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    O Quarto Arcano - O Anjo Negro (O Quarto Arcano #1) -

    Florencia Bonelli

    Porto Editora
    2009
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-13: 9789720041920
    Português
    4.6
    131 avaliações
    Leram159Lendo10Querem203Relendo1Abandonos2Resenhas20
    Favoritos65Desejados203Avaliaram131

    No princípio do século XIX, diferentes processos revolucionários espalham-se pelas colónias espanholas da América, desejosas de se tornarem independentes da Coroa de Espanha. Buenos Aires será uma das primeiras capitais a concretizar esse sonho. É nesse contexto que decorre o romance de Florencia Bonelli, a mais popular autora histórico-romântica do panorama literário latino-americano. Roger Blackraven é um abastado homem de negócios inglês, com interesses particulares em Buenos Aires, onde é amo e senhor de terras e gentes, que o temem e respeitam. Mas a sua vida vai cruzar-se com o Anjo Negro¿ O Anjo Negro é Melody Maguire, uma exótica crioula ruiva, filha de um pai irlandês evadido do seu país para escapar à justiça inglesa. Assim apelidada pelos escravos, Melody luta pelo fim da escravatura. Roger representa para ela tudo o que mais odeia: é inglês, mulherengo, dono de escravos, um déspota - e, no entanto, não consegue evitar a atracção escaldante que nasce entre os dois. Romance histórico profundamente comprometido, romance sentimental com as cores e os cheiros da América Latina, muitas vezes imbuído de uma carga de erotismo fortemente explícito, O Quarto Arcano revela aos leitores portugueses uma das mais populares escritoras argentinas.

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    Resenhas (20)Ver mais
    Tícia  picture
    Tícia 06/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha postada originalmente no blog http://natadosromances.blogspot.com.br/2013/02/o-quarto-arcano-o-anjo-negro-florencia.html#comment-form

    Eu me sinto no dever de fazer uma observação antes de iniciar esta resenha: se eu soar levemente histérica ou surtar de forma meio descabida... releve, por gentileza. Acredito que estou desenvolvendo uma pequena obsessão por Roger – o mocinho – e isso não é muito bom já que, enquanto eu lia esse livro, compararam minha cara com a do “Jack, o iluminado”. Portanto, sejam solidários e deem um desconto para essa criatura que vos escreve. A minha relação com O quarto arcano: o Anjo negro é uma graça. Ou uma desgraça, dependendo da forma como se analisa a situação. Explico. Conheci este romance através de uma amiga do Skoob, a Carla. Ela falou tão bem da história que eu, dona de uma curiosidade que desconhece a serenidade e o bom senso, imediatamente elegi o dito cujo como o próximo furador-de-pilha-de-livros. No entanto, qual não foi a tragédia de proporções shakespearianas quando descobri que O quarto arcano: o Anjo negro só foi publicado em Portugal? !!! Lá longe! É claro que depois de visualizar uma cena envolvendo eu, Carla e criativas torturas medievais, milhares de cifrõezinhos, fretes e IOFs dispendiosos começaram a dançar uma ultrajante conga-conga bem na minha frente. E no meio dessa cachorrada toda, entendi que não ia rolar. Ou eu comia, ou eu comprava o livro. Meu estômago venceu. Mas eis que surge a Flaveth... E junto com ela, toda a sua generosidade e compaixão por essa alma atormentada que queria tanto ler esta história. E Flá disse as três palavrinhas mais poéticas da minha vida: “Eu. Te. Empresto”. Obviamente, minha cara de pau e eu não fizemos cerimônia e... adivinha? Dias atrás, chega esse chuchuzinho em minhas mãos.  E, enfim, li o livro.  Ainda não me refiz. Imagina um romance ambientando na Buenos Aires do primeiro oitocentos, que conta a história de amor entre uma mocinha defensora dos negros e um mocinho dono de escravos? Agora, acrescente a isso um amor intenso, apaixonado, eu babando, obsessivo, possessivo, compulsivo, mais baba, ciumento, arrebatador, louco, alguém traz um balde, passional e tempestuoso. Estes são Isaura “Melody” Maguire e Roger Blackraven. Compreende minha taquicardia? E para falar desse romance, pedi ajuda para a Flaveth. Vocês devem conhecê-la por sua resenha do livro Cavalo de Fogo, também da Florencia Bonelli, aqui no blog. De olho no seu diário de leitura - que eu acompanhava no Skoob - nem pestanejei: manda cá, Flá! É nóis! Portanto, aí estão duas visões de O quarto arcano: o Anjo negro: a de uma lady, repleta de comentários fofos (Flaveth) e a de uma criatura esculachada, que precisa aprender o significado da palavra “comportada” (eu). ---------------------------------------------------------------------- Diário de bordo de Flaveth CENÁRIO DA HISTÓRIA: Buenos Aires, início do séc. XIX, em uma época quando processos revolucionários espalham-se por várias colônias espanholas da América, inclusive a bela Buenos Aires. PERSONAGENS: a) ROGER: O nosso mocinho é um inglês, mulherengo, dono de escravos, entretanto, também é bondoso, compreensivo, justo e mega-ultra-hiper-super apaixonado!!! b) MELODY/ISAURA: É tratada por dois nomes, pois sua mãe colocou seu nome de Isaura e seu pai a chamava por Melody por ter uma voz linda. Forte, guerreira, inteligente, corajosa é uma mocinha diferente e, portanto uma fonte inesgotável de surpresas c) FOUCHÉ: Importante ministro da polícia do império, responde diretamente a Bonaparte d) La Cobra: O assassino mais mortal da Europa, contratado por Fouché pra encontrar ‘Escorpião negro’. e) ESCOPIÃO NEGRO: O espião mais hábil e imprevisível e quem Fouché procura desesperadamente. A CENA MAIS BONITA: Quando Melody está muito machucada (não posso dizer o porquê, né?) e o Roger faz muito esforço pra não chorar quando esta dando banho e cuidando dela com tanto carinho e amor. Muito lindo! UM DESTAQUE: Para a história de amor lindamente descrita entre o negro Servando e a branca Elisea. Gente, que moça arretada de boa! E que negro mais atrevido! Rsss OPINIÃO: Um livro que tem que ir para uma categoria especial. Por quê? Porque cinco estrelas é muito pouco para o que a Florencia faz em 544 páginas. Ela descreve uma estória de amor lindíssima, em um cenário histórico profundamente pesquisado e ainda com uma mocinha que luta pelos direitos dos negros tão sofridos. É mole? Ou quer mais? Ela é fera no que faz! E como é que essa autora consegue colocar tudo isso em um livro só e amarra tudo muito bem? Construção de personagens tão bem feitos e como eu destaquei abaixo, desenhado, com tanta delicadeza e cuidado que chega a emocionar. Tantas singelezas me fizeram viajar no mar de palavras e papel. Por isso, eu o chamo de “O livrão”, não só pelo tamanho, mas também pelo conteúdo, que merece um lugar especial na estante e no coração de toda amante de um bom romance histórico. ---------------------------------------------------------------------- Como você pôde ver, uma história como poucas. É realmente “O Livrão”, com ênfase no artigo definido. Assim como a Flá, experimentei tantas emoções extremas que, em alguns momentos, tive de dar uma pausa e pensar em coisas como Teletubbies pra minha cabeça ficar off-line. Mas o pior é que, com um enredo tão viciante, fica difícil se desprender da leitura. Apelei tanto pro “só mais cinco paginazinhas” que o resultado, no dia seguinte, foi uma cara de zumbi atropelado. Nem três quilos de maquiagem disfarçaram o estrago. Eu ainda teria algumas coisas a acrescentar ao que a Flá já falou sobre O quarto arcano: o Anjo negro, mas como sei que o negócio ia render e você não tem o dia todo para ler essa resenha, resolvi (tentar) ser sucinta e só separar alguns topicozinhos. Coisa bem pouca. => Os mocinhos: perfeitos. Isaura foi um show à parte e Roger... Bem, como sei que qualquer comentário que eu fizer será censurado, compartilho as palavras de outra amiga do Skoob, a Sueli Jansen, que resume perfeitamente minha opinião: “O que fazer depois de Roger Blackraven? (...) ele é um daqueles personagens que nos deixam aniquilados depois que se despedem de nós”. Depois de matutar bastante, creio que achei a única solução: continuarei lendo a série Mortal da Nora porque o Roarke, sem dúvida, é o tatatatataraneto do Roger. => Personagens: bem estruturados e desenvolvidos, mas são tantos que você se embola. Isso foi uma dificuldade pra mim porque se eu mal consigo arquivar o que fiz 3 minutos antes, imagina lembrar de todo mundo? No final das contas, eu estava chamando todo mundo de Zé. => História X ficção: para construir o enredo, Florencia uniu fatos históricos e ficção. É interessantíssima essa “releitura”, mas em alguns momentos ficava meio cansativo. Eu tinha de me segurar pra não ir direto para as cenas do Roger e da Isaura. Sabe como é... tinha de alimentar minha obsessão pelo mocinho. Mas não se desanime porque essas partes são muito bem escritas e, além do mais, você sempre terá a opção de utilizar o método "lê um parágrafo, pula dois”. => Escravidão: sem dúvida, essa foi a temática que mais me rendeu revolta, choro, raiva e compaixão. Florência não mascarou nada, ela expôs de forma bastante crua a vida dos negros perante a realidade dantesca. Enquanto lia essas partes, eu me lembrei de alguns versos do Navio Negreiro de Castro Alves: “Ontem a Serra Leoa, A guerra, a caça ao leão, O sono dormido à toa Sob as tendas d'amplidão! (...) Ontem plena liberdade, A vontade por poder... Hoje... cúm'lo de maldade, Nem são livres p'ra morrer. . Prende-os a mesma corrente — Férrea, lúgubre serpente — Nas roscas da escravidão.” Já se imaginou sendo tirado à força da vida que você leva agora, deixando para trás sua liberdade, sonhos e família? E quando se dá conta, é tratado pior do que um animal a ponto de não se considerar mais gente? É... foi por aí. => Suspense/espionagem: para mim, esse negócio de La Cobra (coqueluche dos matadores de aluguel) e Escorpião Negro (espião inglês bambambã) foi indiferente porque não me ligo muito nesse estilo Tom Clancy. A inclusão de ambos na história tem a ver com o processo revolucionário pelo qual o mundo passava e etc. e essa questão só será resolvida láááá na frente. => Romances: além da história retumbante de Roger e Isaura, temos alguns romances paralelos e cut cut, protagonizados por personagens secundários. Mas como a Flá disse, o mais comovente dentre estes é a do escravo Servando e da branca Elisea. É de chorar, acredite. => O final: a história acaba de um jeito tão “como assim?” que, por pouco, não soltei um sonoro e histérico “Colé?!”. A última cena envolvendo a Melody me fez chorar horrores. Enquanto a Flá elegantemente usou lenços, eu já estava arruinando a minha blusa e fungando tão discretamente quanto uma britadeira. Mas por que o final tão em aberto? Hum??? Simples, pra ter tem continuação, O quarto arcano: porto das tormentas. Cruel, não? Entretanto, antes que eu novamente me angustiasse e entrasse em conflito com os cifrõezinhos, fretes e IOFs, imagine quem apartou a briga? Flaveth, de novo. Ela me emprestou o segundo livro antes de ler. Acredita? Nem eu. E eu li. Tudinho. De cabo a rabo. Em tempo recorde. Saltitante. De novo não me refiz. O quarto arcano é o tipo da história que entra no seu imaginário pra ficar. Acredito que seja impossível fechar o livro e seguir adiante. Como também disse Sueli: “O difícil é despedir-se dele”. Roger, Melody e todos os outros personagens continuam ecoando e o sentimento de saudade permanece. Daí, a única coisa que digo é: O que fazer depois de Quarto Arcano? Recomendo? Nem preciso falar... ; )

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    Florencia Bonelli

    Flo­ren­cia Bonelli nas­ceu em 1971, na cidade argen­tina de Cór­doba. Com uma for­ma­ção uni­ver­si­tá­ria na área das Ciên­cias Eco­nomi­cas, renun­ciou à sua ati­vi­dade pro­fis­si­o­nal para se dedi­car à escrita, sua pai­xão de sem­pre.

    37 Livros
    89 Seguidores
    Córdoba, Argentina

    Florencia Bonelli