Não realmente. O livro é muito bem escrito e se garante sozinho. Você não preciisa de nenhuma informação, ou talvez eu apenas entendi tudo sem precisar disso. Então, eu decidi ver o livro como um livro sozinho... E uma maravilhosa, eu diria.

O cenário é Reykjavík, a cidade de Indridason, e o detetive Erlendur caiu de cara em um novo caso. A história poderia ser facilmente esquecida, mas não por ele. Ossos são encontrados numa escavação, e querendo descobrir os mistérios por trás disso, Erlendur volta a um passado que enterra não apenas corpos e ossos, mas velhas complicações também.

O Silêncio do Túmulo é uma história forte, não apenas um mistério forte.. O livro é ótimo em seu lado investigativo, mas mostra extrema emoção e envolvimento, num ponto em que você não consegue largá-lo. É um livro rápido de ler, mas tem um lado emocional forte. Não por ser triste, mas por trazer a tona muitas questões do dia-a-dia que nunca tiramos o tempo para pensar: violência doméstica, relacionamentos familiares e quanto a gente precisa dar de nós mesmos para relacionamentos funcionarem.

Eu amei a narrativa e acredito que Indridason foi pontual em sua escrita. Os personagens são bem desenvolidos e todos os detalhes do enredo se unem como peças de um quebra-cabeça. Uma leitura maravilhosa.
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Juliana Pires 07/06/2012

O Silêncio do Túmulo - Arnaldur Indridason / Companhia das Letras
Hoje com 23 anos, eu só presenciei uma vez algum tipo de violência doméstica, foi quando eu era criança na casa de uma amiga, eu nunca me esqueci daquela cena, aquilo me deixou chocada, e hoje tanto anos depois qualquer tipo de violência doméstica ainda me deixa, mesmo que seja em um livro que é uma ficção, não consigo deixar de pensar quantas mulheres/crianças passam por isso e não tem a oportunidade de se defenderem, isso ao contrário do que muita gente gosta de acreditar não é uma realidade distante, não é algo que acontece só na periferia, pelo contrário esta entranhada em todas as camadas da sociedade.

Eu comecei com esse breve relato por que a violência doméstica é um tema abordado no livro, e é algo que me deixa tão revoltada com o ser humano de uma forma geral que eu precisava falar um pouco disso antes de começar a resenha de fato.

O Silêncio do Túmulo é um livro policial um pouco diferente, esta longe do ritmo frenético de alguns outros livros do gênero que eu já li, como os livros do Harlan Coben e James Patterson, se passa num país totalmente diferente e do qual eu só tinha “visitado” uma vez ao ler Viagem ao centro da terra, a Islândia e a investigação é de um crime que provavelmente ocorreu há mais de 70 anos.

Uma ossada humana é encontrada parcialmente enterrada em um terreno nos arredores de Reykjavík, de acordo com os especialistas a ossada deve ter por volta de 60/70 anos, então se houve de fato um assassinato ele ocorreu na época da Segunda Guerra Mundial, mas isso não é um empecilho para o detetive Erlendur e sua equipe, que tratarão o caso da mesma forma que qualquer outro.

Achar testemunhas que possam esclarecer o caso de alguma forma é difícil, por que a maioria já morreu ou esta muito velha para dar uma explicação lúcida. Mas com jeito os detetives vão encontrando pistas e aos poucos o caso vai sendo elucidado.

Enquanto acompanhamos a história no tempo real, somos apresentados a uma família que viveu na colina por volta de 1940 e pode ter relação com o caso. Eu preciso confessar que eu morri de ódio nessas partes, pois o marido batia tanto na mulher e ela não entendia o porquê de tanta violência – ela não fazia nada, e nem que fizesse - quando tentava fugir, ele ia atrás, ameaçava os filhos – que ele não amava – era o típico corvadão fora de casa era legal com todo mundo, gentil, até sorria – como o próprio filho dele constatou - mas em casa era o diabo na terra.

Também acompanhamos – em segundo plano – a vida familiar conturbada do detetive Erlendur, sua filha com quem não tinha muito contato, esta em coma por excesso de uso de drogas, e nas visitas que ele faz a ela nós vamos descobrindo mais sobre ele, sobre sua infância, sobre seus traumas, sobre o porquê ele abandonou a família.

Como eu disse antes o livro tem um ritmo mais lento, mas nem por isso é menos interessante, por que o mais importante é o aspecto psicológico dos personagens que é muito bem desenvolvido, e apesar do final um pouco óbvio eu ainda consegui me surpreender, e gostei muito do livro.

Achei interessante falar sobre a violência doméstica por que é uma questão importante do livro, e é um assunto que precisa ser discutido, pois fechar os olhos para isso justificando que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher é inaceitável.

Eu não sei onde precisamos mudar para suprimir esse tipo de violência, ela esta enraizada no machismo, que considera a mulher um objeto, um mercadoria, “algo” – não alguém – que não merece respeito, que nasceu para servir aos homens, que não tem direitos iguais. Como mudar essa cultura, é outra coisa que também não sei, e acho difícil que alguém saiba. Talvez, só talvez se pararmos de dividir, classificar, estereotipar os gêneros – por que para mim homens e mulheres só são diferentes biologicamente – podemos começar a melhorar essa questão.

É algo em que se pensar, espero que vocês tenham gostado da resenha e me desculpem pelo tom pessoal com o qual a escrevi, mais considero esse assunto muito importante e que precisa ser debatido.

O livro tem uma história fechada, mais assim com outras séries policias que narram diversas investigações de um mesmo detetive, como o Myron Bolitar do Harlan Coben e o Alex Cross do James Patterson, também temos mais livros do detetive Erlendur e sua equipe – Elinborg e Sigurdu Óli, esses nomes são muito engraçados.
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T. Ururahy 23/04/2012

Agrada, mas não é leitura obrigatória para fãs do gênero
“Mas não demorou para que a mãe voltasse à velha rotina, como se a tristeza que se afastara dela tivesse voltado muito mais intensa…”

Olá pessoal! Que tal mais um pouco de romances policiais para balancear as últimas resenhas meio “Alice in Wonderland” que eu postei no CooltureNews? Dessa vez o livro veio de longe, da gélida Islândia, região na Europa onde surgiram alguns bons nomes no que se trata de literatura policial.

É engraçado pensarmos em um país europeu tendo tantos problemas no que diz respeito.. bem, à mentalidade da população. O que eu esperava que fosse um país adiantado socialmente, mostrou-se um local realmente difícil de viver, psicologicamente falando, principalmente se você for uma mulher.

E isso tem tudo a ver com “O Silêncio do Túmulo”, lançado no Brasil pela Companhia das Letras. O livro, ambientado na capital da Islândia (Reykjavík, pronuncia-se REIQUIJAVÍ), conta a história de um policial e seus dois companheiros investigando fatos do passado que culminaram com o descobrimento de um esqueleto humano, aparentemente do período da Segunda Guerra Mundial, enterrado próximo a uma construção.

A cena inicial é fortíssima. Estou me coçando para não contar para vocês, par ser sincero (rs). O fato é que o autor soube impactar de uma forma inteligente, meio escatológica, mas longe de ser agressiva. Apenas puxou você para dentro da história logo nas primeiras linhas. Primeiro ponto demonstrando o quão profissional o senhor Indridason é como escritor.

A estrutura do romance também está perfeita, aliás, marca registrada dos bons livros policiais. Se “O Silêncio do Túmulo” não é frenético como os livros de James Paterson ou ligeiramente doentio como nosso amigoChuck Palahniuk, o mérito do autor foi criar sua marca pessoal – também chamada de VOZ do AUTOR – com a qual trata de assuntos familiares com forte apelo psicológico em todo o subtexto da obra. E é nesse ponto que a coisa toda fica alinhavada com o comentário que fiz no começo sobre a situação social da Islândia. Você sabia que o pequeno país tem um problema crônico de violência doméstica contra as mulheres? E que grande parte dos homens acha isso justo… tenso.

Porém, como nem tudo são flores, o subtexto é também o grande inimigo da obra. Não a história sobre violência doméstica, que é escrita de forma inteligentíssima e se encaixa com perfeição com a linha mestra do livro. O grande problema são as pontas soltas, personagens que se provam irrelevantes ao final da história e um drama familiar que só com bastante boa vontade o leitor aceita que se encaixa na trama.

Nos últimos capítulos algumas coisas dão a entender que se cruzarão e teremos uma boa explicação, mas isso não ocorre. O livro tem um final bonito, tocante mesmo, digno de arrancar lágrimas dos mais sensíveis, mas deixa perguntas sem resposta. E não de um jeito bom. De um jeito frustrante.

Não vou dar spoilers, mas acredito que lá para a metade da leitura todos entenderão de quais histórias no subtexto eu estou falando.

Em suma, “O Silêncio do Túmulo” é uma obra interessante, angustiante e, cabe dizer, revoltante pela forma como apresenta acontecimentos tristes e corriqueiros da vida de muitas pessoas. Tudo isso ladeado por uma investigação policial inteligente e bem escrita. No entanto, as falhas (que possivelmente não remetem apenas ao autor, mas também à edição original do livro) demonstra que Arnaldur Indridason tem ainda algum caminho a percorrer até conseguir se igualar aos grandes escritores do gênero.

“O Silêncio do Túmulo” diverte e agrada, mas não é leitura obrigatória para os fãs do gênero.

“Erlendur fumou um cigarro atrás do outro embaixo de uma placa que dizia que era proibido fumar, até que um cirurgião usando uma máscara passou-lhe uma descompostura por infringir a proibição.”
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