Vidas Provisórias

Vidas Provisórias Edney Silvestre




Resenhas - Vidas Provisórias


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mpin 29/09/2018

Um país para chamar de seu
Vidas provisórias me fez descobrir a veia literária de Edney Silvestre. A solidão, a rotina de pessoas forçadas a deixar o Brasil, seus anseios, contradições e autoimagem são trabalhados com sensibilidade e uma narrativa envolvente, que te pega pelo pescoço logo nos primeiros capítulos. Enquanto jornalista, Silvestre traz detalhes e percepções muito particulares e intimistas, tanto como correspondente internacional, quanto como pesquisador das quatro décadas que permeiam as histórias de Paulo e Barbara. As histórias dos dois personagens demoram muito para se encontrarem, mas isso dá tempo ao leitor de refletir sobre as diferentes culturas e décadas abordadas pelos capítulos. O estado de espírito de pessoas refugiadas é retratado com precisão e responsabilidade, e é de longe o maior trunfo desta obra. Em muitos momentos, o clima de certas cenas é ditado por músicas de fundo. Essa roupagem pop a certos pontos da trama soa por vezes fora de tom ou irônica, mas nada que comprometa a narrativa. Talvez seja mais questão de gosto do que de técnica, em meu caso. Alternando entre alguns fluxos de consciência longos e parágrafos curtinhos e frases espaçadas com palavras repetidas e aliterações, Silvestre experimenta. E experimenta sem querer destilar erudição, o que é mais importante e deixa a obra agradável, palatável e fascinante a ponto de te prender até a última linha. Recomendado.

site: http://michelborgesesc.blogspot.com/2018/09/vidas-provisorias.html
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Rinaldo.Sousa 12/05/2018

Trilogia maravilhosa desse maravilhoso autor brasileiro.
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Pipoco 19/01/2018

Primeiro livro lido por mim em 2018, Vidas Provisórias veio sem qualquer referência: eu não conhecia nada do autor (digo isso me referendo ao Edney Silvestre romancista) e nada da(s) história(s). Foi bastante gratificante. Ao viver com os dois personagens centrais, em tempos e passagens intercaladas, suas aventuras em terras estrangeiras de maneira teoricamente provisória, fui criando empatia e identificação. Um dos protagonistas é um exilado político e se afasta do Brasil contra a vontade. A outra sai ilegalmente para tentar a vida nos Estado Unidos, utilizando identidade falsa e trabalhando como faxineira para levantar algum dinheiro. Em comum, ambos têm o desejo de mudança e planos de uma vida melhor, entendendo que o momento em que se encontram é provisório, uma passagem para algo mais satisfatório.
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Valério 04/01/2018

O preço da expectativa
Li diversas resenhas a respeito do livro e criei grande expectativa.
Quando efetivamente li a história, me ficou aquela sensação de estar diante de um livro insoso.
Uma boa história que acabou se perdendo em uma ideia nem tão bem elaborada.
Não me tocou.
Pode ser pelo estilo do autor, que não me comove. É o segundo livro que leio de Edney Silvestre. E o segundo que não me empolga.
(Embora eu tenha gostado mais de "Se eu fechar os olhos agora").
Não dá para dizer, definitivamente, que é um livro ruim.
Mas sabe quando se sente que faltou alguma coisa? Foi assim que me senti. E agora me sinto quase com vontade de pedir desculpas frente a tantas avaliações positivas. :D
Mas o objetivo é cada um dizer o que achou do livro. Se fosse unanimidade, seria chato, certo?
Portanto, os amigos que se identificam com meu gosto literário terão uma chance maior de não gostar tanto assim.
Mas podem arriscar sem medo. "Vidas provisórias", se não é uma obra prima, também não é perda de tempo.
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Nani Moreira 01/08/2017

Surpreendente!
Experiências no exílio, torturas psicológicas e a perda irreparável por ter abandonado tudo para viver uma vida que não é sua de uma hora para outra. Esse é o enredo do livro de Edney Silvestre, Vidas Provisórias.

Um livro de ficção que lembra muito a vida real de tantos brasileiros na época da ditadura militar e hoje retratada em capas de jornal pelos exilados da Guerra Islâmica. Para quem ama uma história bem narrada e com riqueza de detalhes, não pode deixar de conferir essa resenha mais que especial…

É 1974 em Estocolmo e Nelson (um pseudônimo) está na cama com uma mulher. Em meio ao exílio com seus 25 anos e recém chegado do Chile, ele se jogava aos pés dela enquanto se lembrava da vida no Rio de Janeiro. É a vida de Paulo.

Em Atlanta, já em 1991 é a vez de conhecer a história de uma mulher jovem recém saída do Brasil. Saindo escorraçada de lá, essa paulista muda o nome e vai morar com imigrantes ilegais. É a vida de Bárbara.

A história volta agora pra 1970: Paulo está amarrado e com muita dor, já que foi torturado por militares na época da infame Ditadura Militar de 1964, cujo objetivo era censurar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime brasileiro. Confundido com um transgressor, ele se vê sem opção: solto pelos militares, ele vai para o Chile sem dinheiro, sem identidade, sem a sua vida.

Já a vida de Bárbara é contada 4 anos depois de sua chegada aos Estados Unidos: com uma vida simples mas corrida, já que é faxineira, ainda pensa que ali é um lugar provisório para viver só que ela precisa terminar de pagar sua dívida com que a ajudou a chegar até ali depois que seu pai foi confundido com um sequestrador de um embaixador.

As revelações e as viradas nas histórias vem como uma pedrada sem esperar. A verdade nua e crua da vida dos dois contada por uma terceira pessoa.

site: http://www.nanimoreira.com.br/2017/07/07/livro-vidas-provisorias-edney-silvestre/#more-12529
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Fabio Henrique 31/03/2017

Ótimo escritor
Mais um belo livro do Edney Silvestre. Aqui, ele retoma duas personagens de seus dois romances anteriores, tecendo, paralelamente, suas estórias enquanto exilados.
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Rone 08/12/2016

Duas vidas provisórias
Este é um daqueles livros, que chamam primeiramente a nossa atenção pelo título e só depois vem todo o resto...

Edney Silvestre conta as histórias entrelaçadas de Paulo e Barbara, dois exilados do nosso Brasil na época da ditadura militar e durante o governo Collor, passando assim a viverem “Vidas Provisórias. ”

Com toda certeza Silvestre tem o talento de contar histórias e principalmente nos tocar com os seus personagens humanizados.

-Por que poderia ser você ou eu certo?

Esse é um livro que todos deveriam ler, para podermos refletir um pouco sobre todos esses acontecimentos entre 1970 e 1990. E tirar as nossas próprias conclusões sobre a atual situação política do Brasil.
Foi uma grande surpresa para mim, quando descobrir que esse livro tinha sido escrito por Edney Silvestre o repórter da Globo.

Gostei bastante de conhecer o seu lado escritor, e é nas páginas dos seis livros, que ele coloca todo o seu conhecimento e sua visão do mundo em seus complexos personagens.
Nunca esquecerei Paulo e Barbara e os seus medos, dúvidas e sonhos.
Eu me apeguei a eles de uma forma muito intima e particular.

A história ao todo é excelente, surpreendente delicada.
Eu só fiquei um pouco decepcionado com o final, já que a história toma um rumo totalmente diferente, dá que esperávamos para os nossos amigos.

Darei quatro estrelas tranquilamente, pois esse livro foi tão surpreendente quanto desafiador.
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Paulinha 22/06/2016

Quando temos a vida que não escolhemos...
"Eu riria, se pudesse. Mas os remédios me deixam num lugar entre o riso e o choro. Não. Me deixam em um lugar em que não há riso nem choro. É neste lugar que estou vivendo. Ainda." (página 129)

Paulo, o garoto de 12 anos do livro "Se eu fechar os olhos agora", reaparece aqui 9 anos depois, em 1970 como estudante de pedagogia. Ele é preso por engano, torturado e humilhado, mas "alguém" importante impede que seja morto e o manda para o exílio. Paulo, então, vai para o Chile, depois para Suécia e França.

"Este é o grande poder dos torturadores. A dor não passa. O domínio deles continua." (pág.56)

No pararelo, temos também a história de Barbara, que em 1991 parte para os Estados Unidos, fugindo dos problemas da vida. Lá, a realidade é dura, especialmente para quem vive de forma ilegal e possui uma identidade argentina falsa. Consegue um trabalho de faxineira.

Apesar de ser reservada e não se expor, ela conhece histórias de outros brasileiros. Um deles é Sílvio. Foi para o exterior ainda jovem, fez a vida como garoto de programa e agora padece com a Aids. Mesmo doente, ele se mostra alegre, irreverente e incentivador sempre que conversa com Barbara.

Paulo tenta reescrever sua história com Anna, sua namorada sueca. Barbara pensou que ia reescrevê-la com Luis Claudio, namorado brasileiro que a acolhe nos EUA. Nesse processo, ambos são obrigados a viverem vidas provisórias, vidas que não escolheram, mas que nem por isso devem ser desperdiçadas.

Boa leitura!

site: http://cantinhodaleitura-paulinha.blogspot.com.br/2016/06/vidas-provisorias.html
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Ilau Teles 06/03/2016

O livro é determinado inicialmente pelas suas cores e histórias intercaladas. Paulo tem a sua história cotada em letras pretas e folhas amareladas, já Bárbara, folhas brancas e letras azuis.

Paulo, com 21 anos em 1970, passou pela pior experiência de sua vida. Sequestrado e torturado, logo após sua casa ser invadida por militares que desejavam tirar dele informações que nem mesmo ele sabia, foi obrigado pelo próprio irmão, qo que Paulo, que era militar, a exilar-se do Brasil. Chile e Suécia são os lugares em que ele tenta levar uma vida provisória. Nova identidade, novos rostos e novos idiomas que lhe são "empurrados goela a baixo". A ditadura militar tirou o que Paulo chamava de vida. Obrigado a viver em lugares que não reconhecia e não se identificava. Mesmo passando por dificuldades financeiras e com o psicológico visivelmente afetado, Paulo conhece o amor. Casa-se, tem filhos, constrói uma nova vida, sem se livrar das dificuldades de viver um lugar que não é o seu, ele não deixa de sentir falta do seu seu país e sonha em um dia poder retornar ao seu lugar de origem.

Bárbara, uma jovem que tenta fugir do Brasil no ano de 1991, na esperança de uma vida melhor nos Estados Unidos, se depara com uma vida difícil em que parece que não conseguirá nunca aprender o inglês apesar do tempo que está lá. Mentindo a idade, que era por volta dos 16 anos, Bárbara trabalha limpando casas de brasileiras que moram nos EUA. Tem uma vida angustiante, teme ser descoberta e expulsa do país que entrou de forma ilegal. Sofre preconceitos e assim como na vida de Paulo, é explicito que seu psicológico também está afetado. Com a sua família ainda morando no Brasil, Bárbara ainda mantém contato com o país que um dia quisera esquecer. Mas tudo o que a jovem passou a fez repensar na vida. Seroa ela capaz de regressar a sua antiga vida?

É um livro que muitas vezes tem sua narrativa demasiada longa, tornando-o um pouco cansativo, porém, nunca desinteressante. Em diversos momentos o leitor angustia-se junto com os personagens, que passam por situações extremamente sofredoras, como tortura, estupro, xenofobia, além dos sentimentos internos de cada um.

Em determinado momento, Paulo narra um fato que lhe aconteceu, juntamente com seu amigo Eduardo, quando ainda era criança. Ao encontrarem um corpo semi nu de uma mulher, provavelmente uma prostituta, em um local que costumavam brincar, suas vidas mudam completamente quando a família de seu amigo é obrigada a se mudar. Parece que eles encontraram algo que deveria ficar escondido. Nunca mais ele vira o amigo novamente. "Eduardo e eu acreditávamos que aquele mundo e aquele Brasil caminhavam para um futuro melhor e mais justo. Eu não sabia que o nosso futuro tinha dono". Essa citação é extremamente forte, principalmente porque mostra como a inocência de uma criança pode ser afetada por conta dos pecados/erros de um adulto.

Algo bem interessante, é que são citados trechos de músicas e pessoas conhecidas aqui no Brasil, assim como poesias de outros países, como o "The road not taken" do Robert Frost, que particularmente acho excepcional, pois a mesma descreve não apenas estradas no meio de uma floresta, mas metaforiza como estamos sempre em bifurcações de decisões que devem ser tomadas em nossa vida.

Um livro complexo e real. Expõe através de uma for fictícia, um sofrimento real.

Teria Paulo retornado ao Brasil? E Bárbara, o que acontece com a jovem que é obrigada a amadurecer antes do tempo?

site: https://dialetica-literaria.blogspot.com/b/post-preview?token=7GNkTlMBAAA.7yEfUmhlK5hUHubHr433cydJv2TbwCGJ895Qzy5P3cJ0o4ZJmwy3s_mWa2_8Ym_12JUiYI_IgTmVfljjKCEA7g.UIoFp3jo_j37Q4BApr1-0g&postId=5760433119561907226&type=POST
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Evy 27/12/2015

A vida provisória de Barbara
Devo confessar que não esperava muito do livro, Edney Silvestre não me agrada em nada, sempre achei ele a personificação perfeita da Globo. Foi o prefácio do livro que fez com que eu desse uma chance ao autor. No geral o livro agradou e tudo graças a Barbara que conseguiu prender minha atenção do começo ao fim deixando no ar a curiosidade sobre o que o futuro lhe reservou. Os demais personagens costuram o enredo com perfeição, como não gostar de Silvio ou das prostitutas brasileiras (triste realidade). Já Paulo, a dita vítima da ditadura, tem tudo o que eu não gosto em um personagem.
Mau 23/10/2016minha estante
Cara, como um mesmo livro da impressões tão diferente? Achei o livro de Bárbara tão chato! E achei o Livro de Paulo tão mais interessante cheio de detalhes!




Maria - Blog Pétalas de Liberdade 04/12/2015

Recomendo!
Talvez vocês já tenham visto alguma reportagem do jornalista Edney Silvestre, eu particularmente gosto bastante do trabalho dele, por isso, quando soube que ele lançaria mais um livro, fiquei interessada em ler. Vidas provisórias, de certa forma, pode ser visto como dois livros em um, por alternar um capítulo da história de Paulo e um capítulo da história de Barbara.

Em 1970, Paulo tinha 21 anos quando teve seu apartamento invadido e foi levado pelos militares para ser torturado, eles queriam informações. Após a tortura, ele teve que sair do país e conseguiu exílio na Suécia. Lá, onde a população era branca e tão diferente dele, moreno, Paulo tentava sobreviver, escapando das lembranças da tortura que o atormentavam constantemente.

"Quantos de nós tomamos estradas evitadas como aquela, quantos de nós suspiraremos e contaremos nossas histórias por tantos e tantos anos?, ele se perguntou.
Não escolhi a estrada.
Fui lançado nela.
Sou da equipe dos perdedores." (página 70)

Em 1991, Barbara ainda era menor de idade quando saiu do Brasil com documentos falsos rumo aos Estados Unidos. Lá, tornou-se faxineira, além de manicure e pedicure nas horas vagas. As coisas não saíram conforme ela esperava, estar nos Estados Unidos não foi melhor do que estar no Brasil em muitos aspectos. Barbara vivia com medo da polícia e de ser deportada, não se ligava a nada nem a ninguém, mas não tinha deixado muita coisa no Brasil.

Saber onde as duas histórias se encontrariam era minha maior curiosidade e chegava a deixar meu coração apertado. O que os dois tem em comum? Ambos, após terem suas vidas bagunçadas, passaram a viver vidas provisórias, em terras estrangeiras e tão diferentes do Brasil.

"Você não vai ter chance de mostrar para ninguém o que aconteceu aqui. No Brasil não tem tortura, não há tortura no Brasil, entendeu? Você não esteve aqui. Não há nenhum registro. Nenhum documento." (página 38)

A ditadura militar no nosso país acabou oficialmente em 1985, fazem 30 anos que temos a democracia de volta, é pouquíssimo tempo! Felizmente, eu nasci num país livre, já meus irmão mais velhos nasceram sob o cruel regime militar. No livro, temos um retrato das atrocidades chocantes cometidas durante a ditadura. É um período da nossa história que não devemos esquecer, para que não se repita algo parecido no futuro. E livros do tipo são muito importantes para contar aos mais jovens sobre o que foi essa época no Brasil.

"Só na bagagem de viajantes insuspeitos, como o casal de dentistas amigo do pai dentista de Ernesto, é possível escapar da proibição de divulgar notícias indesejadas pela ditadura militar (informações sobre prisões e torturas, notas desfavoráveis à situação econômica), colocando a correspondência para os expatriados em fundos falsos de malas, entre capas duplas de cadernos, em forros de casacos, ou sob qualquer outro disfarce para driblar a Censura." (página 120)

Misturando realidade e ficção, Paulo e Bárbara, ditadura e imigração ilegal, passando por vários países e décadas da história da humanidade, Vidas Provisórias é um livro forte, que fala sobre pessoas tentando reencontrar seu lugar no mundo, reencontrar suas vidas. E uma leitura que eu recomendo!

Tem algumas citações em outros idiomas ao longo da trama, que eu não entendia por só saber o português, e que fizeram com que eu experimentasse e pudesse sentir uma minúscula fração do que deve ser o desconforto de estar em um país que você não conhece o idioma.

Eu gostei bastante da capa, as páginas são amareladas e a diagramação está boa: com margens, espaçamento e fonte de bom tamanho; e os capítulos da Barbara são escritos na cor azul.

site: http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2015/12/resenha-livro-vidas-provisorias-edney.html
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marcelodonati 15/09/2015

Ficção com base em história real é sempre mais interessante
Poucas vezes li um livro em tão pouco tempo; Peguei 'Vidas Provisórias' na biblioteca na quarta, e hoje, terça-feira (menos de uma semana) já o conclui.

Não que o livro seja extenso (apenas 240 páginas), mas a força e a excelência da narrativa do livro lançado pelo jornalista Edney Silvestre em 2013 me obrigaram a não abandonar a leitura enquanto não terminasse de ler a última página.



Um texto ágil, limpo, claro, que conta a história ficcional de dois personagens brasileiros em datas distintas, unidas pelo amargor do exílio obrigatório em países distantes.

Ao redor da trama, segue-se uma extensa e profunda análise histórica real, que conta e mostra a vida em vários países, bem como a visão do Brasil do ponto de vista dos exilados, Paulo e Barbara.


Enfim, sem contar muito sobre o livro, mas apenas deixando minhas impressões sobre a riqueza de detalhes e sobre a profundidade escancarada dos sentimentos dos personagens, recomendo imensamente a leitura. Ficção com base em histórias e locais reais é sempre um prazer duplo, a emoção de ler uma história com a garantia de poder escorar-se em locais, coisas e pessoas tangíveis, figuras históricas do Brasil e do mundo.



Sem dúvida, nota 10 de 10.

site: http://marcelodonati.blogspot.com.br/2015/09/resenha-vidas-provisorias-de-edney.html
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miriamz 20/06/2015

Verdade em ficção
O livro torna explícito a repugnante história da ditadura brasileira, desconhecida pela maioria dos brasileiros (que não foram afetados dolorosamente por ela), através da vida de duas personagens - Paulo e Bárbara, que vivem épocas diferente, porém, com a mesma vida provisória, que muitos outros brasileiros viveram ou ainda vivem, com seus sentimentos de raiva, medo, angústia, esperança, desesperança, sonhos e desilusão. Uma abordagem vívida e rica em fatos e referências históricas de um Brasil tão recente e tão vergonhoso. Embora ficção, extremamente verdadeiro.
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Luis 03/01/2015

Vozes da ficção
Há muitos anos, quando se aventurou pela primeira vez no terreno ficcional, Edney Silvestre teve seu romance de estreia recusado por um editor. O diagnóstico era de que “o autor não tinha voz.” Após décadas de uma carreira bem sucedida no jornalismo, Edney novamente voltou sua atenção para a literatura, publicando “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, ganhador do Jabuti de 2010. Desde então, vem escrevendo com regularidade, sempre apostando na originalidade das tramas, em trazer um novo ponto de vista para a milenar prática de contar histórias. Em suma, encontrou a sua voz.
“Vidas Paralelas” (intrínseca,2013) é mais um degrau na escada vertiginosa da consolidação do escritor como um dos nomes mais representativos das letras brasileiras no século XXI. Á primeira vista, a edição chama a atenção pela beleza gráfica do livro. Há um caprichoso trabalho de design, que estabelece identidades diferenciadas a cada segmento da trama ligado a um dos protagonistas.
A obra retoma dois personagens de livros anteriores de Edney : Paulo, de “Se Eu fechar os olhos Agora” e a jovem Barbara, filha de um dos personagens de “A Felicidade é fácil”. Em “Vidas Provisórias”, o autor usa sua vasta experiência como correspondente internacional, para contar duas histórias de exílio. Tanto o exílio político, personificado por Paulo, o menino de seu primeiro livro que, ao virar adulto, se transforma em um militante contra a ditadura de 1964, sendo então obrigado a deixar o país, vivendo primeiramente no Chile e depois na Suécia; como o exílio econômico, representado pela vida de Bárbara, que fugindo da cruel recessão agravada pelas trapalhadas do governo Collor, vira imigrante ilegal nos Estados Unidos, onde sofre por não falar inglês e viver condenada a trabalhos de baixo reconhecimento e remuneração.
Embora as duas histórias sejam contadas de forma paralela, sem nunca se cruzarem, há um forte ponto em comum ressaltado pelo olhar sensível do jornalista : tanto Bárbara como Paulo são, por motivos externos, literalmente “arrancados” de sua pátria, das referências familiares que constroem suas respectivas identidades, identidades essas que não são reconstruídas (muito pelo contrário) nas sociedades onde agora vivem. Paulo e Bárbara de certa forma viram apátridas. Perdem aos poucos as raízes brasileiras e vivem constantemente à margem das civilizações que os acolheram (?). Como bem cantaram os Titãs, “Não sou brasileiro, não sou estrangeiro, sou de nenhum lugar, sou de lugar nenhum.”
Olhando por esse lado, “Vidas Provisórias”, não obstante ser um livro triste, carrega em seu próprio título uma pequena partícula de esperança, uma vez que os personagens acreditam (ou nos levam a acreditar) que estão “a caminho” de suas realizações, que o sofrimento do presente é condição essencial para atingir um futuro idílico, o “amanhã” ardorosamente almejado. O problema é que, como dizem os ingleses, o amanhã nunca chega.
Embora seja referenciado por dois romances anteriores, não é necessário que se tenha lido “Se Eu fechar os olhos Agora” ou a “A Felicidade é fácil” para entender ou apreciar “Vidas Provisórias.” Me arrisco a dizer que o mais importante, talvez até mais do que a leitura segundo o conceito que nós conhecemos, seja de que o leitor se permita ouvir as vozes de cada personagem, procurando em cada uma a dor, o sofrimento, a solidão e a esperança que permeiam todos os exílios, não importando a época ou o motivo. E, definitivamente, ouvir as vozes desses personagens, é ouvir a voz de Edney Silvestre, que a cada livro publicado soa mais alta e forte.
Raphael Cavalcante 03/01/2015minha estante
Faz certo tempo que quero me debruçar sobre a literatura de Edney. Na verdade, desde aquela polêmica na qual ele perdeu um prêmio para Chico Buarque. Em breve, começarei justamente pelo livro que gerou tal polêmica!




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