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    A escrava -

    Maria Firmina dos Reis

    Galuba Editorial
    2021
    48 páginas
    1h 36m
    ISBN-13: 9786599130311
    Português Brasileiro
    4.2
    625 avaliações
    Leram789Lendo19Querem354Relendo1Abandonos4Resenhas136
    Favoritos15Desejados354Avaliaram625

    A escrava, conto publicado no auge do movimento abolicionista brasileiro, é uma excelente introdução à autora Maria Firmina dos Reis, mulher negra considerada a primeira romancista brasileira e cuja obra está sendo redescoberta após décadas de esquecimento. Essa edição tem texto adaptado para o acordo ortográfico vigente, e conta também com uma atualização da linguagem de forma a ser mais acessível aos leitores de hoje. Nessa narrativa poderosa, conhecemos uma mulher abolicionista que se vê na posição de auxiliar e escutar a história de uma escrava que foge de seu algoz. Em poucas páginas, você encontrará uma história que vai reverberar em sua mente por muito tempo.

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    Resenhas (136)Ver mais
    Trilha de livros picture
    Trilha de livros15/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Escrava

    Se você por algum motivo ainda não leu nada de Maria Firmina dos Reis, este conto de 25 páginas pode ser um bom começo. Uma fuga, uma perseguição e um presságio de morte. Quanto de dor um ser humano pode suportar até que enlouqueça? A dor de um coração arrasado por angústias pode ser mais atroz que a dor do chicote. É um mundo muito injusto um mundo no qual um escritor branco, aristocrata, escravagista e abertamente contrário a abolição como José de Alencar seja tão exaltado enquanto uma filha de escrava, mulher, negra e escritora como Firmina dos Reis, foi por tantos anos legada ao esquecimento. A razão é que nem José de Alencar, nem eu e nem você jamais levou uma chicotada nas costas. Nem foi amordaçado e condenado à uma morte em vida. Só quem já teve correntes nos pés é que pode estremecer de tanta indignação diante de uma verdade como esta. Vamos dar os louros a quem merece. Não somente a um, mas a outros e outras que como Maria Firmina de Jesus, Emília Freitas, Francisca Clotilde, Lima Barreto gritaram por uma causa mais que justa e foram sumariamente silenciados. Nem sequer um simples retrato ou pintura de Firmina ficou para a posteridade. Jamais saberemos qual o verdadeiro rosto de alguém que não tinha como pagar por tais luxos, mas podemos ver o seu coração através de sua literatura. "O machado esquece, mas a árvore recorda " Provérbio Africano

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    Maria Firmina dos Reis profile picture

    Maria Firmina dos Reis

    Maria Firmina dos Reis nasceu na Ilha de São Luís, no Maranhão, em 11 de março de 1825. Foi registrada como filha de João Pedro Esteves e Leonor Felipe dos Reis. Era prima do escritor maranhense Francisco Sotero dos Reis por parte da mãe. Em 1830, mudou-se com a família para a vila de São José de Guimarães, no continente. Viveu parte de sua vida na casa de uma tia materna mais bem situada economicamente. Em 1847, concorreu à cadeira de Instrução Primária nessa localidade e, sendo aprovada, ali mesmo exerceu a profissão, como professora de primeiras letras, de 1847 a 1881. Maria Firmina dos Reis nunca se casou. Em 1859, publicou o romance “Úrsula” considerado o primeiro romance de uma autora do Brasil. Em 1887, publicou na Revista Maranhense o conto "A Escrava", no qual descreve uma participante ativa da causa abolicionista. Aos 54 anos de idade e 34 de magistério oficial, anos antes de se aposentar, Maria Firmina fundou, em Maçaricó, a poucos quilômetros de Guimarães, uma aula mista e gratuita para alunos que não podiam pagar: conduzia as aulas num barracão em propriedade de um senhor de engenho, à qual se dirigia toda manhã subindo num carro de boi. Lá, lecionava às filhas deste, aos alunos que levava consigo e a outros que se juntavam. A acadêmica Norma Telles classificou a iniciativa de Maria Firmina como "um experimento ousado para a época". Essa ação inovadora vai de encontro às lutas das feministas brasileiras do final do século XIX que desejam a igualdade de ensino para meninas. Maria Firmina dos Reis participou da vida intelectual maranhense: colaborou na imprensa local, publicou livros, participou de antologias, e, além disso, também foi música e compositora. A autora era abolicionista: ao ser admitida no magistério, aos 22 anos de idade, sua mãe queria que fosse de palanquim receber a nomeação, mas a autora optou por ir a pé, dizendo a sua mãe: "Negro não é animal para se andar montado nele." Chegou também a escrever um "Hino da Abolição dos Escravos". Descreveu-se, em 1863, como tendo "uma compleição débil, e acanhada" e, por conta disso, "não poderia deixar de ser uma criatura frágil, tímida, e por consequência, melancólica." Os que a conheceram, quando tinha cerca de 85 anos, descreveram-na como sendo pequena, parda, de rosto arredondado, olhos escuros, cabelos crespos e grisalhos presos na altura da nuca. Uma antiga aluna caracterizou-a como uma professora enérgica, que falava baixo, não aplicava castigos corporais, nem ralhava, preferindo aconselhar. Era reservada, mas acessível, sendo estimada pelos alunos e pela população da vila: toda passeata de moradores de Guimarães parava em sua porta, ao que davam vivas e ela agradecia com um discurso improvisado. Maria Firmina dos Reis morreu, cega e pobre, aos 95 anos, na casa de uma ex-escrava, Mariazinha, mãe de um dos seus filhos de criação.É a única mulher dentre os bustos da Praça do Pantheon, que homenageiam importantes escritores maranhenses, em São Luís.

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    Maranhão, Brasil

    Maria Firmina dos Reis