Soldados de Salamina -

    Javier Cercas

    Editora Globo
    2002
    241 páginas
    8h 2m
    ISBN-10: 8525035211
    Português Brasileiro

    A Guerra Civil Espanhola continua sendo uma fonte inesgotável de histórias tão fascinantes quanto assombrosas. A guerra está no fim e as tropas fascistas avançam sobre a Catalunha. As tropas republicanas, antes de baterem em retirada em direção a fronteira francesa, decidem fuzilar um grupo de presos franquistas. Entre eles, encontra-se Rafael Sánches-Mazas, escritor e fascista, fundador e ideólogo da Falange Espanhola, futuro ministro no primeiro governo de Francisco Franco. O narrador dessa história real é um jovem jornalista, Javier Cercas, um homônimo do autor, que se propõe a investigar o segredo do enigmático Sánches-Mazas e de como ele conseguiu escapar duas vezes da morte - primeiro do pelotão de fuzilamento e depois de um compassivo soldado republicano que lhe poupou a vida - e sobreviveu à guerra.

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    Alexandre Figueiredo11/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A arte de tornar o passado presente

    Um romance político que exige um leitor atento. Assim defino "Soldados de Salamina", livro dotado de uma narrativa eloquente e ágil. Javier Cercas parte de uma premissa instigante: o que leva alguém numa guerra a deixar de matar o inimigo? É a partir desse ponto que somos convidados a uma busca por respostas através de uma voz narrativa que conduz com competência nossos movimentos, pensamentos e elucubrações. Cercas está interessado, assim como seu compatriota Javier Marías, em refletir sobre a difícil distinção entre realidade e imaginação. E, assim como nosso João Ubaldo, que dedicou um épico esforço para construir sua obra-prima, "Viva o povo brasileiro", Cercas questiona a importância daquilo que é reportado ou ensinado como história e o que podemos realmente chamar de verdade. E a pergunta do autor é clara nesse sentido: o que faz de alguém um herói, ainda mais numa guerra? Cercas deixa algumas pistas como respostas nas linhas de algumas personagens. Mas o livro está muito além da política, pois o autor propõe uma meditação sobre a linguagem. Cercas testa estilisticamente o texto com o leitor. Há um livro dentro do livro. Há uma mescla, em determinados momentos, de reportagem e ficção, tornando-se uma espécie de thriller político, uma “narrativa real”. Nosso narrador, em uma das três partes, chama-se Javier Cercas e personagens reais são inseridos a favor da ficção, como o fascista espanhol Rafael Sánchez Mazas e até o escritor chileno Roberto Bolaño. São os jogos que movimentam a trama (e nossos olhos). O terço final é uma espécie de recompensa aos leitores. Afinal, ao chegarmos na última página da narrativa semi-ficcional de Cercas, concluímos o que minha epígrafe preferida profetizou para a eternidade, que "O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias." E Cercas entendeu muito bem isso.

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