A literatura e o mal (FiloBataille) -

    Georges Bataille

    Autêntica
    2015
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788582177938
    Português Brasileiro

    Ainda que a literatura, como questão e prática, atravesse toda sua obra, é em A literatura e o mal que Georges Bataille se empenha de maneira mais explícita na busca de seu sentido ou de seu não-sentido , afirmando desde o princípio que ela é o essencial ou não é nada. E se essa essencialidade se acha vinculada ao mal é porque, sem atormentar o bem e a virtude (como acontece em Sade), ou santificar o mal por desejá-lo como bem (como se dá em Genet), a literatura se torna insípida, destituída de interesse. Para Bataille isso já está dado na infância, quando as disposições do indivíduo se mostram soberanas, na recusa de tudo aquilo que, por meio do cálculo e da razão normativa, pretende regular o desejo e o dispêndio. Assim, a literatura deve confessar sua culpa, já que é a infância reencontrada. Há dois fins primordiais que a humanidade persegue, a rigor inconciliáveis: o primeiro, ligado à ideia do bem e da moral, é a conservação da vida a todo custo; o segundo, que Bataille associa ao mal e a uma hipermoral, é o aumento de sua intensidade: a aprovação da vida até na morte. Perseverando em favor do segundo, a literatura se realiza como atividade inoperante no extremo do possível e do perigo, levando, não raras vezes, personagens e escritores à ruína. Neste livro magistral, Bataille analisa, ou, antes, potencializa as obras de oito autores que de um modo ou de outro são atravessadas pelo mal, para dar a ver em cores vivas a radicalidade de seu próprio pensamento. Contador Borges

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    Joachin Azevedo02/12/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Em termos literários, talvez ninguém melhor que o escritor francês Georges Bataille, na obra A literatura e o mal, para explicar a significação estética que o mal adquire na escrita. Bataille acompanhou os desfechos das duas grandes guerras mundiais e, ao prefaciar a sua citada obra, definiu-se como pertencente a uma geração tumultuosa que buscou testar todos os limites da linguagem por meio do surrealismo. De acordo com o escritor, a literatura é uma forma de comunicação e, assim sendo, o mal tem a função de intensificar essa comunicação. De acordo com Georges Bataille, se o autor tem algum intuito de transmitir uma forma de conhecimento do mundo por meio da literatura deve ser o mais honesto possível. Se a razão ocidental fundou uma sociedade alicerçada por valores restritos aos cálculos de interesses pessoais, os temas da selvageria, bem como os da violência física e simbólica contra o outro, que aparecem transfigurados na literatura, podem servir para o escritor denunciar a cumplicidade do leitor ou de forçá-lo a tomar uma atitude em face do mal.

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