O Sol é Para Todos

Harper Lee



Resenhas - O Sol é Para Todos


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Flávia 12/10/2014

Tenho que começar dizendo que esse é um dos melhores livros que li na vida, sensacional. Esse romance foi escrito em 1960 pela escritora Harper Lee de uma forma cativante, narrando uma história difícil na voz de uma criança que nos encanta e prende a nossa atenção a cada página.

A história se passa em numa pequena cidade do sul dos Estados Unidos chamada Maycomb, no Estado do Alabama nos anos 1930. Muitos dizem que foi a pior década do século XX porque começou com a Grande Depressão e acabou com a guerra e essa cidade sofreu com essas consequências.

Jeremy e Jean Louise (Scout) eram o casal de filhos de Atticus Finch, um dedicado pai, viúvo e advogado que cria os filhos com a ajuda de uma negra chamada Calpúrnia. Sua filha Scout é uma menina muito esperta e narradora da história. Jem é um pouco mais velho, já está entrando na adolescência. Sendo assim, Scout vai nos apresentar a vida dos habitantes de Maycomb, suas memórias de infância, o preconceito racial muito forte naquele momento e ainda o desdobramento de um caso de estupro.

Maycomb é uma cidadezinha decadente onde os fazendeiros vivem dos rendimentos da plantação de algodão, porém estão arruinados e mesmo já tendo havido a abolição da escravatura eles vivem em péssimas condições, assim como os brancos pobres. As senhores se encontram para pequenas reuniões, típicas de cidades pequenas, e aí vemos pelos olhos de Scout o quanto elas são mesquinhas e vazias, falando mal da vida das pessoas e reclamando de suas empregadas negras que ganham um salário vergonhoso e sofrem todo tipo de perseguição e humilhação por parte dessas patroas. Esse é um retrato da sociedade local.

Sendo assim, os negros vivendo numa condição sub-humana, não tem seus direitos civis garantidos, são sempre culpados de tudo aquilo com que se veem envolvidos, mesmo quando não cometeram crime algum, e um deles Tom Robinson é acusado de ter estuprado uma mulher branca, filha de um homem branco pobre que também sofre discriminação por sua condição e vive num lugar muito próximo ao local onde os negros moram, e percebemos a discriminação de classe e de raça convivendo lado a lado. Mesmo o Sr. Ewell sendo branco e pobre ele se sente superior a Tom Robinson, mas para a sociedade local ele não tem quase nenhum valor devido a sua condição de vida.

Os mestiços também sofrem preconceito: "Eles não estão bem em lugar nenhum. Os negros não querem saber deles porque são meio brancos. Os brancos não querem saber deles porque são negros. E desse jeito eles não pertencem a ninguém."

Outro fator que chama muito a atenção é a postura de Atticus Finch. Ele é advogado, encarregado de defender Tom Robinson, mas se mostra um homem íntegro, reto, que procura se manter dentro dos princípios de moral e ética que ele passa para os filhos Jem e Scout, mesmo quando sofre ameaças e é perseguido por defender um negro. Aliás, o nome dele parece ter sido usado de propósito para evocar o que podemos chamar de "entidade" da Ética - Atticus - porque seu maior objetivo é deixar para os filhos um legado de ética, coragem e retidão. Não soa de modo algum piegas.

Durante o julgamento Atticus Finch nos mostra o que é ser um cidadão, um profissional competente, ciente de suas responsabilidades e nos apresenta o senso da justiça:

- Uma coisa mais, senhores, antes que eu termine. Thomas Jefferson disse uma vez que todos os homens são criados iguais, uma frase que os ianques e certos membros do Executivo em Washington gostam muito de atirar na nossa cara. Neste ano da graça de 1935, determinadas pessoas estão com uma tendência para utilizar essa frase fora de propósito, aplicando-a em todas as situações. O exemplo mais ridículo que me ocorre agora é o dos indivíduos encarregados da educação pública que estão aprovando os estúpidos e os ociosos juntamente com os diligentes porque todos os homens são criados iguais, dirão os educadores com ar solene, as crianças não promovidas de série sofrerão um terrível sentimento de inferioridade. Mas nós sabemos que todos os homens não nascem iguais, não no sentido que algumas pessoas querem nos impingir: alguns são mais espertos do que outros, alguns têm melhores oportunidades porque nasceram com elas, alguns homens fazem mais dinheiro do que outros, algumas senhoras fazem bolos mais gostosos do que outras, algumas pessoas nascem com talentos muito superiores aos do normal dos homens.

Entretanto, há um lugar neste país em que todos os homens são considerados iguais existe uma instituição que considera um pobre igual a um Rockefeller, um homem obtuso igual a um Einstein, e um ignorante igual a qualquer reitor universitário. Essa instituição, senhores, é o tribunal de Justiça, seja a Suprema Corte dos Estados Unidos ou o mais humilde tribunal do país, seja este honrado tribunal a que servem. Nossos tribunais têm suas falhas, como qualquer instituição humana, porém neste país os tribunais são os grandes niveladores, em nossos tribunais todos os homens são criados igualmente".

"Não sou um idealista para acreditar piamente na integridade de nossos tribunais ou em nosso sistema de juri - eles não são um ideal distante para mim, mas uma realidade viva, ativa. Senhores, um tribunal não é melhor do que cada um dos homens que compõem um juri. Um tribunal é tão justo quanto o seu júri, e um júri é tão justo quanto os homens que o constituem".

Harper Lee é uma escritora estadunidense, filha de uma dona de casa e de um advogado. Seu único livro, O Sol é Para todos (em inglês: To Kill A Mockingbird) publicado em 1960, foi um sucesso instantâneo, se tornando um dos maiores clássicos da literatura norte-americana moderna. A obra ganhou o prêmio Pulitzer e deu origem a um filme homônimo, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado em 1962. O romance é baseado livremente nas memórias familiares da autora, assim como em um evento ocorrido próximo a sua cidade natal em 1936, quando ela tinha 10 anos de idade. A obra foi eleita pelo Librarian Journal como o melhor romance do século XX e está na lista de 100 melhores livros feita pela BBC. (Skoob)
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Cecil 02/10/2014

O Sol é para todos
Esse é simplesmente um dos meus livros favoritos desde a primeira vez que eu li, há uns bons dez anos. Recomendo muito.
Resenha completa no blog!

site: http://chadeprosa.com/2013/04/10/o-sol-e-para-todos/
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Elisa 18/06/2014

O Sol é para Todos
Livro incrível! Análise no blog :)

site: http://ba-bookaholicsanonimos.blogspot.com.br/2014/06/resenha-o-sol-e-para-todos.html
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Amanda 14/05/2014

To kill a mockingbird
A simbologia do enredo é uma parte tocante. O livro trata de esperança, do amadurecimento, do despertar dessas crianças para as tramas e injustiças que acontecem ao seu redor. Atticus é uma personagem extremamente representativa, pois possui uma sabedoria e uma visão de mundo que parecem não ser compatíveis com a mentalidade ainda conservadora da cidade.

O título original do livro, To kill a mockingbird, faz referência a um pássaro que não existe no Brasil. Em uma pequena passagem no texto eles fazem referência a esse pássaro (que está traduzido como pássaro imitador) dizendo que nunca devemos matar um pássaro imitador, ou mockingbird, pois eles apenas cantam para alegrar os corações. Vemos claramente que o ‘mockingbird’ é uma alegoria que possui grande significado sobre algumas pessoas desta cidade.

O livro é lindo. Embora seja narrado por uma garotinha, o texto é suave, envolvente e, mesmo que seja de décadas atrás, é muito atual. Maycomb é uma cidadezinha que pode representar qualquer cidade do mundo com seus preconceitos, suas rivalidades e seus heróis. Um clássico da literatura estadunidense que todos devem ler; traz lições que podem te fazer chorar ou sorrir, mas, com certeza, vão te fazer pensar.

+ no blog

site: http://enlatadosliterarios.wordpress.com/2013/03/06/o-sol-e-para-todos-to-kill-a-mockingbird-harper-lee/
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Barbara 21/04/2014

Livro Maravilhoso
Esse livro está na lista dos melhores livros que já li, é simplesmente lindo.
Não entendo pq os blogs e vlogs literários qdo falam dele enaltecem tanto o lado sério, que seria no caso o racismo. Quando peguei o livro pensei com meus botões: respira fundo pq será um daqueles clássicos chatos.
Caramba, o livro é escrito por uma criança de 8 anos, uma menina para ser mais exata, super pentelha, curiosa, e que tem o poder d suavizar a temática... Deixando o livro em muitos trechos divertido! Indico esse livros principalmente para os pais, pois dá uma puta lição de educação, e indico para os estudantes de direito, pois trata muito bem do social e da moral jurídica. Mas no fundo serve para td mundo! acho q uma criança com 12 anos já poderia curtir bastante o livro.:)
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Manuela 01/02/2014

Fechar um ciclo para começar outro. Fechar um livro para iniciar outro. Mas como me desvencilhar dos murmúrios que ainda me tomam, trazidos por "O sol é para todos"?

Na noite de ontem, um 31 de janeiro intenso, cheguei à ultima página do melhor livro que li nos últimos tempos. E foi um número considerável de livros, e tem sido cada vez mais.

"To kill a Mockingbird", um título muito mais interessante do que aquele que se dispôs a tradução. Os Mockingbirds, pássaros cantores, cuja atividade cotidiana é cantarolar, podem ser lembrados pelos leitores de "Jogos Vorazes" por ser uma das partes genéticas que gerou o ficto "Mockingjays" (creio que seja esse o nome). Na pequena cidade, encrustrada em Alabama, não há pecado maior do que atirar em um Mockingbird.

Nessa mesma cidade vivem os irmãos Jean Louise (Scout) e Jem, filhos do velho Atticus, único advogado da família Fintch, que os cria com o auxílio de Calpurnia, uma mistura de doméstica e babá, e referência feminina das crianças que perderam a mãe quando Scout tinha apenas dois anos. E é a menina Scout que nos conta a emocionante história, com a leveza e sutileza passíveis apenas em crianças, de uma cidade, de uma cultura, de uma sociedade, com suas dubiedades e crenças.

Haper Lee conseguiu entrar para a história literária com um único livro. Apenas este, em toda a sua vida, que ainda se mantém, foi publicado. Não sei se outras foram criadas, mas esta persiste no tempo, tem edições esgotadas, e custam pequenas fortunas no estante virtual, rs.

Há um arrependimento, ter encontrado esse livro tão somente agora, prestes aos 30 - ainda que me restem alguns anos para esse momento tão bausaquiano.

Fechei o ciclo, mas duvido que a pequena Scout deixe de passear por minhas memórias e pare de me contar sobre seus truques e travessuras, sobre a descoberta do seu mundo, e sobre Boo Radley - quando o capítulo final resolveu que era chegado o momento de arranhar meu coração.

Àqueles que persiste qualquer receio, encarem a história sem medo. Vale a pena.
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Thami 05/01/2014

Uma, duas argolinhas: O Sol é Para Todos
Marie Louise – ou Scout, como todos a chamam – é uma menina vivendo em Maycomb, uma cidadezinha no Alabama. No começo do livro, parece que a história não vai muito além disso: as aventuras e travessuras dela, de seu irmão mais velho, Jem, e de Dill, o amiguinho que aparece nas redondezas durante o verão. Há um grande mistério que é ponto de partida para muitas destas aventuras e que eles fazem de tudo para desvendar: o vizinho, Arthur (Boo) Radley, sobre quem eles ouvem várias histórias esquisitas e que não sai nunca de casa.

Contudo, conforme as personagens vão crescendo, começamos a vislumbrar, através dos olhos de Scout, o mundo adulto que os cerca e ficamos sabendo que Atticus, o pai de Jem e Scout, foi o advogado escolhido para defender Tom Robinson, acusado de estupro. Todas as provas apontam que Tom, na verdade, é inocente, mas nada é tão simples: Tom é negro, em uma sociedade que acaba de passar pela Grande Depressão e ainda extremamente preconceituosa. Scout não entende muito bem o que está acontecendo e, apesar de não saber o que significa “nigger-lover” (ouvi dizer que traduziram como “xodó de criolo” na edição brasileira), ela fica ofendidíssima ao ouvir outras pessoas acusando Atticus de ser um, porque pelo tom que as pessoas usavam, parecia ser algo muito ruim.

Se levarmos em conta apenas o clímax do livro, o julgamento de Tom Robinson, podemos dizer sem correr muitos riscos que o livro trata de racismo. Mas, analisando de uma maneira mais ampla, percebemos que não se trata só disso. O que está em jogo são diversos tipos de preconceitos e mais: a questão das aparências. Em O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird, no original) nem tudo o que parece é. Ao longo do livro, vários preconceitos apresentados pelas personagens são desmentidos, se provam errados e injustos. E o crescimento e amadurecimento das crianças se baseia, principalmente, neste aprendizado sobre a falsidade, sobre a injustiça de todos estes preconceitos. O final do capítulo 23, um dos trechos que mais gostei no livro, mostra esse crescimento e como é difícil e confuso passar por ele:

“‘Eu também pensava assim quando tinha sua idade’, ele disse, afinal. Mas se só existe um tipo de gente, então por que é que eles não se entendem? Se são todos iguais, então por que é que se desprezam tanto? Scout, acho que estou começando a entender uma coisa. Acho que estou começando a entender por que Boo Radley ficou fechado em casa esse tempo todo… Deve ser porque ele quer ficar lá dentro’.”

Mas mesmo tratando de assuntos tão pesados, a leitura tem diversos momentos de leveza. A linguagem é simples, a narrativa é deliciosa: do tipo que nos faz sorrir, ficar apreensivos, ficar tristes, refletir.

“O Dill desligou-se novamente. Na sua mente sonhadora, flutuavam coisas belas. Ele conseguia ler dois livros ao mesmo tempo em que eu lia um, mais rápido que um relâmpago, mas preferia o seu mundo de outra dimensão. Um mundo onde os bebês dormiam, à espera de serem colhidos como lírios da manhã.”

O livro pode até ter sido escrito em 1960, mas ele trata de assuntos que, assustadoramente, ainda são muito atuais. Ainda vivemos em uma sociedade em que as pessoas são muitas vezes julgadas e até mesmo condenadas, apenas com base na cor de sua pele, nos seus hábitos, no seu sexo.

Nota: 5/5

site: http://umaduasargolinhas.wordpress.com/2013/03/18/o-sol-e-para-todos/
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Fernanda 23/09/2013

O sol é para todos - Harper Lee
Incrível. O livro é totalmente bem orientado, com fatos de preconceito e conceito da época dos anos 30, através de pequenos aprendizados em crianças. Jem e Scout são filhos e Atticus Fincher, um cavalheiro e bom homem, advogado em Maycomb (Símbilo dos conservadores estados do sul dos EUA. Mas a família Ficher constituída por Atticus e seus filhos estão livres desses conceitos reinantes na cidade. Vêem através de uma ideia diferente. Um dos temas principais que Scout narra está o julgamento do pobre Tom Robinson, um negro (que na época não passada de um simples empregado), quer fora acusado de estuprar uma branca. Atticus é encarregado do caso, mas a cidade encara como se ele fosse um
"amande de negros". Com isso a perseguição assola sei filhos e seus parentes. Uma perseguição moral e psicológica ao decorrer do julgamento de Tom. Ao decorrer da história várias lições são aprendidas pelas crianças através de sua boa convivência com a vizinhança. Boo Radley é um mistério para as crianças e diversos outros modos de viver dos vizinhos. Calpúrnia uma mãe para as crianças, uma negra que trabalhava para Atticus Ficher na cozinha ajudara a criar as crianças, com a falta da mãe que falecera. É uma história envolvente e ótima. Vale a pena.
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Mari Ferginari 23/07/2013

Muito além de um bom livro
O que dizer de O Sol é para Todos? Me sinto pequena e medíocre (como aspirante a escritora) diante de tão maravilhosa obra. É quase que indescritível dizer o que essa obra causou em mim. Seu valor é imutável e se perpetua através dos anos.
Comecei a lê-lo como se lê qualquer clássico da literatura: com expectativas, mas incerta do que iria achar. Terminei o livro com vontade de aplaudi-lo de pé. Harper Lee, nem um infinito de 'obrigados' seria suficiente para expressar minha gratidão por ter escrito essa obra perfeita.
To kill a mockingbird, o título original, era um mistério para mim quando comecei a ler. Entretanto, quem realmente leu o livro por inteiro pode capturar a essência filosófica e moral de seu significado.
Olha, pode até ser que eu mude de ideia, mas no presente momento eu considero esse livro o melhor que já li na vida. É até difícil descrever o que exatamente me agradou e me fez ficar apaixonada pela obra. tudo que posso dizer é que foi tudo. cada coisinha. de Scout Finch até Mrs. Dubose. Eu amei cada capítulo, página, frase, palavra, letra... O livro despertou em mim uma gama de sentimentos variados. Emoção, indignação, pena, medo, alegria, risos, surpresa, admiração. É o tipo de livro que mexe de verdade com quem o lê.
Como não amar Scout, Jem e Dill? Como não admirar Aticcus Finch? Um ser humano irreal, mas que representa tudo que esperamos de um ser humano real. Eu me pergunto se é possível alguém ler esse livro e não gostar pelo menos um pouquinho. Para mim é impossível. O Sol é para Todos ficará para sempre marcado em minha vida como a obra mais inacreditavelmente perfeita que jamais imaginei ler.
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San 07/07/2013

Inesquecível!
Um dos melhores livros que já li e reli. Sob a ótica do preconceito na visão de uma garota percebemos que somos muito preconceituosos não apenas com relação à cor da pele, mas também, nas pequenas coisas da vida. O olhar infantil nos faz perceber que a vida é muito mais simples do que a gente, quando adulto, imagina. Complicamos demais. Esquecemos que fomos crianças também. Esse livro deveria fazer parte da grade escolar, porque os personagens têm muito a nos ensinar.
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Jak 28/05/2013

Bom, Harper Lee consegue criar uma atmosfera envolvente com personagens cativantes e ao mesmo tempo complexo. O livro chega a um climax que não consegue um desfecho completo e merecido. O contexto fica devendo na resolução de mistérios como o de Boo Radley, e em grandes acontecimentos como a morte de Tom Robinson. O final ficou inconcluso devendo alguns fatos.
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chaany 27/05/2013

" - Mas se só existe um tipo de gente por que é que eles não se entendem? Se são todos iguais, então por que se desprezam tanto?"

O Sol É Para Todos é atualmente considerado um clássico da literatura estadunidense por retratar de forma muito realista a questão do preconceito racial vivida durante a década de 30 nos Estados Unidos.
A trama se desenvolve na pequena e fictícia cidade de Maycomb, localizada nos sul dos EUA e é contada através dos olhos inocentes da pequena Scout, uma menininha de 6 anos muito questionadora, que passa a observar ao lado de seu irmão Jem e de seu amigo Dill, algumas das contradições que existiam naquela sociedade que os cercavam.

O livro é dividido em duas partes: a primeira relaciona-se com o grande mistério que rodeia um dos vizinhos de Scout, o misterioso Boo Radley, que estava trancado dentro de casa há 25 anos e acabou se transformando na obsessão das pequenas crianças que desejavam um dia conseguir dar uma boa olhada na figura.
A segunda parte do livro é a que possui os maiores conflitos da trama e que gira em torno do negro Tom Robson, que está sendo julgado pelo estupro de uma branca. Quem se torna o advogado de defesa do negro é Atticus, o pai de Scout, e imediatamente toda a sua família se torna vítima da intolerância da cidade de Maycomb, que não aceita o fato de um negro receber uma defesa justa, independente ou não de todos saberem que ele possa ser de fato inocente.

É nessa parte do livro que a inocência das crianças se torna um dos temas centrais do livro, pois as únicas pessoas que realmente são capazes de se emocionar e chorar diante da injustiça social são as crianças. E quando os adultos percebem a emoção das crianças, a única coisa que eles se limitam a dizer é: "O instinto dele ainda não foi reprimido. Mas deixe-o crescer um pouco mais, e ele não se sentirá mal, nem chorará" (p.259), ou então: "Já fizeram isto antes, fizeram esta noite e farão outra vez, e quando isso acontece... parece que apenas as crianças choram" (p. 274).
Maycomb parece ser uma cidade formada por pessoas hipócritas e que nem se esforçam para disfarçar. Uma cidade onde a tradição familiar é o maior valor que uma pessoa pode ter e onde os brancos não se misturam com os negros, nem com os caipiras, nem com os pobres.

"Jem, como é que alguém pode detestar tanto Hitler e ao mesmo tempo ser ruim com gente daqui mesmo, hem?" [Scout perguntando sobre sua professora que se indignava com o nazismo anti-semita, mas odiava todos os negros].
Esse é o tipo de questionamento que na minha opinião envolve algo que começa a explicar o título original do livro "To Kill A Mockingbird". No livro, há uma breve passagem onde Atticus ensina aos filhos sobre o grande pecado matar um Mockingbird, pois eles não fazem nada além de cantar para alegrar a vida dos humanos. Vi algumas resenhas por ai que comparam Boo Radley e Tom Robson com os mockingbirds, pois eles são pessoas inocentes atacadas pela sociedade em que se encontram somente por serem incompreendidos.
Já no meu ponto de vista, quem realmente é 'um mockingbird' são as crianças da obra. Elas não fazem nada além de serem ingênuas, mas essa ingenuidade ou pureza tende a ser totalmente destruída com o passar do tempo, pervertida pela sociedade. Há quem diga que o final do livro é cheio de esperanças e fé em que um dia a sociedade se modificará e os preconceitos deixarão de existir, mas penso que essa fagulha de esperança que o livro deixa é bem pequena. Na verdade, tendo a crer justamente no contrario: que O Sol É Para Todos é um livro onde a sociedade perverte a inocência das crianças e não importa quantos inocentes ainda morrerão injustamente, pois isso continuará acontecendo pelo menos por um bom tempo já que a mudança acontece em um ritmo muito lento.

No mais, é um livro Bom. Indispensável para quem busca entender a mentalidade na qual se encontrava os Estados Unidos de 30 e para quem se interessa sobre a temática de desigualdade social. Senti falta apenas de que a autora se desprendesse mais dos fatores autobiográficos e desse um final melhor, pois me desapontou um pouco a maneira como o livro acabou. Também parece que algumas pessoas comparam a obra com Dom Casmurro, já que as duas obras são de leitura obrigatória para os estudantes de Ensino Médio de seus países e acho tal comparação nem de longe aceitável. Repito: o livro é bom. Mas daí a compararem Harper Lee com Machado de Assis, me sinto até ofendida!

Nota: 3/5

www.centraldaleitura.wordpress.com
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Renata 22/05/2013

Jem e Scout Finch são filhos de Atticus Finch, um advogado do sul norte-americano da década de 30 no período da Grande depressão, que foi designado para defender um negro da acusação de estupro! Um caso nada fácil e que vai de encontro aos princípios de qualquer outro branco, mas não de Atticus!

A infância dessas crianças, Jem Scout e Dill, um amigo da vizinhança que sempre vai passar as férias em Maycomb, e povoada pelo mistério que envolve a família Radley e um de seus filhos, Boo Radley! A família todos possui hábitos muito estranhos e Boo nunca é visto do lado de fora da casa, as crianças tentam descobrir se ele ainda é vivo e isso vai render algumas boas aventuras!

Porém essa não é a única vertente contada nesse lindo clássico, Scout que é a nossa narradora, uma menina sensível, inteligente e muito sagaz, nos conta um pouco da questão social da época, de como os nomes das famílias estavam impregnados por seus comportamentos, assim, uma família seria sempre conhecida por que roubava, outra porque seus membros não gostavam de trabalhar e assim por diante, cada família com seu estigma, que os membros carregariam mesmo se fossem diferentes! A sociedade julga a parte pelo todo, era assim que acontecia!

Scout, a nossa adorável narradora, não é como as outras garotas, além de não usar os tradicionais vestidos cheios de fru-fru, ela adora brincar com os meninos, sua personalidade forte da um toque especial à narrativa que é tão simples quanto pode ser uma história contada por uma criança, acrescentada aí, a força e determinação que aprendeu com o pai que a ensinou a ler antes mesmo que ela fosse para a escola! É fácil esquecer que é uma criança que está narrando a história e notável o tato do autor ao tratar fatos tão intensos de tal ponto de vista, o terreno no qual ele andou, era perigoso, mas ele praticamente flutuou sobre as ameaças! Perfeito!

O Sol é Para Todos, que foi citado no filme “As Vantagens de ser Invisível”, fala sobre a condição humana e principalmente sobre a condição do negro na sociedade daquela época, com pinceladas importantes sobre as outras minorias como as mulheres e os pobres Apesar do texto ser de fácil leitura, não espere que o autor vá colocar tudo de bandeja, algumas conclusões ele deixa a cargo do leitor, de forma que deixa margem à várias interpretações de um mesmo fato, ele joga a bomba e fala pra o leitor: - “Ta aí, decide o que você acha melhor!” Ou então: - “Eu quero saber o que você pensa a respeito disso!” E mais uma vez Haper Lee se mostra genial!

Em determinado ponto da narrativa, aparece certo pássaro, o mockingbird, que está no título original da obra, qual seja “To kill a mockingbird”, que tem como característica ser um pássaro copiador, ele repete o canto de outros pássaros entre outros sons, é o mesmo pássaro que aparece em Jogos Vorazes, é uma simbologia linda e muito sutil a relação existente entre o pássaro e todo o resto da história!

Eu teria um zilhão de coisas a mais pra falar sobre este livro e a importância dele, mas vou me ater a dizer que eu amei e que o livro é sensível, forte, inocente no que tange à narrativa e cruel no que diz respeito aos acontecimentos narrados. Mas uma vez repito, é genial, é profundo, emocionante e encantador. Carrego um pouquinho dessa história comigo e não sou mais a mesma depois de tê-lo lido!
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Patricia 21/05/2013

Achei esse livro na estante de um armário na casa da minha avó, e alguma coisa fez com que eu me interessasse. Li a sinopse, e como gosto de livros antigos do sul dos Estados Unidos, decidi ler.
Apesar de ser contado pela perspectiva de uma garotinha, não é um livro muito bobinho e mesmo com a inocência dela em não entender muito do que se passa na história, o livro fala de preconceito, descriminação racial, hostilidade e até mesmo violência, deixando o leitor indignado com as injustiças contra os negros (pelo menos eu fiquei).
Já li, reli e gostei bastante. A obra me prendeu ambas as vezes, enquanto eu entrava na fictícia história de Jean "Scout" Louis, Jem e Dill na cidade de Maycomb.
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