Um Copo de Cólera

Um Copo de Cólera Raduan Nassar




Resenhas - Um Copo de Cólera


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larissa dowdney 09/08/2009

Profundo.
Acho que não faz sentido comparar com Machado, são escritas diferentes. Mas acho ele mais intenso que Machado ou qualquer outro escritor! O livro todo é ágil, é profundo, é catártico! É como se os personagens cutucassem a ferida uma do outro e por consequência as nossas próprias feridas. É lindo! Raduan sabe o que faz.
Paulinho 26/11/2014minha estante
Raduan Nassar se tornou um dos meus autores favoritos!




Alê | @alexandrejjr 29/06/2020

A rudeza singular

É um clichê à espreita, mas é inevitável não falar que "Um copo de cólera" é uma novela intensa.

O paulista Raduan Nassar é uma figura enigmática. O cara lançou três obras, virou um ermitão e ainda ganhou o atual maior prêmio de literatura em língua portuguesa, o Camões. Mas esse livro ajuda a compreender o porquê.

A força da narrativa, a intransigência da linguagem e a aspereza do diálogo formam juntos um desafio ao leitor. E é isso que faz essa obra ser tão peculiar.

Vale destacar aqui o conselho do mestre Saramago: caso sinta dificuldades, tente ler em voz alta. Ao realizar esse ato, é possível que você incorpore um pouco do fluxo de loucuras que guiaram Raduan na escrita desse livro. Além disso, fique atento aos subtextos que tocam em pontos como a política e a hipocrisia da sociedade brasileira.

Gosto muito desse livro. Li ele numa viagem para o Carnaval, um momento bem avulso, mas que valeu cada segundo.
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eldinias 05/03/2009

sem fôlego
Alongue seus pulmões. Respire e expire sem parar. Você está se preparando para mergulhar em algo espesso, denso. Assim que descer estará a cem metros de profundidade. Essa é a sensação desta novela. "Um copo de cólera" é um trabalho sentimental, onde Raduan está ardendo em picadas de formigas, em análises psíquicas. O autor analisa o personagem conforme as emoções vão se derretendo. Uma decomposição sufocante, um soco na boca do estômago em cada sequência.



A melhor novela depois de Machado!

ps.: em seguida veja o filme "Lavoura arcaica".
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May Oliveira =) 19/02/2010

na boaa?
(contrariando as outras resenhas...)
detestei esse livro!
um saco... chatice sem fim...
personagens sem graça... nada a mostrar!
história pobre... uma (longa, longa, longa...) briga sem motivo...
resumindo... só li até o final... pq foi leitura obrigatória no colégio! (ainda bem q é fininho, rsrsrs)
Momss 12/09/2012minha estante
super apoiada! o livro inteiro me lembrou aqueles porres de vinho barato, em que a pessoa vomita sem parar, mesmo depois de não ter mais nada no estômago. os personagens são péssimos e rasos, além discurso presunçoso. urgg..


JeffersonCevada 15/06/2014minha estante
este é um daqueles livros que não faz sentido uma leitura "literal". a história é toda uma metáfora da relação entre a classe média e a mídia brasileira. é como ler A metamorfose de Kafka ao pé da letra.
:-)


May Oliveira =) 15/06/2014minha estante
Bom... eu li o que estava escrito, com o perdão da brincadeira! kkkk
Todavia, se esta foi a razão de eu não ter gostado (ter lido de forma literal), Jefferson, acabo de encontrar mais um motivo pra ter detestado esse livro! Essa metáfora que você relatou... nem de perto, foi expressiva.
Para mim, este livro girou apenas em torno de um um casalzinho chato, sem história, brigando muito (sem motivo) perto de formigas... antes e/ou depois de transarem (nem lembro mais... kkkkk). Enfim, fica aí a minha humilde consideração sobre a obra. E que me desculpe os que gostaram (embora eu continue achando que não há fundamentos para tal posição)!
Abraço!




Dtorreshp 11/05/2020

Incrível.
Raduan Nassar possui uma escrita que nos convida a beber esse copo de cólera juntos aos personagens, nos leva a uma bagunça de pensamentos conflitantes e sensações extremas. O livro é cheio de intensidade, diálogos de tirar o fôlego e personagens repletos de ideologias e personalidade. Apesar do personagem principal ter me causado um certo incômodo no início do livro, consegui manter a leitura e no decorrer da história esse incômodo foi se dissipando e de certa forma consegui enxergar os traumas e problemas vividos por essa personagens. O diálogo entre o casal é desconfortável e cheio alfinetadas. Essa é uma leitura que pede muita atenção a cada palavra que se lê, em certos momentos achei poético e com muitas críticas relacionada a ditadura. Leitura incrível, recomendo e prendendo fazer uma releitura da obra.
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Luís Henrique 10/09/2012

Um Copo de Cólera
Um livro estranho. Uma forma diferente de escrever. É contada em primeira pessoa e se passa num período de aproximadamente 12 horas. O personagem tem um relato introspectivo muito interessante. O problema, mas ao mesmo tempo é o que realmente acontece conosco, é que ele tem um pensamento muito maleável, e rápido, e sarcástico, e seco. Após uma noite de amor com sua companheira (não é descrito nem uma característica física dos personagens nem seus nomes), o narrador-personagem tem um acesso de fúria, um copo de cólera, desencadeado por um motivo banal. Daí começa uma discussão muito áspera entre os personagens em que eles tentam ferir o outro numa discussão, as vezes, incoerente. E o pensamento do narrador continua a mil, nos enchendo de informações com as quais nós vamos tentando montar um trama, a relação entre os personagens e as suas histórias. Pelo seu estilo diferente eu tive que dar uma boa nota para este livro. É uma leitura consumista, no que diz respeito à nossa atenção, e ao mesmo tempo rápida e envolvente.
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Paulinho 27/11/2014

Uma dose de sexo, cama, banho e um Copo de Cólera.
Como falei em minha pequena crítica de Lavoura Arcaica, desde que conheci Milton Houtom que me interessei em ler Raduan Nassar, eles foram apresentados juntos em meu livro de literatura do ensino médio. Queria muito ler Lavoura Arcaica. Mas quando fui à Livraria Cultura aqui em Salvador, não tinha Lavoura Arcaica mas sim Um Copo de Cólera, capa dura, lindo decidi comprar e ler.
A prosa de Raduan Nassa é linda... poética como a de Mia Couto, João Guimarães Rosa. Lapidada. Cada palavra um fio, um ponto em uma prosa tecida com maestria. Uma novela curta que narra desde a chegada de uma amante passando pelas etapas amorosas, o sexo, o banho, o carinho, o conflito. Mas a cólera não gera uma DR mas sim uma série de argumentos e contra-argumentos a cerca do mundo, da moral, da vida.
Para ser lido em uma tarde de fôlego e fogo. Desejo e intensidade.
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CrisBauer 18/06/2010

Fascinante!!! A mais perfeita descrição de um ataque de TPM masculina e de como cada um sabe aquilo que o deixa feliz - sem julgamentos alheios.

Vou precisar ler de novo para pegar melhor os detalhes daquela manhã.
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Fred05 04/11/2010

Quase perfeito.
Para ler de um fôlego só e sem tentar depreender sentido do que não é feito exatamente para fazer sentido. O "significado", por assim dizer, vem do todo e a loucura dos diálogos é parte importantíssima dele.
Ricardo Rocha 06/04/2011minha estante
Lavoura arcaica vai nessa linha. É o último dele, que caso raro, abandonou a literatura, jovem e no auge do sucesso.




Frankcimarks 21/06/2020

O autoritarismo e a mídia, uma relação abusiva
Acredito que o livro se refira a essa relação violenta entre governos autoritários e a mídia de informação, relação essa vivida através de personagens sem nome, o que dá à novela um caráter universal. A figura do homem tomado pelo ímpeto da cólera injustificada que avança em esporro contra sua amante, uma jornalista emancipada, como ele a chama, identificando para nós leitores o posicionamento político dela, à esquerda, revela o fascista oculto dentro de cada um de nós, esperando apenas a oportunidade de se revelar. Que isso jamais aconteça.

O livro é daqueles bons livros, repleto de camadas interpretativas. Tanto pode falar sobre relações abusivas entre homem e mulher, como ser uma alegoria para tantas coisas possíveis. O protagonista vomita suas ofensas, ira e queixas contra sua namorada, no capítulo intitulado esporro.

Achei muito interessante o que o escritor fez nessa novela. Obra curta, mas intensa. Vale a pena ser lida.
@riggifabio 21/06/2020minha estante
Mto interessante a leitura que você fez. É um dos meus livros prediletos, sempre que releio encontro uma chave diferente e a sua faz todo o sentido.


Frankcimarks 21/06/2020minha estante
Que bom que gostou. Obrigado.




Paulo 04/05/2010

Anotação
Tem muita força, mesmo sem o lirismo de Lavoura Arcaica.

Os primeiros capítulos preparam o longo "Esporro". O personagem-narrador é como um novo Paulo Honório: consciente das tiranias, mas entendedor dos caminhos do raciocínio alheio — sem por isso deixar de ironizá-los.

O enredo, porém, é muito mais trivial — um furor chacareiro anti-formigas é que faz emergirem à cabeça do narrador as suas loucuras, suas mágoas, suas críticas a todo um universo de situações que a vida gera.

Surpreende como a linguagem ágil de qualificativos precisos consegue expressar inclusive as razões e contradições dos outros personagens, e ainda a dinâmica das relações entre todos. É nesse sentido que se trata, desde já, de um clássico.

O que essa obra me faz pensar é a importância da vibração da linguagem. Para não mergulhar na velhíssima polêmica: parece que é possível conquistar o leitor apenas pela linguagem; mas, em outros casos, também é possível conquistá-lo com palavreado discreto e idéias brilhantes. Creio que é o que acontece em obras como as de Tchekhóv, Henry James e Kafka. E Graciliano, Camus e Salinger.

Mas Raduan Nassar, como José de Alencar, Carlos de Oliveira ou Fernando Pessoa, engrandece a amplitude de suas idéias com um ritmo fascinante e uma verborragia à qual naturalmente queremos oferecer toda condescendência.
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Sérgio 08/03/2013

Um copo transbordante de cólera e luxúria
Ficha Técnica

Gênero: Romance
Ano de lançamento: 1978
Ano desta edição: 2009
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 88
Idioma: Português

Citação: "[...] eu então me levantei e fui sem pressa pra cozinha (ela veio atrás), tirei um tomate da geladeira, fui até a pia e passei uma água nele, depois fui pegar o saleiro do armário me sentando em seguida ali na mesa (ela do outro lado acompanhava cada movimento que eu fazia, embora eu displicente fingisse que não percebia), e foi sempre na mira dos olhos dela que comecei a comer o tomate, salgando pouco a pouco o que ia me restando na mão, fazendo um empenho simulado na mordida pra mostrar meus dentes fortes como os dentes de um cavalo, sabendo que seus olhos não desgrudavam da minha boca, e sabendo que por baixo do seu silêncio ela se contorcia de impaciência, e sabendo acima de tudo que mais eu lhe apetecia quanto mais indiferente eu lhe parecesse [...]"



Raduan Nassar, embora ainda vivo, passou como um foguete pela literatura. Lançou dois livros, cansou de tudo e foi morar em sua fazenda (que doou, recentemente, para seus empregados e para a UFSCAR). Apesar disso, suas obras perduram e são influência para muita gente, sendo que "Lavoura Arcaica" e "Um copo de cólera" foram adaptados para o cinema.

"Um copo de cólera" conta um dia na vida de um casal. Um homem maduro, uma jornalista politizada, eles passam por imagens do cotidiano do relacionamento de qualquer casal. Os capítulos tem títulos simples, como "A Chegada", "Na Cama", "O Levantar", "O Banho", "O Café da Manhã", e narram basicamente isso: a chegada dele (o livro é narrado em primeira pessoa, então seus pensamentos, impressões e sentimentos estão sempre expostos), uma noite tórrida de sexo (com descrições de causar paudurescência em qualquer um), o café da manhã do casal. A prosa de Raduan é nervosa, intensa: os capítulos são compostos de um único parágrafo, e com um único ponto final, com um uso excessivo de vírgulas; o que pode parecer deselegante à primeira vista, na verdade traz uma intensidade e urgência ao texto, que dará a tônica ao romance quando este atingir o clímax.

Este dia prossegue normal até o capítulo "O Esporro", que contém 52 páginas das 88 do romance! E tudo isso num parágrafo único, em que Raduan concatena suas ideias de uma maneira vertiginosa, passando por vários assuntos em poucas linhas. Se, por um lado, é difícil de parar a leitura no meio deste capítulo pela dificuldade em se retomar a leitura, por outro lado a virilidade de sua prosa e seu estilo original ditam o ritmo da discussão do casal, tudo iniciado por uma discussão boba, devido à irritação dele com um buraco feito por saúvas em sua cerca-viva! A discussão é épica, as ofensas vão do pessoal ao ideológico, e os rumos tomados fariam corar o próprio Nelson Rodrigues: "[...] minha arquitetura em chamas veio abaixo, inclusive os ferros da estrutura, e eu me queimando disse 'puta' que foi uma explosão na boca e minha mão voando outra explosão na cara dela [...]".

Raduan Nassar ainda nos presenteia com pequenas pérolas de inspiração combinada com puro esmero: "[...] sem esquecer que a reflexão não passava da excreção tolamente enobrecida do drama da existência [...]", " [...] 'não conheci ninguém que trabalhasse como você, você é sem dúvida o melhor artesão do meu corpo' [...]".

"Um copo de cólera" é conciso e impetuoso, um livro que traz uma narrativa viva e extremamente visual, pouco mais de 80 páginas que transbordam com fúria, violência e luxúria e, por que não, amor.

Originalmente publicada em: http://catharsistogo.blogspot.com.br/2013/03/um-copo-de-colera-raduan-nassar.html

Acesse o blog para ver o trailer do filme "Um copo de cólera"!
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Larissa Lorena 30/11/2012

Livro curto, rápido e extremamente intenso.
Poucas vezes vi um título sintetizar tão bem uma obra!
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Leonardo 04/07/2011

Estupendo!
Disponível em: http://catalisecritica.wordpress.com

Um livro para ser lido em pouco mais de meia hora, e foi o que fiz. Se fosse para classificá-lo (que coisa inútil, não?), acredito que figuraria como uma novela, ou quem sabe um conto mais longo. Mas isso não faz a menor diferença. Li meio que por acaso, sem fazer ideia do que encontraria. Apenas tinha na lembrança imagens eróticas da publicidade do filme (que não vi) com Alexandre Borges e Julia Lemmertz. E o livro realmente começa neste tom, com uma habilidade para narrar impressionante. Depois vem esse bendito copo de cólera, quando um fato aparentemente irrelevante serve de catarse para sentimentos ocultados, mágoas e frustrações virem à tona, numa tour de force soberbo do escritor. Mais uma vez chama a atenção a velha história: a voz é das personagens ou do escritor? Não importa muito, elas se fundem e o que sobra é uma pequena pérola, uma obra que, sem dúvida alguma, pode ser utilizado, para além da inquestionável qualidade da trama, como fonte de estudo para aspirantes a escritores (e eu me incluo aqui).
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