O Mestre e Margarida

O Mestre e Margarida Mikhail Bulgakov




Resenhas - O Mestre e Margarida


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Julyana 23/10/2011

Que livro!

É tanta coisa em um livro só: comédia de costumes, crítica social, fantasia, história de amor, mas penso que fala sobretudo de liberdade.

Gosto da ideia que permeia boa parte do livro de que a covardia é o pior dos defeitos. Gosto também da ideia de que as pessoas são responsáveis pelo mal, não o diabo. É bem verdade que ele dá os meios, mas as pessoas só usam se quiserem.

A única nota triste é o autor não ter podido ver sua obra publicada. Mas como 'os manuscritos não ardem' hoje ela tem a importância merecida.
Leninha 06/05/2015minha estante
Sempre ouço falar muito bem desse livro!

Gostei dos seus comentários. :)


Tiago 01/06/2016minha estante
Bulgakov é sem duvida um dos grandes mestres da literatura russa. Fiz uma resenha sobre "O mestre e margarida", porem mais voltada para a interpretação de certos nomes e personagens da obra. Comparei a forma narrativa de Bulgakov a elementos associados ao xadrez (jogo apreciado pelos russos e por um dos personagens) e do jogo de cartas (também algo apreciado por um dos personagens). O foco do meu texto foi esclarecer o significa da utilização do nome "margarida", que no texto da obra não é informado apenas sugerido. Para quem quiser conferir meu trabalho segue o link da minha pagina CAFÉ MUSAIN:

http://cafe-musain.blogspot.com.br/2016/05/o-mestre-e-margarida.html




Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

O mestre e Margarida, Mikhail Bulgákov - Nota 10/10
Já inicio essa resenha com a certeza de que “O mestre e Margarida” entrou para a lista dos preferidos! E o engraçado é que eu tinha um certo receio de ler esse livro, pois já tinha ouvido falar que se tratava de uma "leitura difícil"! Mas essa experiência serve para confirmar o que venho tentando mostrar aqui para vocês: vamos perder o medo de ler grandes clássicos…

Bom, chega de introdução e vamos ao que interessa. A obra de Bulgákov narra a visita do diabo - sim, em pessoa - à Moscou soviética da década de 30. E o diabo, conhecido como professor Woland, não vem sozinho, mas acompanhado de um séquito pouco convencional: um gato preto com traços humanos (um dos melhores personagens), um demônio brincalhão, uma feiticeira nua e um assistente caricato.

A partir dessa visita, vários acontecimentos estranhos começam a se espalhar por Moscou. Prof. Woland se diverte com os cidadãos, mostrando - em nítida crítica ao regime de Stálin - como ideais tidos como verdades e amplamente disseminados são, em grande maioria, pura invenção e facilmente desconstruídos. Mas não espere encontrar uma crítica profunda ao regime comunista ou uma análise da época. Na verdade, o autor consegue apresentar essas críticas nas entrelinhas de um obra de literatura fantástica, carregada de humor e ironia.

Além dessa visita à Moscou, a narrativa vai alternando com a Jerusalém dos anos 30 D.C., época da crucificação de Jesus. Embora não pareça fazer sentido uma narrativa que misture duas épocas tão diferentes, Bulgákov consegue fazer desse paralelo mais uma das grandes sacadas de seu livro.

Escrito em cerca de 11 anos, “O mestre e Margarida” é, na minha opinião, uma obra completa! Traz uma história extremamente cativante, com personagens fortes, crítica social e escrita digna de elogios. É um livro de certa forma “estranho”, sim, então leia com calma e aproveite a genialidade do autor. A título de curiosidade, a obra foi alvo de muita censura e só foi integralmente publicada após 20 anos da morte de Bulgákov.

Dica: recomendo ler nessa edição nova da Editora 34, pois a tradução parece estar bem mais acessível!

site: https://www.instagram.com/book.ster
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Rafa 15/06/2020

Sympathy For The Devil (Jagger & Richards)
O Mestre e Margarida é uma leitura complexa e densa, onde autor apresenta uma sátira àquele período histórico. O livro ainda aborda diversos elementos como: críticas sociais, religião, costumes, amor e liberdade. Por fim, vale a pena lançar mão de marcações e anotações para mergulhar no seu conteúdo inteligente e repleta de humor.
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Ari 06/08/2014

Aos poucos ELE se apresenta e as Pedras Rolam (Rolling Stones)*. - Uma breve leitura do romance "O mestre e Margarida" de Mikhail Bulgákov
Acabo de ter uma aula com o professor Wolland e tenho algumas coisas a dizer. ...


Quando peguei em mãos a obra O Mestre e Margarida de Mikhail Bulgákov (1891-1940) estava preparado para ler uma crítica ferrenha ao comunismo russo conforme haviam me indicado. Por conta de minhas ideologias de esquerda a leitura dessa obra seria um grande desafio, pois, ainda que eu me considere uma pessoa aberta às críticas, é certo que elas precisam vir acompanhadas de bons argumentos, do contrário, eu abandonaria o livro nas primeiras páginas. Mas, ainda no primeiro capítulo, quando o professor é apresentado ao crítico e ao poeta, fiquei certo de uma coisa: Não se tratava de um romance que criticaria o regime soviético, mas sim uma crítica à corrupção humana, independente de sua opção política.

Edição 2009
O livro pode ser classificado como realismo fantástico em partes. Quero dizer, ao tempo em que vislumbramos uma descrição profunda do narrador e uma tentativa de ambientalisar a narrativa na sociedade moscovita do início do século XX, ele nos carrega, de maneira delirante, ao universo paralelo da fantasia e do surrealismo, sempre dotado de uma criticidade ácida aliviada por uma animação simbólica que remonta cenários da Disney e dos irmãos Grimm.
NOTA: Se o leitor dessa singela nota quiser conhecer o enredo do romance, sugiro que o leia. Afinal, ninguém é mais apropriado para lhe contar isso que o próprio Bulgákov. O que pretendo expor nessas linhas é uma interpretação do que me foi apresentado pelo autor.
Já nos primeiros capítulos é possível notar a impotência das ideologias humanas, manipuladas de acordo com o interesse dos políticos, diante da sagacidade do Demônio. Sobretudo porque ele não dispõe de armas celestiais ou argumentos infalíveis capazes de convencer a humanidade de suas verdades, mas sim porque ele usa a maior de todas as forças contra o homem, cuja potência, ao ser demonstrada, é reconhecida, a princípio, como inacreditável, insuperável, maravilhoso e, portanto, invencível: A farsa.

Mikhail Bulgákov
As peripécias do Demônio acabam por revela-lo a todos aqueles que cruzam seu caminho e que atônitos passaram o resto de suas vidas traumatizados pela perturbadora sensação de que ele jamais os deixará. Satanás é um espelho. Na obra ele surge como um mago, incita os homens e realiza desejos. No entanto, tais realizações são tão frágeis quanto o caráter dos felizardos. Wolland, o professor demoníaco, e seu séquito escolhem suas vítimas na maquiada sociedade socialista, cuja adesão ao regime se dá muito mais pelo medo que pelo compromisso com a causa, e os instiga a derrubarem suas máscaras e revelarem a pérfida alma egoísta que habita cada um. Ninguém, absolutamente ninguém, resiste aos dólares, às roupas parisienses, a luxúria e a oportunidade de satisfazerem seus impulsos de consumo. Mesmo que isso signifique uma declaração de ódio à causa comunista. E assim, os camaradas vão caindo. Não diante do irreal ou do fantástico Ser que surge numa tarde quente de Moscou, mas sim, diante do Demônio que sempre estivera instaurado dentro de si.
Os heróis da trama são justamente O Mestre e sua amada Margarida que, aliam-se ao Demônio não por suas almas fétidas e sandias, mas, ao contrário, pela pureza e verdade de seus sentimentos. O primeiro, por romancear a vida de Pôncio Pilatos, recebe como punição a indiferença da sociedade intelectual e críticas que o eliminam do cenário cultural bolchevique. Na impossibilidade de prever outros caminhos, que na verdade não haviam, ele enlouquece e queima sua obra, desagradando profundamente sua amada, Margarida, que por sua vez é casada e vive uma vida de prestígio ao lado de um rico russo numa sociedade de iguais. Diante do seu quadro de aparente loucura, o Mestre é encaminhado ao hospício pois, além da impossibilidade de viver sem sua amada, acaba por afirmar que conhecera o Diabo. Margarida, na busca incessante para reencontrar seu Mestre querido, sucumbi a tentação de Satanás e, por amor, aceita abrir mão de toda e qualquer aparência social em busca do seu objetivo. Duas almas puras que a corrupção humana, violentamente, separara em nome de interesses mesquinhos, na defesa de uma causa de adesão falsa. Para o Mestre e Margarida Satanás não se mostra austero, não assusta e muito menos representa o Mal. Isso porque a realidade de suas vidas, antes do mágico encontro com Wolland, era bem mais assustadora.

Pilatos e a primeira audiência de Yeshua
Paralelo ao enredo carregado de símbolos que revela as relações corrupta da sociedade, há a revisão histórica da vida de Pilatos e Mateus Levi. O apóstolo, acusado por Cristo de ser um falso marqueteiro de seus feitos, destaca-se pela sua fidelidade e resignação aos propósitos de Yeshua. Nessa releitura, Pilatos surge como alguém que fez o possível para que Jesus não fosse condenado, por entender que esse não oferecia nenhum mal aos interesses de Roma, e que a decisão de Caifás, um corrupto religioso da época, era irresponsável, já que condenaria a morte um homem sem crimes para satisfazer sua leitura arbitrária e equivocada de Davi. Yeshua, com sua simplicidade e retórica, perturbou Pilatos por muitos anos. O procurador, assim que Pôncio é chamado em grande parte do romance, não teria mais paz, mesmo depois de sua morte, que aliás nunca fora mencionada.
A Moscou, repleta por corruptos como Caifás, agora revivia o embate entre Pilatos e Levi. No passado, o procurador ofereceu a Matheus a liberdade e a realização de todos os seus desejos e recebeu do discípulo um categórico NÃO. Matheus estava decidido a redimir-se do mal feito ao seu Mestre com devoção incorruptível. Este ato aprofunda ainda mais Pôncio na melancólica e efêmera cova aberta de sua alma. No reencontro, Levi pede a Wolland que leve os heróis com ele, pedido atendido com prazer pelo Demônio, pois, depois de tanto tempo, a alma pura e sincera daqueles jovens, flutuava acima do ar contaminado moscovita, assim como pura era o semblante, o coração e a memória de Yeshua. Ou seja, aqueles amantes deram a Pilatos a possibilidade de sua redenção. Salvá-los foi a sua contribuição para os desígnios de Jesus que, como retribuição, deu ao Mestre e a Margarida o poder de libertá-lo.
A obra é carregada de símbolos cuja interpretação requer anos de análise, talvez por isso esse livro, mesmo depois de tanto tempo escrito, carregue em si a áurea dos grandes clássicos.
Dentre os inúmeros personagens de destaque do romance, gostaria, para finalizar, de falar brevemente de um que chamou muito minha atenção. Trata-se de Artchibald Artchibádovitch cuja admiração do narrador parece não ter fim. Personagem de grande importância para a engrenagem do sistema social, respeitado pelos intelectuais e políticos de Moscou, é proprietário de um restaurante na Sandovia, importante avenida moscovita, conhecido por reunir a nata da sociedade socialista. Esse personagem surge em dois momentos e apresenta práticas curiosas. Na primeira ele humilha um funcionário e o constrange na frente de todos, revelando sua autoridade e violência, sem abalar, contudo, a admiração dos outros e do narrador. No segundo momento, próximo ao desfecho do romance, ele flerta com Korôviev e Behemoth, membros da trupe do Demônio, e os auxilia na destruição do restaurante, sem deixar suspeitas sobre si, fugindo do local de destruição com um breve sorriso no rosto e ainda sendo admirado por todos. Esse Artchibald Artchibádovitch é uma figura emblemática. Pois mesmo diante de tantas agressões claras aos interesses do Partido Comunista, mesmo diante de auxílio aos estrangeiros que fulminaram a racionalidade dos camaradas, ele ainda é reconhecido como um grande homem, um admirável cidadão, um alguém acima de qualquer suspeita.
Satanás respeita Artchibald porque vê nele um ser que de tão escrachado em suas atitudes macabras acaba por cegar aos seus próximos, como se fosse um anjo caído, que ninguém jamais presenciou a queda. Quantos desses não conhecemos entre nós? E por que nunca são pegos? Depois de ler o livro comecei a achar que eles talvez tenham mesmo um pacto.
Concluo, com minha leitura, que a crítica de Bulgákov não é mesmo ao ideal comunista, ou ainda aos pensamentos de Marx, como alguns maldosos capitalistas presumem ao resenharem o livro. Trata-se de um modelo de sociedade corrupta que se revela viva e crescente nos espaços onde o Demônio, com seus fetiches e prazeres, corrompe milhares de almas diariamente e que infesta as crenças em ideologias transformadoras ao desvirtuar e marginalizar os poucos humanos que ainda acreditam em Deus. Para um ateu convicto como eu, a conclusão de uma leitura orientada por termos como Diabo e Deus não parece muito coerente, então lhe peço, leitor benévolo, que substitua esses verbetes, aqui registrados, por Capitalismo e Amor. Não tenho aqui a pretensão de dizer verdades ou mentiras, é só uma opinião de um jovem leitor que acabou de tomar um suco de damasco com espuma, e que entorpecido pela madrugada fria na serra, decidiu encerrar suas elucubrações e descansar. A distância ouço alguns soluços, silêncios da noite e a voz quente do professor Wolland:
- A aula acabou!

Itapecerica da Serra, 05 de Agosto de 2014


*A banda Rolling Stones se inspirou nessa obra para a composição de um de seus maiores clássicos Sympathy For The Devil.

site: http://contempoemidade.blogspot.com.br/2014/08/aos-poucos-ele-se-apresenta-e-as-pedras.html
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Rachel.Soares 30/05/2020

Em plena pandemia, O Mestre e Margarida possibilita descobrir um pouco da Moscou de 1930. Mas, não espere um romance realista, encontre aqui uma literatura fantástica que mergulha nas pequenas e grandes vaidades humanas. Em ritmo de ópera e linguagem cinematográfica, faz uma crítica bem-humorada da sociedade soviética, com a tradução deliciosa de Irineu Franco Perpetuo, responsável também pela transposição para o português de outro incrível romance: Vida e Destino, Vassili Grossman.
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Erika 18/05/2020

Os manuscritos não ardem.
A narrativa é composta inicialmente por três núcleos:

- Woland, um estrangeiro personificado pela imagem do diabo, que baixa em Moscou junto com seu séquito, composto por uma bruxa, um capanga medonho, um intérprete malandro e um gato gigante que age como humano.

- O episódio bíblico do julgamento de Jesus Cristo, vivido pelo olhar de Pôncio Pilatos, o procurador que o condenou à crucificação.

- Um escritor denominado Mestre, cuja grande obra é justamente sobre Pilatos, e sua amada Margarida, maravilhosa.

O livro possui um início muito bom, mas quando as três histórias se entrelaçam, se torna avassalador. Além do humor sarcástico comum a alguns autores do leste europeu, aqui encontramos muitas críticas à sociedade e às pessoas ligadas ao mundo artístico da época. Woland, o tinhoso, dá a cada um o seu merecido castigo, muito que bem dado. Neste livro o diabo não é flor que se cheire, mas mas é melhor que muita gente, assim como a sua turminha do barulho.

Temos humor, mas também temos amor. A história do casal Mestre e Margarida é muito fofa! Ela é um mix de bruxa girl power romântica.

Mestre e Margarida foi escrito entre 1928 e 1940, ano em que Bulgákov faleceu, e publicado muitos anos depois, com sucesso no mundo inteiro: muitas adaptações para o teatro, cinema, e televisão foram feitas e uma grande surpresa para mim: a música ?Sympathy for the Devil?, do Rolling Stones, foi inspirada na obra.

Livro incrível, entrou facinho entre os meus amados da vida.
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Tatiana.Junger 15/04/2020

Fanfarronice diabólica e a [spoiler no texto] de Pôncio Pilatos
Assentado na premissa de um diabo de visita à Moscou soviética acompanhado de um séquito fanfarrão, o mestre e Margarida proporciona crítica política, alívios cômicos, histórias de amor e de (falta de) religiosidade e, sobretudo, uma trama bem desenvolvida em função de dois eixos, a princípio autônomos, que aos poucos vão se aproximando a ponto de explicar a relação entre as duas narrativas e, primordialmente, de atingir o ápice da história.
No que diz respeito à crítica política apresentada, Bulgakov, desde sempre um oposicionista dos bolcheviques, destilou acidamente suas denúncias nesta obra, ao retratar a Moscou stalinista cheia das incoerências e hipocrisias, especialmente com (a) o retrato da elite intelectual subserviente aos mandos do partido sobre a arte, (b) a elucidação do sentimento de intimidação que o partido causava, (c ) as recorrentes menções a restrições cotidianas do livre ir e vir dos cidadãos, assim como de eventual patrimônio (com ou sem fonte declarada) e, ainda, (d) a denunciação da arbitrariedade ateísta do regime político posto, que buscava se salvar na racionalidade, mas esbarrava no mesmo "ato de fé" que justifica as religiosidades. Também vinga seu desgosto, por meio do escarcéu levado a cumprimento pelo grupo dos infernos na cidade.
A comicidade é excelente e encontra seu cume na representação de Behemoht, o gato com comportamentos humanos que compõe o séquito diabólico. Ria horrores das suas cenas.
A história de amor entre o mestre e Margarida oferece um contraponto bem-vindo às maldades e peripécias diabólicas, ao mesmo tempo em que dá liga ao paralelo narrativo responsável pela grande sacada do livro: o mestre e Pôncio Pilatos. Esse paralelo é carregado por inúmeras coincidências no percurso dos dois:
(a) Pilatos viveu a crucificação de Cristo e o mestre escreveu sobre ela sob a ótica de Pilatos;
(b) Pilatos viveu um amor incondicional com seu cão, que sofreu por ama-lo, e o mestre o viveu com Margarida, que também sofreu por ama-lo;
(c) a Pilatos foi imputado o pecado imperdoável de confirmar a sentença de morte passada a Cristo, e ao mestre foi imputado o pecado de justificar Pilatos em seus escritos, humanizando-o;
(d) o diabo esteve presente durante a crucificação e os dias precedentes em Jerusalém, partindo da cidade com uma tempestade, assim como em Moscou quando Margarida conseguiu reencontrar o mestre;
(e) assim como a crucificação foi uma execução injusta, também o foi a transformação de Margarida, uma boa alma, em bruxa;
(f) assim como no final Pilatos, com seu cão, obteve sua absolvição, também o conseguiu o mestre, junto com Margarida.
A história também coloca em xeque a repartição clara entre bem e mal, assim como a correlação necessária entre o diabo e o mal. Com efeito, ele provocou uma série de ocorrências maldosas na cidade; em compensação, foi ele que guiou o mestre e Margarida não para o inferno, senão para a paz após a morte; ao contrário, ao mesmo tempo em que representativo de toda a compaixão, foi Jesus que sentenciou o mestre e Margarida à morte, prescrevendo-lhes não a luz, senão apenas o descanso, assim como relegando ao diabo e seu séquito o trabalho de efetivamente mata-los.
Que livrasso!
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fsamanta (@sam_leitora) 19/01/2014

Achei o livro péssimo. Ok, é uma alegoria de crítica ao stalinismo, tem sua importância histórica, mas, se tirarmos isso, não sobra nada.
Nathy 20/01/2014minha estante
Tem certeza que você está falando do maior romance russo de todos os tempos?


Juliana 02/05/2016minha estante
Tá ruim desse ser o "maior romance" da literatura russa, viu Nathy? Existiram Tolstoi. Dostoiévski, Gontcharov, Turgueniev, Gogol...


Israel 02/02/2017minha estante
Eu discordo do livro. Acho que a ignorância é o pior dos defeitos, não a covardia.




Alexandra 03/03/2016

Uma fábula com crítica social
"O Mestre e Margarida" chama a atenção de qualquer leitor ao se deparar com a história do diabo em Moscou dos anos 30, acompanhado de sua comitiva inusitada. Por todos lugares que passa, o diabo traz a destruição, mas veja bem, ele somente fornece os meios para que isto aconteça, a verdade culpa é das pessoas seduzidas pela ganância e facilmente corruptíveis.

Na primeira parte do livro, todas as pessoas que cruzam o caminho de Wolland (o demônio) são corrompidas, aceitando dólares, roupas caras e diversas vantagens, e por isso elas pagam um preço, muitas vezes encontrando a morte ou a loucura. Já na segunda parte é dada maior atenção aos heróis da história, o mestre - que escreveu um romance sobre Jesus e Pôncio Pilatos - e Margarida - sua amante rica que sofria por viver num mundo de aparências. Os dois não buscam bens materiais, somente tranquilidade, e desta forma se diferem da sociedade da época em Moscou, que traía seus ideais facilmente em troca de fortuna.

Intercalado com o livro, surgem trechos do romance do mestre, narrando como de fato ocorreu a morte de Cristo, e confesso que gostaria de ter lido mais sobre isso. São capítulos interessantes que mexem bastante com o nosso imaginário, já que a história de Jesus é tão popular, e aqui é contada de forma inesperada.

A maioria das pessoas diz que a obra é uma crítica ao stalinismo, mas, na minha opinião, é algo maior que isso. Fala de como as sociedades são corruptíveis e as pessoas egoístas, se esquecendo do bem maior se puderem levar uma vantagem numa determinada situação, demonstrando, acima de tudo, covardia.

A narrativa lembra uma fábula, dadas as cenas e os personagens fantásticos que aqui aparecem, mas não é uma história infantil, pelo contrário, a crítica social que faz é muito adulta. Notam-se as referências à "Fausto" de Goethe - a história do homem que vende sua alma ao diabo - logo na epígrafe ("Sou a força que eternamente deseja o mal e eternamente faz o bem"), além das influências de autores conterrâneos a Bulgákov, como Tolstói, Dostoievski e Gogol, tanto em algumas cenas como no estilo de escrita.

Além disso, "O Mestre e Margarida" acabou tendo grande influência na cultura pop, e são muitos os artistas que se inspiraram nesse romance, como os Rolling Stones, David Bowie, Franz Ferdinand, Pearl Jam e diversos outros. A canção "Sympathy for the Devil" (Empatia pelo Diabo), dos Rolling Stones, foi baseada neste romance e, embora o nome possa chocar os religiosos mais fervorosos, um olhar atento à letra indica justamente que o demônio está dentro de nós mesmos ("I shouted out 'Who killed the Kennedys?', when after all it was you and me"), de tal modo que é mais fácil culpar forças misteriosas e inexplicáveis que admitir nossa própria culpa.

Esse é um livro do qual tenho certeza de que não absorvi metade do seu potencial, e por isso, acho que eventualmente o lerei de novo. Literatura boa é essa, que nos instiga a procurar os pequenos detalhes da obra.
Tiago 01/06/2016minha estante
Ótima síntese. Bulgakov é sem duvida um dos grandes mestres da literatura russa. Fiz uma resenha sobre "O mestre e margarida", porem mais voltada para a interpretação de certos nomes e personagens da obra. Comparei a forma narrativa de Bulgakov a elementos associados ao xadrez (jogo apreciado pelos russos e por um dos personagens) e do jogo de cartas (também algo apreciado por um dos personagens). O foco do meu texto foi esclarecer o significa da utilização do nome "margarida", que no texto da obra não é informado apenas sugerido. Para quem quiser conferir meu trabalho segue o link da minha pagina CAFÉ MUSAIN:

http://cafe-musain.blogspot.com.br/2016/05/o-mestre-e-margarida.html




Icaro 27/04/2013

Livro do gato! Um dos livros mais doidos que já li! E olha que já li até livro escrito por maluco comprovado. O autor consegue juntar em um único livro vários mistérios da humanidade, Deus e o Diabo, Moscou, Jerusalem, Pôncio Pilatos. A narrativa é ágil, mas entrecortada, preste atenção mos nomes russos, são muitos e podem confundir. Gostaria de ver uma adaptação para o cinema! Seria sensacional!
Mateus 30/10/2017minha estante
Amigo, pode ser uma minissérie? Rs
Dê uma olhada:

http://www.imdb.com/title/tt0403783/


Fernando 04/12/2018minha estante
Você me indicou esse livro e estou lendo agora, pqp é difícil parar rs




Alessandro 12/07/2013

Um clássico da literatura fantástica
"O mestre e margarida" é um livro que se tornou um clássico da literatura fantástica. Essa obra foi homenageada por Mike Jagger em "Simpathy of the devil", um dos grandes sucessos da banda inglesa Rolling Stones. Apesar de sua plena inserção na esfera do sobrenatural, o romance tem uma narrativa sofisticada dividida em subtramas, que se entrelaçam. São notáveis algumas sequencias, onde Bulgákov brinca com os elementos sobrenaturais que rementem ao universo gótico e das superstições populares russas, de modo a propor por meio deles uma crítica a falta de liberdade de expressão na Rússia dominada pelo regime comunista. O autor consegue durante o desenvolvimento da narrativa criar uma mistura de humor satírico, crítica social, terror/horror e ainda abordar do processo da própria criação literária, o que faz com que essa obra também possa ser compreendida como uma sofisticado exercício de metalinguagem. Engraçado, divertido, e, até mesmo poético e assustador em muitos momentos, "O mestre e margarida" é uma obra-prima da literatura fantástica. Um livro inesquecível, que forma bem humorada critica os rumos da literatura na Rússia, e ao mesmo tempo cria um universo fascinante, onde o realismo e o fantástico estabelecem uma perfeita relação de simbiose.
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Israel 02/02/2017

O MESTRE E MARGARIDA é uma das narrativas mais bem construídas e complexas da literatura Russa. Impossível fazer qualquer resenha que se preze abstendo-se de traçar paralelos com o FAUSTO de Goethe.
Infelizmente, não li a obra de Goethe até a presente data (grande e imperdoável falha), mas pretendo mesmo assim me arriscar a comentar algumas linhas das multinarrativas presentes na obra.
De antemão, é bom salientar que correm pelo menos 2 histórias paralelas à história principal que convergem para a mesma conclusão. O que seria o eixo principal é a chegada do Diabo na Moscou revolucionária, que assumiu o nome de Woland no livro e seu séquito infernal composto por Koroviév, Azazello, Hella e o gato preto gigante Behemoth (nome deveras interessante para uma banda de Death Metal).
Paralela ao eixo principal surge a versão romanceada dos últimos dias de Jesus sob o jugo de Pôncio Pilatos. Os capítulos que trazem a história paralela é de uma beleza e perfeição que chegam a um patamar só alcançado por Gustave Flaubert no seu clássico TRÊS CONTOS. A maneira como Bulgákov conduz a narrativa, mostram o grande escritor que foi, transportando o leitor para presenciar os fatos numa perfeição narrativa sem igual.
A segunda história paralela seria a que batiza o livro, a história do Mestre e Margarida. O personagem do mestre causa consternação ao leitor, pois é o típico escritor atormentado pela busca da perfeição. Depois de queimar o exemplar do romance ao qual dedicou a vida abandona sua amada Margarida rumo a um autoexílio num manicômio (seria o mestre inspirado em Gógol ou teria o mestre se inspirado em Gógol?). O romance do mestre (que o leitor vai descobrir do que se trata) seria o fio condutor de todas as 3 histórias.
A brincadeira metalinguística da obra só prova a genialidade e dedicação do autor que destinou dez anos de sua vida para escrevê-lo, sendo lançado somente postumamente.
Outro aspecto que não deve ser ignorado é a sutil mordacidade do livro no que tange à revolução russa ou a outros aspectos sociais, culturais e políticos da época. Impossível captar todas as referências, insinuações e brincadeiras que Bulgákov encravou na obra sem conhecer o Zeitgeist na Moscou de então. Muito da leitura se perde, mas não a inviabiliza.
O grande mérito do autor é fundir uma escrita elegante amparada na arte de escrever romances, nas lendas, na sátira e no folclore russo com as ideias modernas e erevolucionárias da época.
Cabe ao leitor mergulhar de cabeça na obra e sorver das suas páginas uma história envolvente, única, mordaz e consideravelmente perturbadora na sua essência e entrelinhas.
Bulgákov ganhou seu lugar merecido no panteão russo com sua magnum opus O MESTRE E MARGARIDA conferindo à humanidade um clássico universal para deleite dos leitores.
Thiago 03/02/2017minha estante
Ótima resenha meu caro.


Israel 03/02/2017minha estante
Obrigado, amigo :)


Josiane.Bengtsson 01/03/2017minha estante
Ótima resenha, estou com o livro aqui, começo amanhã! ?


Israel 01/03/2017minha estante
Obrigado, Josiane! :) esse livro é perfeito. Pena não ter quase mais nada do Bulgakov publicado no Brasil. Acredito que vc irá gostar. Otima leitura pra vc! :)


Thiago 01/03/2017minha estante
Israel, existe uma coletânea de contos e novelas lançadas por uma editora universitária, e eu creio que juntamente a esse romance é tudo ou quase tudo que ele escreveu.


Israel 02/03/2017minha estante
Sim, estou ciente. A editora da EDUSP. https://www.skoob.com.br/livro/210953ED236140 Pode ser encontrado a preços humanos na estante virtual e mercado livre. Está na wishlist.


Mateus 14/09/2017minha estante
Amigos, a biografia do Bulgákov, tbm lançada pela Edusp (O diabo solto em Moscou, do Homero Freitas de Andrade), inclui alguns contos escritos pelo autor, inclusive alguns da época em que atuou como médico.. Está na minha lista! rs




Fernanda.syski 01/06/2020

Gostei!
Primeiro livro que li de literatura Russa, gostei bastante. Texto fluído e fácil de ler, as folhas mais amarelas facilitam, também a leitura. A história tem muitos personagens, as vezes confundi alguns, então, se for ler, sugiro ir anotando ou fazer um esquema para não se perder nos nomes russos.
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Cheruti 08/02/2015

Literatura Russa, um desafio
Tenho dificuldades com literatura russa. Sempre acho que absorvi muito menos do que o livro possa oferecer. Li duas vezes O Mestre e Margarida. Na primeira leitura, se consegui absorver 20% foi muito. Desta vez posso dizer que consegui absorver uns 50%. Leitura fantástica me desafia. Um momento do livro que me chama atenção é quando o Diabo se apresenta no Teatro das Variedades. Num determinado momento, ele faz chover dinheiro, e as pessoas lutam para conquistar seu espaço. Ao final, querem que o segredo da magica seja revelado. Então o Diabo diz que a revelação já aconteceu. Interpretei como sendo a cobiça das pessoas.
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Fabiana 26/03/2020

Livro interessante e completamente cheio de cenas inusitadas. No meu imaginário soou como uma peça de teatro. Adorei o "romance paralelo" escrito pelo Mestre. Gostei muito da Margarida. Mulher forte e decidida.
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