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    Húmus -

    Raul Brandão

    11x17
    2011
    254 páginas
    8h 28m
    ISBN-13: 9789722523028
    Português Brasileiro
    4.1
    56 avaliações
    Leram96Lendo14Querem178Relendo1Abandonos7Resenhas7
    Favoritos2Desejados178Avaliaram56

    Publicado pela primeira vez em 1917, Húmus, a obra-prima de Raul Brandão, é um misto de diário, feito de visões e reflexões metafísicas, e de ficção simbólica, onde se alternam dois monólogos interiores em fragmentos, datados ao longo de cerca de um ano - o monólogo do autor/narrador, na primeira pessoa, e o de um filósofo lunático, alter ego do autor, apodado de Gabiru. Escrito num estilo poderosamente original e de uma modernidade impressionante, Húmus explora a contradição entre o mundo aparente e autêntico, onde se descobrem monstruosidades não sonhadas.

    Edições (6)

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    Resenhas (7)Ver mais
    Denise Maria Souza João picture
    Denise Maria Souza João17/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Confesso que este livro não foi uma escolha imediata: eu adoro a Carambaia e volta e meia eu entro no site para ver as novidades. Húmus estava lá desde as minhas primeiras visitas, mas não me fisgava. Um dia mudei de ideia. Isto já revela um pouco sobre mim: eu não tenho ideias absolutas, eu mudo o tempo todo. Então tenho que escolher o próximo livro, Húmus está bem visível na estante, uma de minhas últimas aquisições. Faço o que não é costume: abro numa página aleatória e leio isto: "Para não ver, para não ouvir, é que nos curvamos sobre a mesa de jogo. Para te não ouvires a ti mesmo, para não veres o que te gasta a todos os minutos e a todas as horas, usura imensa que não sentes e que te vai levar para o escantilhão sôfrego, que te vai mergulhar no silêncio profundo. Usura de todos os instantes. Gasta-nos, desgasta-nos. E todos os dias acordamos mais velhos, todos os dias acordamos mais inúteis. Todos os dias acordamos com mais fel. E todos os dias com mesuras, sem gritos de terror, nos curvamos sobre esta mesa de jogo, não vendo, fingindo que não existe, o espanto que está ao nosso lado, o espanto pior que trazemos conosco. Chama-se a isto o cotidiano. Isto não tem importância nenhuma. Com isso enchemos a vida até chegar a morte. (...)" Pronto, me ganhou! Descobri que Húmus é como eu... rs... um turbilhão de emoções, sensações e pensamentos que se confundem, às vezes de forma coerente, às vezes não; às vezes são tantas reflexões ao mesmo tempo que elas jorram aos borbotões sem filtro, é preciso atenção. Noutras, os personagens são tão palpáveis que é como se estivessem ao meu lado. É uma leitura difícil pela forma narrativa, mas ao mesmo tempo tão fácil pelos conflitos que apresenta! A vila - e suas figuras femininas - é o ponto de partida, o cenário para as reflexões do autor, mas não há uma história: é um verdadeiro fluxo - e refluxo - de consciência. Se não quer quebrar a cabeça, não leia este livro.

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 56
    • 5 estrelas48%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Raul Germano Brandão profile picture

    Raul Germano Brandão

    Foi um jornalista, prosador, ficcionista, dramaturgo, pintor e militar português, famoso pelo realismo das suas descrições e pelo lirismo da linguagem. Publicou contos, livros de viagens, peças de teatro, memórias e estudos históricos. A sua prosa tem um visível idealismo no lírico anarquismo niilista, uma influência que advém do grupo de escritores portuenses, boémios e entusiastas do simbolismo decadente. Como era neto de um pescador, os seus textos resumem simpatia e angústia para com os mais pobres ao evocarem as desgraças dos humilhados e ofendidos.

    20 Livros
    2 Seguidores

    Raul Germano Brandão