Apologia de Sócrates -

    Platão

    Ediouro
    1997
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-10: 8500801190
    Português Brasileiro

    O que Sócrates condenava no politeísmo oficial era o seu caráter conformista, o que para ele era incompatível com a dignidade humana e a liberdade de consciência. O que Sócrates não tolerava era a opressão do pensamento, fosse em nome do povo, do Estado ou dos deuses. Sua morte foi um protesto contra todas as tiranias, de César ou da Multidão, dos teocratas, dos aristocratas ou dos democratas. Sócrates legou à humanidade uma lição insuperável de grandeza humana condenando para sempre, na pessoa dos seus algozes, a arrogância dos fanáticos e a violência dos medíocres.

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    Dyllan Johnny07/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Onde há sim vergonha há também medo.

    Sócrates era desses incômodos confrontadores, chato iluminado, gênio por natureza. O mais interessante é vê-lo, sem precisar de deuses, seguir firme em sua moral interior. Ele carrega, no discurso, o ouvinte por caminhos disfarçados com perguntas, sem que o entrevistado perceba suas intenções. Ao falar da morte, nos desarma: e se for ela o verdadeiro descanso? E se for uma dádiva muito maior que estar vivo? E se lá, encontrarmos nossas maiores inspirações? Como podemos afirmar que a partida é uma subtração e não um ganho? Diante do fim, ele não treme. Temer o desconhecido seria ignorar a beleza do mistério. (“Aquelas coisas que não sei se acaso são boas jamais temerei nem evitarei.”) “Me diga então, por Zeus: que tão belo feito é esse que os deuses efetuam valendo-se de nós como seus servidores?” “Doar não seria uma arte se déssemos a alguém aquilo de que não precisa absolutamente...” “não há quem venha a se salvar, dentre os homens, depois de se opor genuinamente a vocês (juízes) ou a qualquer outra maioria.” “prefiro muito mais morrer depois de ter me defendido desta maneira a ter que viver daquela. Pois nem numa causa, nem numa guerra, não se deve maquinar isto: de tudo fazer para escapar da morte.” “Para o homem bom não há mal algum, nem quando vive, nem quando morre.” “Mas agora é hora de partirmos: eu, para morrer, e vocês, para viver. Quem de nós vai para melhor, a todos é inaparente..”

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