Alguma poesia -

    Carlos Drummond de Andrade

    Companhia das Letras
    2013
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788535922837
    Português Brasileiro

    A obra de estreia de um poeta que iria marcar para sempre a literatura brasileira do século XX. Publicado em 1930, numa pequena tiragem não comercial de apenas quinhentos exemplares - sob os auspícios de uma certa edições Pindorama, pura ficção jocosa -, Alguma poesia assinala a estreia de um autor que, então com 28 anos, iria revolucionar a poesia de língua portuguesa no século XX. Não é para menos. Com peças como Poema de sete faces, Infância, No meio do caminho, O sobrevivente, entre tantos outros textos decisivos, o livro demonstra já a enorme maturidade do jovem Drummond, ainda estabelecido em Belo Horizonte. Dois anos antes, Drummond havia causado escândalo entre as hostes literárias ao publicar, na Revista de Antropofagia, o poema No meio do caminho. Era o início da carreira de escândalo do poema, reconstruída na década de 1960 pelo próprio autor em um livro que reuniria os ataques, as paródias e as contendas relacionadas ao poema. Mas para além da polêmica, Alguma poesia já apresenta aquilo de melhor que Carlos Drummond de Andrade iria oferecer ao longo de quase 60 anos de uma das carreiras mais fecundas da literatura moderna: o lirismo, o humor, o tom meditativo e irônico, a observação desencantada dos fatos, o sensualismo, a reflexão aguda sobre o amor e a morte. Contando com um posfácio do poeta e crítico Eucanaã Ferraz, um dos grandes intérpretes da obra drummondiana nos tempos atuais, esta edição de Alguma poesia, com texto estabelecido e caderno de imagens, é uma nova - e extraordinária - oportunidade para o leitor brasileiro entrar em contato com um de seus grandes autores. E é uma promessa de reencontro para todos aqueles que desejam ler alguns dos mais emblemáticos poetas da nossa literatura.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo26/07/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Prazer, Drummond

    Certas coisas me deixam perplexo na vida. Uma dessas perplexidades aconteceu nos últimos anos ao ler este "Alguma poesia", primeiro livro publicado pelo gigante Carlos Drummond de Andrade. Sempre tive curiosidade de ler o poeta mineiro de verdade, fugir das armadilhas proporcionadas pela internet. Despretensiosamente comprei este livro. Entretanto, vocês não podem imaginar a minha surpresa ao descobrir que esta obra foi a carta de apresentação do poeta ao mundo. Nela estão, simplesmente, três dos principais poemas da língua portuguesa. Conversando com uma amiga minha que estimo muito, apontei que havia poucas resenhas ou comentários para este livro, o que chamou minha atenção. Em resposta, ela me disse: "poesia mexe com os sentimentos, talvez seja por isso". E é a mais pura verdade. Algo tão simples que eu nem tinha percebido... Em "Alguma poesia" os sentimentos são despertados em cada um de nós, mesmo que a conexão entre o poeta e os leitores seja fraca ou, pior ainda, não exista. A questão é que você vai ler algo que não há igual por aí. Aliás, este é um livro incrível para apresentar o que foi o movimento modernista do Brasil em todos os seus campos artísticos e, de quebra, mostrar a beleza que só a nossa poesia possui. Eu tenho problemas com versos livres, confesso. Entretanto, a maneira como Drummond dispõe seus versos no papel, a sua quebra brusca com os formalistas em alguns dos textos, é cativante. Além dos conhecidíssimos "Poema de sete faces", "No meio do caminho" e "Quadrilha", destacaria a ironia fina do eu lírico em "Também já fui brasileiro", "Política literária", "Cidadezinha qualquer" e "Explicação"; a melancolia presente em "Sentimental", "Nota social", "Poesia" e "Música"; e, por fim, não posso deixar de citar a precisão sobrenatural na escolha das palavras em "Cota zero" e "Quero me casar". Drummond lançou este livro em 1930 e, 90 anos depois, época em que escrevo minhas humildes impressões, é quase ensurdecedor perceber como ele estava à frente de seu tempo. Uma das leituras mais prazerosas que já fiz.

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