Margarida La Rocque - A Ilha dos Demônios

    Dinah Silveira de Queiroz

    Laudes
    1969
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-10: B000W57SSU
    Português Brasileiro

    Margarida La Rocque: A Ilha dos Demônios é um romance da escritora brasileira Dinah Silveira de Queiroz, publicado no Brasil, pela primeira vez, em 1949 pela Livraria José Olympio Editora. Muito bem recebido no estrangeiro, na época de seu lançamento, foi traduzido para o francês e para o castelhano. Pode ser considerado um dos raros exemplos de romance fantástico na literatura brasileira.

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    Berttoni Licarião26/05/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leituras de 2022 | Cortesia da editora Margarida La Rocque [1949] Dinah Silveira de Queiroz (SP, 1911-1982) Instante, 2022, 208 p. ‘Margarida La Rocque’ ainda ia a meio da leitura quando me descobri seu mais novo (ainda que tardio) devoto. Conhecia a autora de nome e por uma breve menção, durante a graduação em Letras, à impossibilidade de classificar sua obra nas vagas regionalistas ou urbano-psicológicas da literatura brasileira das décadas de 1940 e 1950. Mas nunca a tinha lido, e começar por aqui me encantou. Exímia contadora de histórias, Dinah é capaz de transformar fórmulas gastas em complexos percursos narrativos, de relatar sonhos e delírios com vivacidade assustadora, de mostrar o avesso do fantástico no aprofundamento ambíguo da psique de sua protagonista. Uma autora, com efeito, inclassificável. Em meados do século 16, a narradora-protagonista deste romance é abandonada na misteriosa “ilha dos demônios” como punição após uma falta grave cometida a bordo do navio do “vice-rei das novas terras.” Acompanhada de sua aia, Juliana, e de seu amante João Maria, Margarida logo percebe que, aliada aos descompassos de uma paixão desmedida, a condição feminina de subalternidade é, por si só, capaz de povoar um paraíso de demônios e outros seres mesquinhos. À medida que os dias viram meses, a ilha ganha corpo, voz e inúmeros olhares sobre o trio de exilados, deixando o insólito tomar conta de suas certezas mundanas e espirituais. Profundamente perturbador, o romance entrega personagens complexas e contraditórias sufocadas pelo desconhecido e, em igual medida, aprisionadas às convenções e estruturas opressoras do mundo ao qual desejam retornar. Assim que chegou o livro, fui cativado pela belíssima edição, seduzido pelos elementos da narrativa anunciados na quarta capa (viagens quinhentistas, terror psicológico, atmosfera fantástica) e maravilhado pelas palavras que abriam o texto: “Padre, não vos faço uma confissão.” O resultado dessa interlocução é uma história entre a devoção religiosa e a apostasia, cuja amplitude de sentidos e elaboração simbólica são tão potentes e insondáveis quanto a própria ilha que a tornou possível.

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