A Máquina do Tempo

A Máquina do Tempo H. G. Wells




Resenhas - A Máquina do Tempo


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Rafaela B 03/02/2010

Tempo e Socialismo
Terminei de ler A Máquina do Tempo, e percebi que o tema principal não é a viagem no tempo em si. o autor usou o tema para poder falar de suas idéias socialistas, como ele imaginava a sociedade no futuro, seus ideias socialistas, mas mostrou que por mais que algumas pessoas sonhem com um mundo socialista ideal isso é em prática impossível, sempre tem os que não aceitam, ou querem mandar, ou se aproveitar dos mais fracos e desfavorecidos.
Angiolucci 27/03/2013minha estante
Na verdade, eu acredito que foi uma critica aos rumos da sociedade capitalista.


Rê Lamounier 12/11/2015minha estante
Não consigo visualizar a ideia socialista naquela sociedade do futuro já que há até divisão de classes/castas. Os operários no subsolo e os demais acima.


Gabriel Schmidt Neto 05/05/2017minha estante
É justamente o contrário. Uma crítica ao socialismo, numa sociedade transformada em gado, sem distinção.


Denny Rodrigues Gomes 24/05/2017minha estante
Uma perspectiva de quem esquece o que é anacronismo. Quando você tiver a noção do espaço e tempo de Wells, você vai entender, porque ele propôs essa obra. Socialismo? Capitalismo? Bom, ele nasceu na época vitoriana, onde o Iluminismo com a Ciência Moderna e a Igreja e o Conservadorismo estava perdendo seu poder.


Celso 15/04/2019minha estante
Também não consigo ver idéia socialista em uma sociedade onde pessoas ociosas exploram os outros e os condenam a viver no submundo. Está mais para capitalismo selvagem ao extremo.


Davenir 06/05/2019minha estante
Quando a pessoa resenha e não quer falar do livro mas apenas dizer que o socialismo não funciona porque o autor foi socialista, ai fica com isso na cabeça e esquece que o livro é uma critica aos rumos da humanidade estava sob o capitalismo.




Math 20/12/2011

A previsão faz sentido
Para que possamos entender melhor o livro, devemos compreender a situação do autor no momento da produção. Inglaterra 1895: finalzinho da Era Vitoriana, quando a Inglaterra estava no ápice da exploração, com o Imperialismo, mal que consome nossa sociedade até hoje. E por erudito que era nosso autor, ele nos transmite a sua ideia acerca de um futuro de forma bastante particular, recheado de crítica ao imperialismo; é visível ao longo do texto a bagagem historiográfica que o autor transcreve, que da um toque mágico na trama.

Da obra essa é a chave: É uma lei da natureza que negligenciamos: a versatilidade intelectual é uma compensação pela mudança, pelo perigo e pela preocupação. Um animal perfeitamente em harmonia com seu ambiente é um mecanismo perfeito. A natureza não apela à inteligência até que o hábito e os instintos se tornem inúteis. Não existe inteligência onde não existe mudança, nem necessidade de mudança. Só animais que possuem inteligência encontram uma enorme variedade de necessidades e perigos

O texto trás personagens bastantes influentes devido à suas profissões debatendo a questão do tempo, que nos intriga até hoje: "O que diabos é o tempo?"; "qual a essência do tempo?", "o que faz do tempo tempo?". Como dito, a profissão dos personagens é bastante importante, pois cada um opinará de forma bastante singular. Então, o Viajante do Tempo, personagem central da história narra seu deslocamento temporal, após uma viagem, para seus companheiros, contando com riqueza de detalhes a aventura, mostrando pra onde foi e o quê encontrou, também como ele se movimentou por lá. Todas essas descrições são bastante importantes para entender o enredo por completo, e principalmente entender a crítica feita à sociedade. É surpreendente o tipo de Terra que ele encontra na viagem! Coisas que não podemos julgar quanto à negativo ou positivo.

Por trás da história, devemos perceber que o narrador mostra o pensamento em diversas situações de um típico inglês da época e pra reforçar, uma citação: (...) sou muito ocidental para uma longa vigília. Poderia trabalhar num problema por muitos anos, mas esperar inativo durante 24 horas essa é outra questão. É possível notar sem problemas a questão da repressão apolínea (usando o termo de Nietzsche) do indivíduo europeu dessa época.

No entanto, se você procura saber sobre o próprio tempo, sobre uma possível funcionalidade da máquina do tempo, sinto muito em dizer-lhe, mas A Máquina do Tempo não atenderá suas expectativas, pois, no enredo ela é usada como um órganon para a aventura e críticas. Sobre a máquina em si quase nada é falado. Enfim, um texto rico em conteúdo e espírito.

http://quaseisto.blogspot.com/2011/12/resenha-maquina-do-tempo.html
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Jorgel 26/02/2011

Clássico
Particularmente achei o começo a parte mais interessante do livro, ao tratar da teoria da viagem no tempo. Já a parte em que o narrador descreve sua viagem é bastante parada, praticamente sem clímax. Acho que Wells poderia ter abordado melhor os dois caminhos que a humanidade trilhou, mas como ele mesmo diz no prefácio, essa foi uma obra de sua juventude.
Apesar disso, Wells foi um dos pioneiros da ficção científica e praticamente o inventor da viagem no tempo, e por isso a Máquina do Tempo é leitura obrigatória para os amantes desse gênero.

Luiza David 04/10/2012minha estante
Acabei de ler e tive essa mesma impressão.
Além disso,aquela parte em que os morlocks devolvem a máquina pro viajante ficou muito corrida. Enfim, apesar dos deméritos da obra, realmente uma leitura obrigatória para os amantes do gênero.




Coruja 01/08/2012

Todo mês de julho, no Clube do Livro, já é tradição lermos algum livro que tenha uma viagem. Em 2010, foi uma bela jornada pelas páginas de O Dia do Curinga (que até hoje detém o título de debate com maior participação da turma); em 2011 fomos pelos mares com 20.000 Léguas Submarinas. Esse ano nos aventuramos pelas brumas do tempo com o clássico que se não inaugurou, ainda é o marco inicial mais importante do gênero: A Máquina do Tempo, de H. G. Wells.

É engraçado, mas embora seja celebrado como tal, não foi Wells quem iniciou a nobre tradição dos viajantes no tempo. Antes dele há histórias em mitologias pelo mundo, o Rip Van Winkle de Washington Irving, Um Conto de Natal, de Dickens e o divertidíssimo A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court de Mark Twain, que ainda hei de resenhar por aqui... Mas antes de Wells, não conheço nenhum autor que tenha tentado dar uma explicação científica para a questão da viagem temporal.

E, ainda que Wells tivesse em mente fazer de sua história uma alegoria social, para os leitores da época e de hoje, o mais fascinante ainda é a idéia da possibilidade de atravessar o tempo, ser capaz de enxergar passado e futuro e alterar a ambos. Nas histórias citadas, as viagens são feitas por um motivo ou circunstância pessoal do protagonista ao passo que Wells nos abre a possibilidade de qualquer um ser capaz de se locomover entre dimensões.

Para entender A Máquina do Tempo em sua totalidade, é preciso entender um pouco do contexto histórico em que Wells a criou. A primeira versão da história, foi publicada ainda em 1888, com o título de The Chronic Argonauts. Virada de século, Revolução Industrial, novas e incríveis tecnologias surgindo todos os dias, cidades crescendo, riqueza e prosperidade... mas também grandes desigualdades sociais, homens, mulheres e crianças forçados a trabalhar doze, quinze, dezoito horas nas fábricas por um salário miserável, revoltas, greves, fome. O período de mudança do século XIX para o XX foi de extraordinário desenvolvimento, mas também de grandes decepções.

Essa situação está implicitamente explícita na relação entre os Eloi e os Morlocks. Numa sociedade sem equilíbrio, provocada por qualquer que tenha sido o cataclismo que sobreveio o mundo no futuro visto pelo Viajante, duas espécies diferentes evoluíram do ser humano - os Eloi, belos e frágeis, mas também preguiçosos e idiotizados, servindo pacificamente como rebanho para os Morlocks, que os usam como alimento.

O Viajante identifica claramente os Eloi com a classe rica ociosa e os Morlocks com a classe pobre trabalhadora. Nesse contexto, o que significa o fato de uns devorarem outros não é exatamente sutil. Tampouco é extremamente gratificante a idéia de pobres devorando ricos no espeto, porque na história, as duas espécies representam degenerações resultantes do sistema social que funcionava à época – e que sobrevive ainda hoje com não muitas mudanças.

A Máquina do Tempo não é sempre um livro fácil ou mesmo otimista. Tampouco maniqueísta, uma vez que em nenhum momento Wells toma realmente partido de qualquer das facções apresentadas. Ele é um alerta, um aviso de que, a permanecermos no caminho em que estamos, o consumismo e descarte desenfreados, a exploração e uso irracional de recursos – quer sejam eles naturais ou humanos – resultará em nada mais que um mundo estéril, desprovido de qualquer esperança e mesmo de consciência dessa desesperança.

O alerta continua, infelizmente, bem válido.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
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naniedias 07/03/2011

A Máquina do Tempo, de H.G. Wells
O Viajante no Tempo é uma figura cuja credibilidade não é lá grandes coisas... Ainda assim, seus amigos ficam impressionados quando ele começa a falar sobre a Quarta Dimensão - o Tempo - que assim como as outras três seriam de aspecto geométrico. E pelas características por ele descrita, seria fácil e possível passear pelo tempo como passeamos por outras dimensões. Assim, naquele primeiro encontro ele apresenta aos amigos um pequeno protótipo de sua máquina, que já encontra-se quase pronta em seu laboratório.
"Parece-me claro - disse o Viajante no Tempo - que qualquer objeto real deve se estender em quatro direções: ele deve ter Altura, Largura, Espessura e... Duração. [...] Não existe diferença entre o Tempo e qualquer das outras três dimensões do Espaço."
Na semana seguinte, alguns convidados comparece a um jantar em sua casa e ficam surpresos pelo atraso do próprio anfitrião. Mas não mais intrigados do que ao vê-lo - chegando mancando, com roupas rasgadas, enfim, uma aparência de mendigo.
E aí que o Viajante no Tempo começa a contar o relato de sua fantástica viagem no tempo, quando ele pôde conhecer o ano de 802.701 - um futuro muito diferente do que ele poderia esperar.
"[...] Toda a temeridade da minha viagem se fez presente no meu espírito. O que poderia aparecer ali quando aquela cortina de névoa desaparecesse? O que teria acontecido aos homens daquele tempo? E se a crueldade tivesse se transformado num culto entre eles? E se naquele intervalo de tempo a nossa raça tivesse perdido sua aparência humana e se transformado em algo inumano, hostil e esmagadoramente poderoso? Talvez eu parecesse a eles um animal selvagem de um mundo remoto [...]"
Nesse futuro ele vê que a humanidade está em um patamar de evolução inesperado...

O que eu achei do livro:
Eu gostei bastante do livro, embora tenha que admitir que não deveria ter lido o que Verne achava de Wells. Devo ressaltar que sou grande fã de Julio Verne e, portanto, sua afirmação de que Wells não era um grande escritor e que sua história era apenas invencionice sem fundamentos mexeu um pouco comigo. Mas, afinal de contas, o que não é uma história de ficção científica do que invencionice... É fato que Verne - assim como tantos outros - baseavam suas invencionices em fatos e tornavam suas histórias não apenas críveis como, muitas vezes, uma profecia do que estava por vir. Mas, ainda que a Máquina do Tempo seja pura invencionice, é um livro divertido.
Wells não se dá ao trabalho de descrever quanto tempo o Viajante no Tempo levou para criar a sua máquina, nem o princípio da máquina. Em momento algum diz como a invenção funciona, que tipo de energia utiliza e nem ao menos dá uma descrição de sua aparência. O foco da narrativa é completamente a história da humanidade que o viajante encontra no futuro.
Eu posso estar muito errado, vendo pelo em ovo, mas vejo que Wells, de forma velada, critica a sociedade da época (e de nossos tempos, pois o que mudou, nesse sentido, não foi para melhor) e sua hierarquia: ricos X pobres.
A sociedade do futuro não é bem descrita, tampouco, principalmente porque o viajante tem dificuldades de comunicação e passa a maior parte do tempo preocupado. Achei esse fato muito realista, já que os seres do futuro, conforme descritos por Wells, não dariam explicações decentes à ninguém.
Não posso negar que senti falta de algumas explicações e que, em alguns momentos, achei o texto um pouco enfadonho. Entretanto, também não posso deixar de falar que achei bastante intrigante a história tal como foi contada e que fiquei maravilhada pelas descrições do futuro imaginado pelo autor. Vale ressaltar também que o protagonista viajou muito anos no futuro - mais de oitocentos mil - e, portanto, o livro mostra uma realidade completamente diferente do que vemos aqui hoje.
A escrita de Wells é muito simples o que, de fato, me surpreendeu bastante. Confesso que esperava algo um pouco mais elaborado, tal Verne ou Doyle. Todavia, a leitura foi agradável!
Enfim, termino essa resenha deixando-os tão confusos quanto eu fiquei. Ao mesmo tempo que tive uma leitura muito deleitável, também não foi tão boa quanto eu gostaria que tivesse sido. Mas, vale ressaltar, valeu muito a pena! Sinto-me uma nerd mais realizada agora que conheço, pessoalmente, a história da famigerada Máquina do Tempo.

Nota: 7
Dificuldade de Leitura: 7

Leia mais resenhas em http://naniedias.blogspot.com
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Nerd Geek Feeli 12/06/2015

“A Máquina do Tempo” de H. G. Wells (resenha)
Uma forma narrativa que Wells utilizou em várias de suas futuras criações começou aqui: o uso de um personagem que participa pouco da história, totalmente secundário e sem importância, mas que testemunha tudo e nos narra os fatos.

[...]

Arrisco dizer que, perante todo o discurso socialista presente no livro, a história de um viajante do tempo e sua máquina se tornam meras alegorias, algo secundário. Claramente temos nessas duas raças humanoides do futuro as representações clássicas de Opressor e Oprimido, Classe Dominante e Classe Dominada. O panorama apresentado no livro é a visão de Wells de um possível futuro onde o Capitalismo triunfou e foi levado até as últimas consequências.

[...]

A grande sacada do livro é que ele não mostra uma solução para o conflito entre Morlocks e Elóis, mas faz algo tão importante quanto: expõe e problematiza a situação. A maior parte da obra é dedicada a essa parada do Viajante, no entanto, ele realiza outras viagens através do tempo na parte final.

[...]

“A Máquina do Tempo” se trata, na verdade, de uma novela política que tem como pano de fundo a ficção científica, e não o contrário. Mas é claro que isso não tira em nada seu mérito. Saber mesclar uma questão tão séria e complicada, como a organização social e os problemas políticos de uma sociedade (no caso, a britânica), com uma história criativa e cheia de aventuras e inovações em relação ao conteúdo, não é para qualquer um.

Leia a resenha completa no link abaixo:

site: http://nerdgeekfeelings.com/2015/05/11/livro-a-maquina-do-tempo-de-h-g-wells-resenha/
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Marcola 23/08/2013

Um livro para guardar para eternidade
Mesmo sendo um assunto difícil Wells consegue fazer uma ótima introdução. A ideia da quarta dimensão e a possibilidade de viagem no tempo são muito bem explicadas e fazem você realmente acreditar que isso possa acontecer. Claro que como a viagem ocorre é pouco explicado, mas podemos intender isso. A ideia de fazer uma reunião com várias pessoas possibilitou que várias perguntas fossem feitas e respondidas tornando ainda mais clara a compreensão do assunto. O psicólogo, o médico, o jornalista e outros, tiraram dúvidas que eu também tinha.
Os dois primeiros capítulos além de explicarem sobre assunto servem como uma entrada maravilhosa para o prato principal, não consegui parar de ler até que o Viajante do Tempo colocasse sua máquina para funcionar.
O personagem desde o nome é envolto numa aura de mistério. Nada se sabe muito dele, ele não é a melhor pessoa do mundo, mas tem capacidade de realizar um feito incrível. E com o passar do tempo ele se mostra corajoso, perspicaz e sensível, sentindo muito a perda de sua parceira Weena.
Achei a viagem em si muito bem explicada, me senti junto na máquina assistindo as alternâncias de dia e noite cada vez mais aceleradas. É muito difícil descrever algo que não se vivenciou ou conhece, imagine algo que nem se sabe se é possível. Nestes casos é que vemos um grande autor. Outro ponto positivo de Wells é que ele “joga em todas”, ou seja, além de ser uma obra de ficção científica, as partes em que o personagem estava próximo ao Morlokcs era assustador, um suspense aos modos de Stephen King, além de uma jornada por uma terra desconhecida com uma descrição muito boa de um mundo futuro.Lembrou muito os livros do Júlio Verne que eu gosto muito. Sua ideia de conhecer o fim do mundo também foi fantástica. Senti uma melancolia uma certa tristeza ao ver nosso sol morrer. Acho que ele acertou em cheio na descrição dos humanos do futuro, a tendência é sermos cada vez mais mirrados, vejo isso todo dia com crianças e adolescentes que por causa de um desenvolvimento facial inadequado.
Para finalizar gostaria de recortar um trecho do livro que mostra como H.G. Wells era um visionário, um homem a frente de seu tempo. “... a Natureza mostra-se tímida e lenta em nossas mãos inábeis. Algum dia, tudo isso estará mais bem organizado; e cada vez mais. Essa é a direção da corrente, apesar dos redemoinhos. O mundo inteiro será instruído, inteligente e cooperativo. A Natureza será subjugada numa progressão cada vez mais veloz. Por fim reajustaremos o equilíbrio da vida animal e vegetal para que se adapte às necessidades humanas.” Excelente.
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Augusto 23/08/2013

E se...
E se fosse possível deslocar-se na dimensão tempo com a mesma facilidade e liberdade com que nos deslocamos na dimensão espaço?
Se pudéssemos escolher avançar ou retroceder milhões de anos apenas movendo uma alavanca?
O que encontraríamos?
Aonde nossas escolhas, e em última instância, as escolhas da humanidade como um todo nos conduziriam?
O que seria do planeta Terra e da raça humana daqui a 8 milhões de anos? Ainda "estaríamos lá"?
A ideia de viagem no tempo já ocupou o imaginário de quase todo mundo ao menos uma vez na vida, seja pela curiosidade de descobrir o que o futuro nos reserva, seja pelo anseio de alterar o passado.
Obras com essa temática parecem nunca sair de "moda".
No caso do "Viajante do Tempo" de H.G. Wells, creio que a curiosidade científica foi o catalizador do desejo de construir uma máquina que permitisse a façanha.
Wells, um simpatizante dos ideais socialistas, descreve um futuro longínquo afetado de forma tão profunda pelo capitalismo selvagem, que a própria raça humana acaba por se desumanizar. As diferenças entre os detentores do capital e a classe trabalhadora que existem hoje, a longo prazo se aprofundariam de tal forma, que (no futuro imaginado pelo autor) provocariam uma cisão irreparável na própria humanidade. Os "trabalhadores" ficariam cada vez mais restritos ao seu local de trabalho, e as fábricas acabariam ocupando mais e mais o subsolo das cidades. 8 milhões de anos de uma separação crescente resultariam no surgimento de duas raças "pós-humanas" distintas, os Morlocks (sombrios e selvagens habitantes do subsolo) e os Eloi (frágeis e tolos habitantes da superfície).
No futuro de "A Máquina do Tempo" os avanços na área da saúde e tecnologia foram tão grande e tão absolutos que decretaram a tão sonhada vitória do homem sobre a natureza. Vírus, bactérias, fungos, ou qualquer outra coisa que pudesse desencadear enfermidades, foram definitivamente banidos da face da Terra. Tudo se tornou mais fácil... fácil a tal ponto e por tanto tempo que o que inicialmente parecia uma conquista, acabou sendo responsável pela derrocada final da humanidade.
Wells explica o paradoxo: "(...)a Natureza não apela à inteligência, até que o hábito e os instintos se tornem inúteis. Não existe inteligência onde não existem mudanças, nem necessidade de mudança."
Portanto a imensa facilidade desencadeada pelos avanços da humanidade seria também responsável pelo seu enfraquecimento.
A premissa do livro é muito boa, mas confesso que esse tipo de narrativa em primeira pessoa de Wells (lembrou-me um pouco Daniel Defoe), quase sem nenhum diálogo, sem pausas, linear demais, torna o livro um pouco monótono vez ou outra. Em alguns momentos me senti lendo o imenso prólogo de alguma obra.
Via o final do livro se aproximando e sentia como se o autor ainda não tivesse começado a contar a "grande aventura".
Mas a reflexão que a Máquina do Tempo provoca, vale a leitura, e o livro em si não chega a ser chato, cansativo ou ruim, mas apenas um pouco abaixo do que eu esperava, talvez mais pela forma que o autor desenvolve a narrativa.
Apesar do "pessimismo" quanto ao nosso destino final que dá o tom à obra, ao final Wells parece querer deixar no ar uma nota mais alegre, mais consoladora:

"Pois eu, de minha parte, não posso acreditar que estes dias de experiências comezinhas, teorias fragmentárias e discordância geral sejam o ápice da vida humana"

E em outro momento:

"E tenho comigo, para o meu conforto, duas estranhas flores - agora ressecadas, escurecidas, amassadas e quebradiças - para testemunhar que, mesmo quando a inteligência e a força tiverem desaparecido, a gratidão e uma ternura mútua ainda viverão no coração dos homens.

E você, se pudesse viajar no tempo, aonde iria?

Bom livro.
Guilherme Amaro 28/03/2014minha estante
Frase final sensacional ;)




SakuraUchiha 22/03/2015

Abre a mente para idéias filosóficas.
Fascinante e incrível. História maravilhosa de esperança contra a autodestruição da raça humana, que realmente me pegou e me embalou junto. Uma viagem para a imaginação e uma história que perdura por muito tempo após a leitura. eu li quando tinha 16 anos, e fiquei surpresa ao descobrir que eu realmente gostei da linguagem utilizada e o estilo de escrita.
Se você gosta de ficção científica e uma leitura rápida, este é o mais digno. um autor fantástico que estava sempre à frente de seu tempo.
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Mael 20/04/2019

?
Sensacional o autor reserva um acento para que o leitor veja de camarote o decorrer da história, em um final surpreendente nos intriga com uma icógnita. Muito bem ambientado mesmo em um futuro distante da realidade do autor, conseguiu relatar caracteristicas, como o comodismo presente no tempo atual nos seres humanos e a decadência da espécie, não muito detalhado mais ainda assim imersivo.
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WallanS 05/11/2009

Achei o livro bem legal, mas nada espetacular.
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Tsu 29/06/2015

Eu esperava que o livro se focasse mais na ciência da viagem no tempo mas o tema principal é a antropologia e eu diria até uma certa dose de crítica social do século 18 e confesso que me decepcionei um pouco com a visão de futuro do autor e com as conclusões que ele chega (através das personagens) sobre o processo pelo qual a humanidade passou pra chegar onde ela está no século 8027. Ele aproxima demais a realidade do futuro com a realidade dele (final do século 19) nas explicações que dá pro que vê, o que eu imagino que, msm pra o nível científico da época do autor, seria um erro crasso na hora de supor como seria o mundo 800 mil anos no futuro. Pensando agora sobre isso eu reconheço a possibilidade de que o personagem Viajante no Tempo deu apenas o seu parecer sobre o que via, podendo estar fatalmente errado, mas isso é só especulação, já que o personagem é um cientista e tecnicamente a visão dele seria a mais correta.
No mais, abatidas as compensações devidas ao contexto histórico em que o livro foi escrito, a leitura é boa, viagem no tempo é tiro certo pra mim, fora a pegada steampunk e a paisagem pós-apocalíptica, só essas três coisas juntas faz a minha imaginação voar.
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Jadna 14/01/2015

A Máquina do Tempo - H. G. Wells

Se eu não engano esse é o primeiro livro a tratar sobre viagem no tempo (mais especificamente sobre uma máquina do tempo) e como gosto muito do tema,achei importante ler.

Mas o problema é que esse não é um livro especificamente sobre viagem no tempo,ou não tem a estrutura de uma história de viagem no tempo que geralmente se espera. Ele é uma mistura de distopia,mistério e até terror.
Num primeiro momento pode até parecer uma coisa boa,mas eu fiquei um pouco confusa. A história,apesar de ser interessante,tem uma narrativa um tanto lenta. A demora pra revelar o que era aquela raça que habitava a terra no futuro por exemplo,me incomodou.Uma hora me deixava com medo,mas como via que o próprio protagonista não tinha medo,passei a ficar só curiosa,mas quando ficava curiosa,o protagonista ficava com medo!

O final é surpreendente e tem bastante ação,mas demora pra acontecer,apesar do tamanho do livro.
Érica 22/03/2015minha estante
Verdade essa questão da "curiosidade X medo" que o personagem parece sentir de forma inversa a nossa! Sobre a história evoluir de maneira lenta, lembre-se de que o livro foi escrito em 1895.


Jadna 30/03/2015minha estante
Pois é,eu nem me incomodaria com a lentidão se não tivesse ficado confusa com essas ações do protagonista. Eu queria saber o que tava acontecendo,mas parecia que o livro não chegava a conclusão nenhuma,infelizmente.




Luciano Luíz 27/02/2018

Esse é considerado o primeiro romance sobre viagem no tempo. E consequentemente, seu autor, H. G. WELLS é aclamado como o pai da ficção científica. Porém, Júlio Verne também é assim chamado e até mesmo alguns jornalistas que publicavam artigos sobre o futuro (nos séculos 19 e 18) e possíveis descobertas e desenvolvimento tecnológico também são chamados de pai da ficção científica. Enfim, aparentemente não há como saber quem de fato é o verdadeiro pai (ou talvez tenha sido mãe...) e isso realmente não importa...
A MÁQUINA DO TEMPO é uma narrativa que propõe a realidade do mundo no longínquo ano de 800 mil e tantos e mais um pouco, onde a raça humana não mais é como a conhecemos, e sim, dividida em duas: de pessoas pequenas, como crianças e com sexos indistintos e que vivem na superfície. A outra, seres magros, brancos, de olhos grandes, que vivem no subsolo e tem algum conhecimento do maquinário que a rodeia. Sem contar que o povinho pequeno serve de gado para os magricelas da escuridão...
Um jovem cientista faz sua viagem do século 19 e assim se vê perdido num planeta Terra irreconhecível (a não ser por parte da natureza e alguns resquícios da antiga civilização) e assim passa por uma chata aventura...
É interessante notar que esse livro publicado em 1895 fica obviamente limitado a tudo que o autor tinha conhecimento, portanto o futuro mais plausível que foi possível construir, é um mundo quase vazio e o envelhecimento do sol... Durante a viagem o personagem diz ver a evolução tecnológica, e claro, isso vai ficando para trás até que ele para onde a raça humana é algo que para os atuais moradores, nunca existiu...
O livro é muito bom no começo, quando é explanado sobre a capacidade de se mover no tempo e espaço, já quando a viagem ocorre se torna algo sem graça e que não gera curiosidade (pelo menos pra mim) e depois no final, melhora, mas nada surpreendente.
Sem dúvida é uma obra que compensa ser lida e que serviu de inspiração para muitas outras que sugiram na literatura, cinema, quadrinhos e games.
Há também alguns filmes baseados no romance e de alguma forma são facilmente mais interessantes que a obra original. No entanto, se você puder, confira o livro e as adaptações.

site: https://www.facebook.com/lucianoluizsantostextos/?pnref=lhc
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Ju 08/09/2012

A Máquina do Tempo
A Máquina do Tempo foi o primeiro romance escrito por H. G. Wells, um jornalista que, na época, estava guardando a história para lançar um livro mais substancial no futuro mas que, frente a uma grande necessidade, acabou tendo que entregá-lo ao mercado da forma que foi possível. Transformou-se em um sucesso na época, devido à temática inovadora. É claro que hoje é comum ter obras tratando da viagem no tempo, mas esse livro foi escrito no final do século XIX.

Eu li esse livro sem expectativas... E acabei gostando! Não amei, não me apaixonei, mas gostei. O autor usa o tema pra mostrar o que pode acontecer com a humanidade num futuro distante, se o egoísmo e a ganância tiverem cada vez mais força.

O Viajante no Tempo (personagem principal da história) conta a alguns amigos que inventou uma máquina capaz de levá-lo a outras épocas. Pouco depois disso, ao finalizar a construção, resolve testá-la, e acaba no ano 802.701 d.C., em um mundo em que existem duas raças.

Nosso viajante esperava encontrar uma civilização altamente avançada, com intelecto super desenvolvido e utilizando a ciência de formas inimagináveis.

Ao invés disso, encontra um povo aparentemente pacífico e feliz, mas que não realiza nenhuma atividade intelectual - os Elois. Essa raça passa seus dias se divertindo pelos campos verdejantes e as noites com um medo que o viajante não consegue entender. Até que ouve falar dos Morlocks. Outra raça que se originou da humana e que é fonte de terror para os Elois.

O viajante faz várias suposições até chegar à sua conclusão final, simplesmente aterrorizante. Principalmente por fazer muito sentido. O livro põe a gente pra pensar, e vou encerrar a resenha com um trechinho pra vocês.

É uma lei da natureza, de que tantas vezes descuidamos:
que a versatilidade intelectual é a nossa compensação
por enfrentar as mudanças, os perigos, os problemas.
Um animal em perfeita harmonia com seu ambiente
é um mecanismo perfeito. A natureza nunca apela
para a inteligência senão quando o hábito e o
instinto são incapazes de resolver um problema.
Não existe inteligência onde não existe
mudança ou a necessidade de mudança.
Adriane Rod 01/04/2013minha estante
Tenho uma vontade enooooooorme de ler esse livro.

;)

http://pseudonimoliterario.blogspot.com.br/


Thaís 12/04/2013minha estante
A resenha esta otima, e o titulo deste livro me lembrou um livro que li quando ainda era pequena kkk Eu ainda não o conhecia mas a historia me xamou atençao, espero que quando eu ler axe legal tbm..


Dani 16/04/2013minha estante
Que incrível *-* Achei estimulante, fiquei mega interessada, tem milhares de livros e filmes desse assunto ^^


Baah 19/04/2013minha estante
achei bem itrigante, uma leitura realmente boa, gostei bastante da capa e da tematica! parabébs pela resenha"


Baah 19/04/2013minha estante
achei bem itrigante, uma leitura realmente boa, gostei bastante da capa e da tematica! parabébs pela resenha"




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