Breves entrevistas com homens hediondos

Breves entrevistas com homens hediondos David Foster Wallace




Resenhas - Breves Entrevistas com Homens Hediondos


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Bruno 09/10/2009

Gênio
É difícil alguém tocar tão bem na ferida como faz David Foster Wallace. Ainda não li todos os contos deste livro. Nem precisava. Só aquilo que li já valeu a pena. Na verdade tenho até medo de terminar o livro porque não existe mais nada dele em português. Estou lendo "Oblivion" em inglês, mas confesso preferiria lê-lo traduzido, para que a leitura fosse um pouco mais fluida.
É difícil compará-lo a alguém porque nunca li nada parecido, nem na forma nem no conteúdo. Pra mim, Foster Wallace é, por baixo, um gênio. Pena que ele não tenha aguentado o tranco.
Gustavo.Martins 10/01/2020minha estante
Pais próximo que já vi do estilo dele foi a Lionel Shriver. Não no estilo de narrativa, mas de linguagem e escrita. Você conhece ela?




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jota 07/09/2011

Homens hediondos buscam mulheres problemáticas
Se você se aventurar a ler este livro, não vá estranhar se achar os contos de David Foster Wallace estranhos. Também conhecido como DFW, ele se matou aos 46 anos, enforcando-se em sua própria casa, em 2008. São vinte e três contos e um deles se chama “Suicídio como uma forma de presente”. Sintomático, não?

Algumas histórias de DFW têm apenas dois parágrafos - é o caso do primeiro conto, cujo título, paradoxalmente, é extremamente longo: "Uma história radicalmente condensada da vida pós-industrial" - mas que é pleno de inventividade (ou criatividade). Outros contos são enormes, divididos em duas ou três partes até. E do que tratam eles? De um garoto que ao completar treze anos sobe no trampolim de uma piscina e experimenta a vertigem do amadurecimento. De um pai em seu leito de morte que confessa o ódio que sempre sentiu pelo filho. E nas breves entrevistas que dão nome ao volume, homens conversam com uma entrevistadora anônima a respeito de mulheres, sexo, relacionamentos românticos e conflitos familiares, temas que estão presentes em todas as histórias. Homens hediondos e mulheres problemáticas são, pois, os habitantes mais facilmente encontráveis nas histórias de DFW. A maior parte delas se concentra nas obsessões sexuais dos cafajestes do título, logicamente.

Se no primeiro conto DFW se valia de apenas dois curtos parágrafos para demonstrar seu talento e seu jeito de contar histórias, por outro lado, no sexto conto, "A pessoa deprimida", ele usa muitas páginas para contar outra história conflituosa. É um conto enorme, com enormes notas de rodapé também (exageradas mesmo, como se fosse um trabalho acadêmico). E de quebra apresenta um insulto ouvido de alguns homens pela personagem deprimida: "(...) que a única diferença substancial entre essa mulher [de que eles falavam] e um vaso de privada era que o vaso de privada não ficava seguindo pateticamente você por aí depois que você o tinha utilizado.” No final deste conto você poderá estar não exatamente deprimido, mas cansado, com vontade de atirar o livro na parede, quero dizer, recolocá-lo de volta na estante.

Com o livro amassado vai ficar um tanto difícil manter aquele entusiasmo inicial provocado pela leitura de DFW. Um terço de livro lido e certas páginas parecem ser um verdadeiro chute no saco ou, como um de seus personagens poderia dizer, “a kick in the ass”. Pois várias vezes DFW parece dar mais importância à forma, ao modo de contar algo, do que propriamente àquilo que é contado, a história em si mesma. E o melhor exemplo do que falo parece ser "Datum centurio". Se percebi corretamente, vem a ser a descrição completa de um DVD de 600 GB, que tal? Esta é, certamente, a história mais criativa e a menos interessante do livro.

Continuando, lá pela metade do livro, felizmente percebe-se que nem todas as histórias são contadas de um modo hediondo. É o caso, por exemplo, do longo conto dividido em duas partes, “Adult World”. Que também é o nome de uma loja de artigos eróticos e fitas pornográficas onde os personagens da trama, um casal jovem, sem filhos, faz compras (separadamente, é claro) para incrementar a vida sexual de ambos (cada um a sua, na verdade). A personagem feminina dá um show de neurose sexual; é um conto bastante encanado, mas igualmente engraçado - ainda que não provoque risos.

Finalizando: é preciso ler DFW com muita atenção e até mesmo reler certas passagens, mas também munido de muita paciência e algumas vezes de um dicionário. Os melhores contos são os mais curtos, embora duas ou três histórias longas tenham me agradado igualmente. São aquelas onde DFW menos se vale de seu experimentalismo literário – nunca li sequer um trecho de Finnegans Wake, de James Joyce, mas foi esse o livro que me veio à cabeça algumas vezes durante a leitura de certas passagens de DFW. Outro livro dele, muito elogiado lá fora e ainda não traduzido para o português, The Infinite Jest (A Piada Infinita), é um romance satírico com cerca de mil páginas. Tá a fim de ler?
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André Vedder 03/06/2020

Overdose de palavras
É como consigo nominar os contos de DFW. Ele consegue descrever a psique humana como poucos.
Para quem ainda não leu Graça Infinita, esses contos dão uma boa noção do que lhes espera.

"(Como nas pessoas que são generosas com outras pessoas só porque querem ser vistas como generosas e, portanto, secretamente ficam na verdade contentes quando as pessoas à sua volta se arruínam ou arrumam problemas porque isso quer dizer que podem acorrer generosamente e se mostrar atenciosas - todo mundo já viu gente assim)"
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jordanacassiano 23/10/2020

É como se fosse uma viagem, mas sem destino certo...
Esse foi o meu primeiro contato com o autor. Me sinto como se estivesse dopada. Foi uma relação de amor e ódio com esse livro, as vezes mais ódio que amor pelos personagens. Mas a forma como ele descreve as histórias... é como se dominasse tudo da psique humana. Alguns contos não me interessaram, mas outros, me fizeram perder o chão. Enfim, recomendo.
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meandros 20/04/2011

relacionamentos e comunicação
“Este é um ótimo livro sobre relacionamentos e a incapacidade real de comunicação entre os seres humanos.”

É o tipo da frase que me faria evitar a todo custo a obra mencionada, dado o número de livros de autoajuda, romance e poesia baratas que trataram de banalizar os temas. Ainda bem que “Breves Entrevistas com Homens Hediondos”, de David Foster Wallace, não me foi apresentado assim (embora seja até uma boa descrição da coletânea de contos).

A primeira coisa do Wallace que tive contato foi o trecho do discurso que ele proferiu como paraninfo em uma cerimônia de formatura, publicado na revista piauí por ocasião do seu suicídio, em 2008. Esqueça o discurso do Steve Jobs como exemplo de oratória em formaturas; esta pequena peça, sim, é realmente impressionante. Busquei então o que havia do autor em português e encontrei o “Breves Entrevistas”, que entrou para a fila das minhas leituras. Só agora consegui terminá-lo.

Não é uma leitura que permita velocidade, é preciso tempo para digeri-lá. Mas nem tanto pela estrutura (Wallace apresenta uma literatura quase experimental, com recursos como listas de respostas sem as perguntas, fórmulas maemáticas e notas de rodapé mais abundantes e importantes que o próprio texto, só para citar algumas estratégias mais simples de descrição). É muito mais pelo conteúdo. É um chute no saco, um pé no peito, unha na carne, um dedo na ferida mesmo, como quiser. As ideias são tratadas com uma crueza e despudoramento de quem não tem nada a perder.

E falando em perder, não dá para deixar de notar algumas temáticas depressivas/suicidas já presentes no decorrer dos contos: o diálogo egocêntrico e monótono do depressivo, o (mal) efeito das medicações, a psicoterapia que não anda e o próprio suicídio de maneira velada ou clara.

Mas, mais do que pelos contos, Wallace recebe elogios unânimes da crítica internacional principalmente pelos seus romances, que não me atrevo a ler em inglês. Agora mesmo está sendo lançada uma obra incompleta póstuma. É de se lamentar o fim de um escritor genial da maneira como aconteceu.

Poucas vezes vi relacionamentos humanos e a comunicação tão bem representadas como nos contos deste livro. Coisa que só a boa arte consegue fazer.
jota 02/09/2011minha estante
Concordo com você em algumas coisas quanto ao livro e a DFW, mas lido 1/3 das páginas meu entusiasmo inicial diminuiu sensivelmente e passei a achar alguns trechos deste volume um verdadeiro chute no saco - sim, ele diz as coisas com todas as letras, mas a forma de dizê-las é que torna a leitura cansativa (ah, aquelas hediondas notas de rodapé de "A pessoa deprimida"!). Será que ele leu Finnegans Wake, do Joyce?




Luise 02/01/2017

Você vai ser arrancado do conforto e amar isso
Os textos do DFW exercem, sobre mim e imagino que sobre muitos outros leitores também, uma espécie de atração magnética. É como se tudo o que ele escreve falasse para diversas camadas interiores nossas, e com Breves entrevistas com homens hediondos (publicado originalmente nos Estados Unidos, em 1999) não foi diferente. O ponto chave dos contos intitulados Breves entrevistas com homens hediondos (que somam um total de 4 ocorrências ao longo do livro, contendo diversas entrevistas cada uma), pra mim, é a diferença gritante do lugar que a voz feminina e as vozes masculinas ocupam na narrativa. Todas essas entrevistas são falas de diferentes homens para uma única mulher, que colecionou as passagens ao longo dos anos. O que ela diz permanece implícito, sendo apenas assinalado por um P. Em muitos trechos lemos os homens falando com pretensa propriedade sobre mulheres, e isso incomoda. Mas é pra incomodar. Acontece cotidianamente, na vida de uma mulher, que ela tenha sua voz silenciada por uma opinião masculina que quer sempre reinar. As entrevistas simulam a experiência feminina de ouvir passivamente homens falando sobre elas mesmas e dando muito mais peso ao que eles acham que é ser mulher. No mais, a respeito das situações propriamente ditas, certamente em alguma os leitores e leitoras vão se identificar: é o namorado que quer terminar pelo comportamento gerado pelo medo que a mulher tem de que o namorado termine; é o cara que se empolga ao discorrer sobre como ser um grande amante e não enxerga suas próprias contradições; é o outro namorado que vai embora assim que a conquista está feita.

A pessoa deprimida, o sexto conto e com certeza um dos meus favoritos, possui a virtude de mexer fisicamente com quem lê. Caímos de expectadores da vida de uma mulher deprimida que busca, ao lado de sua terapeuta e de uma rede de amigas selecionadas, sobreviver à sua depressão. Quando nos damos por conta, estamos igualmente preocupados, assim como a personagem, com as perspectivas de que o interesse da terapeuta nela não passe de uma relação estritamente profissional e de que suas amigas a achem tediosa. O conto mexe com a agonia gerada pela percepção de que talvez os outros não nos levem tão a sério quanto nós mesmo e com o medo de que, afinal, não sejamos especiais. E a própria personagem acaba, enfim, praticante do mesmo egoísmo ao se importar com os outros apenas no que concerne a ela mesma.

No conto Octeto, um do que mais surpreendem, somos ativamente desafiados a responder 3 Pop Quizes “e meia”, como define DFW. Cada Pop Quiz apresenta a história de uma situação à qual, ao final, devemos formular uma resposta. A missão é desconfortável pois nos vemos na posição de julgar pessoas e questões que não são, como tudo na vida, boas ou más ou que exigem uma resposta de simples “sim” ou “não” (querem tarefa mais difícil do que julgar uma mãe? Pois, ao final da Pop Quiz 7, é o que você vai ter que fazer). Agora, a Pop Quiz que mais vai dar nó nas cabeças por aí é a de número 9. Como o título do conto sugere, ele originalmente foi planejado para conter 8 situações interligadas entre si. Acontece que 5 dessas Quizes não deram o resultado esperado e, portanto, não foram publicadas. Em última instância, na Pop Quiz 9, David Foster Wallace em pessoa vem contar pra gente que o conto que ele havia planejado não deu certo e faz, ainda, um convite gentil para que o leitor se coloque literalmente no lugar do escritor. O que precisamos decidir é se, como escritores, optaríamos ou não pela adição dessa Pop Quiz extra explicando a ideia inicial do conto, seu processo de escrita e o que aconteceu ao final. No caso de David Foster Wallace, sabemos que a resposta a essa questão foi afirmativa.

Existem, aliás, diversas ocorrências da figura de um escritor dentro do livro, como no segundo conto, A morte não é o fim, protagonizado por um poeta, e da presença de Ovídio, o Obtuso, que cria nada menos do que um mito em Tri-Stan: eu vendi Sissee Nar para Ecko. O mais interessante é que o trabalho e a própria figura de David Foster Wallace estão sugeridos em outros detalhes da coletânea, mesmo que de forma mais sutil do que no Octeto. Mais um exemplo da porosidade de certas fronteiras, por exemplo, são pequenos contos numerados com 3 ocorrências ao longo do livro. Essa numeração expõe, por si só, que dentre uma lista muito maior apenas 3 partes foram escolhidas para aparecer ao público. Já Adult World II é o esquema da continuação de Adult World I que não chegou a ser executada, dando uma pista de como DFW pensava e planejava seus contos.

O livro guarda outras joias, como um dicionário digital que define os relacionamentos no ano de 2096; a narração paterna da sua repulsa e que me fez sentir igual repulsa pelo pai (não pelo fato de desgostar do filho, mas pelas atitudes desse homem principalmente no que tange à sua mulher); e o conto O suicídio como uma forma de presente, que instiga já pelo título e diz muito em poucas páginas.

Ainda em tempo, alguns comentários sobre a edição: como é costume da editora Companhia das Letras, o trabalho gráfico está bem feito. Também gostei muito da capa, que ainda combina com a de Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, o livro de ensaios do mesmo autor. Fica uma observação importante, porém: por tratar-se de uma reimpressão da primeira edição de 2005, o livro não segue o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O único elemento atualizado foi a orelha, que menciona o recente lançamento de Graça infinita.

Breves entrevistas com homens hediondos é um difícil e constante exercício de empatia. David Foster Wallace consegue captar e esfregar na nossa cara os aspectos mais mesquinhos, egoístas e repulsivos da condição humana, e após o estranhamento e o desconforto iniciais, o que reina é a angústia por saber que fazemos parte dessa humanidade. Quando o autor quer, nos vemos na posição de seres, na essência, tão hediondos quanto essas personagens. Mas o livro certamente proporciona muito mais momentos de prazer e fascínio, principalmente pela escrita tão particular do eterno DFW.

Escrevo mais resenhas e postagens sobre o mercado editorial no le zazí, link abaixo :)

site: https://lezazi.com/
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Rafael 01/03/2017

Caminhando pelos territórios da genialidade e da ostentação intelectual
Esse é um livro que ajuda a explicar bem o que foi David Foster Wallace como escritor. Um livro difícil de ler, que mescla contos geniais sobre a profundidade do ser humano (como num dos primeiros do livro, "Para sempre em cima" sobre um adolescente enxergando a sociedade e a vida adulta enquanto sobe um trampolim) e outros que parecem mais terem sido por DFW para o próprio DFW. Em "Tri-Stan: eu vendi Sissee Nar para Ecko" encontramos um texto indecifrável, praticamente escrito em códigos (além do mais, que foi destruído pela tradução - não que a culpa seja do tradutor), que me obrigou pela primeira vez a pular parte de um livro. Algo similar ocorre em "Datum Centurio", que sugere alguns termos num dicionário futurista em linguagem computadorizada. Esse e alguns outros contos soam como masturbação intelectual desnecessária; uma forma de ostentação literária.

A linguagem empregada é pesada, complexa, experimental e criativa. DFW consegue representar bem uma mente perturbada através da sua escrita. Isso fica claro em diversas das "Breves Entrevistas com Homens Hediondos" ou em "A Pessoa Deprimida". Neste último, a forma como o texto é escrito permite que o leitor sinta como se conversasse com a tal Pessoa Deprimida e veja suas aflições e inseguranças. Ainda que acometido por essa doença, DFW não é autopiedoso ou autoindulgente. Ao mesmo tempo em que o texto gera alguma empatia com a personagem, é impossível não sentir em algum nível raiva ou desprezo por ela.

Outra virtude do autor é que ele consegue praticamente representar a voz da consciência do leitor. É impossível não se identificar com diversas histórias - mesmo que elas falem sobre pessoas atormentadas. Isso fica mais claro em "Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo", que conta com alguns ensaios escritos por DFW para algumas revistas, nos quais ele analisa em primeira pessoa aspectos amplos da sociedade através de uma feira Estadual, um cruzeiro pelo Caribe, uma feira gastronômica e uma partida de tênis (entre outros textos).

O livro é bom e pretendo ler ele novamente e quem sabe absorver mais de seus densos contos. A verdade é que mesmo as escritas mais simples de DFW exigem muita reflexão e introspecção. E esse livro não está entre elas. Além da complexidade de conteúdo, também tem essa complexidade linguística em grande parte do livro. Vale a leitura, mas exige uma preparação prévia. Ler "Breves Entrevistas com Homens Hediondos" todo de uma vez, como eu fiz, talvez não seja uma boa ideia. Talvez essa "overdose" tenha me causado a impressão ostentativa do livro.
Tiago 05/03/2019minha estante
Boa resenha!


Rafael 21/06/2019minha estante
Obrigado!




Cristina 02/10/2013

Fiquei com a impressão que o livro foi uma grande viagem de seu autor, um grande experimento do qual eu participava sem muita noção.
Primeiro achei que meu cérebro havia sido danificado por ler tantos romances e livrinhos felizes, que não conseguia mais entender um livro mais cabeça. Talvez. Mas esse livro foi mesmo muito estranho. Li por indicação de John Green, que havia dito que Foster era um dos autores que o inspirava. Além disso, achei o título instigante. Que decepção! Eu nunca desisto de um livro mas esse quase foi o primeiro. Difícil mesmo.
O livro é composto de vários contos narrados pelos "entrevistados" sobre alguém que fez ou faz parte da vida deles. A premissa é interessante mas o estilo não me agradou. Mas, enfim, sempre se aprende algo.
Rafael 09/12/2016minha estante
realmente é um livro muito pesado e difícil...uma obra de ostentação intelectual, do meu ponto de vista. Ele escreveu o livro para ele mesmo. Vários contos são ótimos (o do trampolim é um deles), mas a grande maioria é desnecessariamente complicada e massiva. Indico pra você outro livro do Foster Wallace, que não tem um cunho tão literário: Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio Que Longe de Tudo (sim, esse é o título). É um compilado de textos "jornalísticos" dele. São textos muito mais fáceis de ler e que ironizam a sociedade de forma mais direta e humorada, sem muitos exageros. Mostra que o cara realmente é um gênio, tinha uma visão apurada e diferente da humanidade.




nerdparty 14/12/2020

Breves Entrevistas com Homens Hediondos
Primeiro contato com a escrita de David Foster Wallace, e só tenho algo a considerar: você até pode não gostar do jeito que o autor escreve (longas descrições de consciência, esparramadas...) mas algo você não pode negar: ninguém sai o mesmo após terminar um livro dele. Para quem estava há muito tempo sem ler (por vários motivos) foi uma escolha mais que certa. Já favoritei e quem sabe (um dia) eu tenha a coragem de encarar Graça Infinita...
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zizica 27/08/2013

Um livro muito bem escrito. Às vezes irritante - acredito que propositalmente. Trata de temas densos que nem sempre param de envolver os pensamentos mesmo depois da leitura - e acredito ser esse o grande mérito de David Foster Wallace.
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Rodrigo Tejada 10/01/2015

Espírito DFW
Demorei a engrenar no espírito DFW, se é que existe um.
Três contos em especial me impressionaram: "A pessoa deprimida" e as Breves Entrevistas "N 59 - 04 98 - Instituto de Cuidados Contínuos, Harold R. e Phyllis N. Engman, Eastchester, NY" e a N20 - 12 96 New Haven CT.
Detalhados, virtuosos, sutis, filosóficos - impressionantes.
Júnior 21/02/2015minha estante
Como você conseguiu o livro? Queria muito comprar, mas não acho em lugar nenhum.




Karen Garbo 09/07/2016

Ácido e translúcido
Eu costumo marcar meus livros com post-its coloridos para sentir a lombada irregular me dizendo que a leitura valeu. Essa lombada está em branco. Mas não pelo nada e sim pelo tudo que ele contém, porque cada página, cada linha nele é perfeita, e de alguma forma eu sabia de antemão que isso aconteceria. Eu só tenho a agradecer pela profunda aspas verdade que esse livro me trouxe, por toda a dor e todo o delírio e toda a redenção que me causou. Doentio, torpe, catártico. Consigo ver Wallace fruindo aqueles anos 90 em suas páginas, com uma capacidade de retratar perfeita aquele momento em que vivia. Fui plena na fina lâmina que separa a loucura psicótica do êxtase religioso onde esse livro se encontra. Terei especial carinho pelos contos: para sempre em cima, a pessoa deprimida, adult word I e II e o último breve entrevistas. Por me trazer algo que eu não sentia há muito tempo, por ser tudo o que precisava no momento em que te peguei nas mãos, por me fazer ver algo único, por ter existido, Wallace, obrigada. Te amo para sempre te recomendo loucamente.
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Mônica 27/09/2016

Os contos são escritos de maneira eloquente e admirável. Alguns não me interessaram muito, não prenderam minha atenção, outros me deixaram extremamente interessada, porém todos com uma escrita magnífica. Tenho os meus contos prediletos, mas não os direi, leia e tenha você os seus.
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Achados e Lidos 07/02/2017

A monstruosidade em cada um
Ler a ficção de David Foster Wallace é conhecer uma nova literatura. O escritor americano, considerado um dos grandes autores contemporâneos, usa e abusa de experimentalismos de forma e linguagem para compor uma narrativa que parece exigir do leitor quase o mesmo esforço que o próprio Wallace empreendeu para escrevê-la.

No livro de contos Breves Entrevistas Com Homens Hediondos, há histórias curtas, outras mais longas, todas orbitando em torno do mesmo tema: a monstruosidade que pode existir dentro de uma pessoa.

Na série de textos que dá título ao livro, por exemplo, os personagens são homens que dão entrevistas a uma interlocutora mulher, que nunca aparece. Em seus depoimentos, eles expõem toda a imoralidade de seus pensamentos e atitudes.

O tom confessional das narrativas mostra, além dos fantasmas desses personagens hediondos, a necessidade que eles têm de compartilhar os desejos tortos que os habitam. Em alguns momentos, fica a impressão de que se trata apenas de um exibicionismo frio e perturbador. Em outros, os personagens aparecem como pessoas vulneráveis que encontraram na narrativa uma possibilidade de dividir o fardo que carregam e de buscar a redenção.


No conto A Pessoa Deprimida, o meu preferido da coletânea, Wallace descreve com exatidão o que é essa ânsia por compartilhar, ao destrinchar um tema que lhe é muito próximo: a depressão (o escritor suicidou-se em 2008, depois de anos lutando contra essa doença). Um narrador em terceira pessoa esmiúça a consciência de uma vítima da depressão e ironiza a ineficácia dos tratamentos que fingem entender o que se passa com o paciente. O primeiro parágrafo já mostra que, embora pareça fria e calculista, a pessoa deprimida é, na verdade, um indivíduo vulnerável que sofre, sobretudo, pela impossibilidade de expressar sua angústia:

A pessoa deprimida estava com uma dor terrível e incessante e a impossibilidade de repartir ou articular essa dor era em si um componente da dor e fato de contribuição para o seu horror essencial.
Outra característica da ficção de Wallace, bastante presente nesses contos, é a metanarrativa. Em um dos textos curtos intitulados Pop Quiz 9, o autor expõe a agonia de um escritor de ficção que se desdobra para agradar o leitor:

Você é, infelizmente, um escritor de ficção. (…) Existem meios certos e frutíferos de tentar uma relação de “empatia” com o leitor, mas ter de tentar se imaginar como o leitor não é uma delas; na verdade isso fica perigosamente perto da pavorosa armadilha de tentar prever se o leitor “gostará” de alguma coisa em que você está trabalhando e tanto você como os poucos escritores de ficção de quem você é amigo sabem que não há meio mais rápido de se amarrar com nós e matar qualquer urgência humana na coisa que você está trabalhando do que tentar calcular previamente se essa coisa será “apreciada”.
A relação de Wallace com a escrita, pelo que contam as pessoas próximas a ele, era de uma busca incessante pela perfeição. A cada obra, por mais brilhante e original que ela fosse, ele queria se superar. Sua obsessão pelo uso correto e preciso da língua inglesa, muito evidente nos seus textos, é apenas um sintoma dessa necessidade. No aniversário de oito anos de sua morte, em 2016, o autor de livros infantis Mac Barnett, escreveu um artigo para o The Guardian sobre Wallace, que foi seu professor e mentor:

Ele estava sempre falando sobre as responsabilidades do escritor: a responsabilidade de ser claro, a responsabilidade de ser interessante. É justamente porque a obra de Wallace pode ser difícil, porque ele exige que o leitor trabalhe, que ele queria ter certeza de que estava fazendo seu trabalho também, dizendo exatamente o que ele pretendia, de maneira envolvente. Outra fala dele que guardo anotada em meu caderno é: “Se você está mais interessado no que você está dizendo do que a pessoa que lhe ouve está, você é a definição de uma pessoa entediante.”
A ficção de Wallace é desafiadora. Em um primeiro momento, os temas pesados, a enxurrada de notas de rodapé, o vocabulário rebuscado, as frases intermináveis, os neologismos parecem uma barreira instransponível. Mas vale a pena resistir e se dedicar, porque em meio a páginas e páginas de uma leitura difícil, você encontra trechos que pagam todo esforço pelo brilhantismo de conteúdo e linguagem. Wallace era exigente consigo mesmo, não poderia ser diferente com seus leitores.

ps.: Para um iniciante em Wallace, não recomendo começar por sua ficção. O livro de ensaios Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo, que comentamos bastante por aqui, é a melhor escolha para conhecer a escrita do autor americano. Seus textos não-ficcionais são uma ótima amostra do estilo que ele aprofunda e aprimora em seus contos e romances.

site: http://www.achadoselidos.com.br/2017/01/25/resenha-breves-entrevistas-com-homens-hediondos/
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