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    Sobre a Balsa da Medusa - Ensaios Acerca da Decomposição do Capitalismo

    Anselm Jappe

    Antígona
    2012
    137 páginas
    4h 34m
    ISBN-13: 9789726082217
    Português Brasileiro
    4.6
    8 avaliações
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    Os media e as instâncias oficiais estão a avisar-nos: muito em breve, vai desencadear-se uma nova crise financeira, e será pior que em 2008. Fala-se abertamente das «catástrofes» e dos «desastres». Mas o que vai acontecer depois? Como serão as nossas vidas depois de um colapso em larga escala dos bancos e das finanças públicas? O volume agora apresentado reúne algumas das intervenções de Anselm Jappe publicadas entre 2007 e 2010, em particular, sobre a crise do capitalismo, um sistema que encerra os seus próprios mecanismos de falência, como se comprova pela crise financeira no Outono de 2008. Os vários artigos podem ser lidos separadamente, porque assim foram escritos e porque cada um contém algumas explicações sobre os seus pressupostos teóricos, isto é, a crítica do valor e do fetichismo da mercadoria.

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    Rogério  picture
    Rogério 19/02/2026Resenhou um livro
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    A crítica do valor é uma crítica do mundo

    Anselm Jappe usa os primeiros capítulos do livro para algo essencial: demonstrar as bases da teoria do valor marxiana presentes no início de O Capital. Valor de uso, valor de troca, trabalho concreto, trabalho abstrato, etc. Jappe consegue expor muito bem as conclusões a que Marx chegou ao escrever sobre a sociedade do capital (sociedade burguesa, sociedade mercantil, como quiser chamar). Marx não a julga como uma sociedade boa ou má, nem recorre a um moralismo simplista para descrevê-la; não a chama de injusta ou coisa do tipo e nem sequer diz que ela não funciona. No entanto, chega à seguinte conclusão: ela é pura loucura. Fundamentalmente tautológica. E, nessa completa loucura, há um componente essencial: o valor. A questão é a seguinte: por que razão o trabalho, a atividade produtiva, toma a forma do valor? Bem, para isso, é necessário voltar à célula germinal da sociedade capitalista: a mercadoria. A partir da compreensão dos fatores que constituem a mercadoria, o duplo caráter do trabalho e o fetichismo, percebe-se algo fundamental: o trabalho abstrato cria valor, mas não cria riqueza. O valor e a mercadoria possuem sutilezas metafísicas, visto que não têm corpo, não exprimem nada de sensível ou concreto. No entanto, isso não significa que não sejam reais, muito pelo contrário. Trata-se da primeira sociedade em que o laço social se torna abstrato, separado do restante, e em que essa abstração, precisamente enquanto abstração, se torna uma realidade. A transformação do trabalho abstrato em dinheiro é o único objetivo da sociedade mercantil; a produção de valores de uso, em sua totalidade, nada mais é do que um meio, um mal necessário. A inversão entre o concreto e o abstrato nas relações entre duas mercadorias apresenta-se agora como a lei fundamental de toda uma sociedade, a nossa, na qual o concreto serve apenas para alimentar a abstração materializada: o dinheiro. Em suma, ao fazer uma crítica radical ao valor, ao trabalho abstrato e à mercadoria, realiza-se uma crítica ao próprio mundo.

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    Anselm Jappe

    Anselm Jappe (Bona, 1962) é um filósofo e ensaísta nascido na Alemanha. Fez seus estudos em Itália e em França, onde vive atualmente. Além de inúmeros artigos nas revista alemã Krisis, é autor do livro Guy Debord sobre a vida e a obra do pensador e ativista francês (publicado no Brasil pela editora Vozes). Recentemente publicou o livro As Aventuras da Mercadoria (pela Editora Antígona de Lisboa) que reconstrói a trajetória filosófica e política da crítica do valor. Outras publicações recentes de Jappe são os títulos "Violência, mas pra que?" e "Credito à morte", ambos construídos com ensaios publicados por ele em revistas francesas. Esses títulos foram publicados em português, no Brasil, pela editora Hedra.

    9 Livros
    2 Seguidores

    Anselm Jappe