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    A marcha de Radetzky -

    Joseph Roth

    Difel
    1984
    359 páginas
    11h 58m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.2
    60 avaliações
    Leram66Lendo6Querem188Relendo1Abandonos2Resenhas11
    Favoritos0Desejados188Avaliaram60

    Narra a saga da família von Trotta durante o império austro-húngaro enquanto ocorre o declínio do poder de Franz Joseph. O oficial Joseph von Trotta salva Franz Joseph da morte certa na Batalha de Solferino (1859). Grato, o imperador lhe concede um título de nobreza e um cargo vitalício. Joseph tenta manter sua família da mesma forma que o imperador tenta manter seu império; querendo que as coisas permaneçam como estão. O filho e o neto de Trotta simbolizam a mudança gradual que vai transformar o pensamento arcaico do avô com as novas idéias que vêm com o início do século XX. Da mesma forma o império (austro-húngaro, que durou de 1867 a 1918) vai mudando para o imperador Franz Joseph, desintegram-se as relações e comportamentos políticos, sociais e econômicos antigos. Nada será como antes...

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    Resenhas (11)Ver mais
    Gustavo Romero picture
    Gustavo Romero05/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Belíssimo

    O poder descritivo de Roth neste livro deixa qualquer um abismado. Mesmo se tratando de uma obra detalhista, com descrições que herdam tardiamente o "modus" realista da literatura, não há uma palavra sequer desperdiçada. Todas compõem um riquíssimo mosaico fazendo o próprio texto uma metáfora do retratado Império Austro-Hungaro: heterogêneo, conflituoso, belo e anacrônico. Impressiona como o escritor não se perde em momento algum ao transmitir a decadência iminente do Império e de toda uma "época " por meio da perspectiva individual, dos personagens. Somos capazes de, ao ler, sentir como os Trotta, que já sabem do fim iminente da monarquia, mas não deixam de ficar perplexos quando o conflito armado se concretiza. Penso se essa não é a reflexão mais geral e poética trazida pelo livro - o "saudosismo" nao como medida estetica ou política conservadoral, mas como um escape, como a última resposta ainda razoável e racional frente à perplexidade que nos assola ao testemunharmos a bestialidade (para usar o termo de Roth) da guerra e do autoritarismo esfarelar nossa tão pura e ingênua crença na cultura. Como sugeriria Walter Benjamin, se essa imagem do passado em nada nos alcançar e sensibilizar no presente, o documento de cultura assumirá seu caráter definitivo como documento de barbárie.

    4 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 60
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
    Moses Joseph Roth profile picture

    Moses Joseph Roth

    Nascido em 1894, Joseph Roth viveu o fim do Império Austro-Húngaro. Da tragédia histórica que o marcou pelo resto da vida, nasceu o observador privilegiado dos novos tempos e, em especial, da Berlim da década de 1920. Nos artigos de Berlim, Roth registra o espetáculo múltiplo e ambíguo da velha capital prussiana, tomada de assalto por refugiados, bondes e arranha-céus, e transformada de uma hora para outra em epicentro da República de Weimar e da cruel história européia das décadas seguintes.<br> Andando por Berlim, Roth descobre asilos de refugiados, banhos noturnos e ruas de imigrantes; espreita os olhos cegos e brilhantes dos semáforos reinando sobre a nova paisagem de ferro, passeia ao lado de um criminoso recém-liberto, para tomar a medida cabal da transformação da cidade; e finalmente, como um Orfeu descendo aos infernos, percorre uma noitada berlinense. O que emerge de Berlim é menos o retrato objetivo de um lugar do que a imagem convulsiva de uma era que derrubava fronteiras, impérios e quarteirões com igual indiferença - e que ainda não acabou.

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