O Sol é Para Todos

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Resenhas - O Sol é Para Todos


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Tainá 28/07/2015

Linda história
A história de duas crianças que vivem no interior dos EUA na década de 1930.
Como, todos apontam, esse livro fala sobre diferentes formas de preconceito (não apenas racismo). Mas fala também sobre valores, justiça, esperança, família, amizade, amor.

O que para mim foi mais especial é como a autora constrói seus personagens infantis. Pois, a sociedade atual ou idiotizam as crianças sempre menosprezando sua capacidade e inteligência, ou as despreza, "adultizando-as ".

Recomendo a todos! Muitas vezes ri, com a perplexidade infantil frente ao mundo adulto; e tantas outra me emocionei com a beleza que li.
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Igor 24/07/2015

Já queria ter lido esse livro há muito tempo, mas estou feliz que esperei pra ler só agora, pude entender e relacionar tão bem sua história com nossa história atual que, até agora, estou surpreso com o quão atemporal é essa livro.

Situado nos de 1930 acompanhamos a pequena Scout, filha do Advogado Atticus e irmã do Jem, vivenciando e aprendendo com a vida. Dividido em duas partes temos o "antes" e o "depois" de um homem negro ser acusado de estuprar uma mulher branca e Atticus defendê-lo na justiça. Confesso que a primeira parte não acontece muita coisa de especial, mais acompanhamos a vida de Scout e Jem na pequena cidade Maycomb e seus moradores, mas após ficarmos sabendo sobre o tal julgamento e passarmos para a parte dois do livro é que a história fica com um clima mais pesado.

Há muito desespero, muito preconceito, muita coisa errada acontecendo que para uma criança é pouco difícil de entender e como estamos limitados apenas no ponto de vista de Scout, vamos pegando apenas partes do que realmente está acontecendo e só isso é capaz de fazer o leitor se sentir enojado por toda humanidade e, ao mesmo tempo, esperançoso por ver que há uma luz de esperança em algumas pessoas.

Não é um livro de leitura fácil porque não é um livro que aborda assuntos fáceis de lidar, mas a simplicidade de escrita e a clareza que a autora passa da visão de uma criança é sensacional. Acredito que "O Sol é Para Todos" é o tipo de livro que todo mundo deveria ler e levar consigo várias lições de vida.
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Lê Vieira 23/07/2015

Ao contrário de muitas pessoas que eu vi nas redes sociais, eu ainda não conhecia este livro e para ser bem sincera não fazia a mínima ideia do que esperar. Iniciei a leitura sem qualquer tipo de expectativa, pronta para ser surpreendida, seja de forma positiva ou não.

A história é narrada a partir do ponto de vista de Scout, uma menina de apenas 6 anos, mas com um coração tão puro que me deu vontade de abraçá-la e proteger de todo mal do mundo. Fui totalmente pega de surpresa com esta obra, em momento algum eu imaginaria que um criança conseguiria me envolver em uma história com uma premissa tão forte, o preconceito.

Durante a narrativa, o leitor começa a conhecer um pouco da rotina dos personagens, em especial a da pequena Jean Louise, ou melhor, nossa pequena e nem tão doce Scout e seu irmão. A princípio não estava entendendo onde o autor queria chegar com as informações sobre rotina, vizinhos, escola, amigos, etc, porém ao concluir a leitura percebi que tudo se encaixou, realmente nada foi dito em excesso.

Atticus, um advogado respeitado em Maycomb e pai da nossa querida narradora, me conquistou. Desde o início a forma como ele criava seus filhos despertou minha atenção. Em uma sociedade movida pelos "bons costumes", ver um viúvo permitir aos seus filhos a possibilidade de criarem suas próprias opiniões e não os aprisionarem nas normas da tal sociedade, foi incrível para mim, com certeza se ele existisse na vida real eu lhe daria os parabéns.

Como a própria sinopse apresenta, há uma tensão na narrativa ocasionada por um suposto estupro causado por um homem negro. Acho que nem preciso comentar muito sobre o preconceito que existia em 1930, não é? Claro que a Scout relata até mesmo o julgamento e devo dizer que esta menina é muito esperta. Consegui sentir nas palavras dela o orgulho que sentia do seu pai ao defender o negro, e a confusão que passava em sua cabeça, já que as mesmas pessoas que se diziam boas estavam acusando outra sem provas.

Ao finalizar a leitura senti que não eu era mais a mesma, já que novas reflexões começaram a me envolver. A pequena Scout conseguiu despertar meu senso de justiça, meu respeito pelas pessoas e a vontade de querer algo diferente e melhor. Agora entendo o motivo de tantos elogios à obra!

site: http://www.confraria-cultural.com/2015/07/resenha-o-sol-e-para-todos-harper-lee.html
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Gabriel.geek 22/07/2015

Digno de um prêmio Pulitzer, mais que uma historia, um relato da vida.
O que dizer de uma autora que lançou apenas um romance em toda a sua vida e que com um hiato de apenas 3 anos foi condecorada com um prêmio Pulitzer e um filme pela a sua obra?, essa é Harper Lee, a norte-americana de 89 anos que atualmente lançou este ano a continuação de” To Kill a Mockingbird”(O Sol é para todos) de nome “Got Set a Watchman” surpreendendo todos os seus fãs com a continuação do seu memorável livro, exatos 55 anos depois.
A história de To Kill a Mockingbird (O Sol é para todos) se passa em Maycomb, um vilarejo racista e preconceituoso do sul dos Estados Unidos. A trama principal começa quando um negro é acusado de estuprar uma mulher branca, lembrando que tudo se passa na década de 30, ou seja, em uma América preconceituosa (sendo o Sul Estadunidense assim até hoje), cabendo ao advogado Atticus Finch a incumbência de defender o negro (acusado injustamente) e aos seus filhos a de aguentar com unhas e dentes as ofensas dirigidas a eles próprios, pelo fato de terem um pai que advoga pelas “pessoas de cor”, denominação frequentemente usada pelos moradores de Maycomb.
Um pouco de tudo, racismo, bullying, maldade, falta de caráter, reunidos em uma história contada de forma doce e inocente pela protagonista criança Scout (filha de Atticus Finch) enquanto ela e seu irmão Jem amadurecem durante três longos anos de muita luta e sofrimento.
Um livro para a vida, não somente pelo tema central e evidente, o racismo, mas também por mostrar que muitos males daquela época ainda persistem depois de passados 55 anos, seja em casos locais ou de grande repercussão como o assassinato de nove pessoas negras em uma igreja em Charleston na Carolina do Sul no primeiro semestre deste ano, coincidência ou não, na mesma Carolina do Sul de “To Kil a Mockingbird” (O Sol é para todos). O livro nos expõe mais um caso no qual a literatura profecia a história, mostrando que não são apenas as distopias de “1984” e “Admirável Mundo Novo” que podem tentar prever o futuro, To Kill a Mockingbird não prevê nada mas consegue destacar bem os defeitos de 1930 que por ventura ainda persistem nos dias de hoje.
Livro obrigatório nos colégios americanos, To Kill a Mockingbird é mais que um livro vencedor de um prêmio de prestigio, mas sim uma reflexão dos caminhos aos quais a humanidade insiste em seguir ano após ano, errando ano após ano.
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Elder Ferreira 19/07/2015

Um história sobre a dignidade humana, ou, mais especificamente, a violência contra esta
Se meus pais me tivessem feito um pouco mais supersticioso, eu diria que as forças do universo trouxeram O Sol é Para Todos até mim. Mas acho injusto reduzir o suor do carteiro e a boa-vontade do Grupo Editorial Record a achismos de meia-tigela. Sendo assim, acredito que os últimos meses não passaram de coincidências curiosas que me levaram até o encontro de um dos clássicos da literatura norte-americana. Eu explico o porquê: no final do ano passado iniciei o projeto Nas Entrelinhas do Mundo que, basicamente, se constitui em ler um livro de cada nacionalidade. Como até então eu ainda estava nos Estado Unidos fazendo intercâmbio, decidi começar os trabalhos por lá. Portanto, convidei meu amigo Zach Patten a gravar um vídeo onde ele pudesse falar sobre que livro norte-americano eu deveria ler como pontapé inicial do meu plano. Ele, sem perder muito tempo pensando, recomendou empolgado: O Sol é Para Todos da Harper Lee.

No final do vídeo, ganhei de presente uma edição de O Sol é Para Todos em inglês, mas por causa do último semestre na universidade tão escuro e cheio de horrores, o livro foi visitado apenas recentemente. Nesse meio tempo em que a obra estava abandonada na estante, consegui estabelecer uma parceria com o Grupo Editorial Record que, para a minha mais animada surpresa, enviou-me no mês passado a nova edição de O Sol é Para Todos sem que em instante algum eu tivesse requisitado o livro. Em face da coincidência tão feliz, decidi enfim iniciar a história da Harper Lee. Por que tinha as duas edições em mãos, não apenas li a brasileira, mas também a norte-americana: To Kill a Mockingbird, para que eu pudesse analisar o trabalho da tradução. Conforme a leitura seguia empolgante, com frequência uma dúvida pairava sob a minha cabeça: "Como eu nunca tinha lido esse livro antes?" Mais do que uma história sobre racismo, O Sol é Para Todos fala da violência contra a dignidade humana que é ainda tão atual, tão contemporânea.

O sul do Estados Unidos tem um histórico de discriminação racial que, entre outros motivos, despontou a Guerra Civil norte-americana no século XIX. Em resumo, os estados do sul apoiavam a escravidão enquanto os estados do norte do país defendiam a máxima de que todos os homens são iguais. O reflexo desse conflito reverbera até os dias atuais, onde até bem recentemente um jovem defensor da "supremacia branca" invadiu uma igreja historicamente negra e assassinou nove pessoas. Uns dias depois várias fotos do jovem foram publicadas onde o mesmo pousava ao lado da bandeira dos Estados Confederados, os estados do sul na época da guerra. A discriminação racial nos Estados Unidos é uma realidade ainda negada por muitos, mas ela ainda se faz presente e não requer análises complexas para ser notada. A maioria dos casos mais chocantes de racismo, provavelmente devido ao contexto histórico, acontecem ou aconteceram em estados do sul do país, como Carolina do Sul, onde aconteceu o massacre na igreja, Mississippi, que por causa dos constantes casos de racismo inspirou a música Mississippi Goddam da Nina Simone, e Alabama, cenário do livro da Harper Lee.

O Sol é Para Todos, publicado em 1960, tornou-se sucesso de crítica ao descrever a crise da consciência humana que sacudiu a monótona Maycomb, pequeno município do Alabama. No início dos anos 1930, o pai da jovem Scout, o advogado Atticus Finch, é indicado para defender um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. Durante os meses que antecedem o julgamento, Scout e sua família convivem com as consequências da discriminação racial sofrida pelo réu Tom Robinson quando Atticus também torna-se alvo do preconceito e ignorância ao começar a ser tachado de "defensor de negro" e ter seus valores questionados. Scout, a jovem narradora da história, é forçada a lidar com questões intrínsecas ao comportamento humano durante a sua, até então, calma infância. O tema da moral é evidente ao longo de todo o romance, especialmente em relação à religião e à percepção do pecado entre os moradores de Maycomb. O questionamento entre o que é certo e errado trespassa as barreiras das leis vigentes na época para chegar na discussão sobre a dignidade humana. Ou, para ser mais exato, a violência contra a dignidade humana.

"Sabemos que nem todos os homens são iguais, não no sentido que alguns querem nos impor: algumas pessoas são mais inteligentes do que outras; algumas têm mais oportunidades do que outras, pois nascem privilegiadas; alguns homens ganham mais dinheiro que outros; algumas senhoras fazem bolos mais gostosos do que outras; algumas pessoas são mais dotadas do que a maioria. Mas há algo neste país diante do qual todos os homens são iguais, há uma instituição que torna um pobre igual a um Rockefeller, um idiota igual a um Einsten e um ignorante igual a um reitor de universidade. Essa instituição, senhores, é o Tribunal de Justiça."

Com uma escrita simples e direta, pois a história é contada a partir do ponto de vista de uma criança, é fascinante acompanhar o crescimento da pequena Scout Finch em seu caminho para compreender o mundo. É inegável que o pai, em toda a sua ética, contribui para o crescimento moral dos filhos quando, se questionado sobre temas polêmicos por Scout, responde de forma concisa ao invés de limitar a conversa com um "isso não é assunto para crianças". Como o Zach comenta no vídeo, Atticus Finch é o advogado que todo o estudante de direito que já teve a oportunidade de ler O Sol é Para Todos almeja se tornar e, como adendo a esse comentário, eu diria que Atticus é o exemplo de ser humano que todos nós deveríamos ser. Considerado uma das grandes figuras da literatura norte-americana, Atticus é a encarnação das maiores virtudes por causa de sua disposição estável de praticar o bem.

"- Quase todo mundo acha que está certo e que você é que está errado.
- Essas pessoas certamente têm o direito de pensar assim, e têm o direito de ter sua opinião respeitada - considerou Atticus. - Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa."

A obra fez tanto sucesso após sua publicação que concedeu à escritora Harper Lee o Prêmio Pulitzer de Literatura em 1961. Desde então, a autora havia decidido não mais publicar nenhum livro até recentemente quando sua advogada encontrou um manuscrito do que parecia ser a continuação de O Sol é Para Todos. A publicação do manuscrito, sob o título de Go Set a Watchman, criou um rebuliço na mídia que foi logo seguido pela decepção entre os fãs do clássico. Embora eu já tenha adquirido o e-book, me detive a iniciar a leitura por causa dos comentários que li sobre essa continuação, todos ressaltando uma completa descaracterização dos personagens. Ainda preciso ler para tirar minhas conclusões, mas há teorias sobre essa continuação, como a que fala que Go Set a Watchman foi escrito antes de O Sol é Para Todos e por isso deve ser considerado uma história independente e não uma sequência.

O Sol é Para Todos é sem dúvida um desses livros que em algum momento na vida acabaremos lendo. A história, infelizmente, se repete no nosso dia-a-dia através de diferentes personagens e em outros níveis de intensidade. É provavelmente por causa disso que o livro continua sendo um sucesso depois de décadas após sua publicação. Mesmo com toda a repercussão envolvendo o que alguns insistem em chamar de a continuação do livro, eu recomendo a leitura de O Sol é Para Todos porque a obra por si só nunca deixará de inspirar as pessoas e de fazer seus leitores questionarem o que entendem por consciência humana. Com um enredo que ganhou o Oscar em 1962 por melhor roteiro adaptado, o romance da Harper Lee pode parecer simples, mas acima de tudo traz ao público temas polêmicos como racismo, injustiça, status social e intolerância que certamente, por algum tempo, ainda serão temas centrais de discussão na nossa sociedade.
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Skoob3rs 17/07/2015

Ambientado no Alabama à época da Depressão, O sol é para todos conta a história de uma jovem garota recém-chegada à maturidade ao mesmo tempo que aponta as raízes e as consequências do racismo, mostrando como o bem e o mal podem coabitar uma única comunidade ou um único indivíduo.
A protagonista Scout vive com o irmão Jem e o pai viúvo, Atticus Finch, um eminente advogado que se dirige aos filhos como se eles fossem sofisticados interlocutores, sempre os induzindo à empatia e à reflexão filosófica, em detrimento das superstições que rondam a ignorância. Atticus coloca suas convicções em prática quando uma falsa acusação de estupro é feita contra Tom Robinson, um dos habitantes negros da cidade. Aceita defendê-lo, concebe argumentos que permitem uma interpretação mais plausível das provas e se prepara para as intimidações que decerto virão no sentido de voltar atrás e entregar o réu ao linchamento.
Enquanto isso, Scout e Jem protagonizam outro drama racista em torno de Boo Radley, um garoto famoso na cidade por viver trancafiado na casa do irmão. As especulações tendenciosas que eles fazem acerca de Boo têm origem na desumanidade da cultura em que vivem. Curiosos, não resistem à tentação e invadem a casa do garoto, mas são repreendidos pelo pai, que tenta incutir nos filhos valores mais humanos. Boo se faz presente de modo indireto, com uma série de atos benevolentes e, a certa altura, intervém numa situação perigosa para proteger Jem e Scout. A educação moral de Scout, portanto, tem dois aspectos: evitar agredir os outros com uma negatividade infundada e perseverar quando esses valores inevitavelmente, e por vezes de maneira violenta, são subvertidos.
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Renata 16/07/2015

Sentimentos sentimentais.
Não sou muito boa com resenhas, me perdoem, este livro e fantástico, chorei muito com ele, voltei a minha infância arteira, as responsabilidades da vida adulta, sinto falta dos meus personagens que se tornaram favoritos da vida, Atticus o pai, e os filhos, Scout quem narra a estória e seu irmão Jem e seu amigo Dill, fabulosa obra muito bem escrita cheia de reviravoltas e um final que você quer mais.
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Maria 15/07/2015

O Sol É Para Todos
A história se passa na década de 30, numa cidadezinha dos Estados Unidos chamada Maycomb, e é narrada em primeira pessoa por Scout, uma garotinha órfã de mãe, filha do advogado Atticus Finch e irmã mais nova de um garoto chamado Jem.

A história começa quando Scout tinha mais ou menos 6 anos, e Jem, quase 10, época em que ela começou a ir para a escola. Nas férias de verão daquele ano, os irmãos conheceram Dill, o pequeno sobrinho da srta. Rachel, uma vizinha. O trio passou a brincar sempre juntos, e o que mais intrigava as crianças era Boo Radley, um vizinho que nunca saía de casa e nunca era visto por ninguém, era quase uma lenda na cidade. A casa Radley era vista como assombrada pelas crianças, que bolavam mil planos para descobrir se Boo realmente estava lá dentro.

Tudo ia bem, até que Atticus Finch foi designado para fazer a defesa de um negro acusado de estuprar uma mulher branca. Grande parte da população ficou revoltada por Atticus estar defendendo um negro, e essa revolta acabou respingando nas crianças. E é na expectativa desse julgamento e no que acontece depois dele, que a história se desenrola.

"- Scout, quando chegar o verão, você vai precisar ter calma diante de coisas piores... Sei que não é justo com você e com Jem, mas às vezes temos que encarar as coisas da melhor maneira possível e saber como nos comportar quando as coisas vão mal... bom, só posso dizer que, quando crescerem, talvez se lembrem disso com alguma compaixão e percebam que não os decepcionei. O caso de Tom Robison é algo que concerne ao âmago da consciência humana. Scout, eu não poderia ir à igreja e louvar a Deus se não tentasse ajudar esse homem.
- Atticus, você deve estar enganado...
- Por quê?
- Quase todo mundo acha que está certo e que você é que está errado.
- Essas pessoas certamente têm o direito de pensar assim, e têm todo o direito de ter sua opinião respeitada - considerou Atticus. - Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa." (página 135)

Pelas resenhas que já tinha visto de O Sol é para todos, confesso que esperava uma narrativa mais pesada, e me surpreendi ao encontrar uma história delicada, sensível, tão linda e gostosa de se ler. Ao descrever a rotina de Scout, mostrar os fatos pela voz dela, Harper Lee conseguiu me envolver e me emocionar.

Gosto muito de histórias que tenham irmãos (talvez porque eu tenha quatro), e ver a relação de Scout com o irmão mais velho, vê-los crescendo ao longo dos quase três anos em que se desenvolve a trama, ver as brincadeiras, os desentendimentos, a cumplicidade e o companheirismo tão característicos entre irmãos, foi muito bom.

"- (...) Olha, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente.
- Eu também achava isso - ele disse, por fim -, quando tinha a sua idade. Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros?" (página 283)

Atticus Finch com certeza é um dos personagens mais marcantes do livro. Tentando criar os filhos da melhor forma possível, tentando ser um bom exemplo para eles, acaba dando lições muito importantes ao leitor.

"- Você preferia não ter que fazer isso, não é?
- É. Mas depois não teria coragem de encarar os meus filhos. Você sabe o que vai acontecer tanto quanto eu, e espero que Jem e Scout passem por isso sem sofrimento e principalmente sem pegar essa doença tão comum em Maycomb. Como pessoas razoáveis ficam possessas quando se trata de qualquer coisa relacionada com um negro eu nunca vou entender... Só espero que Jem e Scout venham me procurar quando quiserem respostas em vez de ficarem dando ouvidos ao que se fala pela cidade. E que confiem em mim..." (página116)

O mundo seria um lugar bem melhor, se mais pais educassem seus filhos como Atticus Finch!

"(...) Coragem é fazer uma coisa mesmo estando derrotado antes de começar - prosseguiu Atticus. - E mesmo assim ir até o fim, apesar de tudo. Você raramente vai vencer, mas às vezes vai conseguir." (página 143)

O Sol é para todos mostra como o racismo, infelizmente ainda presente nos dias de hoje, era forte no século passado. A discriminação chegava em níveis espantosos, fazendo com que grandes injustiças fossem cometidas. Mas não é só sobre o racismo que o livro fala, e sim sobre toda forma de discriminação e preconceito com quem é diferente e não se enquadra em padrões pré-determinados pela sociedade.

" - (...) Ouvi quando ela disse que estava na hora de alguém dar uma lição neles, que estavam indo longe demais, daqui a pouco iam querer casar com brancos. Jem, como uma pessoa pode detestar tanto Hitler e depois falar isso de alguém daqui mesmo...?" (página 307)

A questão do papel da mulher também é retratada no livro, com a tia de Scout querendo que a garota se comporte de uma forma, enquanto a menina prefere ser uma criança ativa. E é interessante observar como era o mundo na época em que se passa a história, na época da primeira publicação e traçar um paralelo com os dias de hoje. O Sol é para todos tornou-se um clássico, e continua conquistado leitores atualmente ao permitir que, ao longo dessas cinco décadas, cada geração possa fazer a sua interpretação da obra.

"Tia Alexandra era obcecada pelas minhas roupas. Como eu podia querer um dia ser uma mulher elegante usando suspensórios masculinos? Quando eu disse que usando vestido eu não conseguia fazer nada, ela retrucou que eu não devia fazer nada que exigisse calças compridas. (...) Além disso, eu deveria ser um raio de sol na vida solitária do meu pai. Respondi que qualquer pessoa podia ser um raio de sol mesmo usando calças compridas, mas minha tia disse que eu tinha de me comportar como um raio de sol também, que eu tinha nascido uma boa menina, mas ia piorando a cada ano. Ela me ofendeu e me deixou muito irritada, mas, quando contei a Atticus, ele disse que na família já tinha muito raio de sol e que eu podia continuar do jeito que era, que estava bom para ele." (página 108)

Somente ao finalizar a leitura, pude compreender o motivo de O Sol é para todos ser uma obra de tanto sucesso, ter ganhado o Prêmio Pulitzer de literatura e inspirado um filme homônimo ganhador do Oscar. As primeiras páginas não me conquistaram, não consegui gravar o nome e as características de alguns personagens secundários, e mesmo assim avaliei o livro com cinco estrelas no Skoob e marquei como favorito. Tudo isso porque no capítulo final, a autora conseguiu me fazer ficar com lágrimas nos olhos, me fez sentir como se o mundo parasse e eu só visualizasse a cena que estava escrita naquelas páginas, a cena que "deixou meu coração aquecido".

Foi interessante perceber como algo que era dito em um certo capítulo, voltava a ser importante e a fazer sentido em outro capítulo. Marquei vários trechos do livro que gostei, e foi bem difícil selecionar só alguns para a resenha, mas talvez o mais marcante e que tenha passado a melhor lição do livro para as nossas vidas, seja o trecho abaixo:

"- Em primeiro lugar, Scout - ele disse -, se aprender um truque simples, vai se relacionar melhor com todo o tipo de gente. Você só consegue entender uma pessoa de verdade quando vê as coisas do ponto de vista dela." (página 43)

Achei a capa dessa nova edição muito bonita, com uma cor vibrante e uma textura aveludada. A diagramação é simples, com margens, espaçamento e letras de bom tamanho; as páginas são amareladas e é possível contar nos dedos de uma só mão os erros de revisão.

site: http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2015/07/resenha-livro-o-sol-e-para-todos-harper.html
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Letí­cia 12/07/2015

Que livro lindo, sensível e cheio de amor!
Dizem que seu tema principal é o racismo, discordo disso, acredito que ele fale muito mais sobre o respeito que devemos ter com o outro, independente de qualquer diferença física ou ideológica. Relata sobre a importância de termos uma vida reta, obediente aos valores que acreditamos mesmo que isso nos custe muito.

É lindo ver o comprometimento do pai em criar duas crianças que sejam éticas e que olhem para o outro de forma igual e que trate com respeito todo o ser humano.

A autora foi muito feliz em trazer essa história pelos olhos de uma menina entre seus 6 a 8 anos, quando ainda temos o coração puro e as bobagens que pensamos quando crescemos ainda são todas regidas pela pura lógica.

Gente é gente, independente de como se pareça ou haja.
Ser nós mesmo ainda é o natural, não temos formas de ser para cada situação.

Li e indico muito! Uma escrita cativante e que te faz refletir em quais situações você está se deixando levar pela opinião dos outros e exercendo uma atitude descriminatória.

Deixo uma das muitas frases espetaculares desse livro.

“…Olha, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: gente.”

site: http://li-e-indico.blogspot.com.br/2015/07/o-sol-e-para-todos-de-harper-lee.html
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Renata 11/07/2015

Comovente e ainda atual
Em certos aspectos, "O sol é para todos" continua atual. O tema central é o preconceito e a desigualdade, abordando questões diferença de classes, a falácia da meritocracia, o machismo, a saúde mental e, principalmente, o racismo. A história se passa durante os anos 30 em Maycomb, condado que fica ao Sul dos Estados Unidos, e é narrada por Scout, uma menina-prodigio de 8 anos que não dispensa uma boa briga, daquelas que que preferem usar calças e brincar com meninos a ser treinada para virar uma "senhora". Scout vive com seu irmão Jen, a criada Cal e seu pai, Atticus Finch, o promotor da cidade. Progressista, é xingado por ser um "defensor de negros", por estar defendendo o operário Tom Robinson, acusado de estupro. Essa questão pode dar um nó em certas mentalidades: por um lado, aborda a solidão de uma mulher pobre vivendo em um lar de homens brutos; por outro, se trata de uma mulher branca em uma época de extremos racismo, portanto, privilegiada em relação ao homem negro. Pela vergonha de ser pega em flagrante seduzindo o homem, ela inventa a acusação de estupro e como resultado, acabamos tendo a desconfortável situação de uma mulher oprimindo um homem. Examinando todo o quadro, nada mais que uma sociedade racista que faz da população negra o bode expiatorio para os problemas com os quais não sabe lidar.

A trama de Tom Robinson de alguma forma se entrelaça à do vizinho recluso que, por nunca sair de casa, desperta a imaginação das crianças que sonham um dia conhecê-lo. Ao contar a história através do olhar da criança, enquanto acompanha seu crescimento, Harper Lee consegue fazer cair por terra qualquer noção deturpada sobre racismo reverso, e ainda falar sobre as hipocrisias humanas de uma forma em que o didatismo não soa artificial, oferecendo mais perguntas e pontos de reflexão que respostas prontas. Um livro belíssimo, de final comovente.

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Bárbara X. P. 10/07/2015

Harper Lee e seu livro amigo
Há livros que tocam bem no fundo do coração; há livros cinco estrelas, mas com orgulho, as maiores estrelas e mais luminosas; há livros que se tornam amigos, e quando se vão, lágrimas afloram; há livros que por si só são suficientes, não precisam de mais nada.
Quando eu ouvia falar ou via a capa de 'O Sol é Para Todos', não sei porque raios pensava que era uma narrativa pesada, com os preconceitos nus e crus nas páginas. Lógico que eu iria querer ler, um clássico, aprenderia mais, porque as apostilas de História da escola nunca bastam. Mas me surpreendi; não é um livro pesado, e nele eu aprendi mais do que simplesmente a História crua.
Scout, uma doce menininha, nos narra aqueles anos em que passou por mudanças e viu muito a sua volta mudar: seu irmão, Jem, ficando mais velho; Dill, seu amigo, tendo mais e mais ideias mirabolantes; seu pai, Atticus, trabalhando em um novo caso e, mesmo assim, não deixando seus filhos abandonados, e várias outras coisas. Mas, apesar disso, algo permanecia: o amor.
Em meio as traquinagens de Scout, Jem e Dill, eles vão desvendando mais e mais sobre seus vizinhos e o lugar onde vivem, a cidadezinha Maycomb. E seu pai envolve-se no caso que acaba se tornando pessoal, o do negro Tom Robinson acusado de estupro por dois brancos, uma moça e seu pai.
Já pensou em uma criança falando sobre estupro? Eu ficava me perguntando como é que ia ser. E me surpreendi.
E é assim, com as brincadeiras, um caso complicado, os parentes (que ninguém pode escolher) vizinhos e amigos que lições valiozas são aprendidas.
Quem não quereria ter um pai como Atticus? Eu, pelo menos, gostaria, então teria três pais: Deus, o meu próprio, e Atticus. Ele é admirável, conseguindo ensinar suas crianças muitas coisas; e, o que é muito importante, ele era um bom exemplo. Mostrava aos seus filhos que o que os falava, fazia, e o que não ensinava falando, mostrava na prática. Não é preciso enfrentar leões literais para ser corajoso; não é preciso ser ofensivo ou surrador para ser firme e diciplinar.
Eu também gostaria de ter um irmão como Jem e um amigo como Dill.
E Scout é uma graça. Ela sabia aproveitar a infância e aprender com os adultos e com o que via. A única vez em que julguei que ela tinha feito uma bobagem mesmo, tive que calar a boca.
Todos eles dariam ótimos amigos, até Calpurnia, a figura que era cozinheira e educadora também das crianças Finch.
Podemos aprender de todas as pessoas, até mesmo as que parecem ser más (e podem realmente ser).
Já estava acostumada em ler o livro. Nem me incomodava que, se eu respirasse um tanto profundamente, sentiria aquele cheiro de livro velho (sabe, a biblioteca é cheia desses, e muitas vezes são os melhores). Ai, ai, eu entrava na história. Uma viagem perfeita, divertida, risonha. Não teria importância se os dias ali eram amarelados pelos tempo, não. E agora que acabou, estou com saudade. Li a última frase e pensei: "Já?"
Mas não foi um "já?" porque o livro é incompleto, é um já porque o livro é completo e amigo. É um dos meus favoritos e amigos, e eu tenho vontade de chorar porque ele me cativou. Com certeza eu o relerei, e relerei novamente.
Li que parece que será lançado o 2, agora o manuscrito foi encontrado, e não recusarei sua leitura. Mas, para mim, 'O Sol é Para Todos' é, como sempre foi, suficiente por si só.
Escrevi essa resenha (não revelei muito, não se preocupe) porque gostaria que todos os leitores e os que se tornarão leitores um dia, passem pela experiência que esse clássico proporciona. Afinal, ele não é ótimo por acaso. ;)
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Ana 06/07/2015

Incrível e obrigatório
Meus princípios foram confrontados. Logo, senti a urgência de indicar " O sol é para todos" de Harper Lee,( sem ironia)"para todos".
Diante de um mundo vasto em preconceitos e intolerâncias, a obra se torna obrigatória.
Não apenas pela atemporalidade e verossimilhança, mas porque propõe uma reflexão sobre os valores que nos foram ensinados não apenas em casa, mas também aqueles transmitidos pela sociedade em geral.
Os personagens irão perdurar em minha memória, a história ainda que narrada de maneira simplória, possuí uma profundidade e uma poesia enraizada que te emociona do início ao fim.
Quando você lê um livro que tira seus pensamentos da " zona de conforto" ...
Você deverá,imediatamente, recomendar!

Segue o trecho que mais me marcou:

(...)" a gente só conhece uma pessoa de verdade quando se coloca no lugar dela e fica lá um tempo."
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amands 06/07/2015

O sol é para todos
“Eu não gostava de ler até o dia em que tive medo de não poder ler mais. Ninguém ama respirar.” Pág.29

O sol é para todos é um clássico estadunidense que é leitura obrigatória nas escolas americanas. E, sinceramente, acho que devia ser obrigatória em todos os lugares.

Eu, particularmente, quando penso em clássicos da literatura automaticamente já penso naquele livro com uma escrita difícil e arrastada. Afinal, a maioria dos clássicos são bem antigos, ou “”””cult””””. Mas não este. Escrito na década de 1960, Harper Lee criou uma história fantástica, atemporal, e com uma narrativa de te prender até a última página.

A história se passa em uma cidadezinha do Alabama, Maycomb, na década de 1930. Em primeira pessoa, o nosso narrador-personagem é a pequena Scout Finch, uma garota de 6 anos que vê o mundo cruel com um par de olhos jovens e ingênuos. Seu pai, Atticus, é um homem honrado e peculiar (e de longe um dos melhores personagens), um dos poucos advogados da cidade. E ele foi designado a defender no tribunal um homem negro, Tom Robinson, que foi acusado de estuprar uma mulher branca.

Scout tem uma vida de criança do campo, brincando com seu irmão mais velho em casa, Jem, e sendo ignorada por ele na escola. Nos verões, ela tem a companhia de Dill, o sobrinho da vizinha que sempre vem visitá-la. Ela tem Calpúrnia de companhia também, a cozinheira negra que faz o papel de mãe desde que a sua morrera quando era mais nova. Seus passatempos preferidos são brincar no jardim e se sujar toda, encenar peças e descobrir porque o misterioso vizinho da casa assombrada, Boo Radley, não sai de casa há quase 30 anos.

“A única vantagem que aquele homenzinho no banco de testemunas possuía em relação a seus vizinhos era que, se fosse esfregado com sabão de lixívia e água bem quente, a pele dele seria branca.” Pág. 214

O livro é polêmico. Fala sobre o racismo e a segregação no sul dos Estados Unidos. É um livro triste, extremamente triste para aqueles que são sensíveis para com a dor alheia, mas belamente escrito. Escrever sobre um assunto tão delicado através dos olhos de uma criança provavelmente foi uma das ideias mais geniais, porque a autora conseguiu transmitir perfeitamente como o racismo (e o preconceito em geral) é uma coisa tão sem noção e que é um costume adquirido. NINGUÉM nasce racista ou preconceituoso, é ensinado a ser assim.

O livro também trás fortes críticas à sociedade. Scout é uma garota-moleque, que gosta de brincar com os meninos e usar calças, enquanto sua tia Alexandra tenta transformá-la em uma dama, e dizendo que ela não conseguirá se casar com um bom homem se continuar com essas atitudes de cabeça-quente e se metendo em brigas. Eu me identifiquei completamente com Scout, e foi a primeira vez que senti uma conexão assim com um personagem.

O grande acontecimento do livro é a briga no tribunal, apesar de que ele não dura muito tempo nem toma a maior parte do livro. Vemos mais o dia-a-dia da personagem e como é a sociedade ao seu redor, que é toda uma construção para a parte do julgamento. Assim, vemos quais personagens são sensatos, quais são preconceituosos e quais são bondosos, mas ‘maria vai com as outras’.

Tom Robinson é acusado de estuprar Mayela Ewell, filha de Bob Ewell. Os Ewell são uma família grande que moram em um lixão e que nunca trabalharam um dia na vida e vivem de pensão do governo. Eles são escória. São os famosos ‘white trash’ (lixo branco). Tom é pai de família e trabalhaor, frequenta a igreja assiduamente e faz parte da comunidade negra. Mas ele não é branco.

Este é um livro que mexe com o seu psicológico, mas que precisa ser lido.

“O tribunal é o único lugar onde todas as pessoas deveriamm ser tratadas como iguais, não importa de qual cor do arco-irís elas sejam, mas as pessoas sempre acabam levando seus ressentimentos para o banco do júri.” Pág.275

Eu sempre me perguntei porque diabos o nome em inglês era ‘To kill a mockingbird’, que a tradução literal seria quase um ‘Matar o rouxinol’. E, devo dizer, que esse também deve ser um dos melhores títulos que eu já vi, e que tem absolutamente TUDO a ver com a trama.

site: http://escritoseestorias.blogspot.com.br/2015/07/resenha-89-o-sol-e-para-todos-i-dare.html
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Batata 04/07/2015

As vezes, a bíblia na mão de um determinado homem é pior do que uma garrafa de uísque.
O livro é narrado por Scout, uma garotinha de 8 anos que tem um irmão, Jem, 4 anos mais velha que ela. Aos 2 anos ela perdeu a mãe, mas não se lembra dela, ela foi criada por seu pai Atticus que é advogado e por Calpúrnia, uma governanta negra. A história se passa no sul dos Estados Unidos na década de 30, após uma grave crise econômica.

A narrativa se inicia com as crianças brincando no quintal de casa. Nas férias eles conhecem Dill, um garoto que começou a visitá-los durante o verão. Eles passam a investigar a vida de Arthur Radley, um homem que depois de um conflito familiar na adolescência, ficou recluso em sua casa e deixou alguns mistérios para a vizinhança.

Scout inicia seu primeiro ano na escola, e com ele várias descobertas. Atticus foi indicado para representar um réu negro acusado de estupro. Seus colegas de sala passam a humilhá-la por ela ser filha de um advogado que defende negros. De temperamento forte, Jean bate nos coleguinhas para defender seu pai, embora não saiba o que as palavras querem dizer, apenas que elas o estão ofendendo.

Jean Louise é solta no mundo, foi criada em meio a liberdade de brincar como desejasse, sua tia Alexandra percebendo o modo como foi criada, tenta educá-la para ser uma dama e passa a mandar na garota. Ao passo que Jem está na adolescência, passando por alguns conflitos, que as vezes incluem Scout.

A história tem uma visão infantil, por ser narrado por Scout. As crianças ainda não foram contaminadas com o ódio, portanto tem um ponto de vista inocente sobre o que está acontecendo no condado de Maycomb. Um homem acusado injustamente somente por ser negro e devido ao preconceito a cidade está contra ele, as crianças veem que as coisas estão erradas, mas não podem fazer nada para mudar isso.

Em paralelo, desvendam aos poucos a história de Radley, um homem que não gosta de sair da sua casa, e que as crianças jamais viram. Muitos diziam se tratar de um homem mal que anos antes cometeu vários crimes. Pequenos objetos misteriosos eram deixados em uma árvore perto da casa de Boo, como gomas de mascar e estátuas das crianças. Que mais tarde descobriu-se tratar de presentes para as crianças.

Maycomb é um condado no sul dos Estados Unidos, historicamente falando, o sul foi resistente a abolição dos escravos. Após a guerra com o norte, mais desenvolvido, eles foram obrigados a abdicar e por isso nutrem um certo ódio pelos negros. Atticus tenta mostrar a cidade que Tom Ronbinson é inocente das acusações, e apesar de todo o seu esforço, ele não consegue salvá-lo. O ódio da sociedade é maior e sucumbe a vida do pobre coitado.

Atemporal, o condado representa uma parcela do mundo que ainda insiste em ser preconceituosa e não entender as pessoas. Tom Robinsons e Boo Radley poderiam ser os vilões desta história, mas na verdade foram injustiçados por uma cidade inteira. Foi preciso a voz de uma garotinha para que um grupo de homens pensassem sobre o que estavam fazendo e não linchassem um inocente. As crianças não foram corrompidas, para elas, todos eram, de certa forma, iguais.

Em certo momento, Calpúrnia, a governanta negra leva as crianças até a igreja que ela frequenta. Ao chegar, por serem brancas, elas são mal recebidas por uma negra da comunidade. O reverendo torna-se amigos deles e durante o julgamento de Tom, eles sentam-se juntos em meio a outros negros.

Dill também não consegue entender porque as pessoas são assim, em determinado momento do julgamento de Tom Robinson ele chora e é consolado por um homem que também não é compreendido. Scout e Jem passam a perceber o quão injusto é a sociedade em que vivem.

Este é um livro sobre ter paciência com as pessoas ao seu redor, muitas delas são preconceituosas e não procuram compreender o próximo. É um livro que nos ensina a se colocar no lugar de uma pessoa para tentar entendê-la. Atticus deu sua cara a tapa quando de bom grado aceitou o caso de Tom Robinson. Mesmo sabendo que teria uma grande chance de não ser bem sucedido, ele tentou, pois saberia que valeria a pena e que sua consciência nunca estaria tranqüila se ele não seguisse seus instintos. Certamente Atticus é o resultado de boas influências dado na infância. Ele seria o resultado do que Scout e Jem presenciaram, metaforicamente.

Harper Lee colocou muito de si neste livro, assim como Atticus seu pai também era advogado e seu irmão era 4 anos mais velha que ela. Esta obra Já vendeu mais de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos e, no último ano, ganhou a recomendação do presidente Barack Obama, que proferiu o seguinte elogio: “Este é o melhor livro contra todas as formas de racismo”.

Este é um livro sensacional, um dos melhores que já li além de ser um dos livros mais procurados do Grupo Editorial Record. Gostaria de agradecer imensamente à editora pela oportunidade de ler obras tão fascinantes, que conseguem me mudar e me fazer querer ser uma pessoa melhor, estou amando aprender com os livros. Gostaria de agradecer também à minha amiga neurótica Raphaela, que presenteei com o livro e que permitiu que eu usasse essas fotos.

Super indico este livro, foi eleito pelos leitores de Modern Library um dos 100 melhores romances em língua inglesa. Terá continuação lançada também pela José Olympio. O filme venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado. Agora eu entendo porque este romance tão significante é leitura obrigatória nas escolas dos Estados Unidos.

Confiram a resenha completa, com citações, fotos e análise acerca da obra no blog O Casulo das Letras

site: http://ocasulodasletras.blogspot.com.br/2015/06/resenha-o-sol-e-para-todos-harper-lee.html
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Tininha 04/07/2015

O Sol é para Todos
Assustador o fato de ainda ser contemporâneo! Vc deveria ler...
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