As Tumbas de Atuan

As Tumbas de Atuan Ursula K. Le Guin




Resenhas - Os Túmulos De Atuan


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Michele Bowkunowicz 29/03/2018

recomendo!
Para minha surpresa, este volume não começa imediatamente após aos acontecimentos do primeiro livro. Em vez disso, seguimos a vida da pequena Tenar que, por ter nascido no dia em que a Suma Sacerdotisa das Tumbas de Atuan morreu, é levada da família para ocupar o seu lugar, pois segundo a crença, a sacerdotisa sempre reencarna no dia em que morre, e por isso Tenar, com apenas 5 anos é retirada de seus pais e é obrigada a esquece-los e até mesmo o seu nome e assumir o nome de Arha. E agora, seu único objetivo é de servir os inominados e guardar as Tumbas de Atuan.
Assim, na primeira metade deste livro acompanhamos Tenar, agora Arha, na aprendizagem das suas funções. Mais ou menos no meio do livro, quando Arha tem quinze anos, surge de novo o nosso conhecido Ged, que visita as Tumbas de Atuan em busca da metade perdida do anel de Errth-Akbe, tentando cumprir a profecia que diz que quando o anel estiver inteiro a paz em Terramar será restaurada. Apesar das suas reticências iniciais, Arha aceita ajudar Ged e, com isso acaba por alterar seu destino.


Semelhante ao livro anterior, este também é uma história de transição para a idade adulta. Arha, ou Tenar, vive num mundo oprimido, com uma série de preconceitos e com o destino da sua vida traçada. A sua inquietude e vontade de saber são determinantes para que aprenda a questionar as coisas por si própria e ver para além dos limites que lhe são impostos. É impressionante como um livro tão pequeno consegue ser tão marcante, passando uma mensagem importante sobre liberdade e coragem.

Leia o restante da resenha no Blog Rotina Agridoce

site: http://www.rotinaagridoce.com/2018/02/resenha-1580-as-tumbas-de-atuan-ursula.html
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Ju - LiteRata 21/03/2018

contrariando a opinião geral
Quando foi publicado As Tumbas de Atuan, segundo volume do Cilclo Terramar, eu confesso que não estava muito animada com a história. Apesar de ter compreendido o apelo do primeiro livro como uma história singela não posso dizer que eu tenha adorado o livro. A verdade é que eu ainda tinha um pouco de esperança de que no segundo livro eu finalmente conseguisse compreender por que as pessoas gostam tanto da narrativa de Ursula K. Le Guin. Bom, eu não descobri, continuo achando a história rasa, o desenvolvimento cansativo e os personagens nem um pouco empáticos.

A história começa nos apresentando superficialmente Tenar, uma criança escolhida para ser a sacerdotisa das tumbas de Atuan, a reencarnação da grande sacerdotisa que alguns acreditam que renasce a cerca de milênios. Sendo despida de seu passado e de seu nome e deixando tudo no esquecimento Tenar passa a ser chamada de Arha e desde os 6 anos é criada para acreditar sem questionar. Porém sua natureza a leva a caminhos e decisões contrárias, mesmo que não tenha dúvidas sobre seu destino e seu papel no culto dos inominados, até que conhece Ged.

"A liberdade é um fardo pesado e uma carga enorme e estranha para o espírito levar. Não é fácil. Não é um presente dado, mas uma escolha que se faz, e a escolha pode ser difícil. A estrada sobe em direção à luz, mas o viajante sobrecarregado pode nunca chegar ao fim."

Assim como em O Feiticeiro de Terramar este novo livro traz como foco principal o desenvolvimento da protagonista. No caso somos apresentados a Arha/Tenar e inicialmente a garota de 16 anos não me passou uma boa impressão. Ainda assim ela acaba se tornando uma boa personagem no decorrer da narrativa, mas o que indica isso é o desenvolvimento de sua personalidade, algo que claramente é o foco principal da autora nesta série, não parece que Ursula busca apresentar uma grande aventura, seu objetivo é trabalhar personagens. Isso seria muito bem aproveitado na história se por boa parte da obra a Arha não fosse uma protagonista repetitiva.

Para complicar ainda mais a situação, As Tumbas de Atuan não tem um cenário lá muito atraente, levando-se em conta que a narrativa se passa em dois ou três cenários diferentes e em sua maior parte no escuro seria interessante se a autora pudesse explora-los a ponto de passar algo mais visual para o leitor, mas isso não acontece. Apesar de sermos conduzidos por Arha nestes caminhos, é como se eles não fossem instigantes o suficientes para explorarmos através do que lemos, fiquei à margem da história por este motivo. E Ged, o protagonista de O feiticeiro de Terramar esta em segundo plano aqui, seu desenvolvimento no decorrer do primeiro livro é visível, ainda assim o personagem não é muito explorado, não há muito o que pensar dele.

O fato é que As Tumbas de Atuan só ficou realmente interessante por cerca de 20 páginas, quando os perigos começam a rondar a situação de Ged e Arha, mas infelizmente logo após estes momentos a história volta a ficar morna e não trouxe um final que me instigasse a continuar com a leitura da série, foi só mais um livro que não me agradou, uma boa história, mas que poderia ter sido melhor ou que poderia ter dado espaço para outro livro. Além disso nada justifica a vagareza desse livro sendo que ele tem apenas 160 páginas, quer dizer, é um absurdo um livro tão curto assim conseguir ser tão maçante.

Enfim, As Tumbas de Atuan ganha pontos com o desenvolvimento da personagem e seu único momento de ação, porém no geral não conquista, é maçante e repetitivo demais se levarmos em conta suas poucas páginas. Porém já li muitas opiniões contrárias a minha, então ainda assim indico a leitura para quem se interessar possa.

"A maioria das coisas envelhece e perece com o contínuo passar dos séculos. Pouquíssimas são as coisas que continuam preciosas, ou as histórias que ainda são contadas."
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priscila.saatmam 13/03/2018

Úrsula K. Le Guin e seu legado
Tia Ursula Le Guin não brinca em serviço! Em "As Tumbas de Atuan", ela escreve uma reflexão poderosa sobre o poder da mulher. E chegar a essa conclusão foi incrível.

O livro conta a história de Tenar, filha de um casal camponês, ela é levada por um grupo religioso chamado "Inominados", curiosamente somente mulheres podem prestar ritos aos deuses que esse grupo idolatra. Aos seis anos ela perde seu nome, deixando de ser Tenar e cresce acreditando que ser Ahra é seu destino, que ser a suma-sacerdotisa é tudo o que ela deve e precisa ser, que isso é inquestionável.
Entramos na mente de uma jovem de 16 anos que vive quase que literalmente na escuridão, já que os seus domínios se localiza em um grande labirinto onde em lugares determinados o uso de luz é proibido. E... sim ela é uma autoridade, "inquestionável".
Mas a vida de Tenar se cruza com a de Ged, herói do primeiro livro e ela tem de fazer escolhas que colocam na balança todas as coisas tidas como inquestionáveis. Ela precisará tomar uma decisão.
Ursula nos abre os olhos sobre o maior poder que uma mulher tem: DECISÃO. Delicadamente ela tira Ged de foco, colocando-o como segundo plano, mas como complemento, como força mostrando que homens e mulheres podem cooperar entre si, pois no momento crucial de escolhas ambos precisarão unir forças Ged com a magia, Tenar com conhecimento. Mas o tempo todo o enredo flui a partir das decisões que Tenar toma, essas decisões eram a luz no meio da escuridão.
Com a história de Tenar podemos aprender que nós mulheres podemos guiar nossas vidas pelas nossas decisões e que elas nos tornam mulheres poderosas.

Enfim... Lute como uma garota!!!!
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bruno.rauber 25/02/2018

Eu honestamente sinto um pouco de dificuldade de me estender muito sobre um livro tão curto e com tão pouca história, mas a narrativa da Ursula K. LeGuin é tão gostosa, a construção do mundo de Terramar é tão fascinante e o desenvolvimento da personagem principal (que é de longe o foco aqui) é tão bem construído que é bem difícil de não recomendar a leitura de As Tumbas de Atuan, segundo livro do Ciclo Terramar. Sim, há um enfoque um pouco infanto juvenil, mas ainda assim, diferente de muitos do gênero, não trata o leitor de forma condescendente, como se ele fosse burro. Ainda acho o primeiro livro mais interessante, mas definitivamente fica uma vontade enorme de continuar a leitura da série.
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Minha Velha Estante 15/02/2018

Resenha da Tata
Quem viu minha resenha do primeiro livro do Ciclo de TerraMar (aqui) sabe como eu me surpreendi com o mundo criado pela lena Ursula K Le Guin.

Com 148 páginas, As Tumbas de Atuan é um livro rápido, fácil e bonito de ler. É o tipo de livro que eu gostaria que existisse quando eu era criança e buscava, incessantemente, livros de fantasia que me atraíssem. Foi naquela época que eu me apaixonei pelas Crônicas de Nárnia e eu sei que teria me apaixonado pelo ciclo de TerraMar também.

Como eu disse anteriormente, Usula K Le Guin foi uma mestre do gênero da fantasia e seus livros são inspiração inegável para os grandes nomes da fantasia atualmente.

Eu vou tentar fazer um resumo da história sem dar nenhum spoilers para aqueles que não leram o primeiro livro.

Então, vamos lá.


No primeiro livro da série nós conhecemos Ged, um jovem órfão que, por uma casualidade do destino, se tornará aprendiz de mago e que, em um futuro talvez não muito distante, se tornará o maior feiticeiro que já existiu (Ursula deixa isso bem claro desde a primeira página do primeiro livro).

Em as Tumbas de Atuan, a personagem principal é Tenar, uma menina que desde criança foi escolhida para se tornar uma suma sacerdotisa e, como tal, a guardiã das Tumbas de Atuan.

O que acontece é que as tumbas ficam em uma ilha e, por conta dos seus tesouros mágicos, são guardadas fielmente por um grupo de sacerdotisas que cultuam os inominados (elas são meio doidas, se você me perguntar). Quando a sacerdotisa morre, sua sucessora é escolhida através de uma seleção muito simples: ela tem que ter nascido no mesmo dia em que ocorreu a morte da sacerdotisa original.

Completamente conformada com seu destino e muito boa no seu trabalho como guardiã, tudo muda para Tenar quando um jovem mago invade as tumbas afim de roubar um de seus tesouros.

Aquele jovem mago (obviamente, né?!?!?!) é o Ged (ou gavião, como eu prefiro chamar ele).

O mais legal desse livro não é a história em si, mas a lição por trás dela. Tenar foi obrigada a se tornar aquilo que esperavam dela e não quem ela queria ser. Ela foi obrigada a viver uma vida que não foi a que ela escolheu e, mesmo assim, ela aceitou o que lhe foi imposto. Quando Ged chega, com sua vontade de viver, de fazer o seu próprio destino e de usar seus poderes de formas antes não imaginadas por ela, Tenar começa a questionar sua própria realidade, questionar as escolhas que ela não pode fazer e que foram impostas a ela.

É muito, muito legal ver a relação deles. Ela toda focada e séria nos seus deveres e ele, como uma figura rebelde que questiona a sua religião e a imposição que a sociedade teve na vida dela.

Ged, por sí só, é uma das melhores coisas nesse livro para mim. Ele é um personagem maravilhoso e bem construído. A série se compromete claramente a mostrar o seu desenvolvimento, sua evolução de menino órfão ao maior super mega mago de todos os tempos.

Eu não sei o que os outros livros vão trazer, mas eu espero, de verdade, que o último livro da série mostre Ged como Gavião, mostre quem ele se tornou.

Talvez por isso, em parte, pelo menos, esse segundo livro me lembrou bastante de uma outra série de fantasias chamada MAGO (resenha aqui, aqui e aqui) e eu não me surpreenderia se descobrisse que O Ciclo de TerraMar fosse a inspiração para a série.

O que me deixou chateada com esse livro foi o número de páginas. Eu me acostumei a ler fantasias com mais de 500 páginas e, ter a oportunidade de visitar esse mundo novamente, em tão poucas páginas, foi doce e amargo ao mesmo tempo. No momento em que eu mais queria que a história continuasse, o livro acabou.

O livro é claramente mais focado para o público jovem e, talvez por isso, possui uma quantidade de páginas mais acessíveis mas, a amante de fantasia aqui, gostaria que a história fosse um pouquinho mais longa afim de poder aproveitar a leitura por um pouquinho mais de tempo.

O que eu não entendi foi a capa desse livro. Vamos ser francos aqui, ela não é nada atrativa. Porque fizeram isso, pelo amor de deus??? O primeiro livro tem uma capa MARAVILHOSA e eu esperava que o segundo seguisse o mesmo estilo.

Quanto a tradução e a esquematização do livro, a Arqueiro está de parabéns. As letras possuem fontes confortáveis e a diagramação foi feita para que qualquer pessoa (de qualquer idade) não tenha dificuldade em ler.

A série O Ciclo de TerraMar possui 5 livros no total e eu estou real e ansiosamente esperando pelos próximos.

site: http://www.minhavelhaestante.com.br/2017/07/estante-da-tata-as-tumbas-de-atuan.html
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Acervo do Leitor 02/02/2018

Em um determinado ponto deste livro, Ursula fala sobre a liberdade e sobre as escolhas que às vezes temos e às vezes não sobre nossas vidas. As Tumbas de Atuan trata muito disso, sobre algo que nos é imposto e que nos faz mergulhar no poço da ignorância, presos sobre as correntes do desconhecido que nos conduz para uma vida de trevas e solidão. Esta é a vida de Arha, esta seria a vida de Tenar se não houvesse um Gavião em seu caminho, esta é a história do segundo livro do clássico Ciclo de Terramar de uma das mais geniais autoras de todos os tempos.

(…) A estrada sobe em direção à luz, mas o viajante sobrecarregado pode nunca chegar a seu fim (…)

As Tumbas de Atuan é um livro com tão poucas páginas, mas com tantas informações, tantas nuances e pontos a serem destacados – assim como foi seu predecessor -, que ansiamos por mais, muito mais. Livros de fantasia geralmente são verdadeiros calhamaços, com centenas e mais centenas de páginas, poucos são tão sucintos, tão diretos quanto o Ciclo de Terramar. Ursula usa cada livro de sua série para abordar temas recorrentes, temas que nos faz refletir sobre nossa conduta e paradigmas.

” – Você achou mesmo que eles haviam morrido? No fundo do coração sabe que não é verdade. Eles não morrem. São tenebrosos e imorredouros e odeiam a luz, a luz breve e luminosa da nossa mortalidade. São imortais mas não são deuses. Nunca foram. Não merecem ser cultuados por nenhuma alma humana”.

Tenar, ainda criança é tida como a Sacerdotisa Única Renascida das Tumbas de Atuan, e a partir de agora terá sua vida moldada ao culto que representa adoração e obediência aos seres das trevas conhecidos como Inominados, trilhando os caminhos que lhes são traçados por dogmas há muito estabelecidos, e continuar servindo as figuras que anseiam somente por viver na mais profunda escuridão. Neste ponto Tenar torna-se Arha. E os labirintos mortais e traiçoeiros de Atuan torna-se sua casa.

As Tumbas de Atuan situa-se em um local isolado do mundo, com costumes e crenças próprias e com pouca ou quase nenhuma interferência externa. As coisas mudam quando um forasteiro vem ao local com o intuito de roubar o mais precioso dos tesouros, desafiando o poder dos Inonimados, da fé e trazendo consigo uma centelha de claridade. E, em um local onde as trevas habitam, uma fagulha de luz faz com que as consequências sejam arrebatadoras. E é neste ponto que o livro mostra a que veio, pois Arha em seu papel de Sacerdotisa Única tem como dever liquidar qualquer afronta contra seus “Deuses” e cegar a si mesma sobre quaisquer outros caminhos. Entretanto, ela vê no forasteiro que há muito mais no mundo do que somente trevas.

(…) A liberdade é um fardo pesado e uma carga enorme e estranha para o espírito carregar. Não é fácil. Não é um presente dado, mas uma escolha que se faz, e a escolha pode ser difícil. (…)

Assim como no primeiro livro, Ursula pega uma personagem ainda criança e vai desenvolvendo. Olhando de maneira paralela, Ged e Tenar são muito parecidos e ao mesmo tempo muito diferentes. Tenar é para As Tumbas de Atuan como o Gavião é para O Feiticeiro de Terramar, uma protagonista em ascensão. Ao contrário de seu antecessor, Atuan não explora muito de Terramar, não há viagens pelos infindáveis continentes e exploração de suas várias cidades, todo o enredo se passa sobre o local e seus costumes. Não há muitos personagens, e os que há, são bem aproveitados. É notável a evolução de Ged, aquele garoto ambicioso e por vezes arrogante tornou-se alguém a ser admirado. Alguém capaz de transformar uma vida.

SENTENÇA
As Tumbas de Atuan é um clássico da Literatura Fantástica. Com uma história riquíssima e debates pertinentes, esta continuação da saga do maior feiticeiro de todos os tempos é algo próximo a uma linda canção que fica sobre os acordes do tempo, esperando para ser entoada. Leitura obrigatória para os fãs de fantasia e desta autora genial.

site: http://acervodoleitor.com.br/as-tumbas-de-atuan-resenha-ursula/
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Adson 22/01/2018

Uma história sobre possibilidades de escolha e confiança.
O que você escolheria: o poder ou a liberdade? Trocaria um pelo outro?

A Tenar não foi dada a oportunidade de escolher, pois seu destino fora traçado no dia de teu nascimento. Ela foi obrigada a ser poderosa. E isso lhe custou muitas coisas: sua identidade, suas origens e sua liberdade.
Acontece que a alma da Suma Sacerdotisa das Tumbas de Atuan nunca morre. Seu corpo perece e seu espírito renasce em outra criança que tenha nascido no mesmo dia da “morte” da sacerdotisa anterior. Como Tenar fora a escolhida e reconhecida pelo Rei-Deus, seu tempo com a sua família estava contado: até mesmo seu pai, no primeiro capítulo, orienta a mãe a deixar a educação da menina de lado, pois a sua partida para o local sagrado dos Inominados era iminente. Ela já não lhes pertencia.

Ao tomar seu posto no Lugar das Tumbas com apenas 6 anos de idade, Tenar passa a se chamar Arha. Sua função passa a ser cuidar das Tumbas de Atuan e seu tenebroso labirinto, o que inclui viver para sempre em contato com a escuridão. A partir daí ela passa a pertencer à misteriosa seita dos Inominados.

Lá ela se reúne a outras duas sacerdotisas: Kossil e Thar. A segunda nutriu uma amizade por Arha, que tem que lidar com os recalques de Kossil. Ela também faz uma amizade muito bonita com seu guardião Manan.

Arha é uma personagem interessante: poderosa, mas meio que inconformada com isso, pois essa condição lhe foi imposta. Muito curiosa e questionadora, quer saber sobre tudo, como ela chegou a se tornar alguém tão importante para o Lugar sendo tão jovem, já que suas lembranças se esvaíram. Pena que ela perde muito tempo caminhando pelas catacumbas... A autora poderia ter explorado mais esses aspectos de Arha.

Então ela passa a conhecer tudo sobre ser Suma Sacerdotisa, o que inclui um conhecimento sobre o que há de sagrado e proibido nas tumbas, os seus prisioneiros e pra onde leva cada ramificação do labirinto das tumbas. Isso tudo longe da luz. Abaixo da terra.

Numa de suas infinitas incursões pelo subsolo, ela encontra o Gavião, ou Ged, (personagem principal do primeiro volume, O Feiticeiro de Terramar), que foi até Atuan recuperar um amuleto: a outra metade do Anel de Erreth-Akbe. Arha fica em dúvidas sobre o que fazer com ele: trata-lo como prisioneiro ou aceitar sua amizade e conhecer uma vida nova.

O leitor se sente claustrofóbico, pois os personagens estão a maior parte do tempo nas catacumbas escuras, e Arha faz caminhadas intermináveis no labirinto, o que deixa a obra num rito muito lento até mais da metade no livro. E a autora investiu muito nas descrições detalhadas... Parece acontecer pouca coisa até o encontro de Arha e Ged, quando a trama fica melhor. Isso me incomodou um pouco. E fantasia ainda não é meu gênero predileto, me tira completamente da minha zona de conforto, não no sentido de me cativar, mas de me deixar meio confuso mesmo.
Publicada em 1970, a obra transpôs algumas barreiras: na época era difícil uma obra conter uma protagonista feminina forte, ainda mais uma heroína, cheia de inquietações. Se tem algo que eu gostei tanto no O Feiticeiro de Terramar, quanto nesta obra foi o texto escrito pela autora depois de revisitar a sua obra vários anos depois, em outra conjuntura. Vale muito a pena ler. Esse fator é explorado de uma maneira bem lúcida, equilibrada e não radical pela autora no posfácio que, aliás, sempre faz posfácios melhores que o próprio livro brilhantes. Ela dá até uma alfinetada no feminismo radical, explorando que cada gênero (e cada indivíduo) tem seu lugar e função no mundo, cabendo a nós convivermos em harmonia, respeitando as escolhas dos outros.

As escolhas e a possibilidade de fazê-las são o assunto de As Tumbas de Atuan. Outros temas são: cooperação, amizade, colaboração, confiança e um pouco de teimosia. É sobre perder e depois tentar reconquistar a liberdade, mas que ser livre vai além de romper barreiras (físicas ou psicológicas), significa reconhecer as origens e a própria identidade e sobretudo admitir que, apesar de ser um paradoxo, precisamos uns dos outros para sermos livres.

Não sei se vou continuar a ler os outros volumes do Ciclo de Terramar, pois não é uma continuação de O Feiticeiro de Terramar, mas sim uma outra história. E Ged, um personagem bem interessante, que demora demais a aparecer e que seria um elo entre as estórias, parece ter perdido sua essência.
Conselho do tio: Apesar de ser considerada uma fantasia infanto-juvenil, seu tema agrada aos adultos plenamente. Arrasta-se até mais da metade do livro, mas depois fica ok.


site: https://guloseimasnerds.wordpress.com/2018/01/22/as-tumbas-de-atuan-de-ursula-k-le-guin/
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Fernando Lafaiete 13/01/2018

As Tumbas de Atuan: Uma história que incomodou os machistas e as feministas na época que foi lançada. Tais críticas já foram superadas ou ainda vivemos em meio a hipocrisia que sustenta a falsa luta pela igualdade de gênero?

As Tumbas de Atuan é o segundo livro do Ciclo Terramar, cujo o primeiro volume é o premiado "O Feiticeiro de Terramar." Esta série é um dos clássicos da literatura fantástica e o mesmo ajudou a moldar o gênero. Tal série foi fortemente elogiada na época em que foi lançada... Mas hoje em dia é encarada pelos leitores de fantasia (a maioria deles) como uma série no máximo mediana. Algo compreensível se formos analisá-la no mar infindável de histórias fantásticas que existem por aí hoje em dia. Mas o que não podemos ou pelo menos não deveríamos fazer; é desvalorizar uma série tão importante como "O Ciclo Terramar."

Nesta continuação, Úrsula K. Le Guin nos apresenta uma narrativa focada em Terna, sua primeira protagonista feminina. Ela é uma garota de apenas 6 anos tida como a reencarnação da sarcedotisa das Tumbas de Atuan. Devido ao seu status, ela é tirada de sua família e perde sua liberdade, passando assim, a viver em um local rodeado pelo deserto. Sua função é servir os inominados, seres das trevas que vivem na escuridão das Tumbas. Terna é uma personagem que cresce com o virar das páginas. Começa como uma garota arrogante e cruel e vai se transformando com o surgimento de Ged, o protagonista do primeiro livro.

É interessante lermos o "desabafo" da autora no epílogo. Com o surgimento do protagonista anterior, muitas mulheres questionaram a autora acerca do papel de Ged para o crescimento da personagem central. Uma mulher para se salvar precisa da ajuda de um homem? Por que não escrever uma história onde a protagonista se salvaria sozinha sem precisar da ajuda de um personagem do sexo oposto?

A autora defende que as mulheres que leram a história, deturparam a mensagem da mesma. Não se trata de um homem salvando uma mulher. Mas sim de dois seres dependendes aprendendo e se ajudando diante de uma situação que está além de seus gêneros. Qual o problema de uma mulher ajudar um homem e de um homem ajudar uma mulher?

Pesquisando mais sobre a autora e sobre a série, descobri que ela também foi criticada pelos homens por escrever uma história protagonizada por uma mulher. De um lado, os leitores machistas que só queriam histórias protagonizadas por homens que lutavam, matavam os vilões e salvavam as mocinhas, reforçando assim sua masculinidade. Do outro, as mulheres que queriam histórias onde as mulheres fossem as protagonistas e que se salvassem sem precisar do apoio de um personagem masculino.

Ser criticada deve ser algo normal para a autora. Em "O Fericeiro de Terramar" ela foi criticada por apresentar um personagem moreno em uma época onde isso não era aceitável. Na continuação ela é detonada por vários leitores por abordar a relação entre personagens de sexos opostos. Parabéns para a autora pela coragem e pela paciência a qual eu não teria tido se estivesse em seu lugar.

As Tumbas de Atuan foi escrito após a autora finalizar "A Mão Esquerda da Escuridão" um dos maiores clássicos da ficção científica, cuja história também gerou críticas de leitores conservadores. Diferente do livro anterior, esta continuação tem uma narrariva plana. Tem menos dinamismo e é nula de cenas de ação. É uma história sobre a manipulação de uma falsa fé que deturpa o comportamento humano e prioriza a submissão e a crueldade. É um livro que demonstra a importância da liberdade e da coragem em enfrentarmos os nossos medos.

Uma história lenta, com uma ambientação fixa e sem muitos detalhes sobre os sistemas de magia. Entretanto, senti uma maturidade maior na escrita da autora e a falta de oscilação narrativa fez com que eu gostasse mais deste volume se comparado com o seu antecessor.

Úrsula K. Le Guin merece ser respeitada por ter escrito histórias que influenciaram tantas outras. Uma mulher corajosa que escreveu fantasia quando o gênero era visto como masculino em uma época hipócrita onde tudo era motivo de críticas infundadas e desnecessárias.
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Kari 28/10/2017

As Tumbas de Atuan é o segundo livro do Ciclo de Terramar e nele vamos conhecer as aventuras de Gavião ou Ged um mago poderoso que pouco a pouco vai descobrindo a que veio. Neste segundo volume vamos conhecer uma jovem que foi escolhida desde os seis anos para ser sacerdotisa da Seita dos
Inonimados. Sua vida muda radicalmente sem que nem perguntem se ela quer isso para si, seu nome já não é mais o antigo, passando a se chamar Artha se tornando a guardiã das Tumbas de Atuan, lugar sagrado para sua Seita e local de muito misterioso e tesouros inestimáveis.

Em dado momento seu caminho e de Gavião se encontram mas não de maneira positiva, Ged está ali para se apossar de um dos tesouros dos Inonimados quando é pego por Artha tendo uma sentença de morte e sofrimento eternos, seu destino está marcado e não há nada, nem ninguém além de Artha para impedir que o mesmo ocorra. Será possível Ged convencer Artha de que tudo aquilo foi inevitável, mas que não é dessa forma que deve terminar sua jornada?

Artha foi criada para ser a guardiã e suma.sacerdotisa sem escolha e mesmo assim aceitou seu destino; até aparecer Ged para lhe propor algo impensado antes por ela. Seria possível tomar outro rumo e ser dona do próprio destino? Será mesmo que a escolha é sua? Antes de ser Artha, ela era Tenar e deveria ter uma família que sequer se lembra! Seu destino como Sacerdotisa foi traçado e mesmo sabendo que deveria cumprir seu papel matando Ged, ela não consegue é o mantém prisioneiro, suas perguntas para Ged a estão levando a dúvidas sobre si mesma.

Bom, apesar de no primeiro livro o centro de tudo ser Ged, nesse segundo volume temos Artha uma jovem forte, com um destino traçado desde que era criança e que abraçou-o como única opção, dando o melhor de si. Ela foi moldada para ser impiedosa guardando os caminhos do labirinto das Tumbas e seus tesouros, porém uma pessoa limitada pelo destino que ao conhecer Ged, percebe novas perspectivas para sua vida além das que lhe foi apresentada. Ela fica em uma espécie de limbo, entre aquilo que foi criada para fazer e aquilo que gostaria de fazer.

Este volume foi mais devagar do que o anterior, talvez por inserir um novo personagem importante a trama e para de certa maneira nos ambientar ao enredo. A escrita da autora seja acelerada de aventuras ou mais branda com auto descobertas e escolhas importantes não deixa de encantar e prender o leitor, fazendo com que cada parte contada seja apenas um pedacinho de algo muito maior que está por vir.

Esta é uma leitura rápida e que nos deixa com muitas ideias para o próximo livro.
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Adriana 28/10/2017

As Tumbas de Atuan de Ursula K. Le Guin
Antes de começar com a resenha, é importante que você saiba quem é Úrsula K. Le Guin. Escritora surgida na década de 1960, Ursula Le Guin conquistou diversos prêmios literários ao longo de sua carreira, entre eles o Prêmio Nébula - concedido anualmente pelo Science Fiction and Fantasy Writers of America (SFWA), para os melhores trabalhos de ficção científica/fantasia publicados nos Estados Unidos – e, também, o prêmio National Book Award na categoria livros infantis, em 1973. É uma autora de mão boa, tendo publicado diversos títulos nos campos da Fantasia, da Ficção Científica e até na área acadêmica.

Infelizmente, nós não tínhamos muitos títulos da autora traduzidos aqui no Brasil. Sua obra mais famosa em terras tupinambás seria, talvez, “A Mão Esquerda da Escuridão” - vencedor do Prêmio Hugo, em 1968. Mas a Editora Arqueiro acaba de lançar, em uma edição completamente repaginada e bem elaborada, uma das obras mais influentes de Ursula K. Le Guin: O Ciclo Terramar.

Composto por cinco volumes, O Ciclo Terramar narra as aventuras de Ged, ou O Gavião, um dos magos mais poderosos do arquipélago de Terramar.

No primeiro livro da série, O Feiticeiro de Terramar, acompanhamos as primeiras aventuras de Ged, até então um jovem rapaz que deixa a ilha de Gont para tornar-se um aprendiz de feiticeiro. Talentoso, mas bastante arrogante, Ged acaba libertando uma criatura das trevas, que passa a persegui-lo (você pode ler a resenha completa no blog Memórias Literárias).

A característica mais marcante no início da série é a jornada do herói. Ged, que até então é só um jovem aprendiz da magia, não tem ideia de todo o seu potencial. Ele é teimoso, impaciente e arrogante, e está mais do que desesperado para aprender as magias e os encanamentos mais complexos, o que o conduz numa viagem por todo o arquipélago de Terramar.

Já no segundo volume da série, As Tumbas de Atuan, Ged não é exatamente o protagonista. É interessante dizer que, num primeiro momento, Ursula K. Le Guin não tinha imaginado uma continuação para “O Feiticeiro de Terramar”. Mas depois do estrondoso sucesso de “A Mão Esquerda da Escuridão”, a autora não só decidiu revisitar seu universo, como também dar vida a sua primeira protagonista feminina.

Escolhida ainda aos seis anos de idade para se tornar a suma sacerdotisa da obscura seita dos Inominados, Tenar vê tudo aquilo a que mais amava ser arrancado de sua vida, inclusive seu própria nome. Ela passa a se chamar Arha e se torna, então, a suprema guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um labirinto sombrio e sagrado para os Inominados, onde estão guardados seus mais valiosos tesouros.

Já adolescente, Arha segue seu destino com resignação, até deparar-se com um feiticeiro autonomeado “O Gavião” – isso mesmo, o Ged! – que está ali para roubar o precioso Anel de Erreth-Akbe, uma relíquia mágica e dos maiores tesouros dos Inominados. Ele só não esperava ser capturado pela suprema guardiã das Tumbas de Atuan.

Sentenciado à morte nas trevas eternas, Ged aguarda seu destino cruel nas celas do escuro labirinto. Sua única esperança está em Arha, justamente aquela quem vai executá-lo. Mas esperto como só ele próprio sabe ser, Ged vai usar toda a sua inteligência e astúcia para mostrar a Arha uma outra versão dos fatos e, quem sabe, convencê-la a ir em busca de tudo aquilo que ela jamais teve a chance de desfrutar: sua própria vida.

Embora este segundo volume seja ainda mais compacto do que o primeiro, a narrativa construída em As Tumbas de Atuan tem um excelente ritmo. Os personagens são bem complexos e os diálogos entre Ged e Arha são bem intensos – uma característica marcante nos livros da autora. Liberdade, compaixão e autoconhecimento são os pilares sob os quais Ursula Le Guin decidiu dar continuidade às aventuras do feiticeiro de Terramar e são, também, a prova genuína da razão de a autora ser considerada uma das mães da Fantasia e da Ficção Científica.

A forma como Ursula K. Le Guin constrói seu universo fantástico é muito semelhante a outros autores de fantasia. Ela nos apresenta a magia e como ela funciona no mundo de Ged – todos os elementos possuem um nome oculto e, para controlar esses elementos, o feiticeiro deve conhecer esse nome. E embora este segundo volume seja ainda mais breve do que o primeiro, em momento algum a narrativa sai prejudicada.

A edição foi muito bem trabalhada pela Editora Arqueiro. O livro conta com uma belíssima ilustração de capa, e vem ainda com um mapa do Arquipélago de Terramar para você pendurar na parede e acompanhar a trajetória dos personagens.

Como dito anteriormente, a série conta ainda com mais três volumes e mais um livro de contos. Vamos esperar que a Editora Arqueiro nos traga todos com a mesma qualidade e capricho destes dois primeiros volumes.

site: www.meupassatempoblablabla.com
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Dani 27/10/2017

Resenha para o blog Livros & Café
É sempre assim: crio altas expectativas com relação a um livro, e no final, acabo me decepcionando. Eu já deveria estar acostumada, porém, não estou. Vou explicar o motivo desse livro não ter-me conquistado tanto, não da maneira que eu gostaria.

Quando Tenar nasceu, ela foi predestinada a assumir seu lugar como a Sacerdotisa Única. Quando ela tinha seis anos de idade, ela foi levada para longe de seus pais. Quando ela nasceu, seus pais sabiam que não podiam se apegar menina, já que ela seria levada para longe. Quando chega ao Templo, ela não pode mais usar o nome que recebeu; ela é renomeada Arha, guardiã das Tumbas de Atuan.

Tenar, agora Arha, não se lembra da sua família. Seu lar agora é no templo, e ela precisa assumir seu lugar como Sacerdotisa Única. Ela é a responsável pelos sacrifícios nas Tumbas e também, por guardar os caminhos do labirinto, um caminho que só ela pode conhecer. Esse caminho leva ao grande tesouro: o Anel de Erreth-Akbe. Essa relíquia é cobiçada por muitos, e é isto que Ged tentará roubar.

O livro é mais focado na Arha e na sua vida no Templo. O caminho dela se cruza com Ged quando ela o pega tentando roubar o anel de Erreth-Akbe. Sem conseguir matá-lo, a jovem o prende como seu prisioneiro. Mesmo sabendo que deveria matá-lo, Arha também deseja conhecer mais sobre o ladrão, e passa a fazer perguntas a ele. Outras sacerdotisas querem vê-lo sendo sacrificado, mas Arha não sente o mesmo.

Este livro é bem mais parado com relação ao primeiro. O Feiticeiro de Terramar tem um ritmo um pouco lento, mas também tem algumas cenas de ação. Nesse volume não há a presença dessas cenas, por isso, acabei ficando um pouco desapontada com a obra, e demorei um pouco para pegar o ritmo. Gostei dos personagens. Gostei bem mais do Ged do que da Arha. Eu não consegui ver muita força na personagem, não o mesmo que vi em Ged.

Em suma, eu fiquei um pouco desapontada com o livro. Não que ele seja ruim, mas eu esperava mais dele. A escrita da Ursula é boa, mas não consegui me senti tão envolvida com a narrativa. Ele tem um final em aberto para o próximo volume. Ainda não sei pretendo ler o terceiro livro. Caso você tenha interesse nesse livro e também no primeiro, leia. Tire suas próprias conclusões.
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Marcela @ler_sim_ler_sempre 18/09/2017

Mais um tesouro que Ursula nos deixa em forma de livro
@ler_sim_ler_sempre

🔹Nesse segundo volume do Ciclo de Terramar conhecemos uma nova personagem, Tenar. Que se torna Arha, a suma sacerdotisa das Tumbas de Atuan. Largando toda sua vida, desde os 6 anos.
Onde agora adolescente, em pleno desenvolvimento, se depara com nosso Ged, o dragão. Tentando roubar os Tesouros de Atuan. .
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🔹E ela ao invés de mandar executá-lo, por algum motivo, se vê fascinada com aquele homem e todo o mistério e magia que rondam sua alma. .
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🔹Aqui também temos uma personagem teimosa e orgulhosa. E ao mesmo tempo ingênua, assim como Ged. E que será capaz de quebrar protocolos para sanar sua ânsia de saber mais. .
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🔹E nesse fascínio por um mundo diferente e a proteção à esse mago, lhe rende inimigos poderosos. Capaz de destruir e acabar com o ciclo da sacerdotisa. Lhe deixando com a decisão de : ⁉️ficar e entregar esse ladrão ou ir e descobrir esse novo mundo. .
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🔹Ursula escreve de uma maneira que você se sente envolvido dentro daquele labirinto e envolto a magia proclamada por seus personagens. Assim, como o primeiro, não é uma leitura rápida. Que você leria as 148 páginas em uma "sentada". Mas mesmo assim você se prende a história e sente necessidade em saber o desfecho preparado para Ged e Tenar. Dois personagens tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo.
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. 🔹 Onde nesse livro em especial, Ursula nos trouxe de lição que precisamos do outro pra seguir em frente. Que nem toda a sabedoria de um indivíduo é o suficiente se não tiver a força do outro. .
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🔹Já quero muito o terceiro volume e espero que tenha mais interação entre os dois personagens. .
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AmadosLivros 16/09/2017

Vamos falar de coisa boa?! Vamos falar da continuação do livro O Feiticeiro de Terramar! Para começo de resenha, devo dizer que, mesmo que você ainda não tenha livro o primeiro livro do Ciclo Terramar, pode ler este tranquilamente. Apesar de ser uma continuação, os fatos não são sequências diretas, e não há grandes prejuízos para a trama caso não leia o anterior.

A personagem principal deste livro não é o Feiticeiro Ged. COMO ASSIM MILENA?! Bem, ele aparece no livro, mas é bem depois da metade da história. Aqui toda a trama é focada em Tenar. No dia do seu nascimento, Tenar foi considerada a suma sacerdotisa dos Inomináveis. Assim, ela é retirada do seu lar e levada para morar no templo, e, aos seis anos de idade perde seu nome e passa a se chamar Ahra.

Os anos foram se passando, e Ahra continuou vivendo na sua simplicidade. Não temia as trevas, pois era nas mais profundas trevas que os seus senhores habitavam. Mas, tudo muda quando um estrangeiro invade o santuário dos inomináveis: um mago (ninguém menos que nosso mago Ged). Alguém que ela só ouvia falar nas histórias. E ela tem que decidir o que fazer com este profanador.

Uma das coisas que mais gostei no livro foi a questão da protagonista. Ela é forte, ela tem poder, mas ao mesmo tempo, o seu domínio é limitado. Ela não pode fazer tudo que deseja, e está presa as suas crenças. E, não, ela não esperou o príncipe encantado, ou no caso, o mago encantado a socorrer. De certa forma, eles se ajudaram. Um não se salvaria sem a colaboração do outro. Eu gostei desse estilo cooperativo da coisa.

Muita gente pode achar a Ahra uma protagonista fraca, mas é preciso lembrar o período que o livro foi lançado. A Ahra/Tenar é a vovó de todo esse girl power que vemos hoje em dia. Eu amei a leitura, bem fluída, e como o livro é pequeno, devorei a história toda em um único dia. Recomendo.

site: https://amadoslivros.blogspot.com.br/2017/09/livro-as-tumbas-de-atuan-ciclo-terramar.html
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Milas Caldas 06/09/2017

Quando este livro foi lançado, lá na década de 60, protagonistas femininas eram extremamente raras. Quando uma mulher aparecia nas histórias, ela sempre era a donzela indefesa, coitada sem poderes e sem voz, que existia apenas para ser salva pelo seu cavalheiro de armadura brilhante. Passividade é o termo que se aplicava perfeitamente para essas mulheres. Assim, Ursula K. Le Guin criou Arha, Suma Sacerdotisa dos Inomináveis, senhora de grande poder e ao mesmo tempo aprisionada a ele.

“Ué Milena, você não deveria estar falando sobre Ged, o Mago Gavião, já que é continuação da história dele?” Sim, amiguinho, o Ged aparece nessa história, mas ele está longe de ser o foco central. Em as tumbas de Atuan somos apresentados a Ahra, uma jovem que desde que nasceu foi considerada a reencarnação da Suma Sacerdotisa dos Inomináveis, e, assim que completou cinco anos de idade, foi levada de sua casa até o templo e oferecida aos poderes das trevas, poderes esses que ela passou a servir. Seu nome lhe foi retirado, ela agora era novamente Ahra, e assim seria até o final dos seus dias, quando retornasse em sua próxima vida.

Ela nunca duvidou de sua tarefa, sempre realizou o que se esperava da Suma Sacerdotisa dos Inomináveis. Conheceu cada curva das tumbas, prestou o culto, sempre manteve os lugares sagrados na escuridão as quais pertencia, até que o mago Ged chegou, e, pela primeira vez em anos a fez duvidar sobre sua função e seu lugar no mundo. Sobre sua liberdade, sobre ter poder, mas estar aprisionada a ele.

A liberdade é um fardo pesado e uma carga enorme e estranha para o espírito levar. Não é fácil. Não é um presente dado, mas uma escolha que se faz, e a escolha pode ser difícil. A estrada sobe em direção à luz, mas o viajante sobrecarregado pode nunca chegar ao fim.
Talvez as feministas não gostem da forma como Ahra conduziu as coisas. Talvez, elas esperassem uma protagonista que pegaria nas armas e partiria para a guerra. Mas temos que entender que, a escrita da Ursula é um reflexo da época, onde as mulheres eram mais passivas, e, apesar disso, eu gostei de como ela resolveu tudo. Como Ahra e Ged tiveram que unir forças para conseguir alcançar os objetivos que possuíam.

Amei a leitura. A escrita de Ursula me cativa a cada livro, e, este em particular é super fininho, tendo menos de 200 páginas, dá para ser devorado inteiro em uma única tarde se você tiver tempo e disposição. Um infantojuvenil gostoso de ler. E se você ainda não leu o livro anterior, pode ler esse sem medo. Ele não depende dos fatos do anterior para seguir sua história, mas é interessante você já saber quais caminhos o Ged trilhou para que chegasse até ali. Uma leitura que recomendo.

site: http://minhacontracapa.com.br/2017/06/resenha-as-tumbas-de-atuan-de-ursula-k-le-guin-ciclo-terramar/
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Leticia 06/09/2017

As Tumbas de Atuan - Ursula K. Le Guin
Sobre o livro

Tenar nasceu no mesmo dia em que a Suma Sacerdotisa das Tumbas de Atuan morreu. Por isso, segundo a crença de seu povo, ela deve ser a próxima Suma Sacerdotisa do templo dos Inominados. Assim, ao completar cinco anos, ela deixa a sua família para cumprir sua missão. Lá, ela será Arha, terá um guardião, O Manan, e cuidará do Labirinto subterrâneo das Tumbas.

Como Sacerdotisa Única, Arha é a responsável por tudo que acontece nas Tumbas. Esse lugar cheio de mistérios guarda tesouros de toda Terramar, incluindo o anel de Erreth-Akbe. Em uma de suas rondas pelo labirinto, a jovem encontra um mago, ele entrou lá sem permissão para buscar o anel.

Agora, Arha precisa decidir o destino de seu novo prisioneiro, Ged. Mas nem tudo acontece como deveria, pois esse encontro mostra à Suma Sacerdotisa que nem tudo que ela sabe sobre as tumbas, seu povo e os magos é verdade.

Minha opinião

Apesar de ser continuação do primeiro livro, nesse segundo volume, o foco não será em Ged, mas sim em Tenar. O livro é super curto, e, mesmo assim, a autora mostrar boa parte da vida da menina. Vamos acompanhando seu crescimento e seu aprendizados no Lugar das Tumbas de Atuan até chegar num momento decisivo na vida na Suma Sacerdotisa quando Ged vira seu prisioneiro.

Tenar não foi uma protagonista que simpatizei muito. Mesmo com seu amadurecimento durante a narrativa, ela não é carismática. Por ter ido cuidar das Tumbas muito nova, ela não viveu muitas coisas e está praticamente presa a uma rotina, que muitas vezes cansa. Isso deixou-a reclamona e insatisfeita com a sua situação (não tiro a razão dela) e tornou alguns momentos da leitura chatos.

Nesse livro além do mapa de Terramar, há outros dois, O Lugar das Tumbas de Atuam e o do Labirinto das Tumbas de Atuan. No final, encontramos um posfácio, escrito pela autora, no qual ela conta como foi escrever um segundo livro no mesmo universo de Terramar e como foi criar uma personagem feminina.

A autora ousa mais uma vez, agora ao trazer uma protagonista feminina que se impõem perante as situações encontradas por ela, o que não era normal na época em que o livro foi escrito, anos 70. Ursula continua com uma escrita direta, mas com muito detalhes, o que torna a leitura um pouco mais lenta.

Minhas expectativas com esse livro não estavam altas, por isso não fiquei completamente decepcionada. A história não tem grandes cenas de ação, mas traz questionamentos profundos e muito pertinentes sobre religião, rituais e crença. Não estou morrendo de amores por essa série, mas pretendo continuar acompanhando os acontecimentos de Terramar. Acredito que todo fã de fantasia deve conhecer essas aventuras.

site: http://www.lelendolido.com.br/2017/08/resenha-101-as-tumbas-de-atuan-ursula-k.html
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