Arquipélago Gulag

Arquipélago Gulag Aleksandr Solzhenitsyn
Aleksandr Soljenítsin




Resenhas - Arquipélago Gulag


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Erika 02/07/2020

Um manifesto
Existem leituras que te destroem o seu psicológico, a ânsia de finalizar te domina o tempo todo, e mesmo assim você a classificará como uma das melhores da sua vida e ainda vai querer falar dela para todo mundo.

Arquipélago Gulag é um "experimento de investigação artística", como consta na contracapa. Nele, Alexandr Soljenítsyn narra experiências próprias e testemunhos nos inúmeros campos de trabalhos forçados administrados pelo Gulag espalhados na antiga União Soviética, durante o período governado por Stálin.

Anteriormente eu havia lido Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov, que trata do mesmo tema, o que de alguma forma me preparou para o que eu iria encontrar neste livro, mas Arquipélago traz mais detalhes, mais testemunhos e mais revolta. Impossível enumerar tudo o que os condenados sofreram sob esse regime, que perdurou até 1956, muitos anos após o mundo se horrorizar com os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. É inaceitável.

Vale lembrar que a grande maioria foi presa por "crimes políticos", que consistiam em criticar a forma de governo ou embrulhar uma encomenda com um jornal com a foto de Stálin. Ou simplesmente ser casada com um condenado. Não eram bandidos que roubavam, matavam. Como exemplo prático atual, você pegaria 10 anos de trabalhos nas minas da Sibéria, exposto a um frio de 60 graus negativos sem vestimenta adequada, numa jornada de 15 horas diárias, com somente 300 gramas de pão duro e uma tijela de sopa rala no estômago, simplesmente por postar "Fora Fulano" na sua rede social.

É uma história feita para chocar, mas antes de tudo, pra alertar. Soa como um manifesto comunitário, mil vozes gritando "olhem fizeram com a gente! Não deixem isso acontecer de novo! ". Foi MUITO difícil passar por essa leitura, não vou enganar ninguém, pois o meu coração queria que eu deixasse o livro de canto para ler esporadicamente, mas meu cérebro não deixou. Seriam pequenas doses de sofrimento, seria pior. E eu precisava saber de tudo o que aconteceu, o mundo precisa saber!
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Guilherme 15/02/2020

Até cerca de dois anos atrás eu só tinha uma ideia muito superficial sobre os campos de trabalho forçado da União Soviética, eu achava que era algo muito pequeno comparado com o que os nazistas fizeram. Mas eu estava muito enganado! Os Gulags existiram por muitas décadas, e são a prova da injustiça que a raça humana é capaz de cometer. Milhões de pessoas foram torturadas ou morreram por nada.Não gosto de dizer que livros são obrigatórios, você lê se quiser, mas esse é um tipo de livro que todo mundo deveria entrar em contato, porque não é uma questão de gosto e sim um momento muito escuro da história que não deve ser esquecido.
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Fabio Shiva 09/08/2018

o supremo mal
Esta é, sem dúvida, uma das obras mais relevantes do século XX. E foi também um dos livros mais sinistros e apavorantes que li na vida. Levei mais de seis meses para vencer as 600 páginas desse tijolo de horror e ódio, e mesmo assim só porque da página 400 em diante, exaurido pela hedionda sombra do Gulag em minha consciência, me determinei a não tocar em outro livro até chegar ao fim deste (normalmente leio alternando entre três ou mais livros).

Imagine ser despertado na calada da noite por batidas urgentes na porta. São agentes do governo, que levam para interrogatório e averiguações. Que acabam consistindo em torturas diversas, como trancar você em um cubículo infestado de percevejos por dias a fio, urinar em sua cara ou deixar você sem comer, beber ou dormir até o limite da exaustão física e mental. Isso para não mencionar as rotineiras sessões de espancamento, que muitas vezes terminam em morte, mutilações ou lesões permanentes. Se você sobrevive ao “interrogatório”, já pode confessar seus crimes reais ou imaginários em um julgamento de fachada, que não passa de uma tosca encenação pública, para então receber a merecida pena: o fuzilamento, ou então cinco, dez ou mesmo vinte e cinco anos nos campos de trabalhos forçados. São esses campos da morte as numerosas “ilhas” do Arquipélago Gulag, tema deste livro que foi escrito a partir das experiências do próprio autor, bem como dos depoimentos de mais de 200 outros prisioneiros.

A maldade humana é muitas vezes retratada nas histórias de ficção como revestida de astúcia e esperteza. Esta triste história verídica, contudo, nos mostra que a maldade está muitas vezes acompanhada da mais obtusa e embotada estupidez. Penso que todo mal, de uma forma ou de outra, é fruto direto da ignorância, esta sim o mal supremo, ao qual se referiu o Cristo em suas redentoras palavras: “Perdoai-os, Pai, pois eles não sabem o que fazem”.

“Arquipélago Gulag” é hoje, talvez, uma leitura mais relevante do que nunca, nesses tempos estranhos, em que tantos parecem dispostos a endossar o mal, apoiando e aplaudindo práticas antivida como o totalitarismo, a tortura e a execução sumária. Penso que não poderei esquecer deste livro tão cedo. Deus nos liberte da ignorância, mãe de todos os Gulags.

***

“Ah, se as coisas fossem assim tão simples! Se num dado lugar houvesse pessoas de alma negra, tramando maldosamente negros desígnios, e se se tratasse somente de diferenciá-las das restantes e de aniquilá-las! Mas a linha que separa o bem do mal atravessa o coração de cada pessoa. E quem destrói um pedaço do seu próprio coração?...”

“Nós temos a tendência a revoltar-nos contra aqueles que são mais fracos, contra os que não podem responder. Isto é próprio do homem.”

“Não gosto dessas denominações de ‘esquerda’ e ‘direita’: são arbitrárias, permutáveis e não dão conta da essência.”

“Se a natureza humana evolui, não é com muito mais rapidez do que o aspecto geológico da Terra.”

“O homem é esperança e impaciência.”

“Como fazê-los compreender (por uma iluminação? por uma aparição? em sonho?): Irmãos! homens! Para que a vida lhes foi dada? No meio de uma noite escura, abrem-se as portas das câmaras da morte e seres humanos de almas grandiosas se encaminham para o fuzilamento. (...) Mas vocês têm sobre suas cabeças o céu azul e, sob o cálido sol, o direito de decidir seu próprio destino, beber água, sentar esticando as pernas, viajar para onde queiram. (...) Querem que lhes revele agora o segredo mais essencial da vida? Não persigam o enganoso, nem as posses, nem os títulos: tudo isso se paga à custa dos nervos, década após década, e numa noite só pode ser confiscado. Vivam com serena superioridade perante a vida... Não temam a desdita nem anseiem pela felicidade, pois ambas as atitudes vêm a ser o mesmo. A amargura não se prolonga eternamente, e a medida do prazer nunca se completa. Alegrem-se se não tremem de frio, se as garras da fome e da sede não dilaceram suas entranhas. Vocês não têm a espinha quebrada, suas duas pernas andam, seus dois braços se dobram, seus dois olhos enxergam e seus dois ouvidos escutam – quem poderiam vocês invejar? E por quê? A inveja é o que mais nos tortura. Esfreguem bem os olhos, purifiquem seus corações, então poderão aquilatar perfeitamente quem verdadeiramente lhes quer e deseja seu bem. Não lhes façam nenhum mal, não pronunciem palavras malévolas contra eles, não permitam que as brigas os separem, pois quem pode saber se este não é o seu último ato antes de serem presos? e isso lhe pesará na memória!...”

http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2018/08/arquipelago-gulag-alexander-soljenitsin.html


site: https://www.facebook.com/sincronicidio
Juliana 22/12/2018minha estante
Seiva, nunca vou me cansar de elogiar suas resenhas! Que bálsamo nesses tempos tão sombrios :)


Carolina 19/12/2019minha estante
Cara, as suas resenhas são sempre muito boas!




Eddy Souza 04/09/2015

Arquipélago Gulag
"O Arquipélago Gulag" é um surpreendete relato escrito pelo russo Alexander Soljenítsin (1918-2008), que narra os seus dias na época da URSS. A narrativa aborda como era o clima na época de Lénin e Stálin, abordando os julgamentos e condenações, fuzilamentos e deportações, feitas a revelia, pelo governo comunista russo. O livro é surpreendente pelo detalhes dados pelo autor, mostrando sem medo as armações dos tribunais da época. Bem como, retrata com realismo como era viver numa cela nas diversas prisões russas. Além disso, ele detalha como era os campos de concentração russos e como eram feitos as transinções dos presos. É um relato muito chocante, que deixa o leitor indignado com os crimes cometidos pelo governo soviético. Foi um dos melhores livros do tipo que li e me surpreendi muito com tudo que é narrado nas 600 páginas. O realismo é tão grande, que o leitor é muitas vezes surpreendido com a crueldade da época. É um livro que gostei muito e que acredito ser um bom guia para quem quer realmente entender como era vier na Rússia de Stálin.
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Graciano 29/12/2014

Excelente
Um livro pesado e preciso. O autor detalha o máximo possível todas atrocidades envolvidas nas perseguições e prisões durante o regime comunista com inúmeros depoimentos e histórias de diversas pessoas. Não é uma história romanceada como Diário de Helga por exemplo, tão pouco se pretende explicar a geografia dos campos ou coisa parecida. Está bem mais próximo do O Processo do Kafka, por descrever as coisas lentamente e fazer parecer algo sem sentido. Acredito que seja exatamente essa a intenção do autor pois me parece que foi essa a experiencia dele. Muitos foram presos, processados e condenados (as vezes não nessa ordem!) sem saberem o porquê.
Aconselharia uma leitura prévia sobre o contexto histórico e geográfico da URSS.
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Leonardo Rosa 21/01/2013

Esquerda ou direita?
Um livro difícil de ler, com muitos relatos da história russa e seus personagens e algumas expressões típicas de sua língua. Assim, o autor relata, de acordo com o que vivenciou e com relatos de pessoas no qual ouviu ou conviveu, a triste ditadura imposta pela União Soviética desde o início de sua fundação.
Os meios par se atingir objetivos de confissão, tortura, trabalho forçado, violações dos direitos do cidadão... tudo em nome de uma ideologia?
O livro me deixou uma dúvida: Qual o caminho ideal na área da política? A esquerda ou a direita?
Cada vez mais estou convencido de que o ideal é o caminho do meio; como implementá-lo é uma dúvida enorme...
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Sérgio 31/03/2011

Revolução x pátria
Neste livro é relatado o que se passou em muitas prisões durante a revolução russa. O brio e o patriotismo do povo é usado contra ele mesmo. Ao ponto de não haver denúncias e revolta contra os opressores, pois a opressão é do estado, da pátria, e não de um ditador.
É uma leitura muito dura mas importante, pois se mostrou atemporal.
Lendo estas linhas vi que muito do que se passa no mundo atualmente é uma cópia do que já se passou, ou muitas nações já passaram.
Todo homem é uma ilha? Nem sempre, mas todo estado cria suas ilhas... toda forma de governo cria suas ilhas.
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Grigo 03/03/2010

Abandono
O único livro que abandonei até hoje.
Talvez pela idade e pela fome instantânea de apreender, mais do que aprender.

Deve ir pra prateleira de A LER, logo logo...
Karine 13/12/2012minha estante
Estou numa situação assim...

Ja abandonei uma vez, mas sempre acho que ele deve valer um investimento...Recomecei. Mas acho o texto pesado, embora quisesse lê-lo...


mendesvictoraug 30/11/2014minha estante
Karine - Achei Crime e Castigo bem mais pesado, em termos de textualidade. Sim, são obras com propostas diferentes, mas complementares na conjuntura histórica na qual ocorrem. E nesse aspecto, Soljenitsin é bem mais leve é fácil de entender por conta de sua natureza documentária.


Marcos Ferraz 27/08/2019minha estante
Quero ler esse livro.
Ouvi dizer que neste ano de 2019, em dezembro, vai sair uma nova edição brasileira (depois de mais de 40 anos). Já não era sem tempo...




Rodrigo Harlan 12/01/2010

Nçao li o livro ainda mas a pelos comentários que vi aqui no Skoob pareceu-me um excelente livro. Para quem quiser se aprofundar mais veja filme THE SOVIET STORY - 2008.
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Fimbrethil Call 04/10/2009

Muito bom
muito bom esse livro, que dá uma visão muito ampla do que era o sistema de campos de concentração do Stalin contra seu próprio povo, e alguns estrangeiros, de dentro, já que o autor foi preso pelo regime de Stalin, e de fora, com histórias de outros que foram presos.
Duas histórias me marcaram (foram mais, mas só vou contar duas aqui):
em uma, um agricultor ganhou uma medalha por sua grande produção de grãos, que lhe era confiscada para ser 'distribuída', e o coitado vivia com fome e na miséria, então ele disse: em vez dessa medalha, eu queria uma parte maior em comida, pode ser? com isso ele foi parar na prisão.
Em outra história, uns puxa-sacos do partido resolveram dar um prêmio pro Stalin, que não se encontrava na reunião, mas mesmo assim, ao ser anunciado o prêmio todos começaram a bater palma e fazer festa, só que o primeiro que parasse iria preso, então muitos tiveram que ser internados com exaustão. Que ridículo!
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guibre 23/02/2009

Instigante.
Nessa interessante obra, o autor, de acordo com sua experiência própria e de terceiros, também baseado em dados coletados em outros meios e publicações, efetua uma análise eloqüente do sistema repressivo existente na finada União Soviética. Desde o início, se percebe um tom crítico e irônico bastante contundente em relação a esse sistema.
No decorrer do texto, há menção de uma quantidade tão grande de iniqüidades que por vezes soa inverossímil a ocorrência de certos fatos, tendo em vista o considerável nível de polêmica que envolve a análise dessas circunstâncias político-ideológicas.
Entretanto, é de se destacar que, por mais que a impressão mesmo ao leitor mais crédulo seja de inverossimilhança em determinadas ocasiões (não somente em termos “negativos”, v.g., da crueldade e da iniquidade, mas também de um humor involuntário e, por vezes, “negro”), o autor pouco se utiliza de estatísticas que, por mais que impressionem os leitores, são controversos (e, por assim mesmo, fraco), até mesmo porque a menção de números amplos faz com que seja esquecido o sofrimento pessoal.
No entanto, não se trata de mera compilação de descalabros e desumanidades perpetrados pelo Estado e por seus agentes, mas inclui também uma análise do arcabouço jurídico que “legalizou” alguns procedimentos em relação aos opositores políticos do regime (reais ou imaginários), como a detenção por motivos insólitos (procedimento que, devido à extensiva e esdrúxula interpretação da lei comumente praticada acabou “criando” presos políticos a torto e a direito).
Nesse âmbito, verifica-se a plena inversão de diversos conceitos que passaram a permear o Direito (ao menos em sua teoria) séculos antes. O exemplo mais observado no decorrer de toda obra é o fato de que o maior objetivo do processo judicial (isso quando ele existia) era a obtenção da confissão dos réus, não importando se eles tivessem realmente qualquer responsabilidade ou cometido qualquer infração. Durante três capítulos, o autor faz interessantes “estudos de caso”, que caracterizam bem o sistema do Estado soviético para lidar com a sua população.
Portanto, a obra é decididamente relevante para aqueles que desejam adquirir mais conhecimentos sobre a formação de um ambiente de terror de Estado e as suas conseqüências, inclusive as menos óbvias. Por mais controvérsias que se possam mencionar sobre a parcialidade do autor, trata-se de qualquer forma de um referencial consistente e agradável de se ler (mesmo que o seu conteúdo seja consideravelmente dramático).
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