Few novels have made a more shattering impact on their society than the Noli Me Tangere and El Filibusterismo: Subversion: A Sequel to Noli Me Tangere of Jose Rizal. And surely no writer paid a higher penalty for self-expression; Rizal was executed by a firing squad mainly because of these two books. Filipinos, inspired by Rizal, made the first nationalist revolution in Asia in 1896, established its first democratic republic, which survived until 1901, and in 1946, exactly half a century after Rizal's execution, became the first Asians to win independence from Western colonialism. It is not mere patriotic pride that leads Filipinos to acclaim the author of the Noli and the Fili as the first Asian Nationalist and as one who in his way moved the world.
Noli Me Tangere -
José Rizal
José Rizal é o Machado de Assis das Filipinas não apenas por ser considerado o melhor escritor do país, tampouco porque faz um delicioso uso da ironia e sequer porque também tem notável erudição: há entre os motivos de comparação o fato de ambos só não serem considerados clássicos mundiais porque os olhos do mundo não estão voltados aos países desses dois autores. Noli me tangere, a obra-prima de Rizal, tem um pouco do Cervantes (os episódios cômicos), um pouco do Zola (a luta social), um pouco do Victor Hugo (a discussão filosófica), um pouco do Dickens (o drama das crianças) e até um pouco do Mark Twain no final do livro (a perseguição marítima). A esses elementos reconhecidos como clássicos o autor acrescenta a tinta local da história filipina, país de curiosa colonização espanhola, empreendida notadamente por religiosos, e faz uma obra essencialmente crítica aos costumes do seu país no final do século XIX. Com uma verve afiada, ele ousa por às claras muitos desmandos de políticos e sobretudo de religiosos na condução dos rumos do país (não à toa, os religiosos rugiram ferozmente à publicação do livro). São especialmente interessantes os momentos em que se discute a questão do ensino e, depois, a própria estrutura da sociedade filipina de então e a possibilidade de uma reforma. Muita coisa também se poderia aplicar à realidade brasileira, também vinda de uma colonização problemática, com efeitos que se sente até os dias de hoje. Aparentemente, o pensamento de Rizal varia entre Ibarra, que é o personagem principal da trama e que busca reformas sem revolução, Elias, um revolucionário protoanarquista, e ainda o filósofo da aldeia que, como costuma acontecer, é tachado de louco. As divergências entre eles parecem ser resultado também das discussões internas do próprio escritor. Fora de dúvida, em todo caso, é que ele tinha consciência do estado crítico do seu país e da necessidade de uma reforma da sociedade. Seu livro é um testemunho bastante eloquente da realidade do seu tempo e, também, da própria trajetória do seu escritor, que, visto como elemento perigoso, acabaria fuzilado aos 35 anos de idade. Esse livro foi escrito quando ele tinha apenas 25, o que mostra bem que se trata de um gênio precoce e, ao mesmo tempo, torna ainda mais terrível o crime de tirar a sua vida quando ainda tinha muito a produzir. Não é um livro perfeito, naturalmente, nota-se alguns problemas de construção, e alguns citam também exageros na trama, mas bem poucos de nós seriam capazes de produzir uma obra dessas aos 25 anos de idade. Ademais, é uma história tão movimentada, tão cheia de personagens e eventos interessantes, bonitos e engraçados, que a teledramaturgia está comendo bola em não adaptar isso para a televisão. Vale conhecer o livro e vale pesquisar sobre o autor, personagem multifacetado de vida intensa. PS: Ainda não existe em português, apenas espanhol e inglês.
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