Sociedade da Transparência

Sociedade da Transparência Byung-Chul Han




Resenhas -


4 encontrados | exibindo 1 a 4


Alcinéia 25/06/2019

O que se esconde por trás da Sociedade da Transparência?
Na obra “A Sociedade da Transparência”, Byung-Chul Han critica a exposição da sociedade atual. Ele diz que essa atual “transparência” é responsável por tirar o encanto das coisas, eliminando o poder de sedução. Para tal faz alusão a negatividade, a positividade e a pornografia, e como esses elementos são usados ou camuflados em prol do capitalismo.
É na Sociedade da Transparência que a comunicação atinge sua velocidade máxima favorecendo e reproduzindo uma cadeia do igual. Nessa denuncia da violência da transparência, Byung-Chul Han diz que a coação da transparência nivela o próprio homem até acabar por torná-lo elemento funcional de um sistema. E isso se dá através da pornografia, que é o contato imediato entre a imagem e o olho. “As coisas tonam-se transparentes quando se despojam da sua singularidade e se exprimem completamente na dimensão do preço. O dinheiro que torna tudo completamente comparável, suprime todo traço de incomensurável, toda a singularidade das coisas. A sociedade da transparência é um inferno do igual.”
Estamos na sociedade da transparência, do porno, do espetáculo.. porque não há uma erótica, pois a pornografia começa precisamente onde desaparece o mistério em prol da exposição total e do desnudamento completo, sendo delineada por uma positividade incisiva e potente. Esse fenômeno pode ser constatado na fotografia. “A fotografia digital apaga toda a negatividade, uma vez que já não precisa nem da câmara escura nem da revelação. Não é precedida por negativo algum. É um positivo puro.”





comentários(0)comente



Giuliana 10/09/2019

O tipo de livro cuja realidade é confirmada pelo espírito cotidiano do nosso tempo
O livro desse Byung-Chul Han se caracteriza perfeitamente na categoria de contemporâneo de que fala o filosofo italiano Giorgio Agamben. Para este, a contemporaneidade é "uma relação com o próprio tempo, que adere a este e, ao mesmo tempo dele toma distâncias(...)". É a percepção do que remanesce na penumbra de nossa época e que necessita de nosso compromisso para vir à tona quando poderia continuar invisível.
.
Por isso, o livro do filósofo coreano se torna contemporaneo e inédito ao delimitar os contornos implícitos de nossa época a que chama de "Sociedade da Transparência".
O discurso da transparência tem ganhado espaço nos relacionamentos, no jogo político e no processo comunicativo, onde a informação corre às claras incessantemente.

No início do livro, o autor se dedica a desnaturalizar a transparência no capítulo "Sociedade Positiva". Sociedade esta comprometida em eliminar a negatividade das esferas sociais, onde tudo se resume ao "Like". Assim, a lentidão, o sofrimento, o sagrado, o desejo, a reflexão, a complexidade, a fragilidade e a assimetria dão lugar ao mundo nivelado, sem cores e sem mistério, onde a vida perde a magia da descoberta. .

O autor, então, trata do mundo desnudado como o mundo da desconfiança, o mundo onde somos como máquinas e perdemos nossa humanidade e nossa liberdade. A coerção pela transparência é como um mecanismo de nivelamento dos sujeitos que perdem o direito à diferença e onde nos tornamos um "elemento funcional de um sistema." Com esse processo, a sociedade da transparência se torna violenta e autoritária ao recusar a privacidade de seus membros, sempre permeáveis ao olhar de todos e coagidos por um "conhecer absoluto".
.
Por isso, a exposição é essencial na sociedade da transparência. Só pode existir o que é visto. O prazer no sexo dá lugar à performance.O encanto que mistifica as palavras é desnudado quando se nivelam e se tornam apenas informações. A fotografia perde sua essência de testemunho de tensão narrativa . A contemplação que se demora é rejeitada pelo "entrechoque de olho e imagem", já que a "complexidade retarda a velocidade da comunicação".
comentários(0)comente



Sara.Ferreira 06/02/2019

Não gosto muito de livros de filosofia porque a informação é muito jogada. Às vezes pensava estar lendo a mesma coisa do capítulo anterior, justamente porque o autor dá explicações muito breves sobre os conceitos que usa, ou nenhuma até. Acho isso um pouco prejudicial, o livro é muito curto e me passa a impressão de estar lendo uma resenha às vezes, senti a mesma coisa quando li A Sociedade do Cansaço, mas nas duas obras não pude negar a genialidade do Byung-Chul Han. Os dois livros meio que explodiram minha cabeça. É muito interessante perceber as especificidades do seu próprio tempo, quando nossa criação não contempla esse mérito. Muito difícil pensar nas nossas correntes invisíveis, mas satisfatório estar ao menos consciente delas; sinto como se fosse um estímulo até: o autor abre ramificações no seu tema que podem ser aprofundadas no futuro, nos proporciona um vislumbre do que este nos reserva, esclarecendo o presente, como se preparasse o terreno mesmo. Todo estudante de humanas deveria ler, ou pelo menos assistir uma aula sobre.
comentários(0)comente



regifreitas 07/11/2019

SOCIEDADE DA TRANSPARÊNCIA (Transparenzgesellschaft, 2012), de Byung-Chul Han; tradução Enio Paulo Giachini.

Dos livros do autor que li até o momento, este foi, talvez, o que menos aproveitei. Culpa minha, não da obra! Ela exigia um tempo maior de reflexão e análise que não consegui dar nesse momento.

Aqui, o filósofo sul-coreano reflete sobre outra das características marcantes da sociedade contemporânea, ou, sociedade da transparência, conforme uma das denominações atribuídas por ele à época atual. Mais precisamente: a metáfora da “transparência” permeia, hoje, tanto a vida pessoal quanto o discurso público.

Nas redes sociais temos a superexposição voluntária da intimidade e da privacidade, num ambiente pautado em uma lógica que privilegia uma espécie de “tirania da visibilidade”, cujo indicador é medido pela quantidade de “likes”. Nos relacionamentos pessoais, o mistério e a sedução (erotismo) é substituído pelo desnudamento total (pornografia) do outro.

Esses são apenas dois exemplos, e certamente deixei muitos outros passarem batidos nessa primeira leitura. São muitos conceitos e referências em uma obra relativamente curta e densa - como, aliás, é a marca das demais produções do autor. Logo, o processo de releitura é uma característica que deve ser cultivada em relação aos pensamentos e ideias de Byung-Chul Han. Nesse sentido, essa obra, como as demais, deverão ser revisitadas muito em breve.
comentários(0)comente



4 encontrados | exibindo 1 a 4