O Queijo e os Vermes

Carlo Ginzburg



Resenhas - O Queijo e os Vermes


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Edy 29/11/2013

Excelente livro, delícia de leitura, agora entendo porque " O queijo e os Vermes" é um clássico da Microhistória.Como disse anteriormente, impossível não se emocionar com o Menocchio.

Um camponês que lia bastante para sua época, e como ele lia? Como elaborava suas ideias, a partir de suas leituras, e informava que era apenas coisas de sua cabeça, não tinha aprendido com ninguém, era algo sensacional.
A vontade de falar, pregar, explicar suas ideias para o seu próximo em primeiro momento em Montereale, onde muitos não ligavam pra o que ele falava, até o ponto dele afirmar: " Se me fosse permitida a graça de falar diante do papa [...] se depois me matassem, não me incomodaria".
Menocchio estava disposto a morrer pelo que acreditava, queria mesmo era expor sua visão de mundo novo, ideias que só foram permitidas formular graças a invenção da impressa, no qual recebeu emprestados vários livros, no qual leio de uma forma extraordinária que decorava boa parte dos trechos e a liberdade de falar diante do Papa concedida pela reforma protestante.

Tal leitura, levou-me a mergulhar é um processo inquisitório, e perceber através da visão de mundo de Menocchio que é preciso respeitar as diversas crenças e religiões presente nesse mundo.
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Antonio Volnei 17/02/2013

O queijo e os vermes
O autor conta nesta obra apenas um dos muitos julgamentos realizados pela Inquisição promovida pela igreja na idade média.
Um homem, um simples moleiro, resolve desafiar os credos que a igreja defende.
O moleiro mostra por meio de argumentos que muitos conceitos como é o caso do casamento são feitos só como uma forma de controle e que este não vem de Deus como diz a igreja.
Esta é uma obra que vale a pena ser lida só pra se ter uma ideia de como os conceitos e opiniões são manipuláveis.
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Joachin 01/12/2012

Trata-se de uma importante obra porque obrigou os próprios historiadores a repensarem a escrita da história. Até então, no Brasil, a maioria das publicações, na década de 1980, de história eram repletas de jargões economicistas. Quando esse livro apareceu no mercado, o próprio título possuía uma dimensão literária, poética, pouco comum em estudos tidos como sérios. É importante atentar para esse detalhe. Já a trajetória do moleiro Menocchio; a sua defesa apaixonada pelas ideias que regiam sua cosmovisão da formação do universo e da vida diante da Inquisição e os desfechos dessa história são sempre fascinantes. Uma obra para ser lida e re-lida.
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William 19/07/2012

Análise do Livro O Queijo e os Vermes de Carlo Ginzburg (www.paginadowll.com)
O Autor.
Carlo Ginzburg nasceu em Turim na Itália em 1939, filho do professor e tradutor Leone Ginzburg e da romancista Natalia Ginzburg. Iniciou sua formação na Escola Normal Superior de Pisa, concluindo os estudos no Instituto Warburg em Londres...
Ginzburg formou-se em História e passou a lecionar na Universidade de Bolonha. Mas logo se mudou para os EUA onde passou a lecionar nas Universidades de Harvard, Yale, Princeton e da Califórnia, ocupando por duas décadas a cadeira de Renascimento Italiano. Em 2006 retornou a Itália e agora leciona na mesma Escola Normal Superior de Pise onde iniciou sua formação.
Carlo Ginzburg está entre os intelectuais mais notáveis da Itália e seus livros já foram traduzidos para mais de 15 línguas. Estando entre os pioneiros e principal nome da Micro-história.
Micro-história.
Segundo Giovanni Levi a Micro-história surgiu durante os anos 1970, e deriva da crise do marxismo como metodologia e interpretação. Essa falência dos sistemas e paradigmas existentes requeria não tanto a construção de uma nova teoria social geral, mas uma completa revisão dos instrumentos de pesquisas atuais e a micro-história foi apenas mais uma das diversas respostas que surgiram a essa crise.
A micro-história como uma prática é essencialmente baseada na redução da escala da observação em uma análise microscópica e em um estudo intensivo do material documental. Entretanto, não basta somente chamar atenção para causas e efeitos em escalas diferentes. Para a micro-história, a redução da escala é um procedimento analítico, que pode ser aplicado em qualquer lugar, independentemente das dimensões do objeto analisado. O que é alvo de criticas de diversos historiadores.
O principio unificador de toda pesquisa micro-histórica é a crença em que a observação microscópica revelará fatores previamente não observados.
Ainda segundo Levi, apesar das diversas interpretações errôneas sobre à micro-história, ela deve ser entendida como um “zoom” em uma fotografia. O pesquisador observa um pequeno espaço bastante ampliado, mas ao mesmo tempo, tendo em conta o restante da paisagem, apesar de não estar ampliada.

A obra: O Queijo e os Vermes.
Esta pesquisa surgiu por acaso, enquanto Carlo Ginzburg pesquisava sobre uma seita italiana de curandeiros e bruxos, o historiador se deparou com um julgamento excepcionalmente detalhado. Tratava-se do depoimento de Domenico Scandella, dito Menocchio, um moleiro[1] do norte da Itália, que no século XVI ousara afirmar que o mundo tinha origem na putrefação. Segundo ele: “Tudo era um casos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo que o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes, e esses foram os anjos”. Graças ao fascínio dos inquisidores pelas crenças desse moleiro, Ginzburg encontrou farta documentação a partir da qual pôde reconstruir a trajetória de Menocchio num texto claro e atraente, tanto para especialistas quanto para leigos, e desembocar em uma hipótese geral sobre a cultura popular da Europa pré-industrial.
Ginzburg busca neste livro, não apenas reconstruir a vida e o julgamento de Menocchio, mas principalmente entender como essas idéias se manifestaram em sua mente, como surgiram, quais foram seus influenciadores, quais livros leu, como leu, como absorveu o conhecimento contido nesses livros, com quem conversou e assim por diante.
Resumo:
Domenico Scandella, vulgo Menocchio, nasceu em 1532 em Montereale na Itália. Casado e pai de 7 filhos, sustenta a família através de sua profissão de moleiro. Outro dado importante sobre Menocchio é que este sabia ler, escrever e somar.
O moleiro era bastante conhecido na cidade e costuma já há muito tempo blasfemar durante conversas informais pela cidade. Todos escutavam aquilo e não levavam em consideração pelo fato de ele ser considerado uma “boa pessoa”. Entretanto, após algumas divergências com o pároco local, Menocchio começou a se confessar com na cidade vizinha, sendo então denunciado no dia 28 de setembro de 1583 ao tribunal do Santo Oficio por suas diversas heresias.
Em suas conversas Menocchio sempre dizia ter vontade de falar a um rei, papa ou príncipe tudo o que achava que estava errado na religião e esta foi a sua chance. Criticou a igreja, a missa em latim, a santíssima trindade, os evangelhos, o poder da igreja, e apresentou aos inquisidores sua teoria de criação do mundo.
Após meses de interrogatório, Menocchio foi condenado à prisão perpétua e a usar pelo resto de sua vida uma túnica com uma cruz no peito. Ficou então encarcerado por três anos, até que seu filho conseguiu por meios diversos uma espécie de segunda chance para seu pai. Onde este poderia sair da prisão, mas jamais tirar a túnica, sair da cidade ou voltar a blasfemar.
E foi tudo o que Menocchio não fez saiu da cidade várias vezes para trabalhar, tirava a túnica, pois com esta não conseguia serviço, e aos poucos voltou a dizer heresias. Logo foi novamente denunciado,torturado, julgado, condenado e desta vez executado.
Análise.
Este livro narra então à história de Menocchio e busca nela suas leituras, discussões, pensamentos e sentimentos, além de sua cultura e o contexto social em que ela se moldou. Como é possível que um moleiro do interior da Itália do século XVI tenha desenvolvido uma teoria tão complexa e crítica contra os mais diversos dogmas da igreja católica.
Menocchio viveu em uma época conturbada com a invenção da imprensa que possibilitou a rápida impressão e circulação de livros em língua vulgar, a Reforma Protestante de Lutero e a Contrarreforma da Igreja Católica da qual foi vitima.
Para Ginzburg, Menocchio já possuía uma cultura oral camponesa que moldara sua visão de mundo e quando ele entrou em contato com a cultura escrita houve um choque que o induziu a formular opiniões singulares. Um exemplo disso são os mais diversos exemplos de que ele se utiliza para explicar suas teses aos inquisidores, repletos de analogias ao seu trabalho.
Apesar de ler os livros, parece que Menocchio se valia apenas do que lhe dizia respeito, ou seja, suas leituras eram deformadas, mas de forma inconsciente. O autor acredita que o que ocorria era que o moleiro se servia de trechos de diversos livros para validar suas opiniões já formadas pela cultura oral.
Isso mostra como sua reflexão é bem pessoal, apesar de receber estímulos dos livros e das conversas com viajantes. Todas as diversas idéias que ele recebe são processadas em seu cérebro formando assim sua visão única de mundo.
Fechando assim com a idéia de que Menocchio, como diz Carlo Ginzburg logo no inicio do livro é um personagem singular e não representativo, recusando a delimitá-lo respeitando assim sua originalidade, que tanto causou espanto entre os inquisidores.
Esta é a história de Menocchio, um homem simples de uma cidade pequena do interior da Itália, que impressionado pelo que sabia e pelo que lera, teve coragem de blasfemar contra a igreja católica durante o peírodo Contrarreforma. E que graças a Ginzburg e a, se assim podemos dizer, igreja Católica (que guardou toda a documentação deste período) conseguimos conhecê-lo.

Sites consultados:
http://www.infoescola.com/biografias/carlo-ginzburg/ acessado em 04/01/2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Microhist%C3%B3ria acessado em 04/01/2012

Bibliografia:
BURKE, Peter (org.): A Escrita da História. São Paulo: Editora UNESP, 1992, 360pp.
GINZBURG, Carlo: O Queijo e os Vermes; o cotidiano de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo, Companhia das Letras, 2006. 255pp.
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Silvia 15/07/2012

Acho que Carlo Ginzburg deve ter dado pulos de alegria quando encontrou os documentos referentes ao caso do moleiro cheio de idéias próprias a respeito de deus,dos anjos e da criação. O Queijo e os vermes e um livro gostoso de ler, um caso singular que apresenta a cultura popular em confronto com a cultura erudita.
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Coruja 04/05/2011

E começamos mais um mês e mais um tema do Desafio Literário 2011. Os livros que escolhi dessa vez passam todos pelo mesmo tema e, claro, não se trata de uma coincidência: investigações históricas.

Iniciamos então com o pé direito, com o absolutamente delicioso O Queijo e os Vermes de Carlo Ginzburg. Esse livro está na minha lista de leituras desde a época do colégio, continuou lá durante a faculdade e esperou ainda mais um pouco até que um belo dia chega um pacote da Régis com ele no meio. Ia começá-lo no final do ano passado, mas aí apareceu a lista de temas do DL e me segurei até agora. Quando finalmente comecei, não consegui mais largá-lo, emendei com a leitura do Os Andarilhos do Bem do mesmo autor e estou neste exato instante pesquisando o preço de outros livros dele.

O Queijo e os Vermes é um livro curioso, sobre um personagem mais curioso ainda. O moleiro Menocchio é um indivíduo do povo que sabe ler, escrever e interpretar - o que era algo quase impensável numa região rural da Itália em plena Idade Média.

Não estou sendo preconceituosa ou elitista. Tenho plena consciência de que a Idade Média não foi a Era de Trevas e Ignorância que nos foi impingida no colégio isso foi intriga da oposição, digo, dos renascentistas. Mas viver nesse tempo também não era nenhum passeio no parque, e se educação não era uma coisa comum nem mesmo entre a elite, que dirá de um moleiro numa aldeia minúscula de uma região inteiramente agrícola.

É difícil, assim, de entender como Menocchio teve acesso aos livros e idéias que o levaram a criar uma cosmogonia própria, que ecoa panteísmo, mitologia hindu, princípios filosóficos, tolerância religiosa e morais e sociais totalmente deslocados numa sociedade feudal.

É pela capacidade de usar um arcabouço principiológico muito além de sua posição social que Menocchio chamou a atenção do Tribunal do Santo Ofício em 1583 e, quatro séculos depois, o porquê desse processo ter chamado a atenção de Ginzburg.

Tenho uma amiga que é estudante de História. Um belo dia, estávamos conversando não sei bem sobre o quê quando surgiu o assunto desse livro. Ela observou que não entendia porque O Queijo e os Vermes fazia tanto sucesso fora do círculo de iniciados estudantes e historiadores de uma forma geral. Afinal, trata-se de uma investigação histórica que analisa dois processos jurídicos realizados pela Inquisição, não sobre sabás demoníacos, mas simplesmente sobre o caráter herético ou não de uma série de afirmações feitas por um moleiro.

À época, não o tinha lido ainda, de forma que nada pude argumentar. Agora, contudo, tenho uma boa razão para esse gosto que de certa forma me foi inspirado pela própria investigação feita no livro -: a história de Menocchio se conforma a muitas leituras, da mesma forma que Menocchio conformava tudo o que lia à sua visão, ultrapassando inclusive todos os limites de interpretação destes textos.

Aliás, é uma referência cruzada interessante relacionar esse livro ao Superinterpretação e Interpretação de Eco, porque essa questão dos limites interpretativos e até onde Menocchio vai para fazer com que os livros a que teve acesso a Bíblia em vulgata, ou seja, no vernáculo local e não em latim; o Decamerão numa edição não censurada, as viagens de sir John Mandeville, uma coletânea de evangelhos apócrifos, tratados teológico-filosóficos e até, acredita-se, um Alcorão se adaptem a um conjunto de crenças pré-cristãs que permeia ainda a cultura e a sociedade da qual faz parte, junto às suas próprias deduções.

A bem da verdade, houve momentos em que quase rolei de rir com a obstinação de Menocchio, que simplesmente descarta aquilo que não interessa à sua doutrina, não importa quão óbvio ou quão necessário aquele detalhe seja para a completude das teorias apresentadas nesses livros. É quase como se ele brincasse de cortar palavras a esmo de uma página escrita, de forma a montar frases que sejam o exato oposto do sentido geral da folha de onde foram tiradas.

No meio dessa confusão hermenêutica, contudo, a grande verdade é que não importa tanto assim como Menocchio chegou às suas conclusões que é o objetivo confesso do livro e o interesse dos historiadores. O que importa é que a despeito de seu isolamento professar idéias diferentes daquelas da maioria, especialmente numa época em que você pode virar churrasquinho se o fizer, não é exatamente a melhor maneira de se tornar popular em sua vila e do risco que corria frente às acusações pelas quais foi investigado, Menocchio teve coragem de expor suas idéias.

Mais que isso: ele ansiava quase desesperadamente por uma oportunidade como essa, em que poderia falar diante de pessoas que pudessem ouvi-lo e compreendê-lo.

Lemos amplamente O Queijo e os Vermes não para compreender e interpretar uma determinada época, mas porque seu protagonista tem traços de uma verdadeiro herói. Porque ele faz algo impensável, difícil mesmo nos dias de hoje: eleva-se acima de seu status e daquilo que era esperado dele para chocar e quebrar dogmas. Porque ele questiona. E porque é um dos homens mais corajosos ou loucos com que você já cruzou.

Ginzburg, a despeito de estar escrevendo um estudo profundo para um público específico, jamais cai na armadilha dos tecnicismos. Pelo contrário, ele acha que essa é uma história que vale à pena ser contada, e deixa óbvio ao longo de todo o livro sua surpresa, seu prazer, sua curiosidade em relação à figura do nosso bom moleiro.

Ele compartilha conosco sua admiração.

Eis porque O Queijo e os Vermes não é um livro exclusivamente para iniciados, porque vale à pena ler a história de Menocchio frente aos seus consternados inquisidores.
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Nameless 30/04/2011

O conhecimento cria...
Grande obra que prioriza mostrar o choque entre cultura oral ou popular contra os ditos da Santa Igreja. Forma de mostrar como a busca por conhecimento nos torna questionadores e de alguma forma cria repulsa por parte das classes dominantes, que tentam manter a classe mais probre em seu devido lugar garantindo seus privilégios.
Vale ressaltar que isso é visto até hoje na religião, política, economia, etc.
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Stanislaws 21/02/2011

Bruxas e a vida na idade média
O livro do Ginzburg recria numa ficção mas baseado em pesquisa histórica e fatos verídicos a realidade nos tempos da inquisição na idade média. Uma historia dos tribunais, bruxas e dos rituais de colheita.
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*-* 21/10/2010

Menocchio, o moleiro
Durante o século XVI no Friuli (Itália), viveu um curioso personagem: Domenico scandella, masi conhecido como Mennocchio, o moleiro mais blasfemador que poderia existir (ao menos de sua pequena localidade). Menocchio foi microbiografado por Carlo Ginzburg, embasado em documentos do Santo Ofício. Ginzburg fez diversas análises em torno do moleiro friulano, mostrando que um personagem aparentemente isolado do mundo, recebia diversas influencias do mesmo (sobretudo no que tange a invenção da imprensa e a Reforma). Mas o que fez de Menocchio um sujeito excentrico? Ele adorava discutir sobre coisas de fé, com os padres, com os vizinhos, enfim, atacava os sacramentos da Igreja, criou até mesmo um cosmologia, da qual Deus e os anjos, assim, como os homens teriam uma origem comum, assim como os vermes que nascem do queijo... O mais interessante desta obra é a maneira como Ginzburg explana um termo que ele mesmo cunhou: a circularidade cultural. A mesma indica que tanto uma cultura considerada subalterna,quanto uma cultura de elite, podem se entrecruzar, trocar informações, refiltrarssem^^; um choque entra a cultura oral (camponesa) com a cultura erudita (escrita); pois Menocchio era um raro moleiro letrado, e uma vez que teve acesso a leitura, passou ler e ruminar suas leituras, ao seu modo, reinterpretava, selecionava tudo!
*-*
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YURI 22/06/2010

O queijo e os vermes: O cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição
O enredo do livro foi baseado em documentos da Inquisição que foram achados pelo autor sem querer, pois na época fazia um estudo para outra obra. Porém, ao analisar a documentação, percebeu diversas semelhanças com outras análises suas acerca do entendimento sobre a “circularidade” proposta por Bakhtin, a qual ressalta uma relação recíproca entre a alta cultura (ou cultura da classe dominante) e a cultura popular (ou cultura das classes inferiores). Essa relação nos ensina que a cultura popular existia por si só, e não apenas graças a alta cultura, envolvendo um longo debate acerca do tema, já que muitos não acreditam que as documentações relativas às classes populares, mesmo aquelas supostamente criadas por membros destas tenham algum valor, pois se alguém do populacho pudesse escrever algo, com certeza essa escrita estaria voltada para interesses maiores, os quais estariam subordinados àqueles das altas classes. Mesmo assim, Ginzburg não crê nessa desvalorização do populacho, e se arrisca a entendê-lo da melhor maneira possível, não apenas através de números (modelo quantitativo: “x camponeses”), mas tentando, antes de tudo, compreender o seu pensamento.
Ginzburg analisa os textos decorrentes do julgamento de um moleiro, chamado Domenico Scandella, conhecido como Menocchio. Por que ele? Primeiramente pela abundância de informações comparada a outros casos. Segundo pela sua diferença em relação aos outros da sua classe (importante ressaltar que a profissão de moleiro era como uma “classe média”, ou seja, mantinha contatos com as duas outras classes, o que não retira o grande feito de um moleiro saber ler e escrever): ele tinha acesso a livros (que são citados e analisados durante a obra), e através da leitura conseguia entender o mundo a sua própria maneira, ou seja, não vivia pelo que era ditado pela Igreja Católica. Historicamente, o que possibilitou ao moleiro esse seu crescimento intelectual foram dois fatos: a criação e expansão da imprensa, que trouxe a circulação de livros e a Reforma Protestante, trazendo novas formas de se ver o mundo, criticando os dogmas católicos, mas que também trouxe, como conseqüência a Contra-Reforma, movimento que reativou o processo Inquisitorial, culpado pela morte do moleiro Scandella.
Podemos dizer que Menocchio teorizou ou criou uma teoria própria acerca do mundo, uma ampla teoria baseada em vários livros que tinha lido (mesmo muitos tendo sido por pouco tempo, graças aos empréstimos de amigos), que nascia na cosmogonia, ou criação do cosmos, onde explicava a geração do universo, como um caos que seria o queijo (uma massa) e o nascimento de anjos que seriam os vermes. Parte daí as suas idéias sobre Deus e o mundo.
Dessa cosmogonia, ele tendeu a compreensão do mundo e da sua ordem social, onde da pequena aldeia da região de Friuli, assistia uma rica igreja que unida aos grandes nobres tomava conta cada vez mais das terras, enriquecendo consideravelmente. Para ele a Igreja Católica era formada por uma hierarquia sem escrúpulos que colocava na cabeça do povo idéias errôneas sobre o mundo e sobre a ordem espiritual. Vemos isso quando ele critica a virgindade de Maria. É claro que Domenico Scandella durante a sua efetiva prisão não disse todas essas coisas as quais queria dizer (afirmando querer dizer até mesmo ao papa se pudesse), seguindo o que amigos sugeriram: não falar demais. Contudo, com o passar do tempo na prisão, e com as várias perguntas feitas sucessivamente em cada interrogatório, os juizes começavam a retirar informações comprometendo-o, pois o moleiro começou a dizer todos os seus verdadeiros pensamentos (mesmo depois dizendo que tinha sido incitado pelo demônio ou espíritos malignos).
O autor analisa a forma como o moleiro lê e entende as obras que foram encontradas pela investigação em sua casa, junto com as que ele citou em juízo, chegando a conclusão de que ele muitas vezes mudava um pouco a história, não com a intenção de enganar ou montar uma farsa, mas para que aquilo lido condissesse com seu próprio entendimento, o qual consistia não só em leituras, mas também na cultura oral da região de Friuli e da própria Itália, lembrando que isto aconteceu na época da Contra-Reforma, momento histórico onde a teologia era um campo tenso, que trazia divergências complicadas em toda a Europa. Mesmo assim, Ginzburg não consegue padronizar o pensamento de Menocchio, ou seja, enquadrá-lo em um único seguimento, já que ele não se constituía em um Luterano, nem um anabatista, pois sua teoria divergia de ambos. Ele simplesmente possuía um estilo moldado por várias visões, mas que a ultima modelagem foi feita por ele mesmo.
Sobre seus pensamentos teológicos, ou deveria dizer, sobre sua teoria, não tenho intenções de abordá-la em detalhes. Apenas vale ressaltar que ela consistia em um emaranhado de ensinamentos, reunindo pensamentos de diversos filósofos, teólogos, e do próprio Menocchio. Era tanta informação, que o próprio friulano chegou a se contradizer em um dos seus interrogatórios.
Durante um período de três meses, Scandella foi encarcerado, e sendo constantemente interrogado pelos membros do Santo Ofício, sendo por fim condenado pela culpa de heresiarca, ou criador de uma heresia. Ficou recluso durante dois anos, pedindo clemência e finalmente saindo da prisão. Porém, não podia sair da sua aldeia, Montereale. Quando seu filho Zannuto morreu, sua situação econômica agravou-se e pediu para a Igreja liberá-lo do castigo imposto – conseguiu ser liberado para sair e trabalhar em outros lugares, mas deveria ficar com uma espécie de batina, significando seu cumprimento de pena. Isso o tornava para as pessoas um condenado, e atrapalhava-o, por isso muitas vezes não a usava.
Mas o importante mesmo disso foi que ele voltou, alguns anos depois, a pregar tudo o que ele anteriormente pregava, novamente foi investigado e preso. Mas dessa vez, teve que enfrentar a tortura, a poderosa arma da Santa Inquisição, sendo em seguida, condenado a morte.
Segundo Renato Ribeiro, Menocchio foi um herói, principalmente pelo fato de conseguir naquela solidão de pensamentos, sem ter ninguém para compartilhar suas idéias, suas conclusões, até fecharem novamente sua boca. Daí a grande importância do moleiro friulano.
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fbonillo 23/03/2010

Menocchio estava a anos-luz de qualquer cabeça, principalmente por causa da busca da liberdade de pensamento. Belo trabalho do Ginzburg, um poder de concisão quase abusivo
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TeTe 25/12/2009

A contribuição da micro-história em: O queijo e os vermes, de Carlo Ginzburg
Tento aqui apresentar uma descrição com ponderações da obra de Carlo Ginzburg, O queijo e os Vermes – O cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. Publicada no Brasil em 1987, pela CIA. Das Letras, sendo esta edição reimpressa (2ª) em 2006 em São Paulo a obra do italiano traz um olhar novo da História de maneira sofisticada, tornando acessível o conhecimento de um fato que, em certa medida, demonstra o quão presente pode ter sido a resistência ideológica do período e espaço que estuda (os processos inquisitoriais na Itália quinhentista) se essa tivesse sido mais bem registrada, como foi no caso de Menóchio, o moleiro e personagem central do livro. Esse texto é um produto de um novo gênero historiográfico surgido nos anos 80, a Micro-História, da qual Carlo Ginzburg é seu principal pioneiro. Este gênero tem como premissas um recorte de tempo e espaço geográfico reduzidos e uma busca exaustiva de fontes de múltiplos tipos, incluindo oralidades e registros culturais do objeto pesquisado.

A obra trata de um caso em particular dentre os tantos processos da Inquisição na Itália, mais precisamente em Montereale na região da cidade de Friuli. O processo chama atenção pela sua duração e pela sua reabertura e continuação do julgamento do réu, quinze anos depois. O réu é um moleiro de meia idade que desenvolveu idéias próprias, embasadas em leituras particulares, acerca de um tema tão controverso e unilateral no período em que vive e no lugar onde reside. Ginzburg, então, resolve desenvolver uma pesquisa á parte de seus estudos analisando o processo de Menochio, o moleiro que desenvolveu idéias acerca da origem da vida, da existência de Deus, Cristo, dos anjos, dos espíritos malignos e dos homens e por isso considerado herege e denunciado pelo pároco de sua própria aldeia.

O livro dividi-se em 62 pequenos capítulos, introduzidos por dois prefácios, um de edição inglesa e outro de edição italiana, e concluídos por um posfácio. Contém 255 páginas. Seu foco constitui-se ora em narração em terceira pessoa, com descrições das idéias do personagem central e pequenas descrições de idéias semelhantes em outros casos, ora em ponderações do próprio autor do livro.

A idéia central do personagem descrito, Menóchio, que carrega o título do livro, trata-se de uma analogia com os vermes que nascem do queijo com os anjos que nascem de uma massa espiritual que continha o material perfeito para a essência dos seres. Essa massa seria o caos: ”Eu disse que segundo meu pensamento e crença tudo era um caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos” (pag.95, cap.25) e a origem de todos os seres, da qual constituíram-se inicialmente os anjos e dentre eles foi eleito o mais viril e poderoso para liderá-los.

Enquanto descreve o processo do moleiro, Ginzburg usa alguns capítulos para dar ênfase ás leituras de Menochio, julgando estas de vital importância para o desenvolvimento de suas idéias. Entretanto frisa também como o personagem desenvolve idéias próprias e como declara isso aos inquisidores com a convicção de que o leitor, qualquer que seja tem propriedade para tal.

Nesse sentido, é importante salientar que um moleiro, dentro daquela sociedade, era uma profissão que se enquadrava em uma posição de trabalhadores que tem certa possibilidade de acesso á leituras, pois é, naquele período e em tal espaço, uma profissão de nível um pouco destacada em relação ás outras, em suma, pode-se dizer que se tratava de uma profissão de “classe média”. Ponto essencial para entender o desenvolvimento das idéias de Menochio, pois a leitura, ainda que escassa e de pequena bibliografia, foi o que possibilitou seu contato com outras visões de culturas e religiões que diferem em diversos aspectos, daquela que lhe é imposta e aos seus concidadãos. Nesse sentido, vale salientar os capítulos finais do livro, quando Ginzburg dá um exemplo parecido de processo inquisitorial contra um outro moleiro de nome Scolio e atenta para um dado fundamental: “Na Europa pré-industrial, o fraco desenvolvimento das comunicações obrigava mesmo pequenos centros habitados a ter pelo menos um moinho, de água ou de vento. A profissão de moleiro era então um das mais comuns. A presença maciça de moleiros nas seitas heréticas da Idade Média e mais ainda entre os anabatistas não apresenta, assim, nada de excepcional (...) A hostilidade secular entre camponeses e moleiros consolidara a imagem de moleiro esperto, ladrão (...) A acusação de heresia casava muito bem com tal estereótipo. Contribuía para alimentá-la o fato de o moinho ser um lugar de encontros, de relações sociais, num mundo predominantemente fechado e estático. Um lugar de troca de idéias, como a taverna e a loja ”. (pag. 181, cap.59), ou seja, os moinhos era lugares propícios para discussão de idéias consideradas heréticas.

Ainda nessa linha de raciocínio, o moleiro descobre que as relações espirituais desenvolvidas em cada sociedade tem muito a ver com as atividades empíricas ali efetuadas: “Senhor, eu penso que cada um acha que a sua fé seja a melhor, mas não se sabe qual é a melhor...” (pag.94, cap.23), o que é uma característica dele próprio, pois, apesar de suas idéias controvérsias, ainda defende certa religiosidade, mas toda ela embasada em suas experiências empíricas, em suas práticas cotidianas, em sua realidade mais latente. Para Menochio, as idéias do cristianismo muito se distanciam do que ele e seus vizinhos e amigos conhecem e as coisas e fenômenos com os quais convivem inclusive no que diz respeito ás autoridades clericais e seus atos em relação ao divino: “E me parece que na nossa lei o papa, os cardeais, os padres são tão grandes e ricos, que tudo pertence à Igreja e aos padres. Eles arruínam os pobres...” (pag.50, cap.8). Menóchio destaca e usa como argumento, como os atos religiosos de seu tempo estão distantes tanto do que conhece do cristianismo como do que tem como idéias de espiritualismo.

Menochio, ao que parece, tem dificuldades para concluir sua “tese”. Em determinados momentos se contradiz, volta atrás em seus apontamentos e depois os retoma. Ele questiona a existência de Deus como ser personificado e diz ser este o todo que se conhece, ou seja, Deus é, para Menochio, toda a substância, todo o mundo em cada partícula, o produto do caos, do “queijo”. Isso se explica talvez pela escassa leitura que fez e que tinha acesso e, também, pela maneira como fazia suas leituras que, como aponta o Ginzburg, diferia em muito de um sentido mais fiel aos textos que leu: “Vimos, portanto, como Menóchio lia seus livros: destacava, chegando a deformar palavras e frases; justapunha passagens diversas, fazendo explodir analogias fulminantes (...) triturava e reelaborava suas leituras, indo muito além de qualquer modelo preestabelecido.” (pag. 95, cap. 24).

O autor aproxima as idéias de Menóchio á idéias vigentes naquele período que também contestam a hegemonia católica do momento, o anabatismo e o luteranismo em voga na segunda metade do século XVI. Mas ele próprio deixa evidente que se tratam de idéias originais que, apesar de terem a mesma posição no sentido de criar oposição ao cristianismo e existirem possíveis relações entre as idéias, Menóchio desenvolveu seus preceitos como ele mesmo aponta “de minha própria cabeça” e das obras que leu não se tem provas que tenham relação com as doutrinas citadas.

Menochio, apesar da originalidade de suas idéias, sofre com a retórica e a boa oratória dos inquisidores durante os processos, o que o leva a muitas vezes não saber o que responder, talvez pela falta de outras leituras ou pelo pequeno desenvolvimento da dialética de sua tese, tendo em vista que o que conseguiu até o momento do início do processo foi, no máximo, divulgar as idéias que conhecia aos camponeses e aldeões de Montereale, não obtendo críticas que o forçassem a desenvolver boas respostas. Daí surge nele a necessidade de transmitir seus pensamentos á indivíduos que o pudessem ajudar nesse processo de construção de seu pensamento e, para tanto, o moleiro se entusiasma com a idéia de dialogar com os inquisidores, mesmo que isto lhe custe a vida. Entretanto em dado momento, em fins do seu primeiro processo, o que ocorre é o inverso: por conta do calibre da repressão ideológica que se dava naquele contexto, ele acaba sendo convencido de que errara em alguns pontos de suas idéias e aceita que é um herege, talvez mesmo por conta de ter se convencido que estava louco com suas idéias, talvez por medo do que lhe pudesse ocorrer e intentando se livrar da pena que lhe fosse deferida. O que se percebe em seguida é que se tratava deste ultimo aspecto, pois Menóchio, mesmo recebendo punições, é liberto e ao receber concessão para ir a outras cidades (uma das penas que lhe foi aplicada era justamente permanecer sempre em Montereale), retoma suas idéias e volta a divulgá-las, pois sente-se profundamente ferido pela penalização que limitou as fontes de renda de sua família, permitiu que ocorresse a morte de sua esposa e filho sem que ele pudesse trabalhar para outros clientes além dos monterealenses.

Dentre outras motivações que Menóchio obteve para retomar suas idéias, Ginzburg destaca um diálogo com um mendigo judeu, semelhantemente reprimido pela hegemonia cristã. Fato esse que permite um paralelo interessante: em outros capítulos o autor ilustra a rotatividade de livros que, pela sua escassez e difícil acesso, era a melhor maneira de se ampliar o acervo de conhecimento. Nesse sentido, o autor descobre uma série de diálogos diretos e indiretos entre Menóchio e outros personagens que tinham também críticas á religião predominante e novas teorias sobre o espiritualismo. Mesmo Menochio considerando insuficiente esses processos dialéticos, preferindo falar aos doutos detentores de maior sabedoria, tais diálogos contém teor de oralidade aplicado no desenvolvimento de seu pensamento, mesmo que inconscientemente ele tenha dito conceber suas idéias apenas de suas leituras e de sua própria cabeça.

Menóchio tem sua trajetória findada com o encerramento do segundo processo, quando os inquisidores recebem uma ordem fulminante de seus superiores em Roma depois de descobrirem os descumprimentos do moleiro de suas penas e que, sobretudo retomara suas idéias heréticas. Menóchio já muito idoso e emocionalmente abatido é torturado e morto.

No geral, O queijo e os Vermes, traz um exemplo muito interessante de como a totalidade influi diretamente em todos os pequenos fatos do cotidiano das sociedades, sejam elas de qualquer proporção e como, inversamente, os pequenos detalhes fazem frente ás idéias totalitárias. Entendendo que a história, desde o surgimento da propriedade privada, nos mostra a gênese, o desenvolvimento, e a cristalização de classes dominantes e de classes subalternas, torna-se extremamente importante para os historiadores que mais trabalhos como esse sejam feitos, pois registram como as hegemonias políticas, ideológicas e econômicas interferem (e ferem) diretamente a vida de pessoas comuns, trabalhadores, indigentes, etc. E , mais interessante ainda do que mostrar as limitações dessas classes marginais impostas pelas classes dominantes, evidenciam como se dá a resistência contra estas imposições em suas variadas formas e, no caso desta obra, no campo ideológico com ‘suporte’ do cultural.

Podemos concluir que a vital importância da leitura [e da oralidade presente em parte desta] para o desenvolvimento das idéias de Menóchio, a coerência de suas idéias em determinados aspectos, a vitalidade de seus argumentos e a sua convicção sobre suas conclusões, ou seja, todos os questionamentos acerca da ideologia predominante, era exatamente o que se procurava evitar com aquilo que Claro Ginzburg denomina, usando no título de um dos capítulos como “O monopólio do saber”. O livro ilustra bem esse caso com um fato interessante: aqueles processos duraram mais tempo que o habitual provavelmente pela confusão que Menochio inserira nas idéias dos inquisidores, que achavam coerências em suas idéias e sentiam a necessidade de fazer longos intervalos para estudar seus depoimentos.

Este livro aponta para uma perspectiva diferente de resistência, dentre tantas outras que se pode perceber, a resistência intelectual. Menóchio é um exemplo nesse sentido, pois ruma contra o catolicismo hegemônico, apresentando outras perspectivas religiosas de outras sociedades e, o mais interessante, desenvolve sua alternativa própria de percepção espiritual.

Ótima leitura, muito interessante tanto pela abordagem de um tema tão complexo e pela originalidade de um caso pouco conhecido dentre os processos de julgamento de hereges durante a atuação da Inquisição e também pela originalidade e atualidade das idéias do personagem central. Obra interessante para o estudo das diferentes formas de resistência ideológica de classes subalternas, para estudo cultural do declínio da Idade Média.

Carlo Ginzburg é um Antropólogo e Historiador italiano, um dos pioneiros da Micro-História.





Por:

Evandro coutinho

Graduando em Licenciatura e Bacharelado em História.
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