Paraíso perdido

Paraíso perdido John Milton
John Milton




Resenhas - Paraíso Perdido


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GabyyAlmeida 10/05/2022

Foi difícil
Paraíso Perdido é certamente um livro fantástico, porém, um pouco complexo para leitores "novatos" como eu. Foi um desafio e tanto por causa de sua linguagem.?
Mesmo assim é interessante como o autor conta, de uma forma poética, os acontecimentos do Gênesis como a rebelião de Satã, a Criação do Mundo e a Queda do Homem pela desobediência de Adão e Eva no Jardim do Éden.
Francisco240 10/05/2022minha estante
Sabia que iria amar o livro??


Francisco240 10/05/2022minha estante
Fico feliz por ter gostado dele


GabyyAlmeida 10/05/2022minha estante
Obrigada amigo ?




Beatriz.Nascimento 03/01/2021

Uma obra extraordinária!
O autor consegue extrair a essência adâmica sem conhecer todos os seres. Nos coloca em posição de juiz-acusador e réu na mesma medida. Nas entrelinhas deste poema, encontram-se detalhes quase que imperceptíveis, da realidade, e naquele momento de queda em desobediência de Adão e Eva, revela-se a verdadeira faceta humana influenciada.

A mensagem deixada nos últimos capítulos, a promessa de redenção futura, serviu para acalentar-me de uma angústia...ainda que tenhamos nascido do pecado, fadados a uma vida de frustrações desejando a morte; se ainda escolhermos o caminho certo, o caminho instruído pelos santos, haverá uma satisfação nesta vida!

Em resumo, o poema trata da visão cristã da origem do homem, a rebelião e queda dos anjos, a criação de Adão e Eva seguida da tentação por Satã e por fim a expulsão do casal do Paraíso.
Com toda certeza, indico esta edição mais do que as outras, pois as imagens são encantadoras e fazem jus ao texto.

Não poderia dizer que é uma inspiração nímia, como a bíblia, mas diria que é algo bem próximo a isso.
Lima 03/01/2021minha estante
obrigado, estava esperando por isso!


leticiamelli_ 11/01/2021minha estante
Estou louca para ler esse livro, mas nao sabia qual edição escolher! Mas depois do seu comentário incrível, só aumentou essa vontade, e sanou minha duvida da edição. Obrigada!


Pedróviz 04/01/2022minha estante
Concordo com você, embora não deixe de acreditar que o Espírito Santo deva, sim, ter influenciado o autor nessa obra maravilhosa!




Jesner 23/02/2009

Um dos temas que mais aparecem nas narrativas religiosas e mitológicas da humanidade é o da perda do paraíso. Da Babilônia ao Império Asteca, várias tem sido as narrativas a respeito das histórias ligadas à vida do homem à Terra e à perda de seu contato direto com Deus Eterno. Na literatura ocidental, uma das mais belas narrativas a respeito deste fato é o livro Paraíso Perdido, escrito em 1677 por John Milton. Nesta épopéia temos o confronto entre Lúcifer e Deus, no qual um terço dos anjos do céu são expulsos e tramam no inferno sua vingança. Como não poderiam atacar diretamente o céu devido ao poder de Deus, do Filho de Deus (O Cristo) e das Hostes Celestiais (já que haviam sido expulsos ao perderem a batalha contra estes invencíveis adversários), os anjos caídos arquitetam um plano para desgraçar a criação insígne de Deus, feita à sua imagem e semelhança: o homem. Neste plano, Lúcifer viria à Terra incorporado em uma serpente e seduziria Eva para que juntamente com Adão comessem o fruto proibido, a Árvore da Ciência, e tentassem se igualar a Deus. Isto ocorre, e Adão e Eva são expulsos do Paraíso por terem dado ouvidos ao maligno.
Quando pensamos porém que a vingança funesta se consumou e nada mais pode ser feito, eis que Deus descobrindo a perfídia pune novamente os anjos caídos, transformando os em serpentes que ficariam presas por mil anos no inferno (sendo Lúcifer a maior e mais feroz destas) a passarem fome, sede e calor em tal região.
A epopéia Paraíso Perdido é belíssima por seu enredo, pelo tema escolhido e pela forma como John Milton a apresenta, utilizando-se da poesia para narrar os eventos. Igualmente belas são as descrições do Céu, do Inferno, do Paraíso e da Terra, nas quais o autor se utiliza de seu vasto conhecimento da mitologia greco-romana e das mitologias e religiões da antiguidade para caracterizar seus personagens e locais em que se passa a trama.
Todos os que gostam de boa literatura e desejam ler obras em que aparece a relação entre arte e religião devem ter em sua biblioteca Paraíso Perdido.

Jesner 23/02/2014minha estante
O que li tinha gravuras fantásticas de Gustave Doré. Emprestei e nunca mais vi...


Hellen.Perazzolo 07/03/2020minha estante
Ah onze anos... qto tempo




Ogaiht 26/09/2021

A Queda do Homem
Poema épico publicado em 1667 por John Milton, Paraíso Perdido é uma das maiores obras da literatura inglesa. Nos moldes dos poemas épicos clássicos como A Odisseia, A Ilíada e A Eneida, o livro é dividido em cantos, 12 no total. Cada canto é antecedido por um preâmbulo que resume o que acontecerá ali. Ao longo desses 12 cantos, Milton narra a rebelião de Lúcifer nos céus e sua queda até o inferno, levando hordas de anjos caídos com ele. E lá, decide governar e profere uma das mais ilustres frases do livro: ?É melhor reinar no Inferno que servir no Céu?. E, ao descobrir sobre a criação do Homem, decidi ir ao Éden e descobre Adão e Eva. Esta, como já sabemos por causa da Bíblia, acaba sendo enganada por ele (em forma de serpente) e comendo o fruto da árvore da ciência, o que acarreta na expulsão deles do paraíso. Não é uma leitura fácil, recomendo ler um canto por dia, com a máxima atenção, sem interrupção e num lugar bem silencioso. A versão que li foi a da Martin Claret, que a exemplo do que fez com A Eneida, a editora usou uma tradução do século XIX! Por sorte, esta tradução não ficou tão difícil e rebuscada como a tradução de A Eneida. Como Milton usou versos brancos (sem rimas), talvez isso tenha facilitado um pouco a leitura. Mas ainda sim, é uma leitura que exige não apenas muito conhecimento da língua portuguesa, mas também de cultura em geral, pois há referências a diversas divindades, cidades da antiguidade e acontecimentos e personagens históricos. Em suma, qualquer um que se interesse em aprofundar seus conhecimentos sobre literatura universal deveria ler esta obra e se aventurar em seus belos versos.
Rauny.Campos 28/09/2021minha estante
Achei super difícil de ler. Acabei demorando um pouco. Mas valeu demais


Ogaiht 28/09/2021minha estante
Sim, realmente a leitura não é fácil. Mas um vez que vc foca entra no livro, é bem recompensadora a leitura. Bora ler a sequência? ?




Marcos606 24/03/2023

Milton observou, mas adaptou várias convenções épicas clássicas que distinguem obras como A Ilíada e a Odisseia de Homero e A Eneida de Virgílio.

Entre essas convenções está o foco nos assuntos elevados de guerra, amor e heroísmo. No livro 6, Milton descreve a batalha entre os anjos bons e maus; a derrota destes últimos resulta em sua expulsão do céu. Na batalha, o Filho (Jesus Cristo) é invencível em seu ataque violento contra Satanás e seus companheiros. Mas a ênfase de Milton é menos no Filho como guerreiro e mais em seu amor pela humanidade; o Pai, em seu diálogo celestial com o Filho, prevê a pecaminosidade de Adão e Eva, e o Filho escolhe encarnar-se e sofrer humildemente para redimi-los. Embora seu papel como salvador da humanidade caída não seja representado no épico, Adão e Eva, antes de serem expulsos do Éden, aprendem sobre o futuro ministério redentor de Jesus, o gesto exemplar de amor abnegado. O amor altruísta do Filho contrasta fortemente com o amor egoísta dos heróis das epopeias clássicas, que se distinguem pela sua bravura no campo de batalha, geralmente incitada pelo orgulho e pela vanglória. Sua força e habilidades no campo de batalha e sua aquisição de espólios de guerra também resultam de ódio, raiva, vingança, ganância e cobiça. Se os épicos clássicos consideram seus protagonistas heroicos por suas paixões extremas, até vícios, o Filho no Paraíso Perdido exemplifica o heroísmo cristão tanto por sua mansidão e magnanimidade quanto por sua paciência e coragem.

Como muitos épicos clássicos, o poema invoca uma musa, que Milton identifica no início do poema, esta musa é a divindade judaico-cristã. Citando manifestações da Divindade no topo do Horeb e do Sinai, Milton busca inspiração comparável àquela visitada por Moisés, a quem é atribuída a composição do livro de Gênesis. Assim como Moisés foi inspirado a contar o que não testemunhou, também Milton busca inspiração para escrever sobre eventos bíblicos. Relembrando as epopeias clássicas, nas quais o refúgio das musas não são apenas os cumes das montanhas, mas também os cursos d'água, Milton cita o riacho de Siloa, onde no Novo Testamento um cego adquiriu a visão depois de ir lá lavar o barro e a saliva que Jesus colocou sobre seus olhos . Da mesma forma, Milton busca inspiração para capacitá-lo a visualizar e narrar eventos para os quais ele e todos os seres humanos são cegos, a menos que sejam escolhidos para iluminação pela Divindade. Com sua referência ao “monte Aoniano”, ou Monte Helicon na Grécia, Milton deliberadamente convida à comparação com os antecedentes clássicos. Ele afirma que seu trabalho substituirá esses predecessores e realizará o que ainda não foi alcançado: um épico bíblico em inglês.

Também invoca diretamente os épicos clássicos iniciando sua ação in medias res. O livro 1 relata as consequências da guerra no céu, que é descrita apenas mais tarde, no livro 6. No início do épico, as consequências da perda da guerra incluem a expulsão dos anjos caídos do céu e sua descida ao inferno, um lugar de tormento infernal. Com a punição dos anjos caídos descrita no início do épico, Milton em livros posteriores relata como e por que sua desobediência ocorreu. A desobediência e suas consequências, portanto, vêm à tona na instrução de Rafael para Adão e Eva, que (especialmente nos livros 6 e 8) são admoestados a permanecerem obedientes. Ao examinar a pecaminosidade de Satanás em pensamento e ação, Milton posiciona essa parte de sua narrativa próxima à tentação de Eva. Esse arranjo permite a Milton destacar como e por que Satanás, que habita uma serpente para seduzir Eva no Livro 9, induz nela o orgulho desordenado que provocou sua própria queda. Satanás desperta em Eva um estado mental comparável, que é representado por ela ter comido do fruto proibido, um ato de desobediência.

O épico de Milton começa no submundo infernal e retorna para lá depois que Satanás tentou Eva à desobediência. De acordo com as representações clássicas do submundo, Milton enfatiza sua escuridão, pois o fogo do inferno, que é cinza, inflige dor, mas não fornece luz. Os tormentos do inferno (“por todos os lados ao redor”) também sugerem uma localização como um vulcão ativo. Na tradição clássica, Typhon, que se revoltou contra Jove, foi lançado à terra por um raio, encarcerado sob o Monte Etna, na Sicília, e atormentado pelo fogo deste vulcão ativo. Acomodando este análogo clássico à sua percepção cristã, Milton traduz o inferno principalmente de acordo com os relatos bíblicos, principalmente o livro do Apocalipse. As representações do inferno no poema também ecoam a convenção épica de uma descida ao submundo.

O poema é, em última análise, não apenas sobre a queda de Adão e Eva, mas também sobre o confronto entre Satanás e o Filho. Muitos leitores admiraram a esplêndida imprudência de Satanás, se não o heroísmo, em confrontar a Divindade. O desafio, a raiva, a obstinação e a desenvoltura de Satanás definem um caráter que se esforça para nunca ceder. De muitas maneiras, Satã é heroico quando comparado a protótipos clássicos como Aquiles, Odisseu e Enéias e a protagonistas semelhantes em épicos medievais e renascentistas. Em suma, seus traços refletem os deles.

Mas Milton compôs um épico bíblico para desmascarar o heroísmo clássico e exaltar o heroísmo cristão, exemplificado pelo Filho.
amarogusta 24/03/2023minha estante
Adorei sua análise, Marcos!


Marcos606 24/03/2023minha estante
Obrigado




Pedróviz 08/01/2022

Paraíso Perdido
Paraíso Perdido, de John Milton, é uma versão épica da história da criação da humanidade, sua condenação e sua salvação. Todo o enredo é envolvente, mas o trecho que mais me agradou foi a parte final do poema, que traz uma grande mensagem de esperança. Recomendo a leitura.

Edito esta resenha para incluir o seguinte questionamento: por que motivo tantos leitores simpatizam com Lúcifer nessa história? Não será isso bastante sintomático das escolhas que as pessoas andam fazendo para suas vidas? Preocupante.
Dan 31/01/2023minha estante
Gosto do Lúcifer do Milton, e muito! Rsrsrs Acredito porque seja a personagem mais complexa da obra. A densidade psicológica dessa personagem é incomum.


Pedróviz 01/03/2024minha estante
Em matéria de Lúcifer, o que eu mais gosto é do Lucifer Sam.




Roberto 10/02/2023

Um encorajamento
Dando continuidade ao meu projeto desse ano de ler as obras que são os pilares da civilização, me deparei com O Paraiso Perdido, consisderado por muitos o mais acessível desses trabalhos ( em comparação com a Eneida e a Divina Comédia por exemplo), e realmente a escrita de Milton não é difícil, pois o autor é sempre ( desconsiderando a questão estética do movimento barroco)muito direto nas descrições dos acontecimentos e dos ambientes, sendo um texto bem conciso, com cada livro/capítulo tendo cerca de 35 páginas
Agora, o que pode tornar o livro difícil para muitos é a intertextualidade que o autor adota, sempre usando e abusando de referências da mitologia grega, obviamente da Bíblia Sagrada, e referências históricas, necessitando de um envolvimento do leitor 100% do tempo para ir atrás desses contextos e de uma leitura lenta
A história todo mundo já "conhece ", então essa resenha é mais um encorajamento para quem pensa em lê-lo mas está com receio, eu aconselho a esticar o pescoço e não adiar mais essa leitura, mesmo que não tenha lido os outros textos de referência, é algo que pode ser pesquisado facilmente na Internet, sendo o deesafio formador de um leitor.
caio.lobo. 10/02/2023minha estante
No Paraíso Perdido tem a cena mais horrível de terror que já vi, que é justamente a parte do surgimento de Pecado e do nascimento de Morte


Carlos Nunes 10/02/2023minha estante
Um dos meus livros da vida!!!!




"Aonde você vai Sam?" 25/03/2023

O que seria de Satã sem Milton?
"O paraíso perdido é um monumento. Uma epopeia pelo menos igual à Jerusalém libertada e a Os Lusíadas, uma das poucas epopéias que ainda se leem com admiração sincera.
(...)
Mas o Paraíso perdido distingue-se de todas as outras epopéias por mais uma qualidade especial: a força dramática da caracterização das personagens; sobretudo o Satã de Milton é um dos maiores personagens dramáticos da literatura universal."

(Otto Maria Carpeaux)


Preciso dizer mais?
amarogusta 25/03/2023minha estante
ouso questionar : o que seria de Milton sem Satã ?


"Aonde você vai Sam?" 28/03/2023minha estante
E o que seria de Mary Shelley sem Frankenstein ou de Bram Stoker sem Drácula?




Coruja 21/01/2012

A primeira vez que li O Paraíso Perdido, lembro-me de ter avançado quase aos trambolhões, nada acostumada ao estilo épico de Milton. Era novinha – devia ter uns dezesseis para dezessete anos – mas ainda guardo a lembrança dessa primeira leitura, de “alumbração”, de fascínio.

Mais tarde, ao conhecer um pouco da biografia do autor, ficou a sensação ainda mais forte de espanto e admiração – Milton não escreveu propriamente o poema, mas o ditou, uma vez que estava cego à altura em que compôs sua obra-prima. Burgess, o autor de Laranja Mecânica- e que era também professor de literatura – resume admiravelmente as impressões que temos ao somar esse dado ao todo:

"Em 1632, ele perdera a visão, e de agora em diante seu mundo se torna um mundo escuro de imagens relembradas, de sons sem cor, um mundo pessoal altamente autocentrado, o mundo do Paraíso Perdido. Esta grande epopéia registra o maior acontecimento conhecido dos povos hebraico-cristãos: a Queda de Satã e a conseqüente Queda do Homem. O mundo sem visão de Milton o torna capaz de pintar a vastidão obscura do inferno de modo mais eloqüente do que o poeta italiano Dante com sua nitidez de visão."

E já que estamos falando de Dante, Milton e visões do Inferno, gostaria de observar que entre estes dois monstros literários, só mesmo alguém como Gustave Doré para ilustrá-los. Minha edição de Milton não tem as ilustrações originais, mas não é difícil encontra-las na internet – e acho que é difícil superar o imaginário que Doré criou em cima desses dois épicos.

Voltando à história... Lúcifer caído, agora Satã, lançado ao Inferno após fazer guerra nos céus, decide se vingar fazendo com que o homem, a mais perfeita criação divina, caia como ele. E é exatamente isso que ele faz – mesmo, por momentos, contra sua própria vontade, incapaz de escapar à admiração daquela nova criatura que Deus criara a sua imagem e semelhança.

E essa segunda queda é algo ainda mais doloroso e absurdo que a primeira, uma vez que Adão e Eva não foram pegos desprevenidos e inocentes. No momento em que Satã se infiltrou no Éden, Deus lhes deu conhecimento de quem era ele e o que planejava.

Agora, se formos pensar em termos simplistas, o tema da Queda é na verdade uma grande piada meio doentia de Deus. Sendo onipotente, onisciente e onipresente, Ele sabia o resultado que viria de colocar a Árvore do Conhecimento no meio de Éden – sabia que o homem não conseguiria resistir.

O que Milton nos diz, porém, é que a despeito d’Ele saber o que aconteceria, era necessário permitir ao Homem que tivesse o livre-arbítrio, que ele pudesse escolher. Não pode haver virtude e pecado sem que haja um Fruto Proibido – o teste é o que dá significado à virtude e sem esta, o homem não pode viver sua plenitude como imagem e semelhança do ser divino.

Pode parecer um pouco complicado de acompanhar, mas faz sentido. O maior dom que Deus teria dado ao Homem seria o poder de fazer suas escolhas por si – e para que isso pudesse ser utilizado, era necessário que existissem escolhas. Pensando dessa forma, a própria queda de Lúcifer poderia ser vista como parte do Plano Divino – é necessário que exista o caminho do Céu e o caminho do Inferno para que o homem possa tomar uma decisão.

Se tudo isso já não fosse suficientemente polêmico, Milton criou um dos vilões – se é que podemos chamá-lo assim – mais interessantes, mais surpreendentemente nobres de toda a literatura. Lúcifer conserva na queda a majestade que o fazia ser o primeiro entre os anjos e por boa parte de O Paraíso Perdido não podemos deixar de nos sentir tão seduzidos por ele quanto Eva foi.

Ele é um gigante que ainda conserva suas asas, seu porte, seu carisma e sua liderança. Passo a passo, contudo, ele se despe de suas vestes divinas até rastejar como serpente e, da nobreza que ainda nos ofusca a princípio, resta apenas um discurso melífluo e o sentimento de mesquinhez, inveja e orgulho que, ao final das contas, foi responsável por sua queda.

Eis porque concluiu o poeta William Blake que “Milton era do partido do diabo sem sabê-lo.”. Por boa parte de O Paraíso Perdido, é o magnetismo de Satã – muito mais que a inocência de Adão e Eva – que nos prende e fascina.

Creio que nenhum outro elogio possa ser maior que esse ao gênio de John Milton.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
Rafael 07/09/2012minha estante
Curiosidade sobre o autor:
http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/6-escritores-consagrados-que-nao-enxergavam-direito/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super




MachadiAninha 28/03/2022

(Um dos) suprassumos do épico
John Milton traz, em Paraíso Perdido, a história bíblica de Gênesis contada sob diferentes pontos de vista, resgatando a fórmula épica de Camões e seus antecessores (e genitores do gênero), os gregos. O poema, dividido em cantos, carrega drama, poesia, emoção. É um texto forte, por vezes cansativo, mas que te enriquece de tanto conhecimento, e enche os olhos de tão belo.

Sem falar na maestria de John Milton em, além de várias referências a obras gregras e até ao próprio Camões, o autor não deixa de imprimir sua personalidade: a ousadia de seus versos é nítida. Nada mais incrível do que ter o ponto de vista do Diabo como um dos principais a maior parte da obra e, de certa forma, querer torcer por ele! (eu juro kkk). As concepções mais afiadas de Deus, as críticas à constituição de Adão e Eva... Fiquei me perguntando se a sociedade e a Igreja conseguiram deixar John Milton em paz depois dessa publicação.

Essa edição em específico traz muitas notas de rodapé para auxiliar na leitura, o que foi bem fundamental para mim. A tradução optou por deixar o português mais próximo possível da linguagem arcaica. Eu demorei mais de um canto para conseguir me acostumar, e por vezes, tive de reler mais de 3 vezes o mesmo trecho para me manter imersa. Talvez não seja uma edição boa para quem nunca leu John Milton antes, mas ainda sim é boa, e depois que você se acostuma, a leitura fica mais leve.

Como o próprio gênero diz: Paraíso Perdido é épico em todas as suas circunstâncias. Milton é épico. Sem mais.

site: https://www.instagram.com/p/CbqDRFHrlFF/
Larissa.Peri 22/07/2022minha estante
Olá, Ana!
Desculpe o incômodo mas gostaria de saber se essa edição tem as mesmas ilustrações da edição da editora 34?




Raquel Oliveira 06/04/2021

Se for pra ler, escolha qualquer outra edição.
Livro: Paraíso Perdido
Autor: John Milton
Gênero: Poesia
Editora: Martin Claret -
Nota: 1/10
Resenha:
AVISO: se for alguém MUITO religioso ou que não saiba separar as coisas, peço que não leia este post.
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O clássico conta uma versão do começo do livro de Gênesis, especificamente no período entre a queda de Lúcifer e a expulsão de Adão e Eva do jardim do Éden. A história vai focar principalmente nos confrontos de Deus vs Lúcifer e com muitos, muitos mesmo, detalhes sobre os anjos caídos e a “formação” do inferno.
Logo no começo temos o primeiro conflito de Lúcifer que o leva até os portões do inferno junto com seus seguidores onde Caos existe do nada. Com raiva e confuso vemos Lúcifer com seu exército enfraquecido, mas as coisas só começam a verdadeiramente a andar quando ele junto Belzebu resolvem levantar os anjos novamente. Lúcifer começa a lamentar o quanto é inacreditável que perderam a guerra. Ele diz aos anjos para se levantarem ou serão desonrados para sempre – fala isso num discurso animador. Eles se organizam em esquadrões, cada um com um líder que sai para se juntar a Lúcifer. Chemos, Moloch, Baalim, Ashtaroth, Thammuz, Dagon, Rimmnon e Belial são alguns dos líderes nomeados que estão com Lúcifer à frente do novo exército.
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O livro segue por essa vibe bem puxada, mas vemos com MUITOS detalhes todo processo de Lucifer e seus generais para se vingar de Deus e sua criação.
Além disso a obra cria uma aspecto bem mais detalhado de forma que faz com que a Bíblia aparenta ser incompleta, já que vemos o outro lado da história (o lado de “mal”) que possui muito mais coisas. Vemos uma versão bem detalhada do inferno, do céu e do paraíso, e de como cada um funciona com suas organizações.
Fica bem claro a visão de um tirano, hipócrita, manipulador e ditador por cima de Deus.
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A obra é uma bela de uma porrada de quebrar o osso para qualquer cristão e para quem não é dessa religião com certeza vai sentir o quão tenso é o livro. Aos meus olhos se a pessoa não souber diferenciar uma coisa da outra vai achar o livro bem blasfemo e desrespeitoso, mas não como se o autor defendesse Lúcifer e o fizesse ser o Herói, pois ele também deixa bem claro que uma reação veio atrás de outra reação (a famosa Lei do Retorno).
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Para mim o maior e único defeito que prejudicou essa edição tão linda da Martin foi a tradução.
E não foi por conta do boato, mas sim pelo fato de ser PRATICAMENTE uma tradução de 1800 e bolinha. Me sentir com 15 anos sendo forçada a ler um clássico para não reprovar de ano. O livro em si é muito bom, a diagramação do texto é perfeita com letras grandes, várias notas de rodapé e auxílio para entender cada Canto do livro, porém a tradução em si dificultou muito e mesmo com pontos bons pra mim não foram o suficiente para equilibrar.
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Sou bem acostumada com clássicos difíceis, mas como esse nunca vi igual, mesmo com tantas coisas para ajudar o leitor a ter uma boa experiência, nada foi o suficiente.
Larissa.Peri 23/07/2022minha estante
Esse edição tem as ilustrações igual a edição da editora 34?




Heloyse 13/08/2022

Não sei...
Estou chegando à conclusão que clássicos não são para mim.
Por mais interessante que seja a temática de Paraíso Perdido, muitas vezes senti que estava lendo apenas palavras que não significavam nada.
De toda forma, foi uma experiência única, apesar de não tão agradável.
Larissa.Peri 22/09/2022minha estante
Olá, como vai? Você poderia me dizer se essa edição vem com as ilustrações?




SUPERNOVA 29/11/2016

A queda do homem!!!
Uma narrativa muito interessante na visão de Milton. Num período bastante turbulento...a era de Oliver Cromwell. Escrito em versos brancos. Senti bastante dificuldade. Mas com uma vontade imensa de ler de novo. Sublime demais!!!!
giselle 19/02/2017minha estante
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Almaden 03/11/2020

Livro difícil, requer atenção. Os dois primeiros cantos foram umas das coisas mais incríveis que já li.
Rafa 13/08/2021minha estante
O que achou dessa edição da Martin Claret?




Ave Fantasma 01/05/2020

Obra-prima!
Ao terminar de ler esse poema épico entendo o porquê Paraíso Perdido influenciou tantas outras obras e autores consagrados, o porquê dela aparecer tanto como leituras de personagens emblemáticos, e ter passagens citadas pela literatura mundial.

Se Deus Satã, Paraíso e Empíreo, ou, céu e o inferno, por si só já suscitam um imaginário abundante e extraordinário Milton constrói tais personagens e elementos de modo tão intenso que mergulhamos para além de uma visão bíblica. Dando principalmente voz a Satã e Adão, compreendemos suas lamúrias e sofrimentos como seres amaldiçoados e expulsos das maravilhas.

Temos que nos ater ao tema principal de Paraíso Perdido, que o mantém tão fascinante durante quase 400 anos, a queda do homem, o seu declínio, juntamente com a rebeldia – embora, com final de inclinação a devoção a Deus – é o que parece instigar e fascinar aos que entram em contato com essa obra.

Para nos encantar mais ainda, o poeta não só se utiliza dos principais elementos da mitologia cristã de maneira única, como envolve elementos da mitologia e cultura grega clássica.

Li Paraíso Perdido apenas como apreciação aos clássicos. Há excelentes e extensas análises produzidas por especialistas dessa obra prima. Não me privo de comentar e discutir particularmente, mas aqui, quis apenas deixar algumas palavras, pois me pareceu estranho apenas marcar como lido um livro que me impressionou tanto, e que me surpreendeu. Receava por uma leitura/tradução tão intrincada que me fizesse abandonar por não ter costume em ler poemas, muito menos os épicos. Realmente foi difícil no começo, mas quando me adaptei a escrita, foi um deleite.
Rafa 13/08/2021minha estante
O que achou da tradução/edição da Martin Claret?




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