Apologia de Sócrates, O Banquete e Fedro (Livros que mudaram o mundo #5) -

    Platão

    Folha de São Paulo
    2010
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788563270269
    Português Brasileiro

    "Havia, a princípio, três espécies de homens e não duas, como atualmente: macho e fêmea. O terceiro era formado dos dois primeiros.(...) Chamavam-se andróginos (...)." Platão (428/427 a.C – 348/347 a.C) Platão é, sem sombra de dúvida, um dos filósofos mais influentes de todos os tempos. O alcance de sua obra é tamanho que praticamente todos os autores que o sucederam podem ser classificados de platônicos ou antiplatônicos nas questões mais essenciais. Sua abordagem dos problemas filosóficos é tão profunda, provocativa e apaixonante que vem cativando todas as gerações de pessoas cultas há 2.500 anos. Parte do sucesso se deve à forma de diálogo em que escreveu a grande maioria de seus textos. O tom de conversa é o mais propício para fazer com que o leitor se maravilhe com as coisas do mundo. E, para Platão, a filosofia começa justamente com o “thaumázein”, o maravilhar-se. Hélio Schwartsman Articulista da Folha

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    Clio24/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O volume da coleção Pensadores intitulado Platão traz Eutífron, Apologia de Socrates, Críton e Fédon, além de uma bibliografia básica como era parte de sua proposta. Há um motivo para esses terem sido os textos escolhidos e um porquê dessa ordem: trata-se da preocupação sobre o julgamento e a punição de Sócrates. Em Eutífron temos um diálogo socrático sobre a natureza da Piedade. Seria ela um dom ou um desejo divino? Aqui é pesada a referência a discussão sobre Justiça e Ética já presentes em sua outra obra "A República". A Apologia de Sócrates é a transcrição do discurso de seu mentor durante seu julgamento afinal, acusado de corromper a juventude e de se apresentar como sábio. Uma coisa que deve-se manter em mente é que a noção de corrupção da doutrina divina na Antiguidade estava em conjunção com o questionamento da própria sociedade. Da mesma forma, apresentar-se como sábio ultrapassava o adjetivo e o lucro. Era uma forma de moldar a mentalidade e influenciar socialmente. Poucos tinham esse título justamente pelo controle do aprendizado exercido pelo governo. Críton é a justificativa de Sócrates para sua obediência ao veredito ateniense. É uma ótima argumentação sobre como as leis regem a sociedade, e como a conduta ética não deve se submeter a reações emocionais. O último texto, Fédon, é um relato dos últimos momentos de Sócrates onde ele discursa a um grupo de amigos sobre a imortalidade da alma e a fidelidade a filosofia. É basicamente uma ode de amor à curiosidade. A dificuldade de leitura não é grande comparada a outros trabalhos; a necessidade de suporte para seu entendimento é relativamente baixa visto que há uma certa queda na citação de nomes e eventos. Contudo, é um texto denso, pode exigir um pouco mais daqueles não acostumados com textos filosóficos.

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