Clara dos anjos

Clara dos anjos Lima Barreto




Resenhas - Clara dos anjos


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Franco 08/07/2011

A começar pela linguagem, é curiosa: motivo de críticas na sua época dada sua não-formalidade, hoje nos é perfeitamente compreensível, mais do que em muitos outros 'clássicos'.

Já a história é simples, fácil de acompanhar, e os personagens ficam bem marcados no leitor - uma proeza do Lima Barreto, que consegue dar a dimensão deles mas de forma lisa e objetiva.

Porém, o livro deve ser lido nas entrelinhas. A história não fala aleatoriamente sobre um ou outro personagem, e sim sobre tipos da sociedade do autor e que aqueles personagens representam. Do mesmo jeito, a trama não é um caso fortuito, algo que se conta e acabou, e sim um retrato de como os mecanismos sociais faziam girar dolorosamente as classes baixas - leia-se, pobres e negros.

No fim, o que se tem, é uma obra muito crítica e visivelmente marcada pela biografia do seu autor.



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Malu Andrade 15/09/2013

Um dos livros que marcaram o Pré-Modernismo brasileiro, traz marcado nas suas páginas a realidade do próprio autor: Lima Barreto. Negro, nascido no subúrbio carioca, enfrentou muitas dificuldades em sua breve vida.
Em Clara dos Anjos, o "romance" entre os personagens principais não é muito ressaltado. Mesmo assim nem de longe o livro chega a ser insípido ou sem conteúdo: demonstra de forma cruel e sincera como era a realidade das camadas mais pobres da sociedade carioca do início do século XX.
É uma ótima dica para quem procura conhecer um lado não muito realçado na literatura brasileira do século passado: a vida nos subúrbios.
Bruno 15/09/2013minha estante
Muito bom. Parabéns!




Fabio Shiva 23/11/2010

“Livro triste, que me fez chorar...”
Não cheguei a chorar, mas tive vontade. Uma história pungente, sentida, que tem como tema principal a denúncia ao racismo, que o próprio autor sofreu literalmente na pele. Mas a abrangência de “Clara dos Anjos” é muito maior...

Lima Barreto é um mestre em retratar a vida simples do povo, com suas dores miúdas do dia a dia, pequenas frustrações, sonhos desfeitos, esperanças rompidas... Não foi à toa que li esse livro nesse exato momento. Foi como olhar no poço de meus maiores medos.

Como foi sofrido esse homem! É possível sentir a sua asfixiante angústia pingando de cada página, não evidente, mas pairando como uma sombra sinistra que aperta aos pouquinhos o coração do leitor.

Sobre a trama: Clara dos Anjos é uma jovem simples e ingênua, que no dia de seu aniversário conhece o mal afamado tocador de modinhas Cassi Jones. Sedutor compulsivo, Cassi vê em Clara sua próxima vítima. Conseguirá concluir seu vil intento?

Quem mora ou morou no Rio tem um ponto a mais de interesse no livro, que é a descrição de vários locais da cidade bem no início do século XX.

Em termos de estrutura e ritmo, achei esse livro superior a “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Parece que Lima Barreto levou mais de dez anos escrevendo “Clara dos Anjos”, que só foi publicado postumamente.

(23.11.10)

Léia Viana 24/11/2010minha estante
Sua resenha me leva a concluir que é um livro que "desnuda" a gente. Adoro leituras assim, que eu possa me sentir dentro delas, minhas emoções, sem fazer parte daquele contexto.
Deve ser muito significativo sua leitura...



Léia Viana 24/11/2010minha estante
Mas, por que três estrelinhas neste livro?


Fabio Shiva 24/11/2010minha estante
Olá queridíssima!!!
Agradeço seu carinho e os comentários!
Eu dei 3 estrelas (bom), porque é um livro muito bem escrito, mas eu particularmente não gosto de histórias tristes...




sueli 01/03/2012

CLARA DOS ANJOS - LIMA BARRETO
Este romance de Lima Barreto passa-se no subúrbio carioca e ele o descreve com riqueza de detalhes tanto nos ambientes como a vida das pessoas que ali vivem. Apresenta o advento dos “bíblias”, os protestantes e sua forma muito eloquente e tenaz de conquistar novos fiéis para seu culto. É um romance profundo e denuncia toda espécie de injustiças praticadas contra os menos desprovidos financeiramente, os humildes. É carregado de referencias sobre o preconceito racial.

Clara é uma mulata jovem, pobre, humilde, ingênua, que vive no subúrbio carioca com seus pais, Joaquim e Engrácia. Joaquim era carteiro, tocava flauta, gostava de violão, compunha valsas, tangos e acompanhamentos de modinhas. Não gostava de sair de casa e sua diversão era passar as tardes de domingo jogando solo com seus dois amigos: o compadre Marramaque e o português Eduardo Lafões.
Clara tinha 17 anos, era tratada com muito desvelo, recato e carinho pelos pais e como eles não gostavam de sair de casa, quando ela raramente saia era sempre acompanhada pela vizinha, Dona Margarida, uma viúva muito séria.
Apesar das cautelas e cuidados da família, Clara é iludida e seduzida por um rapaz de classe media carioca. Os dois se conhecem quando ele, cantor de chorinho, vai tocar no dia de seu aniversário em sua casa. Cassi não era belo e nem virtuoso do violão, mas canta dengoso, meloso e a seduz.
O padrinho Marramaque, que já lhe conhecia a fama, tenta afastá-lo de Clara quando percebe seu interesse. Na festa de aniversário da afilhada, recita e provoca Cassi, deixando claro que ele não é bem-vindo ali. Cassi também antipatiza com Marramaque e sabia que ele percebe seus maus propósitos em relação a Clara. Cassi enche-se de fúria e vinga-se de modo violento: se junta a um capanga e ambos assassinam Marramaque. Clara, logo desconfia do rapaz, mas o perdoa, pois ele diz que matou por amor a ela.
Clara na ingenuidade de sua idade e na falta de contato com o mundo, concluía que Cassi era um rapaz digno e podia bem amá-la sinceramente.
Malandro, mau caráter e perigoso, Cassi já havia se envolvido em problemas com a justiça antes, mas sempre fora acobertado pela sua família, especialmente sua mãe, que não queria que fosse preso.
Clara engravida e Cassi Jones desaparece. Ela pensa em morrer, abortar mas convencida pela vizinha, dona Margarida, vão procurar a família de Cassi e pedir “reparação do dano”. A mãe do rapaz humilha Clara, mostrando-se profundamente ofendida porque uma negra quer se casar com seu filho.
E, na cena final, ao relatar o que se passara na casa da família de Cassi Jones para a sua mãe, conclui, em desespero, como se falasse em nome dela e de todas as mulheres em iguais condições: “— Nós não somos nada nesta vida.”

Michelle Gimene 09/03/2012minha estante
Taí mais um clássico da literatura nacional que eu nem fazia ideia sobre a história. Muito boa escolha!




Renata 18/03/2013

Um dos melhores livros que já li
O livro conta a história de Clara dos Anjos, uma adolescente ingênua, criada dentro de "uma redoma de vidro", que é enganada pelo cafajeste Cassi Jones. Clara é humilhada e discriminada por sua posição social humilde e por sua cor.
Quando comecei a ler este livro, não imaginei que ele pudesse agregar tantos valores. A capacidade de Lima Barreto de retratar a sociedade de sua época (fins do século XIX) é impressionante. Com a leitura, percebe-se a formação da sociedade brasileira e os valores que permanecem até hoje entre os brasileiros. Acredito que compreender o mundo em que vivemos é essencial para uma vida mais produtiva e, consequentemente, mais feliz. O fim do livro é um choque de realidade, o que me levou a me questionar: "O que posso fazer para mudar isso?"
Enfim, Clara dos Anjos foi para mim uma agradável surpresa, ultrapassando minhas expectativas. É a obra prima de Lima Barreto e superou em muito Triste Fim de Policarpo Quaresma. Clara dos Anjos entra para a minha lista de favoritos.
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Samuel 20/02/2012

Clareando..
Este livro, que pode ser comparado a um farol, iluminou o cômodo que estava desativado em meu coração. Retirou e dissipou toda névoa que encobria meus olhos sentimentais.Com final emocionante e altamente tocante, essa obra fará com que as cortinas de ferro de preconceito que há em seu ser sejam desintegradas!
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ana (@outraspaginas) 01/01/2018

Profundo
Esse é um dos livros mais intensos que eu li na minha vida. Lima Barreto expôs toda a realidade dos subúrbios cariocas e sem delicadeza nenhuma conseguiu nos mostrar todas as tristezas que milhares de jovens devem ter passado e ainda passam hoje em dia. Merece a leitura, mas não espere um final feliz.
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Priscila.Araujo 13/09/2016

É interessante como Lima Barreto coloca muito de si em suas obras. Ele foi humilhado diversas vezes, deixado de lado por ser mulato e pobre, não conseguia a ascensão e o reconhecimento que tanto almejava. Era brilhante, mas só depois de sua morte, conseguiu notoriedade. Os escritores medíocres da época conseguiam quase tudo em vida, ele nada. Mas quem são esses autores agora? Lima Barreto é grande, estudado, analisado. Suas obras são ícones. Gostaria muito de encontrá-lo e dizer que hoje ele é um ícone da literatura brasileira, hoje ele tem notoriedade. Pena que não conseguiu em vida. Morreu jovem, bêbado e na sarjeta. Lima Barreto e Aluisio Azevedo são meus autores brasileiros preferidos, ambos realistas.
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J.C 10/05/2014

Incrível
Apesar da escrita antiga e os costumes daquela época diferentes, o autor usa de uma linguagem de fácil compreensão.

Livro muito bom e gostoso de se ler. Recomendo.
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Rafael 30/08/2016

Lima Barreto foi um gênio e suas obras provam isso. Clara dos anjos é uma obra rica em detalhes,daquelas que te leva ao local onde tudo está acontecendo.
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Tamylane 22/05/2009

Só terminei de ler pra fazer a prova!
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Camila 14/11/2013

Como última obra feita pelo escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), publicado depois de sua morte, Clara dos Anjos, traz uma denúncia áspera do preconceito racial e social, vivenciado por uma pobre mulata do subúrbio carioca.

O livro conta a estória de uma mulata que se apaixona por Cassi Jones, que enganava as mulheres com seu falso amor para conquistá-las. Suas “vítimas” eram sempre mulheres negras, pobres ou casadas, pois assim ele não seria obrigado a casar-se com elas já que sua mãe era extremamente preconceituosa e o protegia quando elas iam atrás dele.

Cassi Jones pertencia a uma posição melhor que Clara, e era considerado o desgosto da família, pois ele vivia enganando pobres mulheres e acabando na cadeia por isso, seu pai o reprimia, porém sua mãe sempre o ajudava a sair de suas confusões.

Já a Clara tinha dezessete anos, era ingênua e foi criada “com muito desvelo, recato e carinho; e, a não ser com a mãe ou pai, só saía com Dona Margarida, uma viúva muito séria, que morava nas vizinhanças e ensinava a Clara bordados e costuras.”

Mas no final do romance o autor relata que ela, consciente e lúcida, reflete sobre sua situação:

“O que era preciso, tanto a ela como às suas iguais, era educar o caráter, revestir-se de vontade, como possuía essa varonil Dona Margarida, para se defender de Cassi e semelhantes, e bater-se contra todos os que se opusessem, por este ou aquele modo, contra a elevação dela, social e moralmente. Nada a fazia inferior às outras, senão o conceito geral e a covardia com que elas o admitiam…”

“O verdadeiro estado amoroso supõe um estado de semiloucura correspondente, de obsessão, determinando uma desordem emocional que vai da mais intensa alegria até à mais cruciante dor, que dá entusiasmo e abatimento, que encoraja e entibia; que faz esperar e desesperar, isto tudo, quase a um tempo, sem que a causa mude de qualquer forma.”

site: http://world-book-4you.tumblr.com/
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Mayara.Souto 29/06/2018

Que livro...
Uma história muito bem feita, com o narrador em terceira pessoa, Lima Barreto conta a história da gente brasileira que mora no subúrbio do Rio de janeiro. Com todas as suas peculiaridades, brancos, negros, imigrantes e seus descendentes, filhos de escravizados. Todos são descritos pelo autor para demonstrar a grande hierarquização do povo brasileiro, dos privilégios entre os pobres. O plano de fundo seria a história de Clara dos Anjos e sua desilusão com Cassi Jones. Ele retrata a pobreza, o machismo, o racismo, os vícios em um romance maravilhoso.
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