A Intrusa

A Intrusa Júlia Lopes de Almeida




Resenhas - A Intrusa


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Jaqueline Felix 30/07/2020

Antes de falar sobre a história em si, gostaria de comentar um pouco sobre a autora. Ela foi uma das mulheres que lutaram pelo direito de voto feminino no Brasil. E muitos romances que escreveram sofreram graves censuras. E a Júlia ajudou a fundar a Academia Brasileira de Letras, mas a cadeira acabou sendo do marido. As mulheres não eram bem vistas nem tinham direitos.

Sobre o livro: ele retrata o Rio de Janeiro em fins do século XIX, no auge da cultura cosmopolita, com profundas transformações culturais e novos modos de pensar e viver.
Nesse cenário, encontramos o viúvo Argemiro, advogado, que coloca um anúncio no jornal procurando uma governanta. A jovem Alice atende ao anúncio e acaba contratada, com a condição de que ela nunca se encontre com o dono da casa.
Uma das funções dela é cuidar e educar da filha de 11 anos do advogado, Maria da Glória, quando ela estivesse na cidade. Ela é bem difícil a principio mas, com o tempo, as duas desenvolvem mútuos afetos.
Nossa Alice, vista como um intrusa e aproveitadora, é hostilizada e mal falada pela sogra, amigos e até pelo mordomo do advogado, mas no fim é provado seu grande valor e ela encontra seu final feliz.
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Elis 28/07/2020

Delícia.
É deliciosamente bom. E tem o desfecho que precisamos! Adorei cada página, vibrei com cada personagem.
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Janaína 06/05/2020

"Na vida, como nos folhetins, os romances fazem-se por si"
Júlia Lopes de Almeida foi vítima de uma injustiça histórica cometida pela Academia Brasileira de Letras. Apesar de ter colaborado para fundação da ABL, ela não pôde figurar entre os imortais pelo simples fato de ser mulher. Assim, a cadeira de número 3, que deveria pertencer à Júlia, foi concedida ao seu marido Filinto de Almeida.

O seu romance A Intrusa foi publicado em formato de folhetim no Jornal do Comércio e a primeira edição do livro lançada em 1908. Na história, que se passa no Rio de Janeiro, temos o rico viúvo Argemiro Cláudio, que está em busca de uma governanta para administrar sua casa e ser responsável pela educação de sua filha Maria da Glória. Maria vive em uma chácara com os avós maternos, os barões do Cerro Alegre, mas Argemiro deseja ter a companhia da filha em sua residência com mais frequência. Ele é fiel a memória da esposa, que no leito de morte o fez realizar um juramento: jamais se casaria novamente. Deste modo, ao contratar Alice Galba para a função, Argemiro impõe uma condição, que eles não se vissem nunca, para que assim não paire nenhuma suspeita sobre a mulher que deveria zelar pela filha.

A questão racial foi um ponto do livro que me chamou atenção e me fez refletir sobre o lugar na sociedade reservado às pessoas negras nos primeiros anos da República. O personagem negro do livro é o copeiro Feliciano e em inúmeras passagens ressalte-se a cor da pele dele: “o negro, todo empoado e bem vestido”, “a baronesa já não ouviu as razões do preto e gritou para o marido, num desabafo” e por aí vai. Dos demais personagens não é preciso ressaltar a cor, já que o “padrão” é serem pessoas de pele clara.

Durante a leitura senti falta de conhecer mais sobre a visão e sentimentos de Alice e também achei o final um pouco corrido. Apesar disso, foi uma leitura muito prazerosa, que prendeu minha atenção do início ao fim. Gostei bastante deste romance e espero ler mais obras da Júlia.

Escolhi ler a versão original, que está em domínio público, ao invés da versão com a linguagem adaptada pela editora Pedrazul. Acredito que foi a melhor escolha que fiz, pois, a escrita não é difícil e além disso me fez mergulhar ainda mais no contexto das personagens. Temos o uso de algumas palavras menos usadas atualmente na língua portuguesa, mas nada que comprometa o entendimento ou que não se possa facilmente consultar o significado no dicionário do kindle.
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Aline.Andrade 03/02/2020

Só leiam
Essa escritora foi injustiçada demais quando foi barrada de entrar na ABL (que ela ajudou a criar) somente por ser mulher. Pra piorar, colocaram o marido dela, que era um zero a esquerda (minha opinião aki), pra ocupar a cadeira que deveria ser dela. Eu tenho como meta ler todos os livros dela. Esse foi o primeiro e só posso dizer e amei.
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Lusia.Nicolino 09/01/2020

Uma leitura deliciosa, se considerarmos que foi escrita em 1905!
Aconteceu comigo e pode ter acontecido com você, de conhecer, estudar Rachel de Queiroz, Cecília Meirelles e Clarice Lispector, mas nunca ter ouvido falar de Julia Lopes de Almeida. Mas, sempre é tempo de reparar.

Eu comecei por A Intrusa. Narrado em terceira pessoa, um verdadeiro clássico nacional à moda europeia! Uma história de amor que, como pano de fundo, retrata uma época com seus costumes e, por que não, curiosidades.

Se embarcar nessa aventura, estará no fim do século XIX, no Rio de Janeiro, em plena Belle Époque e conhecerá o advogado Argemiro, viúvo que quer se libertar das amarras do seu criado e ter uma casa mais organizada, com as finanças da administração doméstica em dia e de forma justa, para receber sua filha Glória, de 11 anos, que vive com a avó materna. Para isso, escreverá um anúncio em um jornal e contratará a única candidata que se apresenta e, aceito os termos da contratação, a trama se desenrola. Por que será conhecida como A Intrusa? Qual a cláusula do contrato que causa espanto a toda gente?

site: https://www.facebook.com/lunicolinole
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Clube do Farol 05/02/2019

A Intrusa - Clube do Farol
Resenhado por: Danii (@livrosemelodias)

Não sei você, mas quando eu estava no ensino médio, ao estudar literatura, a minha professora pedia para que lêssemos, a cada dois ou três meses (ou até menos), livros clássicos nacionais (ou até portugueses) do período literário que estivéssemos estudando no bimestre. E por isso conheci obras clássicas de diversos autores nacionais, como Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Aluísio Azevedo, Raul Pompeia, Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Eça de Queirós... entre muitos outros.

Mas entre tantos livros e autores, foram pouquíssimas autoras. Se a minha memória não estiver me enganando, as únicas autoras nacionais que li algo, quando estudava literatura no ensino médio, foram Rachel de Queiroz, Cecília Meirelles e Clarice Lispector. E todas elas nasceram já no século XX. E as autoras do século XIX? Cadê? Pode não parecer, pensando só em autores ?famosos?, mas elas existiam e mereciam mais destaque e não serem esquecidas. Uma das autoras nascidas no século XIX é a Julia Lopes de Almeida, autora do livro da resenha de hoje.


A romancista (contista, cronista e teatróloga) Julia Lopes de Almeida nasceu em 1862, no Rio de Janeiro, e desde muito nova tomou gosto pela escrita, porém, por causa das possibilidades limitadas da época, resolveu escrever escondido, mas o segredo não durou muito, e contrariando as expectativas, foi incentivada pelo pai que a inseriu no meio literário, começando a escrever em revistas e jornais, contando até com resenha de livro (só eu que acho que ela poderia ser uma bela blogueira?). Tempos depois disso, publicou contos, crônicas, peças de teatro e romances, ainda no século XIX e também no XX.

No final do século XIX, em 1897, a Julia, junto com o seu marido, Filinto de Almeida (com quem havia se casado aos 25 anos), fez parte das discussões iniciais que deram origem a Academia Brasileira de Letras. Sim! Ela fez parte do grupo que fundou a ABL! E, devido à sua contribuição e ao seu ?peso literário? na época, o seu nome até constava na lista feita por Lúcio de Mendonça em ?O Estado de S. Paulo?, seis meses antes da fundação da Academia, em que contava com os quarenta nomes que pareciam merecer serem reconhecidos como fundadores da ABL. Maaaaaas, mesmo sendo conhecida como a maior escritora do seu tempo, foi excluída simplesmente por ser mulher, com a sua ?vaga? ficando para o seu marido, Filinpo.

E assim seu nome foi apagado da história de algo tão marcante, junto com outras escritoras importantes, pois só admitiram mulheres, em 1977, quando a Rachel de Queiroz foi eleita para uma cadeira. É meio triste e decepcionante, né?! Alguém ser ?excluído? de algo em que colaborou desde o princípio, simplesmente por causa do sexo.

"Júlia é uma autora magnífica. Não é nenhum favor resgatá-la. Ela é um caso absurdo de escritora que não está no cânone literário por puro machismo. Ela é muito superior à grande maioria dos autores de sua época. Os únicos que se equipararam naquele momento são Aluísio Azevedo e Lima Barreto." (Escritor Luiz Ruffato)

Bom, agora temos que parar de falar dessa autora fascinante (vou deixar algumas dicas de artigos e publicações sobre ela no final da resenha, porque sim), e vamos, finalmente, à resenha de um de seus romances, A Intrusa, publicado em 2016 pela Pedrazul.


"As asas do tempo têm forte envergadura; não cansam de voar, mas levam às vezes consigo penas que se não mudam, embora fiquem disfarçadas entre outras que vão nascendo..."

Narrado em terceira pessoa, A Intrusa se passa no fim do século XIX, no Rio de Janeiro, em plena Belle Époque. Nele conhecemos o advogado Argemiro, que é viúvo há nove anos, e está querendo melhorar a ordem na sua casa, ou melhor dizendo, diminuir a desordem, e conseguir que a visita de sua filha de onze anos, Glória, que vive com os avós (por quem é mimada), seja possível, e pensando nessas questões decide contratar uma governanta, para colocar ordem na casa e educar e cuidar da sua filha.

Com a ajuda do seu amigo, Padre Assunção, escreve um anúncio em um jornal, mas só uma candidata se apresenta à vaga, a Alice Galba, que na ?entrevista? aparece toda coberta e parece não ter boa aparência, mas nada disso é um problema, já que uma condição estranha do Argemiro para contratar a governanta é a de que ele nunca deve vê-la, pois no leito de morte, a sua esposa o fez prometer que nunca se casaria novamente, então prefere evitar a ?tentação?.


A Alice aceita e melhora a vida dele 200%. Sua casa se tornou impecável, limpa, com tudo em ordem, com flores, perfumada... A sua filha Glória? Cada dia mais educada e bondosa. E ele realmente nunca vê a sua governanta, apenas sente a sua presença, e se encanta por ela cada vez mais.

"E o que me delicia é sentir a alma dessa criatura, que aqui tenho debaixo do meu teto, sem que nunca os meus olhos a vejam nem de relance... Ela se esconde, ao mesmo tempo em que se espalha pela casa toda. É a mulher-violeta, positivamente, não há outra comparação!"

Mas quase ninguém acredita que ele nunca a vê, pensam até que ela é sua amante! A sua sogra, uma baronesa, principalmente, no auge de seu ciúme, fica tão convicta que o Argemiro está quase quebrando a promessa que fez a sua filha, que começa a considerar a Alice uma grande inimiga, fazendo de tudo para tentar tirar a governanta da vida de seu genro e de sua neta.

"Sujeita-se a exercer um lugar suspeito, aceitando todas as condições que lhe impõem e revela uma sensibilidade rara em todos os atos em que podemos a apreciar... Será ela na verdade a mulher perigosa, não pelo que calcula e inventa, mas pelo que merece?"

Enquanto isso, a curiosidade e a admiração de Argemiro pela sua governanta aumenta cada dia mais, e aos pouquinhos um novo sentimento vai de desenvolvendo bem sutilmente. Conseguirá a sogra ciumenta o que tanto deseja? No que resultará esse novo sentimento e a admiração de Argemiro?


" É extraordinário. Desde que esta mulher entrou em minha casa eu sou outro homem, muito mais tranquilo e muito mais feliz. Nunca a vejo, mas a sinto; sua alma de moça enche estas salas vazias de juventude e de alegria."

Se você ler esse livro esperando um ?romance? que acontece do jeito que estamos acostumados, vai cair do cavalo, porque ele é bem sutil. A autora descreveu muito bem a sociedade em que viveu, com pequenas críticas ao mostrar como agiam algumas pessoas daquela época através de seus personagens.

"? Glória casará bem, com um homem que a ame e a respeite. Não faltava mais nada! Minha neta mal casada! Pobre... desprezada... precisando trabalhar para viver... que coisa horrível!
? O que é horrível, mamãe, não é trabalhar; é não saber trabalhar!"

Personagens esses que eu achei bem construídos, com qualidades, defeitos e mistérios. Mistérios que envolvem principalmente a Alice, porque não sabemos praticamente nada dela, só que os outros personagens vão descobrindo. O Argemiro não é do tipo de mocinho que a ficamos suspirando, mas é admirável.

Outros personagens que merecem destaque são a sogra do Argemiro, a baronesa, e o Padre Assunção. A baronesa é do tipo de personagem que pegamos ranço, porque que mulherzinha irritante! Ela é doente de tão apegada à memória da filha, que mesmo morta, ela age como se estivesse presente. O Padre Assunção acho que foi o personagem mais bem construído do livro, também com seus defeitos, qualidades e mistérios.

"[...] Ela para mim não é uma mulher, mas uma alma. Não a vejo, não lhe toco, a sua imagem material é para mim tão indiferente como um pedaço de pau ou uma pedra. Para mim, basta-me a sua representação, neste aroma, peculiar dela e que paira sutilmente por toda a minha casa; nesta ordem, que me facilita a vida, e no gosto com que ela embeleza tudo em que toca e em que pousa a vista. É uma educada. Parece-me que ela deve ter estudado à sombra de castanheiros ingleses, entre campos de tulipas e jacintos tão diversa ela me parece ser das outras mulheres."

A escrita da Julia Lopes é muito boa, mas como é um clássico não dá para dizer que flui facilmente como um romance da atualidade, mas a leitura fluiu bem para mim.



O único ponto que não foi totalmente positivo, na minha opinião, foi o final, achei ele meio ?corrido?, com a resolução de muitas coisas em pouco tempo e com algumas coisas que eu terminei de ler querendo saber mais. Mas nada que tire o brilho da obra em si.

Como é um clássico nacional, o e-book A Intrusa pode ser adquirido gratuitamente no Domínio Público e na Biblioteca Nacional, mas eu sinceramente indico que a leitura seja feita pela edição da Pedrazul, porque eles adaptaram algumas palavras (sem prejudicar o livro), tornando a leitura mais fácil e prazerosa. Além disso, realmente acho que se todo clássico nacional tivesse capas e edições assim, muitas pessoas parariam de ler clássicos ?obrigadas?.


A Intrusa é um livro que veio mostrar a força de uma autora que sofreu certo preconceito no seu tempo e também mostrar que o amor surge das mais inesperadas formas, que nem sempre precisamos de mil palavras ou conhecer a aparência para alguém nos fazer bem, às vezes apenas sentir a presença e zelo é o suficiente.

"Nunca a vi, mas a conheço, adivinhei-a; abstraí da personalidade. Ela é o meu conforto; a minha segurança, a minha felicidade."
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Entrelivros_efilho 10/12/2018

📖❝As asas do tempo têm forte envergadura; não cansam de voar, mas levam às vezes consigo penas que se não mudam, embora fiquem disfarçadas entre outras que vão nascendo...❞

Argemiro é um advogado viúvo há nove anos, tem uma filha de onze anos criada pelos avós maternos e segue firme na promessa que fez a esposa no leito de morte de não se casar e nem amar outra.

Cansado da desordem e gastos desnecessários da casa e de ver a filha ser mimada e crescer sem limites, coloca um anúncio no jornal para contratar uma governanta para colocar em ordem sua casa e ajudar na educação da filha.

Alice Galba tem 25 anos e a única exigência de Argemiro é que os dois nunca se vejam, ele entra e ela sai de cena, e assim que ela começa trabalhar uma súbita mudança na casa já é perceptível, e tudo vai ficando agradável aos olhos de Argemiro, e aos poucos ele vai conhecendo e sentindo a alma dela através de um livro esquecido aberto, uma xicara de chá pela metade que ela precisou abandonar às pressas ao o ouvir chegar.
Será possível viver sob o mesmo teto com uma pessoa sem nunca olhar para ela?

--♡--

Há tempos que não lia um clássico da literatura nacional e também não conhecia a Júlia Lopes de Almeida, uma carioca que além de romancista foi contista, cronista e teatróloga, e quando vi a sinopse dessa obra que é de 1905 fiquei intrigada para saber como seria essa história.

É narrado em terceira pessoa e com toda a formalidade da época, mas a leitura foi mais lenta, mas nada que diminua a beleza dessa obra e apesar da escrita da autora ser cativante e retratar bem os costumes e o papel da mulher na sociedade no final do século XIX, o romance é bem sutil e eu esperava mais, o final é corrido e poderia ter sido mais desenvolvido para podermos assimilar algumas questões que nos deixa curiosos durante a leitura.

É interessante como a autora nos apresenta Alice pelos olhos dos outros personagens, e mesmo assim nos sentimos próximos dela.

A Intrusa tem um gostinho de clássico inglês com personagens marcantes e que nos faz ver o quanto nossa literatura é rica.

Recomendo!


site: https://www.instagram.com/entrelivros_e_filho/?hl=pt-br
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LuizaSH 20/11/2018

Eu vivi uma relação um tanto estranha ao ler esse livro. A leitura em si não me agradou muito, porém fiquei pensando que se houvesse uma adaptação em filme ou série, até novela, eu assistiria e provavelmente iria curtir. Não sei bem explicar esse sentimento, mas foi isso que me ocorreu.
Em alguns momentos eu senti que a autora perdia tempo da narrativa descrevendo cenas que, ao menos na minha opinião, não acrescentavam no centro da história, que era falar sobre o estranho relacionamento entre o patrão - o advogado Argemiro - e a governanta - Alice -, que estipularam no contrato de simplesmente não se verem!
Argemiro é viúvo, fez uma promessa à falecida esposa, em seu leito de morte, de que jamais amaria nem casaria com nenhuma outra mulher. E a sogra do cara faz questão de lembrá-lo disso o tempo todo, a ponto de tomar conta da vida do cara, um comportamento chato até dar raiva, e o Argemiro simplesmente deixa, o sogro também faz nada. O advogado tem uma filha pré-adolescente criada sem lá muitas regras, mas que com o convívio com Alice vai aprendendo um monte de coisas, que só servem para deixar a avó mais paranoica e controladora ainda. E sem falar no Feliciano, empregado folgado que usa e abusa dos bens e do dinheiro do patrão, mas que perde essas suas "regalias" quando a governanta começa a trabalhar na casa e ele passa a odiá-la por isso.
Bem no fim do livro, diria talvez os dois últimos capítulos, até que eu curti um pouco mais, mas já era tarde para o enredo me conquistar.
Janinha 06/01/2019minha estante
Essa sogra é insuportável!




Eduarda 01/10/2018

A vivacidade de uma sombra
Argemiro é um advogado muito ocupado, viúvo há nove anos, que decide dar um basta na desorganização de sua casa – administrada sobretudo pelo ex-escravo Feliciano - e na criação amimada de sua filha Glória pelos avós maternos. Assim, entra na sua vida e na vida de sua família Alice Galba, uma jovem de 25 anos que começa a influenciar completamente o ambiente e a vida do advogado, ainda que ele nunca a veja.

Quem aí já conhece Júlia Lopes de Almeida? Confesso que antes da Pedrazul relançar esse clássico eu nunca havia ouvido esse nome. Uma pena essa carioca - que além de romancista foi contista, cronista e teatróloga – seja tão pouco conhecida.
A história de Alice talvez não agrade a todos, principalmente aqueles acostumados com cenas de romance. E me refiro aqui até mesmo à mais simples delas... um passeio no parque, um beijo na mão, um olhar mais demorado. Não é disso que se trata a história e é essa a maior sacada. Conseguimos torcer por um romance entre duas pessoas que praticamente nunca se viram. Um dos motivos, é claro, é a sogra de Argemiro, o arquétipo perfeito da sogra víbora.
É incrível como a autora consegue sustentar uma protagonista através apenas de relatos feitos por outros personagens. É assim que vemos Alice durante toda a história... ela é uma incógnita não somente para seu patrão, mas acaba sendo também para nós leitores. Júlia Lopes de Almeida mereceria ser louvada apenas por isso.

Mas é claro que o livro é extremamente válido por várias outras razões. Questões levantadas de forma sutil como, por exemplo, o machismo e o racismo que eram praticamente regra em tal época (a história se passa no final do século XIX), a escrita ágil e divertida, os personagens carismáticos e bem construídos. Acho que valem menção aqui o padre Assunção, melhor amigo de Argemiro, e a levada menina Glória.
Eu poderia ficar horas falando desse romance que, mesmo sendo tão curto, é rico em personagens. Num país de Machado e Alencar, A “intrusa” Júlia Lopes de Almeida merecia mais destaque na nossa literatura. Esse livro nos encanta com seu frescor e vivacidade e é nada menos que adorável!

site: http://cafeidilico.com/blog/2018/09/a-intrusa-julia-lopes-de-almeida.html
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Rafaelle 09/07/2018

Maravilhoso
Esse livro foi uma experiência incrível. Primeiro porque eu nunca tinha ouvido falar na Júlia Lopes de Almeida e fiquei triste por uma escritora e mulher tão maravilhosa ter tão pouco reconhecimento aqui no Brasil. Fico feliz por ter tido a oportunidade de ler esse livro!
A história é uma delícia de se ler. Assim como Argemiro, temos muito pouco da Alice nos revelado. Tudo que ficamos sabendo sobre ela se dá através de outros. E mesmo assim podemos perceber porque ele se apaixona pela presença de uma mulher que nunca viu. Ela é incrível de fato.
A história se desenvolve de forma lenta, sendo que o que mais a movimenta é o ciúmes doentio que a sogra tem pelo Argemiro e a obsessão dela em fazer ele cumprir a promessa feita à sua falecida esposa. Senti muita raiva e ao mesmo tempo pena dessa mulher. Ela age de forma odiosa mas é uma mãe que não consegue superar a perda da filha. O marido dela já se mostra muito sensato e senti grande simpatia por ele.
Padre Assunção é outro personagem que me chamou a atenção. Ele é o único que mantém contato com Alice e tentar agir como conciliador perante todos. Logo se percebe que ele guarda um segredo e infelizmente eu descobri muito cedo qual era.
Não há muito o que eu possa falar sobre o livro sem entregar spoilers, então apenas digo que recomendo muito a leitura dele. É rápida, leve, gostosa e nos traz uma visão da sociedade carioca do século XIX. A única coisa que lamentei foi o final tão abrupto. Senti falta de alguns diálogos, porém nada que retire uma estrela da avaliação.
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Alex Nascimentto 17/05/2018

A trama gira em torno de Agemiro, um viúvo rico e advogado, que após a morte de sua esposa leva uma vida de luto e recolhimento. Ele é pai de Maria, uma garota adorável que precisa de uma governanta, já que ele próprio só a vê uma vez por semana. Logo após ser lançado o anúncio no jornal, a jovem Alice, de vinte e cinco anos, chega a casa de Agemiro em busca de emprego, mas a avó da garotinha parece não gostar muito do acontecido nem da maneira como a governanta cuida de sua neta e administra o lar, segundo ela a moça quer roubar o lugar de sua falecida filha. Agemiro está longe dali e nunca sequer viu Alice, mas de certo modo começa a nutrir um carinho e gratidão por tudo aquilo que a moça tem feito em sua ausência. Ele quer a todo custo encontrar com Alice, a intrusa, e realmente conhecê-la de uma forma melhor, só que a sua sogra trama um plano para colocar a moça em maus bocados, causando assim sua partida, mas o viúvo não aceita e faz de tudo para ter sua amada a seu lado, em seu lar. ????????????????????
?? É um romance de época que se passa nas terras cariocas, de início fiquei meio confuso com alguns pontos da estória, principalmente pelo fato da narrativa nos mostrar Alice pelos olhos dos outros personagens. Vale ressaltar que a presente obra foi escrita em 1905, e que vem atraindo muitos leitores, pois é um livro muito bom e questionante! ????????????????????
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Daniel 25/01/2018

Uma intrusa que não te dará sossego antes da última página
Resenha no link abaixo!

site: https://blogliteraturaeeu.blogspot.com.br/2018/01/a-intrusa-de-julia-lopes-de-almeida.html

Léo 29/01/2018minha estante
Li e me empolguei mais pra adquirir meu exemplar e claro começar a ler!


Daniel 29/01/2018minha estante
Leia, Léo! Depois desse livro, sou fã assumido de Júlia Lopes de Almeida rs. Tentarei ler "A Falência" ainda este ano.




Luci Eclipsada 31/08/2017

Grata intrusão
Romance é um gênero da literatura surgido no século XVII e que rapidamente popularizou-se entre os que apreciavam a leitura de livros. Entre suas características podemos destacar a maneira híbrida como uma trama pode ser facilmente composta pela manifestação de outros gêneros textuais, como: novelas, cartas, narrativas de viagem e assim por diante; além, também, de possuir estilos e linguagens variadas.
O fato é que o Romance tal qual o conhecemos veio evoluindo e se reinventando através de subgêneros menores hoje tão utilizadas quanto à época em que foram criados. Assim, partindo do pressuposto de evolução do romance e o surgimento de subgêneros dentro deste grande gênero, temos o Romance Urbano, ainda chamado de Romance de Costumes, que nada mais é do que o romance que retrata uma determinada esfera social onde reproduz, por meio das palavras, os costumes da sociedade sem deixar de tecer críticas aos hábitos sociais. Dentro da literatura, este subgênero do Romance está ligado a Escola Literária Realista (Realismo) do século XIX, onde o narrador se coloca na trama como uma espécie de observador de seu tempo, enfatizando conflitos amorosos e problemas socioeconômicos.
No Brasil temos grandes escritos que representam com maestria o Romance Urbano/Costume, tais como José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo; mas, estes escritores são mais que conhecidos e consagrados; agora, o que pouca gente sabe é que temos entre esses grandes homens uma igualmente grande mulher, a desconhecida Júlia Lopes de Almeida, contista, romancista, cronista, teatróloga e, infelizmente, relegada a uma quase não existência sabe-se lá por qual razão.
Felizmente ainda é possível encontrar alguma coisa, bem escassa, produzida pela escritora e disponível na internet, além de alguns parcos títulos à venda em sebos; porém, também podemos nos deliciar, ao menos um pouco, com o fato de uma editora, ainda que pequena, ter se dedicado a lançar no mercado um dos romances de costume mais interessante que você lerá atualmente: A Intrusa (Editora Pedra Azul, 2016: 232 páginas).
No referido romance, o leitor é transportado a uma Rio de Janeiro do século XIX onde se concentra, praticamente, toda a elite brasileira da época já que esta era a capital da recém-instaurada República com suas grandes diferenças sociais. Na trama de Lopes, um rico, bem-sucedido, bonito e viúvo advogado, que prometera jamais casar-se novamente, decide contratar uma governanta para tomar conta de seu lar e, consequentemente, ensinar um pouco de bons modos a filha mimada que mora com os avós maternos, mas que vez ou outra desfruta de sua companhia. Apesar das críticas que recebe por cogitar inserir em seu lar uma mulher qualquer para cuidar de suas coisas e de sua filha, o advogado leva a ideia adiante e contrata, sob a condição de jamais ter contato com sua governanta, Alice Galba, uma jovem misteriosa que se mostrará muito acima das expectativas do advogado que, com o passar dos meses, começa a nutrir pela mulher, ainda que inconsciente, certa admiração, o que irá instigar o ciúme exagerado de sua ex-sogra que não admite em hipótese alguma que o ex-genro descumpra a promessa de nunca mais se casar feita a sua filha no leito de morte.
O Romance de Lopes consegue trazer todos os elementos dos romances urbanos que conhecemos, mas sob a ótica de uma mulher/escritora que com o olhar muito acurado de sua época consegue, mesmo sutilmente, pincelar questões sociais muito pontuais ao longo de todo romance, como o preconceito de uma sociedade predominantemente patriarcal e machista que era incapaz de ver com bons olhos uma mulher independente sem imaginar malícia por de traz de sua conduta.

"Não duvide! Uma governanta de casa de um viúvo só, vinda por anúncio de jornal... de ter ao menos um defeitozinho, e olha que o da curiosidade é quase virtuoso [...]" (p.129)

O preconceito racial enraizado na sociedade é outra questão levantada, prova disse é o personagem Feliciano, um negro que não apenas rejeita sua condição como exterioriza sua ira por ser quem é: negro.

"Revoltado contra a natureza que o fizera negro, odiava o branco com o ódio da inveja, que é o mais perene. Criminava Deus pela diferença das raças. Um ente misericordioso não deveria ter feito de dois homens iguais dois seres dessemelhantes.
Ah se ele pudesse despir-se daquela pele abominável, mesmo que a fogo lento, ou a afiados gumes de navalha, correria a desfazer-se dela com alegria. Mas a abominação era irremediável. O interminável cilício terminaria até que, no fundo da cova, o verme pusesse nua a sua ossada branca..." (p. 137)

De tudo o mais que o romance trata, temos uma brevíssima pincelada, também, nos aspectos políticos da nova república, uma questão que era de grande interesse da autora, mas que em A Intrusa não foi aprofundado, apenas representado pela inserção de dois personagens políticos dentro da trama que entre uma conversa e outra com o advogado Argemiro, por exemplo, fazem alusão as manobras políticas a que estão sujeitos para atingirem seus objetivos.

"[...]A ação de governar vai se tornando cada vez mais perigosa nesta terra... Nós temos maus auxiliares e o povo tem má fé... A oposição,m agora, serve-se de todos os meios para impedir-nos os passos, usando das asmas mais pérfidas, que são as do ridículo e as da calúnia..." (p. 118)


Enfim, Júlia Lopes de Almeida nos mostrou com este pequeno grande romance que é A Intrusa, o quão rica a literatura nacional teria sido se a mulher tivesse tido meios de produzir escritos ao invés de ter sido durante tanto tempo relegada a subserviência do lar, não que ser dona de casa seja algo ruim, longe disso, mas a mulher pode ir muito mais além disso. Veredito final: livro recomendado fortemente a todos e todas desejosas de livros escritos por grandes figuras femininas.

site: http://conformealetra.blogspot.com
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Lê Golz 21/03/2017

Lindo! Simplesmente amei!
A intrusa, publicado pela Pedrazul Editora, é um clássico da literatura nacional. Aqui vamos conhecer Argemiro, advogado, viúvo há anos, mas ainda jovem e cobiçado para casamentos. Ele já não mais suporta a desordem que anda sua casa e os abusos que seu ex-escravo Feliciano têm feito por lá. Além disso, sua filha Glória de apenas 11 anos cresceu mimada e sem modos na casa de seus sogros, onde a avó materna faz todas as suas vontades. A medida que ele tomou, mesmo sendo tão criticado, foi contratar uma governanta para colocar ordem em sua moradia e educar sua filha. A única condição dada a ela era que nunca os dois se vissem - cada vez que ele chegava em casa, ela se escondia. E assim, Alice Galba foi contratada e em pouco tempo mudou totalmente o ambiente. Além de mudar os modos de Glória, tratou de cortar os gastos excessivos feitos por Feliciano, tornou a deixar o jardim, a mesa posta, as roupas, os móveis, todos com uma organização e limpeza impecáveis. Com o passar dos meses, Argemiro se admirava mais pela alma de Alice, a quem não via, mas podia sentir, e começava a desejar conhecer-lhe o rosto. Porém, teria muito ainda que lidar com as artimanhas da sogra ciumenta, já que prometeu a sua falecida esposa no leitor de morte, que jamais voltaria a se casar.

A obra possui, claro, a formalidade da escrita da época, mas pode facilmente ser compreendida devido as pequenas mudanças feitas pela Editora para o melhor conforto do leitor. O resultado foi uma leitura muito envolvente e prazerosa. Viajamos pelas ruas do Rio de Janeiro, onde a realidade da sociedade da época é citada com sutileza. Negros que foram recém libertados, como Feliciano, a política - tão relevante nas conversas dos homens -, a nobreza, as mães casamenteiras, o sacerdócio como o de Padre Assunção e, claro, o papel e posição da mulher sempre julgada por qualquer deslize. Amei todo esse retrato como pano de fundo para essa história tão cotidiana e levemente romântica.

Quem acha que não é possível se divertir com um romance clássico está enganado. O que não faltou nessa obra foi diversão para mim. Foi muito cômico acompanhar os pensamentos da sogra de Argemiro, esse coitado, preso a uma promessa feita para a esposa no leito de sua morte. A sogra tão ciumenta pelo genro e pela neta que só sabiam falar bem de Alice, foi o ponto alto da história para mim. Além disso, Feliciano, o ex-escravo de Argemiro, um mexeriqueiro e espertalhão, vivia causando intrigas e cutucando ainda mais a situação. E no meio disso tudo, o Padre Assunção, tentando mediar as ocorrências, mas guardando só para si o respeito que já tinha pelas mudanças feitas por Alice. Com tantas situações cômicas é impossível não apreciar a história e se deliciar com os personagens. E, enquanto acompanhamos todos os personagens, a participação de nossa protagonista Alice foi feita um tanto rebuçada na história, revelando-se apenas ao que os outros falavam sobre os feitos dela. Isso rendeu um ar de mistério ao livro, pois a autora despertou sutis desconfianças se Alice era assim mesmo tão perfeita ou escondia algo comprometedor. Genial a forma com que foi desenvolvido tudo isso. Ao mesmo tempo, o que mais gostei foi acompanhar a curiosidade de Argemiro por conhecer sua governanta e o quanto ele já sentia por ela sem nem perceber. Isso me deixou com muita expectativa para o encontro deles.

"E o que me delicia é sentir a alma dessa criatura, que aqui tenho debaixo do meu teto, sem que nunca os meus olhos a vejam nem de relance... Ela se esconde, ao mesmo tempo em que se espalha pela casa toda. É a mulher-violeta, positivamente, não há outra comparação!". (p. 74)

Não espere de A intrusa romantismo em demasia. O romance aqui é bem sútil, mas tão bonito! Argemiro nunca vê sua governanta, mas pode senti-la, como se conhecesse sua alma. Isso é lindo! Atualmente, as pessoas estão tão acostumadas em ler casais que se apaixonam depois de uma incontrolável atração física, que estão tão presentes de corpo e muitas vezes ausentes de espírito. Por que não um amor que nasce apenas pelo sentir (presença), sem ver ou tocar (físico)? Tenho certeza que o final vai agradar os apaixonados por romances com uma aguçada percepção dos verdadeiros sentimentos. Um clássico nacional que pode deixar muitos livros estrangeiros do gênero no chinelo. Simplesmente amei!

site: http://livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br/2017/03/resenha-intrusa.html
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Viver e Ler 19/02/2017

Um Clássico Nacional
Enquanto lia A Intrusa, cada vez que avançava na história, eu consegui passear pelo Rio de Janeiro no final do século XIX, senti os aromas das ruas, os sabores e os costumes, me vi nas roupas de época. Sim tem um vocabulário bem específico, afinal essa grande escritora foi nascida em 1862. Comprei esse livro por ser uma escritora brasileira e quis saber um pouco mais dessa mulher que foi a frente do seu tempo e não posso de maneira nenhuma deixar de falar que a Editora Pedra Azul, sempre faz uma grande apresentação do escritor que está apresentando em cada livro. Realmente é um clássico nacional a moda europeia.
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