Ulisses

Ulisses James Joyce




Resenhas - Ulisses


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Sergio 11/11/2020

O começo da Época Maior Merda.
Cento e três membros da Sociedade Desvairada para o Progresso da Inconsciência decidiram dar a essa coisa o título de genial, mesmo faltando começo, meio e fim, fundamentais, reconhecidamente, pelo menos, desde Aristóteles.
E não é que esse livro desnecessário marca o começo do fim do homem: mundo e vidas feitos de cacos de nada pegajosos e tagarelas?
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jota 24/08/2020

Avaliação do livro: 5,0/5,0 (obra-prima da literatura universal); avaliação da leitura: 3,0/5,0 (difícil, densa, complexa etc.)
Vale a pena ler Ulysses? Depende. Vale pela experiência da leitura, por saciar a curiosidade de se ter em mãos um livro sem igual na história da literatura universal. Mas aproveitar completamente seu texto, como fizemos com, por exemplo, Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski ou José e Seus Irmãos, de Thomas Mann, obras também bastante volumosas, é outra história. No início, a Nota do Tradutor, Caetano Galindo, até que deixa o leitor um tanto animado diante das dificuldades que virão, sabendo ainda que para auxiliá-lo pode contar com outro volume, escrito pelo próprio Galindo, Sim, eu Digo Sim: Uma Visita Guiada ao Ulysses de James Joyce, o único que temos em português até o momento. Mas depois, ao ler a longa e erudita Introdução do professor irlandês Declan Kiberd nosso entusiasmo (pelo menos o meu) arrefece um tanto e ficamos com aquela sensação de que Ulysses será uma leitura não exatamente prazerosa, mas bastante árdua (o que já sabíamos há tempos, convenhamos). É hora de prosseguir ou desistir, ficar com outras obras de Joyce, menos difíceis, como os contos de Dublinenses ou o romance Retrato do Artista Quando Jovem. Mas prosseguimos...

A história narrada em Ulysses é a de um dia, uma quinta-feira, 16 de junho de 1904, na vida de Leopold Bloom. Um irlandês comum, “filho, pai, amante, amigo, trabalhador e cidadão”, ao mesmo tempo um dos personagens mais conhecidos e estudados da literatura universal. Um homem comum: assim também é como Anthony Burgess, o autor de Laranja Mecânica, vê Ulysses e os demais personagens criados por James Joyce (1882-1941), cuja obra ele analisou em Homem Comum Enfim (Companhia das Letras, 1994). Um homem comum que tem, no entanto, seu dia contado através de uma narrativa mutante, complexa, incomum. Extremamente incomum não apenas para a época em que o livro foi escrito (entre 1914 e 1921) mas ainda em nossos dias. Tanto que desde que foi lançado em 1922 inúmeros estudos sobre ele têm sido publicados mundo afora.

Em Ulysses não se encontra (quase) nada daquela escrita tradicional a que estamos acostumados, das histórias com começo, meio e fim tudo certinho, mas uma torre de Babel narrativa, uma montanha-russa de informações e dados com inúmeras alusões à literatura grega, à Bíblia, a Shakespeare e outras fontes, muitas fontes, diversas delas citadas em francês, italiano, alemão, gaélico, hebraico, latim etc. Predominam como formas de expressão dos personagens principais o fluxo de consciência, o monólogo interior, não há distinção precisa entre o que seja descrição, narrativa ou ação: é tudo junto e misturado. Portanto, ler Ulysses não é fácil, entendê-lo completamente (para mim) parece impossível. Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, muitos críticos elegeram o livro de Joyce como a obra literária mais importante do século XX. Por sua modernidade, por ser inovadora, revolucionária e plena de palavras (algumas inventadas, outras juntadas etc.), expressões e frases de duplo sentido, majoritariamente sexual, muitos palavrões cabeludos e um tanto de escatologia. Um exemplo apenas: o escritor (fictício) favorito da personagem Molly Bloom, é um tal Paul de Kock (“Nome bonito que ele tem.”, diz ela ao marido). Entendeu? Falando ainda em Molly, seu monólogo interior, a parte final de Ulysses, é a melhor de todo o livro, a afirmação da figura feminina, que até esse ponto não tinha papel central na história.

À altura do personagem-título de Joyce estariam, para alguns críticos, apenas os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust (1871-1922), publicados entre 1913 e 1927. Em listas dos melhores livros de todos os tempos, não apenas do século passado, Joyce e Proust costumam perder para Miguel de Cervantes e seu Dom Quixote. Todavia, para o tradutor Ulysses talvez seja mesmo o maior de todos os romances publicados até hoje. Galindo não está falando do número de páginas, evidentemente, que é extenso, apenas deseja que os leitores não vejam em Ulysses somente um quebra-cabeças exemplar, mas um romance de fato. Porém, são tantas as charadas, as dificuldades de entender certas passagens (ou a maioria delas) que o leitor comum encontra em sua leitura, que o romance fica parecido, sim, com um grande jogo montado para divertimento do próprio Joyce e de algumas pessoas de seu círculo em Dublin, capazes de decifrar todos os enigmas que o livro apresenta ou a maioria deles. Claro que não é isso, mas...

Em Doutor Pasavento (Cosac Naify, 2009), Enrique Vila-Matas escreve que “A literatura consiste em dar à trama da vida uma lógica que ela não tem.” Parece uma frase bastante apropriada para quase todos os livros comuns que lemos, mas parece também que em Ulysses Joyce fez exatamente o contrário: o que havia de lógico (ou ilógico, contraditório, curioso etc.) na vida de Bloom, Molly ou Dedalus, pessoas comuns vivendo histórias comuns que poderiam acontecer com qualquer um, torna-se aqui um quebra-cabeças denso e complicado em que o leitor tem de se esforçar muito para juntar as peças e entender alguma coisa do que é contado. Não apenas o leitor, especialistas e críticos também. Senão não haveria tantos livros, teses e artigos tentando explicar um livro que parodia a Odisseia homérica, que “reconstrói” o clássico grego. É a história em cíclica repetição, como se fosse um ”eterno retorno” nietzschiano, mas com várias diferenças agora: Leopold Bloom aparece como um moderno Odisseu (em grego; Ulisses em latim), sua mulher Molly (Marion Tweedy, na verdade) seria Penélope e o amigo Stephen Dedalus (o alter ego de Joyce) pode ser visto como Telêmaco. E assim por diante com os demais personagens. Tudo mais ou menos assim, não exatamente semelhante conforme se passou com a narrativa homérica, transportada por Joyce para a Dublin do início do século XX.

Se Odisseu levou dez anos para voltar a Ítaca após a guerra de Troia (mesmo tempo que Galindo levou para traduzir o livro), Leopold Bloom gasta cerca de dezesseis horas perambulando por Dublin antes de voltar para o número 7 da Eccles Street, sua residência. Naquela quinta-feira, 16, Molly, a moderna Penélope, esperava não exatamente a volta do marido para casa, mas a visita do amante à tarde. Stephen Dedalus não sai à procura de Bloom como Telêmaco saiu à procura do pai, eles se encontram pela cidade. Ao contrário da história original, é Bloom (Poldy, para a mulher, diminutivo de Leopold) que busca encontrar no jovem escritor o filho que morreu logo após o nascimento. E se Molly Bloom, esposa, mãe e cantora lírica, também não é um modelo de fidelidade e virtudes, como foi Penélope, que ficou esperando o herói Odisseu tanto tempo, o marido tampouco tem algo de grande herói, é um homem comum como já foi dito (mas com alguns hábitos estranhos; segundo um acusador, Bloom guardava para contemplação um pedaço nojento de papel higiênico usado por uma prostituta). Ele é apenas um agenciador de anúncios em Dublin, filho de pai judeu e mãe católica: isso importava muito para alguém vivendo num mundo católico, o irlandês.

Joyce pretendia que Leopold Bloom, com todas as suas fraquezas e qualidades, representasse os múltiplos aspectos de cada ser humano, quer dizer, da humanidade. Por isso é que seu personagem não é um homem exatamente viril (tolerava as corneadas que Molly lhe dava, entre outras fraquezas), porque Joyce acreditava, conforme o professor Kiberd, que ele, Leopold, poderia ser o homem andrógino do futuro, com comportamento masculino e feminino perfeito. Mas enquanto isso não ocorre, Bloom, o andrógino imperfeito, inicia seu dia joycianamente. Perambula pela cidade, vai a diversos lugares, a um enterro, mais tarde a uma maternidade, depois a um prostíbulo, relembra ou imagina coisas, conversa com diversas pessoas, observa outras, caminha com Stephen Dedalus pelas ruas etc. Não quer voltar cedo para casa, daí que seu dia é uma verdadeira odisséia por Dublin. E a razão disso tudo, de não querer regressar cedo, é que ele espera que Molly esteja dormindo quando chegar. O motivo? A relação entre os dois não vai bem: Bloom sabe que a mulher, que é bela e admirada por muitos homens, o está traindo com seu empresário (dela, que é soprano, como foi dito antes). Nisso Molly é o oposto da fiel Penélope de Homero: é assim que Joyce nos apresenta a mulher de Bloom. E isso é um jogo, uma brincadeira do autor para com o leitor, entre tantas outras que o livro traz. Joyce faz isso com todos os seus personagens, apronta para o leitor brincadeiras, charadas, enigmas. Dessas coisas o livro está cheio e nem sempre (quase nunca, na verdade) é fácil decifrá-las sem ajuda.

Então é preciso ter em mente que sem algum (ou muito, depende) conhecimento prévio a leitura de Ulysses não irá muito longe, ficará extremamente difícil, complicada, aborrecida. Há gente que recomenda ler não apenas a Odisseia, de Homero, Hamlet, de Shakespeare, Dublinenses e Retrato do Artista Quando Jovem, do próprio Joyce, mas também uma introdução à literatura joyciana como o livro de Anthony Burgess, Homem Comum Enfim, ou o guia do próprio tradutor, Sim, eu Digo Sim, já citado. Foi o que usei: antes de ler cada episódio de Ulysses lia o capítulo correspondente no guia de Galindo. Ajudou um tanto, deu para entender o significado geral da obra e alguma outra coisa, mas o guia não traz explicação para tudo, como o próprio autor reconhece:

“Este livro não é um tratado acadêmico sobre o Ulysses. Ele também não é a chave de todos os enigmas nem a fonte de todos os dados. Foi inteiro pensado para o “leitor comum” e prefere partir do princípio de que o Ulysses — complexo, denso etc. — de certa forma ainda padece por causa dessas reputações. Elas são todas verdadeiras, reconheçamos, mas talvez tenham obscurecido outros méritos e outros atrativos. A ideia básica aqui é a de que todo leitor interessado em literatura de qualidade tem a capacidade e o direito de passar pela experiência profundamente transformadora que é a leitura do romance de Joyce. E não apenas os especialistas. E não somente os obcecados por charadas e estruturas.”

Para finalizar, falando em textos complexos, charadas, enigmas e quetais, há pouco me lembrei de um conto de David Foster Wallace (de quem Galindo traduziu Graça Infinita em 2014) do livro Breves Entrevistas com Homens Hediondos, Datum centurio, que me pareceu mais a descrição de um disco rígido, um DVD, uma listagem de um programa de computação, ou coisa parecida, não me recordo bem (li faz alguns anos), do que propriamente uma peça literária. Ainda que não longo, foi o texto de leitura mais desagradável do volume, o mais difícil de chegar ao final, o mais hediondo. Perto dele Ulysses até que é um tanto palatável, e além de tudo tem aqui e ali pitadas de humor, zombaria e diversas curiosidades e esquisitices que amenizam nossa leitura, sem o que ela poderia ser encarada como algo parecido com um pé no saco do leitor. Do leitor comum, eu.

Lido entre 31/07 e 24/08/2020.
Itin | @onlyforbooks_ 24/08/2020minha estante
To me preparando a alguns anos pra ler esse livro hahaha


jota 25/08/2020minha estante
É bom mesmo ir se preparando. Só fui até o fim na terceira tentativa...


André 28/08/2020minha estante
Maravilhosa resenha, um dia ainda lerei esse bonitão! hahah


jota 28/08/2020minha estante
Grato. Com muita paciência e alguma ajuda dá para ler sim! Já apreciar (entender) tudo é uma outra história. Mas vá em frente.


Paulo Sousa 31/08/2020minha estante
Estupenda análise, seu moço! E eu li Dublinenses e, sinceramente, posso viver sem o Joyce...hehehe...


jota 01/09/2020minha estante
Grato! Todos nós podemos se temos um Grande Sertão: Veredas.


Karamaru 01/09/2020minha estante
Adorei sua resenha e o critério utilizado para a avaliação do livro. Parabéns!


jota 01/09/2020minha estante
Grato!


Karamaru 02/09/2020minha estante
?




Moises Celestino 13/08/2020

Revisão deste clássico...
Concordo integralmente que "Ulysses", como entretenimento literário é mesmo difícil de compreender e de ser lido até o fim. Confesso que já pensei também em abandonar a leitura, mas decidi ir até o final da mesma. Trata-se de paródia de altíssima complexidade, meticulosa e meramente figurativa. O autor simplesmente elaborou uma obra desafiadora adaptando a Odisseia de Homero, condensando a viagem aventurosa de Odisseu pelo mundo helênico no regresso da Guerra de Troia à ilha de que era rei, Ítaca, e onde havia ficado a sua esposa, a rainha Penélope. Cheguei á seguinte conclusão de que James Joyce criou um livro revolucionário no estilo e na concepção. Mas, só quero deixar bem claro aos amigos e amigas do Skoob que (ainda não leram o romance na íntegra) este "Ulysses", na minha modesta opinião, não é um livro adequado para quem se queira iniciar na literatura.
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Bbortolotti 28/07/2020

Mais um feliz leitor a ter escalado o Everest da literatura
Sim, Ulysses é um grande desafio de leitura para quem está acostumado com romances mais convencionais, linguagem mais simples, personagens nem tão complexos. E mesmo comparado com grandes livros da literatura ocidental, Ulysses é difícil. Contudo, deixem essa fama de leitura impossível de lado. Impossível pra mim é eu, como leigo, ler os livros do Kant ou do Heidegger, isso sim. Mas Ulysses? É um romance, uma história e com uma trama relativamente simples: personagens circulando, interagindo, conversando, bebendo, transando, refletindo durante 18 horas na cidade de Dublin. É simples assim. A riqueza e a beleza do livro estão, no entanto, na linguagem revolucionária de Joyce. Justamente o ponto mais difícil do livro é também o mais fascinante. Se você está acostumado com diálogos, narrações em primeira ou terceira pessoa ou mesmo o famoso discurso indireto livre, prepare-se para uma experiência de leitura radical. Por vezes você vai se sentir num bar em Dublin com um pint de Guiness e várias vozes falando ao mesmo tempo, outras vezes você vai se perder em monólogos profundos e dissonantes, como o famoso capítulo de Molly Bloom, ou mesmo um flâneur caminhando e observando cotidianas ocorrendo simultaneamente pelas ruas de Dublin.

Dito isso, posso falar das minhas maiores dificuldades nesse tortuoso e prazeroso trajeto de Ulysses.
A primeira é a própria linguagem. Como Joyce a todo momento brinca com estilos, joga, experimenta, por vezes a leitura exige muito. Você está acostumado com uma forma de narrar e ele muda, muda de novo e de novo e de novo. Isso, para quem não está acostumado com romances modernistas ou obras mais vanguardistas, pode virar um grande empecilho para seguir no livro. Mas não se deixe abater, essa experiência mais blasé em alguns momentos da leitura é também algo que faz parte da própria simulação da experiência fragmentária da modernidade. Você vai se perder e se achar em vários momentos na Dublin de Joyce.

A segunda dificuldade e a mais árida pra mim foi a enorme quantidade de referências. Tenho certeza que há muitas coisas em Ulysses que só um irlandês que conheça a história do país vai conseguir pescar. Há também várias referências de livros, autores , e experimentações comlcom vários gêneros literários. Por fim, há várias citações, poemas e frases em outros idiomas. O Google pode ajudar, mas não se preocupe porque provavelmente você vai passar longe de entender todas as referências.

Há alguns outros desafios como o fato do livro ser longo, às vezes parecer monótono, mas não se engane, isso é algo bem tranquilo de superar. Insista.

Posso dizer com toda sinceridade que esse livro merece ser relido por mim. Parece ser um livro inesgotável e que sempre vai trazer várias novas percepções. Quem sabe posso relê-lo talvez num Bloomsday?
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Etiene ~ @antologiapessoal 06/06/2020

Ulysses | James Joyce | Modernismo
Ulysses. Essa foi a primeira palavra que digitei para começar esse texto. Claro, é o título, não é mesmo? Então o cursor ficou piscando e me encarando por um bom tempo até que eu encontrasse do que mais falar. E encontrei tanto! Seja nas temáticas que aborda, seja na escrita inventiva do autor, ele não tem fundo. Ulysses é inesgotável! Antecipo: aqui você não encontrará descrição de cenas ou resumo da história. A impressão que me marcou de verdade é a impressão que quero deixar para vocês da obra: é um livro e precisa ser encarado dessa forma. Um objeto-livro que está aqui para ser usado. Mas acontece que, infelizmente, ele é apenas conhecido. Conhecido por muitos e lido por poucos.

Se sabe que James Joyce usou a Odisseia de Homero como uma espécie de molde para também a jornada de Leopold Bloom de volta para sua casa. Para mim foi absolutamente tranquilo avançar nas páginas estando livre desse pré-requisito - salvo uma pesquisa aqui e acolá, é claro. Se você quer ler a Odisseia antes, ótimo. Mas não a use como um impedimento. Ela não é. Seria também uma dolorosa e insuportável quebra de ritmo buscar um significado obscuro sobre as metáfora escritas, algumas até usadas pelo próprio autor como provocações aos leitores que buscarão por todas e cada uma delas. (?Querido leitor, dedique sua vida à minha obra, mas saiba que algumas coisas nessa vida simplesmente não possuem explicação lógica. Um abraço. JJ.?). E sabe de mais uma coisa? O autor levou sete anos para escrever esse livro e eu não poderia querer lê-lo em uma semana! No fim das contas demorei quatro meses. Estamos diante de um livro sobre um dia, mas que fica conosco a vida toda.

Seria, então, absurdo ouvir que um livro de mil páginas narra o tempo de somente um dia. No entanto, a saga dos personagens joyceanos é sobretudo mental. Afinal, quantos pensamentos passam por nossas cabeças ao longo de um único dia? Para onde viajamos? Com quem esbarramos? De quem nos despedimos? Sob essa perspectiva não me parece absurdo de modo algum que o escritor tenha tanto o que narrar durante um único dia.

Ao longo da minha leitura, ouvi repetidas vezes dizerem que seria um livro difícil, até mesmo impossível de ser concluído. Mas, escutem, ele foi escrito sobre o irlandês para o irlandês, sobre nós para nós! Óbvio que necessita de dedicação e de atenção. É uma obra experimental em suas formas linguísticas, o autor cria palavras, escreve os sons, quer trazer a língua falada pro texto escrito e é genial em sua tarefa. A ambientação da obra é extremamente difícil, especialmente por estarmos acostumados, enquanto leitores, que um escritor entregue cenas esmiuçadas em vários detalhes. Mas aqui você precisará de coragem para avançar na cena e só depois se encontrar nela. Para perceber onde e com quem estava eu precisei seguir em frente.

O modo moderno de encarar as relações emocionais, de encarar a nós mesmos e nossos questionamentos, é veloz e efêmero, é mastigado e compartimentalizado. É assim. E, talvez, muitos de nós não estejamos dispostos a dedicar tempo a livros como este porque, em primeiro lugar, não somos capazes de dedicar tempo nem mesmo para compreender o nós. Ulysses trata das falsas relações sociais que acontecem no trabalho; de amores fora do casamento; trata da paternidade de forma muito ramificada através de Bloom e Dedalus, individualmente e entre os dois; escacara o leque de desejos sexuais que, pasmem!, as mulheres possuem - na contramão do que historicamente foram ensinadas a sentir e ser dentro da sociedade. Então, se digo que não entendi Ulysses arrisco, lamentavelmente, não ter entendido nada também sobre mim e meu mundo.

Não foi o melhor livro que já li, mas foi um dos livros que, definitivamente, mudou a minha vida. Amadurecer enquanto leitora nesse processo foi a maior recompensa de Ulysses. Foi cansativo, houve muitas páginas confusas e que precisaram (e precisam!) de releitura, mas apenas agora, depois de semanas finalizado, consigo me sentir na exclusiva e confortável posição de quem o leu.

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"Ulysses te dá de volta exatamente o esforço que você deposita nele." - Declan Kibers.
Andreas Chamorro 19/06/2020minha estante
Que texto!


Etiene ~ @antologiapessoal 19/06/2020minha estante
resultado de: Que livro!




|Cinara|@cinarasrv 05/06/2020

"Caminhamos por nós mesmos, encontrando ladrões, fantasmas, gigantes, velhos, rapazes, esposas, viúvas , bonscunhados . Mas sempre encontrando a nós mesmos."

Minha nossa James Joyce, imagino você rindo muito dos seus leitores :O
Neste livro você encontra frases que faz você querer chorar de tão lindas e outras tipo :
"Com a mitra adornada e com báculo instalado em seu trono, viúvo de uma sé enviuvada, com omofórion ereto, retaguarda coagulada."

Ulysses, me fez rir, me emocionou, me deu ódio, foi uma bagunça na minha cabeça que só quem leu consegue entender, Ulysses te ataca de todos os lados...
Do nada você começa a ler sobre a troposfera e a estratosfera e depois segue a vida... hahaha ;)


Sentirei saudades do Bloom, e eu gosto sim do Stephen não tenho a mesma visão que a maioria tem dele :) Gostei de estar dentro da cabeça do Stephen !

Meu capítulo favorito foi o último o Penélope, o fluxo de consciência da Molly e o que mais odiei de bagunça foi o Gado ao sol.


Que ousadia Senhor Joyce, uma afronta! Hahaha
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Jé Cerqueira | @contudoeentretanto 14/04/2020

A experiencia de ler Ulysses
Ulysses é totalmente ligado ao poema épico de Homero, “Odisséia”. O que Joyce faz é uma releitura das características do poema, uma espécie de paródia no estilo de fluxo de consciência. Joyce vai espelhar em seu livro todos os episódios da história de Odisseu, os 10 anos que levou para voltar a Ítaca após a queda de Tróia. Bloom é o Ulisses de Dublin, que vai levar 1 dia inteiro de procrastinação para voltar para casa pois suspeita que sua esposa irá se encontrar com seu amante. Sendo assim, o livro TODO se passa em apenas um dia.

O autor também vai parodiar com muitos assuntos pertinentes a época em que o livro foi escrito, como por exemplo o antissemitismo que pairava no pré-guerra, as relações sociais, nacionalismo, adultério, sexualidade, intelectualidade, morte e claro, a narrativa.

É um livro com muita informação histórica, política e cultural. Além de algumas menções de acontecimentos ou personagens de outras obras do Joyce, como “Dublinenses” e “Retrato do artista quando jovem”. Sem contar que também é uma espécie de autobiografia parodiada. Joyce vai espelhar aqui acontecimentos de sua vida.

A narrativa do livro é totalmente inovadora, Joyce vai experimentar diversas formas linguísticas em torno do fluxo de consciência, vai colocar muitas referências históricas, intelectuais que deixam a leitura bem repleta mas ao mesmo tempo lenta.

Grande parte da minha dificuldade com fluxos de consciência, e principalmente em Ulysses é a ambientação das cenas. Estamos acostumados a ter descrições de ambientes de mão beijada, e neste livro isso não acontece. A ambientação é diferente, são apenas flashes do ambiente, e na grande maioria, andanças pelas ruas de Dublin com nomes dos locais e comércios. Só percebemos onde a personagem está depois de um bom tempo na cena.

O fluxo de consciência é presente em todo o livro e tem suas variações. O fluxo da vida a consciência e inconsciência da personagem e do livro, que também parece ser consciênte. Devido a isso, emoções, ações e ambientações estão todas entremeadas no texto ao mesmo tempo, necessitando de muita atenção pois qualquer detalhe pode passar batido, e na maioria das vezes esse detalhe vai fazer falta lá na frente.

Os diálogos são, na maioria das vezes jogados no texto, os assuntos não tinham um começo, sempre pegamos o bonde andando, pois o fluxo de consciência está em constante movimento. O enredo dos diálogos possuíam diversas referências, muitas delas eu não peguei, outras Joyce ironiza, tira um sarro do leitor, intelectualiza algo só para parodiar.

...

A RESENHA COMPLETA VOCÊ ENCONTRA NO BLOG

site: https://contudoeentretanto.com.br/resenha-ulysses-de-james-joyce/
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Quero Morar Numa Livraria 28/03/2020

Ulysses, James Joyce
No poema épico de Homero, Odisseu é o herói que enfrenta uma série de desafios no retorno à Ítaca. Após 20 anos (dez na Guerra de Tróia), tem de entrar disfarçado em sua própria casa e matar os pretendentes de Penélope, a esposa que lhe aguarda. No texto experimental do irlandês James Joyce, Ulysses (nome latino de Odisseu) ganha vida na pele de Leopold Bloom, filho de um judeu húngaro.

Como na telemaquia homérica, os episódios iniciais de Ulysses acompanham as primeiras horas do dia de Stephen Dedalus. Alter ego de Joyce e velho conhecido do leitor desde ?O retrato do artista quando jovem?, o intelectual acaba de retornar de Paris para a despedida da mãe morimbunda.

Em cena com Leopold Bloom, acompanhamos aproximadamente 18 horas de suas idas e vindas pelas ruas de Dublin. O livro é dividido em 18 episódios com estilos diferentes, desde o romance convencional ao fluxo de consciência pesado e outras invencionices.

Bloom tem 38 anos, é casado com Molly e é pai de Milly e Rudy, um menino de 11 dias morto há 11 anos, como Hamnet, filho de William Shakespeare. A questão da descontinuidade masculina para Bloom é imensamente dolorosa e permeia toda a narrativa. Poldy, como é chamado pela esposa, prolonga o seu dia fora de casa, pois na tarde de 16 de junho de 1904 (data do primeiro encontro de Joyce com a esposa), Molly receberá seu amante.

Os personagens são mais complexos do que isso. Bloom não é apenas um marido traído, estranho em sua própria casa, estranho em seu próprio país. No encontro com Stephan Dedalus, Poldy assume, ainda que por poucas horas, a paternidade perdida.

Inesgotável em sua grandeza, Ulysses (publicado em 1922), é objeto de leituras e releituras em andamento por toda a vida. O livro mais discutido e o menos lido. Poucos caracteres me obrigam a ser simplista. E nada é simples quando falamos de Ulysses e seus personagens inesquecíveis. Com ele, acordamos inexperientes e terminamos o dia cansados, como Bloom.
Ane 29/03/2020minha estante
Que resenha! Passando para o leitores a densidade e intensidade do livro, mas deixando a vontade de ler fixada à memória.




Val | @livre_se_clube 28/03/2020

"Toda vida é muitos dias, dia após dia. Caminhamos por nós mesmos, encontrando ladrões, fantasmas, gigantes, velhos, rapazes, esposas, viúvas, bonscunhados. Mas sempre encontrando a nós mesmos". p. 375
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Você já parou pra pensar em todas as ações e pensamentos que compõem um só de seus dias? Toda a ação de Ulysses transcorre no dia 16 de junho de 1904, em que se entrecruzam as histórias e o fluxo de consciência de Stephen Dedalus, Leopold Bloom e Molly Bloom.
.
As mais de mil páginas do livro, dividem -se em 18 episódios, cuja estrutura simbólica é tomada da Odisseia, poema épico de Homero. Desse modo, Ulysses é uma recriação do clássico homérico, por meio do humor e da sátira em paródias, interpretações e pastiches.
.
O contraponto com os mitos merece nossa atenção. Enquanto as epopeias louvaram os grandes e corajosos heróis, Joyce nos apresenta o homem comum, pessoas sem importância na sociedade que em suas lutas diárias enfrentam o medo, a solidão, a morte, o luto, a dor. Nas palavras da professora Munira Mutran, "aventuras mais perigosas do que as enfrentadas por Odisseu". Ulysses se revela, assim, uma história, sobretudo, humana.
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Joyce nos surpreende com o rompimento das convenções estéticas e morais, fazendo uso de uma linguagem grosseira, palavrões, o que explica em parte o choque causado pelo livro quando de sua publicação, tendo sido censurado em vários países.
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Mais do que contar uma história, pouquíssimo enredo aliás, Ulysses é uma obra de aspectos grandiosos, desde o experimentalismo linguístico até as técnicas narrativas diversificadas. É realmente um livro trabalhoso que nos obriga a estudar para romper sua complexidade que se apresenta em inúmeras alusões históricas, artísticas, literárias, que exigem pesquisa leituras de apoio (usei Sim, eu digo sim do tradutor Galindo).
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Depois de um longo dia ouvindo as falas e pensamentos masculinos, o monólogo de Molly Bloom ao final do livro é um brinde para o leitor que anseia por ouvir a sua voz.
Raphael 19/05/2020minha estante
Ótima resenha, obrigado.




Mateus com h 25/03/2020

Eu decidi ler Ulysses
Meu vigésimo quinto livro do ano.
Venho de Cortazar e Cervantes antes deste.

bom, olhei o livro na prateleira e senti que devia lê-lo. mas precisei de certo modo, "conhecer o inimigo". Não consegui sair desenfreado folheando as páginas, busquei informações de gente que se especializou na obra, assisti diversos videos, etc. respeitei ele aqui fechado por cerca de um mês. e mesmo assim não senti em nenhum instante estar preparado. fui no sentir e teimosia talvez.

o Ulysses é um livro pesado? é

deixou de suprir as expectativas? muito pelo contrário.

eu acho que esse livro é como
um caos
que não pede licença.
(to sendo cuidadoso pra não dar spoiler)
caos de ordem humana
cheio de coisas comuns
que podem (e devem)
e conseguem
tocar a alma
de quem se atreve
a ir além
do convencional

falando em atrevimento
(mas que porra de livro bom)
eu acho que pelo menos
uma vez na vida
(ainda mais agora onde lêem "sou foda" e saem do livro se achando)
vocês deveriam se atrever a ler
e mais do que isso
se atrever a mergulhar

porque 1100 páginas não é leitura esquecível

muito pelo contrário
ela crava
visceras
entranhas
sangue
tripas

para chegar ao coração
para não sermos mais os mesmos
Ulysses é um livro pra se contemplar lendo e se ler contemplando

não procure balões em cactos.

"feche os olhos, tome ar, é hora do mergulho..."
doc leão 17/05/2020minha estante
Você descreveu com exatidão o que é a experiência ou a Odisseia ao ler Ulisses


Raphael 19/05/2020minha estante
Ótima resenha!


Mateus com h 12/09/2020minha estante
Obrigado povo!




Gabriel.Tesser 29/11/2019

Leitura eterna
Um clássico. O livro é difícil demais, a um nível tão alto quanto a miríade de histórias construídas por Shakespeare. Aliás, para ler essa belezinha você deveria começar por Hamlet, A Odisseia, Dublinenses e Retrato do artista quando jovem para ter um pouco de noção de como desfrutar do livro. Claro, só soube disso depois de acabar de ler as 1106 páginas de Ulysses. Disseram, também, que o livro não deve ser lido de cabo a rabo, coisa que não sabia. Contaram-me que celebram o Bloomsday (sempre no dia 16 de junho) na Irlanda, dedicado à leitura do livro em voz alta pelas ruas de Dublin, visitando os lugares aonde Bloom e Dedalus andaram. O livro é um marco na literatura, um divisor de águas. Nunca se esgotará, sempre terá algo a ser descoberto dentro do universo o qual Joyce criou. Cenas e pessoas de fato existiram, Bloom de fato existiu, existe e somos todos nós. Parte de nós, de nossos sonhos e desejos em nos tornarmos grandes heróis como Odisseu (Ulisses), mas que de fato somos normais, ansiosos, desastrados, divertidos e abobalhados esperando que o tempo nos consuma ao tutano. É uma homenagem ao homem comum, nosso espelho que torce, espreme aquele lasco de felicidade tão necessário, às vezes mendigado na expectativa de se obter um pouco de sustento. Ulysses faz analogia com A Odisseia, de Odisseu retornando a Ítaca; Leopoldo Bloom voltando para casa após um dia circulando pelas ruelas de Dublin expurgando um fluxo de pensamento frenético, com uma constante mudança de estilo de escrita.
Haverá sempre um retorno ao livro, pois é enigmático, lindamente escrito, complexo e elementar. Mal comecei a ler essa obra, acredito que me tomará uma vida para entendê-la e assim espero.
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Ratinha de biblioteca 02/03/2019

"Se você não leu Ulisses, seu nome é legião"...
A frase que usei como título dessa resenha pertence ao escritor brasileiro Sérgio Rodrigues. Realmente, não são muitos os que leram esse romance. Menos ainda os que o fizeram sem obrigação, como no meu caso, lendo apenas por entretenimento. É uma obra de difícil leitura, muito descritiva, com alusões (intertextualidade) à viagem realizada por Ulisses, da mitologia grega e outras obras da literatura mundial.
O enredo de "Ulisses" é a narração de um dia na vida de Leonard Bloom, Acontece que Leonard Bloom não é um personagem cativante, às vezes chega a ser vil e asqueroso e, em determinados momentos, temos a sensação de estarmos lendo sobre os sonhos ou as alucinações de alguém. Não me sinto mais inteligente por haver lido "Ulisses". Tenho certeza que aproveitaria melhor a leitura se, antes de lê-lo, tivesse lido mais sobre mitologia grega e clássicos da literatura mundial. Mas, enfim, meu nome não é mais "legião".
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Racestari 17/09/2018

Putz
A leitura é desafiadora, e li de forma pausada, sempre atentando às notas do final do livro e análises colhidas na rede. São infinitas nuances e a cultura do autor é assustadora.
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leila.goncalves 12/07/2018

Excelente Tradução
A primeira vez que comprei o livro, foi uma tradução de Houaiss, a pioneira no país, e confesso que o famoso dia 16 de junho de 1904 levou anos para passar....

Aqui em casa, "Ulysses" rodou de um cômodo para outro, frequentou minha cabeceira e, inacabado, acabou na minha estante, entregue a um sono profundo, livre de qualquer admoestação.

Ora ou outra, o dorminhoco vinha a pauta e eu, desanimada, adiava a leitura. O que me animou relê-lo, foi justamente essa edição, traduzida por Galindo, extenuadamente elogiada. Resolvi arriscar e hoje, dou por concluída minha peregrinação literária.

Eis um romance genial, porém, complexo, difícil vencer suas páginas com atenção e o devido entendimento. Traduzir Joyce não é uma tarefa fácil e conseguir capturar "sua imensa gama de cores, registros, estilos, recursos e efeitos? trata-se de uma homérica odisseia com o perdão do trocadilho. Porém, sou imensamente grata ao tradutor pelo percurso mais suave, menos pedregoso, que ele soube preparar.

Indico a leitura não só do livro, como também recomendo a dupla Joyce e Galindo.

Para finalizar, caso assuma o risco dessa aventura, fica meu apoio e desejo-lhe boa sorte!
Orochi Fábio 29/11/2019minha estante
Li a edição antiga: desejo ler esta!


leila.goncalves 30/11/2019minha estante
Recomendo. Boa leitura!


Angelica 14/05/2020minha estante
Depois de sua resenha e indicação dessa edição, estou tomando coragem!




Lili 27/05/2018

Ulisses
Eu li Ulisses. Eu terminei.

Acho que em vários momentos a única coisa que impulsiona a leitura deste livro é a possibilidade de um dia dizer essas frases. E fico realmente orgulhosa por ter lido, e lido tudo!, mas preciso confessar que não entendi quase nada.

Respeito muito a obra por saber que gente muito "melhor" do que eu (no sentido de entender obras literárias) a considera uma das melhores, se não a melhor, obra do século XX. Eu não dei nota para o livro, pois não absorvi dele nem um décimo do que ele tem a oferecer. Dei a nota da minha experiência.

Minhas impressões: Joyce deixa muito claro que pode escrever no estilo que preferir. Cada episódio é escrito de uma maneira e todos tratam de assuntos totalmente banais no dia a dia de qualquer um, ao mesmo tempo em que levantam sutilmente algumas reflexões importantes. Mas sutilmente mesmo, em boa parte do tempo você pode não saber nem mesmo onde os personagens estão ou de quem é o ponto de vista. Ler dessa forma torna difícil você captar tudo o que o autor quis transmitir. E é aí que entra o questionamento que me fiz durante a leitura: qual o valor de um livro que não consegue "chegar" ao seu leitor? Tudo bem, temos que amadurecer como leitores para ler alguns tipos de obras, mas Ulisses chega a um ponto que, para mim, é um pouco acima do aceitável. Mas, como eu já disse, quem sou eu para julgar? Apenas posso comentar minha experiência.

Se eu não tivesse feito essa leitura em conjunto, acredito que não teria conseguido terminar. Li comentando com amigas e rindo muito do que nós entendíamos, que muitas vezes era "nada". Outra coisa que nos ajudou bastante foi ler simultaneamente o "Sim, eu digo sim", de Caetano Galindo, que também fez uma tradução do livro. Aliás, obrigada, Caetano, seu livro ajuda muito mesmo.

Em alguns poucos momentos, me emocionei. O relacionamento entre Molly e Poldy me deixa meio com pena, como se eles precisassem apenas de uma ajudinha para ficarem bem. E algumas cenas relativas a Rudy são de cortar o coração. Mas de maneira geral não senti nada com o livro, ele não me despertou sentimentos pela história, mas apenas em pelo livro em si.

O monólogo de Molly foi disparadamente meu episódio favorito. Mas curiosamente a cena mais comovente e mais bonita veio de um dos capítulos mais "cascudos", o 15. Enfim, cada capítulo é um degrau a se galgar, todos são bem difíceis, mas todos também trazem suas joias escondidas.

Não sei dizer se recomendo a leitura desse livro. Foi "uma delícia" ler? Em nenhum momento. Foi edificante? Com certeza! Acho que vale a pena ler se for encarado como um desafio. Com essa visão, talvez a pessoa até consiga levar de maneira mais leve que o esperado. E uma coisa eu posso garantir, como já disse em outro comentário sobre Joyce: com certeza ao concluir você vai se sentir um leitor melhor do que aquele que começou.

Um dia, quem sabe quando, relerei.
Mtonete 26/04/2019minha estante
Muito boa a sua resenha, amigo. Comecei a ler hoje e achei extremamente complicado.


Lili 04/05/2019minha estante
Obrigada! =)




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